perda

Texto - Dor da perda.

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade, o que mais dói é a dor da perda. Saudade de um irmão que mora longe. Dor da perda de um conhecido, um parente, um amor, que faleceu. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Doem essas coisas todas. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

“O tempo resolve tudo”, eles disseram. Acredito que quase tudo. Cura um joelho ralado, mas não cura a ausência de uma vida perdida; da fim à distância, mas não permite mais um abraço daqueles que se foram. Talvez o tempo seja aliado para vários fatores, mas sinto que a cada dia que passa, a dor da sua morte aumenta mais e mais. É a saudade que não termina, a ausência que perdura e o teu lugar, que jamais será ocupado por outra pessoa.
—  Passarinho.
Se nos segurarmos com força a qualquer coisa dada a nós, sem a disposição de deixar isso ser usado como o Doador quer que seja, então tolhemos o crescimento da alma. O que Deus nos dá não é necessariamente ‘nosso’ mas somente nosso para devolver a Ele, nosso para renunciar, nosso para perder, nosso para deixar ir, se quisermos ser quem verdadeiramente devemos ser. Muitas mortes devem acontecer para atingirmos maturidade em Cristo, muitos ‘deixar ir’.
—  Elisabeth Elliot, citada por Francine Veríssimo em “21 dias com minha amiga Elisabeth”