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Não é possível uma vida sem amor. Ou com amor adormecido. Se você ama alguém, desperte o amor que dorme! Vez ou outra, faça algo extraordinário. Faça loucuras, compre flores, ofereça um jantar, ponha um novo perfume… Não permita que o amor durma enquanto você está acordado sem saber o que fazer da vida. Reconquiste! Acredite: reconquistar é uma tarefa muito mais árdua do que conquistar, pois vai exigir um esforço muito maior. Mas… sabe de uma coisa? Vale a pena! Vale muito a pena!
—  Pedro Bial.
O meu tempo com a Isabelle foi o melhor da minha vida inteira, mas não me pergunte o porquê, pois assim como o amor, eu não vou saber explicar. Nós fazíamos muitas coisas juntos e nos víamos praticamente todos os dias (e eu amava isso, talvez seja o motivo da dor ser maior e o esquecimento ser impossível). Eu escrevia bastantes textos, frases e tudo era sobre nós dois, mas principalmente sobre o que eu tinha dentro de mim (que era totalmente dela). Ela me transformou em uma pessoa melhor e fez de mim alguém mais perto de homem do que de menino. Eu evolui, e cuidei do que eu tinha. Quando a gente terminou, eu senti o meu coração se partindo pedaço por pedaço. Mas eu a deixei ir, e quis que ela fosse. Abri mão de tudo o que eu tinha e de quem eu mais queria na vida, para que ela se encontrasse de novo, já que estávamos perdidos um no outro. E então prometi a mim mesmo que não queria mais ninguém, não por muito tempo. Repeti inúmeras vezes que ia me tornar frio e sem sentimentalismo, queria ser forte e aguentar a barra (pesada demais) sem que ninguém percebesse, mas de vez em quando alguém pergunta sobre ela, ou eu sinto um perfume na rua, ou qualquer coisa que me lembre, e então percebo que ainda dói, e que talvez nunca pare de doer, mas sei que talvez apareçam dores piores para lidar. Eu me aproximei de outras pessoas e tive casos (eu sei, não se supera alguém se envolvendo com várias outras), e me senti a pessoa mais nojenta, porque estava usando alguém como se não fosse nada. Fiz com que muitas quisessem mais do que só um beijo e depois caí fora. Não importava como, eu só queria esquecer que agora a Isabelle que antes era minha, é de outro. Eu quis ser frio, e fui. Mas no começo eu não sabia mais escrever, porque tudo o que eu escrevia era amor e isso eu não tinha mais. E em algum momento eu pensei que se ser frio significa esquecer quem eu sou ou tudo o que sei fazer, eu não queria. Eu só queria ser eu de novo. O velho Gabriel, com o coração limpo e nenhum drama amoroso. Mas não adianta querer, porque não há como voltar atrás (e acho que, mesmo se desse, eu não voltaria). Ultimamente eu voltei a escrever. Não é grandes coisas, mas dá para me perder um pouco. Só que ainda não sinto nada, por ninguém.
—  O que aconteceu? (Um Gabriel diferente.)
Quem falou que precisa ser a pessoa mais linda desse mundo? O que eu quero mesmo é o que o coração anseia. Eu quero a simplicidade de um sorriso que toque a alma. Um perfume que seja único naquele abraço, mesmo que outras cinco milhões de pessoas também o usem. Eu quero aquela conexão no olhar que não é timidez nem malicia, que não é incomodo nem invasão, aquela conexão que dispara suspiros involuntários e descompassados. Eu não quero nada mais que alguém seja um esboço dos meus desejos mais íntimos e pueris. A perfeição não existe na sua forma mais plena, mas individualmente existe algo muito próximo a  isso, algo que só podemos explicar quando encontramos o amor. Quando todas as letras das músicas do Nando Reis te fazem lembrar daquela pessoa. Da pra saber o que é amor antes de ser? A paixão explode em perguntas dentro da gente, que quando são respondidas e correspondidas nos tiram da linha da razão. Eu particularmente adoro colecionar experiencias, tenho algumas historias para contar, mas vai chegar o dia que todas elas vão ser frutos da mesma mulher, aquela que eu ainda vou olhar nos olhos e sentir aquela vibração unica e diferente. Aquela que vai ser a ultima a dividir a minha cama comigo, que fará eu perceber que não preciso mais buscar amor, apenas doar.
