pequena max

Segunda Temporada- Capítulo 29

Dois dias se passaram desde que eu deixara o hospital, e as coisas não podiam estar melhores. Tudo estava correndo bem, a única exceção era a minha perna que realmente havia quebrado. Eu possuía algumas dificuldades para andar, mas já tinha me acostumado a usar as muletas. Clara me ajudava bastante, e Pepa também.
Por incrível que pareça, as duas estavam se dando mais do que bem. Pepa entendera que eu e ela éramos passado como casal, mas manteve a amizade comigo sem problema algum, tanto por ela quanto por Andrew. Clara não se sentia mais ameaçada por Pepa -mesmo que não houvesse razão alguma para isso-, e começara e tentar ser amiga da outra mulher. Isso estava dando certo pelo fato de eu estar praticamente esquecida pelas duas, que ficavam de um lado para o outro enquanto eu repousava a perna no sofá, brincando com Andrew e Max.
Por falar neles, ambos estavam se dando muito bem. Andrew sempre considerou Max um irmãozinho, e desde que o menor chegara, eles não se desgrudavam. Andrew seguia Max para onde quer que ele fosse, fazendo todas as suas vontades e ajudando-o com as suas pequenas obrigações. Max era acompanhado pelo irmão quando ia almoçar, tomar banho, lanchar, brincar e até mesmo dormir. Por essas e por outras razões, Clara e eu pensamos em fazer um único quarto para os dois quando comprássemos nossa nova casa no Brasil.
Apesar de os dias estarem bastantes corridos, nossa viagem de volta para o Brasil estava marcada, e seria ainda esta semana. Eu estava ansiosa para voltar para casa, e minha mãe queria logo ver Max, Clara e eu.
-Ei, como está a perna, hein? -Mayra perguntou, sentando-se ao meu lado e dando leves tapas no local de uma forma implicante.
-Ei! Não faz isso… -Eu disse, retirando sua mão e rindo junto à ela. -E se você quer saber, está bem melhor do que antes. Eu aprendi a não ligar para a dor. -Respondi, e ela sorriu maliciosa.
-Que bom, porque você vai ter que controlá-la esta noite. -Mayra disse, e em seguida levantou-se e saiu sem dar nenhuma explicação. Movi a cabeça um pouco confusa, mas acabei rindo daquilo. Minha intuição dizia que alguém estava tramando alguma coisa, e eu tinha certeza de que Clara estava envolvida.
Com a ajuda das muletas, eu consegui me levantar e fui procurar Clara no hotel. Fui praticamente pulando pelo hotel atrás da loira, e pude encontrá-la na parte da cozinha, preparando algo para Andrew e Max comerem. O cheiro de sua comida estava maravilhosa, seus dotes culinários desconhecidos ajudando a melhorar aquilo. Entretanto, o cheiro de seu perfume sobressaía a tudo. Inspirei fundo e tentei chegar de fininho por trás da loira, mas tudo o que consegui foi quase cair com aqueles troços na mão e uma tala na perna. Clara virou rapidamente para mim, um pouco assustada, e ao descobrir o que eu estava fazendo, ela caiu na risada. Bufei fingindo irritação e ela riu ainda mais, vindo até mim e rodeando minha cintura.
-Você deveria estar aqui? -Ela perguntou, ainda risonha. Revirei os olhos e ela riu, abraçando-me e depois se afastando e dando um beijo firme em meus lábios. -Mas agora sério, não força a perna. -Clara disse, mudando um pouco o seu semblante e ficando um pouco mais séria. Neguei com a cabeça e ela fez uma careta engraçada, cerrando os olhos.
-Tenho tempo para descansar a perna. -Eu disse e Clara mordeu o lábio inferior, contendo um sorriso.
-Falaria algo, mas é melhor deixar para lá… -Ela disse, e depois tentou me beijar. Eu afastei o rosto e a encarei curiosa, mas ela apenas soltou breves risadas e continuou suas tentativas de beijo.
-Você não vai me dizer? -Perguntei e ela riu, negando. -Tem algo have com o que a Mayra disse para mim, sobre controlar a perna esta noite? -Perguntei e Clara parou o riso logo depois, fechando a boca e provavelmente xingando Mayra por dentro. -Bingo! Você tem que me contar! -Eu disse, porém Clara negou.
-Não. -Ela disse.
-Não vai dizer nada? -Perguntei, começando a ficar frustrada e Clara negou, novamente sem dizer uma palavra. -Qual é a de vocês? -Perguntei um pouco irritada por ser a única que não sabia nada e Clara procurou algo atrás de mim.
-Max está me chamando -Ela disse, já tentando se livrar de mim.
-Max não está te chamando. -Eu disse, repreendendo-a.