—  Recontador.
O amor não morre. Ele se cansa muitas vezes. Ele se refugia em algum recanto da alma tentando se esconder do tédio que mata os relacionamentos. Não é preciso confundir fadiga com desamor. O amor ama. Quem ama, ama sempre. O que desaparece é a musicalidade do sentimento. A causa? O cotidiano, o fazer as mesmas coisas, o fato de não haver mais mistérios, de não haver mais como surpreender o outro. São as mesmices: mesmos carinhos, mesmas palavras, mesmas horas… o outro já sabe! Falta magia. Falta o inesperado. O fato de não se ter mais nada a conquistar mostra o fim do caminho. Nada mais a fazer. Muitas pessoas se acomodam e tentam se concentrar em outras coisas, atividades que muitas vezes não têm nada a ver com relacionamentos. Outras procuram aventuras. Elas querem, a todo custo, se redescobrir vivas; querem reencontrar o que julgam perdido: o prazer da paixão, o susto do coração batendo apressado diante de alguém, o sono perdido em sonhos intermináveis e desejos infindos. Não é possível uma vida sem amor. Ou com amor adormecido. Se você ama alguém, desperte o amor que dorme! Vez ou outra, faça algo extraordinário. Faça loucuras, compre flores, ofereça um jantar, ponha um novo perfume… Não permita que o amor durma enquanto você está acordado sem saber o que fazer da vida. Reconquiste! Acredite: reconquistar é uma tarefa muito mais árdua do que conquistar, pois vai exigir um esforço muito maior. Mas… sabe de uma coisa? Vale a pena! Vale muito a pena!
—  Pedro Bial.
E ontem ela chegou perto de mim e disse com aquele sorriso lindo que ela tem “sente o cheiro” pulando nos meus braços, “comprei um perfume novo”, e tu não imagina o susto que tive quando senti aquele perfume. É Ane, era o perfume que você usava. De repente ela não entendeu minha cara de assustado, nem meus olhos lacrimejarem, mas me perdi em memórias suas. Eu não sabia o que dizer e só comecei a pesar em você, com aquele cheiro me fazendo lembrar de tudo o que o vento já tinha levado, sei lá pra onde. E me deu saudade. Puta merda, que saudade que me deu Ane. Então eu vim pra casa, disse que não estava muito bem, e cá estou eu. Escrevendo mais uma vez pra você. Mas não devia ser assim certo? Aquela moça de sorriso lindo é minha namorada agora, eu não devia me sentir assim em relação à você! Mas aí eu me lembro de como o seu sorriso é mil vezes mais lindo. Lembro de toda sua eletricidade e desespero pra me contar tudo o que aconteceu com você como se o mundo fosse acabar  hoje e você não tivesse tempo de dizer tudo o que queria. Me lembro que aquele perfume, caí muito melhor em você com sua calça jeans e seu tênis vermelho todo esfolado. Me lembro das piadas mais sem graças e mais sem noção do mundo mas que você contando fazia sentido e ríamos sem parar. Eu me lembro que você é inesquecível Ane. De repente, eu me lembro que não te esqueci. Que mesmo estando com uma garota incrível do meu lado, ninguém nunca vai conseguir ser tão incrível quanto você. Com aquele jeito bobo e simples de se encantar com tudo o que te rodeia. Com aqueles olhos brilhantes me pedindo pra olhar o céu e esperar passar uma estrela cadente. Com aquele jeito que me fazia ficar sem jeito perto de você. Me desculpe Ane, sei que prometi não escrever mais pra você, mas eu precisava te contar, eu ainda não sei esquecer você.
—  Últimos escritos para ela, Flávia Oliveira.