-Sim, ele está, agora deixe-me ver o que ele quer. -Ela disse e eu tentei impedi-la. Clara parou em minha frente e puxou minha nuca para um beijo. Eu não cedi a princípio, mas logo desisti disso quando ela tentou aprofundar o beijo. Clara deu uma leve lambida em meu lábio inferior e eu abri a boca para dar passagem à sua língua, porém ela simplesmente se afastou com um sorriso imenso em seus lábios, deixando-me desnorteada com o que ela acabara de fazer comigo. Grunhi frustrada, e quando me virei, dei de cara com Andrew me encarando de uma forma esperta. Cerrei os olhos desconfiada, e ele sorriu sem mostrar os dentes.
-Por que não diz logo o que está planejando? -Perguntei, e ele cutucou o queixo de uma forma divertida.
-Você está me devendo cinquenta reais. -Ele disse, e eu arqueei a sobrancelha desacreditada no que tinha ouvido. -Você perdeu uns quinhentos jogos para mim, tem que dar graças a Deus que eu estou apenas cobrando cinquentinha… -Ele disse e eu definitivamente cai na gargalhada. Quando acabei, Andrew ainda me encarava da mesma forma, e sua mão estava virada com a palma para cima.
-Não podemos negociar? -Perguntei.
-Não. -Ele respondeu.
-Posso pagar várias coisas para você.
-Também posso pagar várias coisas para mim com o dinheiro que você vai me dar e ainda terei o dinheiro que você não vai me dar para também pagar coisas para mim.
-Com quem você aprendeu isso?! -Perguntei, desnorteada. Andrew sorriu e eu revirei os olhos. Tirei vinte e cinco dólares de meu bolso e dei para o garoto. Ele contou as notas e arqueou a sobrancelha para mim. -Não estamos no Brasil, cara, mas se estivéssemos, eu teria acabado de ter dar cinquenta reais… Aproveita. -Eu disse, e em seguida me virei para ir de volta à sala. Andrew correu para o outro lado do local, murmurando algumas coisas inaudíveis. Eu cai na risada, e logo me joguei no sofá para tentar dormir alguma coisa.
Eu estava cochilando no sofá quando alguma coisa simplesmente foi jogada em meu rosto de uma forma bruta. Acordei no susto, e dei de cara com Mayra segurando o riso. Franzi o cenho constrangida e fui ver o que ela tinha jogado em mim.
-Melhor vestir isso agora, eu estou te esperando no carro. -Ela disse, como se estivesse dando uma ordem. Arqueei a sobrancelha e ela riu, dando meia volta e indo em direção à porta de saída do Hotel. Olhei através da janela, e pude constatar a noite no céu de Vegas. Fiquei algum tempo apenas admirando a Lua brilhar para mim, mas logo tomei coragem para vestir o que estivesse dentro daquele pacote.
Mal notei a ausência de Clara assim que saí do Hotel.
Eu poderia imaginar mil lugares para o qual Mayra me levaria, menos aquele. Não demorou para que eu reconhecesse as paredes desbotadas e o estilo brega daquele barzinho stripper. Encarei Mayra confusa, e ela sorriu de canto. Talvez Clara tivesse contado para ela o que acontecera na noite em que eu a levara para lá. O dia da festa do casamento de Clara e Fabien no Cassino, quando no início da madrugada, eu simplesmente tirei Clara da festa e a levei para o exato lugar em que eu estava olhando agora. As lembranças daquela noite ali eram perfeitas, do início ao fim, e alguma coisa me dizia que era justamente por causa disso que Mayra, ou melhor, Clara, havia me levado para aquele local.
-Ela está te esperando. -May disse docemente e eu assenti, abrindo a porta do carro e saindo de lá.
Caminhei pelo local com uma certa dificuldade, mesmo estando com as muletas. As minhas dificuldades não eram pelo fato de eu estar com a perna quebrada, para ser sincera. Elas eram pelo fato de eu estar completamente perdida e nervosa, talvez até mesmo ansiosa para o que viria. Clara nunca fizera nada especial se não possuísse algum significado, tanto bom quanto ruim. Se ela me levara exatamente para aquele lugar, fora por um motivo que eu, infelizmente, não estava conseguindo enxergar naquele momento.
Todo o caminho do corredor estava decorando com flores em um tom violeta. A cor do local estava azul, assim como as luzes neon que ficavam pelo caminho. O cheiro também era de flores, mas até um certo ponto. Ao fim do corredor, o cheiro impregnante de um perfume conhecido tomara conta de minhas narinas, o que eu não reclamei de jeito nenhum. A imagem de Clara tomou conta de minha visão assim que eu entrei no salão principal, onde ficava o palco.
Clara estava magnificamente perfeita esta noite. Se bem que ela sempre estava dessa forma, não importava o momento. Ela usava um vestido vermelho, quase casual em seu corpo, pois deixava-a insuportavelmente provocante. Seus lábios eram envoltos por um batom quase da mesma cor que o vestido, e o seu cabelo estava solto por seus ombros. Sorri completamente hipnotizada pela imagem que eu estava vendo, e Clara soltou uma risada envergonhada, o que se tornou o meu novo barulho favorito. Ela veio em minha direção de uma forma elegante, e abraçou meu pescoço com seus braços com uma distância considerável, não tão perto, mas nem um pouco longe. Eu coloquei minhas mãos em cada lado de sua cintura, e a puxei levemente contra meu corpo. Clara riu, e beijou docemente meus lábios, sem aprofundar o beijo nem nada. Eu desfrutei de toda a doçura de sua boca, o que estava me deixando bêbada graças a junção de aquilo com o seu perfume.
-O que eu fiz para merecer você? -Perguntei timidamente, de olhos fechados e com a testa colada com a sua. Mesmo sem visualizar, eu sabia que Clara tinha alargado o seu sorriso.
-É nossa última semana em Vegas e nós não conseguimos tempo para aproveitar esses dias… Achei que uma noite de folga para nós duas seria algo interessante. -Ela disse baixo, não chegando a ser um sussurro, mas de uma forma ou de outra sendo algo capaz de causar arrepio pelo fato de seu hálito acariciar meu rosto.
-Você é perfeita. -Eu disse, mal me importando com o que ela disse.
-E você não ouviu nada do que eu disse… -Ela brincou, e eu ri, abrindo os olhos para prendê-los aos seus. Nós ficamos alguns segundos apenas nos encarando, e aproveitando a bolha agradavelmente silenciosa que se instalara entre nós. Clara foi diminuindo lentamente seu sorriso, até chegar apenas em um curvar de lábios, e eu franzi um pouco o cenho.
-O que foi? -Perguntei baixo ela suspirou.
-Você sabe que há uma razão para que eu tenha te trago aqui, certo? -Ela perguntou, ainda com a voz doce. Assenti e Clara ficou mais relaxada. -E você sabe qual é? -Ela perguntou, tímida, e eu neguei curiosa. Clara afastou-se gentilmente de mim, e entrelaçou nossas mãos, levando-me para perto do palco. Nós ficamos algum pouco tempo admirando o mesmo, até que ela voltou a olhar para mim, sorrindo timidamente. -Sabe o que torna este lugar -tão pavorosamente decaído- um lugar especial? -Ela perguntou, mas aquele tipo de pergunta em que não se espera uma resposta. -Voltemos um ano atrás em nossa complicadíssima história de amor… -Ela brincou, rindo brevemente. -Eu tenho certeza de que você se lembra a primeira vez que você me trouxe aqui, quando tentou me humilhar por uma razão que até hoje eu não sei qual… -Ela riu baixo. -Você jogou todo o meu passado monstruoso na minha cara como se eu fosse desprezível de alguma forma. O que você nunca percebeu, nem naquela noite nem depois, foi que quando fez isso, além de mostrar a parte mais frágil de mim, você me fez acreditar que alguém poderia me amar sabendo de tudo o que acontecera comigo no passado. Você se lembra da forma que me amou naquela noite, Van? Como se não ligasse para nada que tivesse descoberto? Você me fez enxergar algo além de todo sofrimento e da dor reprimida que eu sentia. Por isso, Van, e apenas por isso, eu fui capaz de amar verdadeiramente alguém. Naquela noite, e neste lugar, eu provei a real essência do amor enquanto me afundava em teus carinhos. -Clara disse, sorrindo e com certas lágrimas nos olhos.
-Algo que você também não consegue entender ou enxergar… -Eu comecei dizendo, reprimindo algumas lágrimas emotivas. -… é que você me salvou, Clara, você me salvou do monstro que eu era antes de conhecer você. Se eu fiz aquilo, foi porque eu pensava que alguém como você, rica e bem-sucedida, nunca poderia amar alguém como eu, uma desconhecida que viera para o exterior apenas por pura coincidência. Você não conheceu o meu passado, tudo pelo o que eu havia passado antes de te conhecer. Eu amei você desde a primeira vez na empresa, e quando vi Fabien com você, preparando uma festa de casamento, eu não aguentei. Eu pensei que eu sofreria novamente, e eu tentei sair por cima. Mas, Clara, quando eu te trouxe para cá, e você tirou a sua máscara de dona de empresa, eu descobri que você era apenas alguém como eu e eu não podia desperdiçar essa oportunidade. Você acha que me salvou, Clara, mas foi exatamente ao contrário. Eu não seria nada, hoje, se você não tivesse aparecido em minha vida. -Eu disse e Clara deixou escapar um soluço de emoção. Ela veio em minha direção e segurou minhas mãos, levando-as até o ar na altura de nossos rostos e entrelaçando-as logo em seguida.
-Nós nos salvamos, Van. -Ela disse, já com o rosto bem próximo ao meu. -E eu também não sei o que seria da minha vida se você não estivesse comigo esta noite. -Ela completou, capturando meus lábios em um beijo cheio de desejos. Clara guardou todo o seu desejo por mim desde a última vez, o acumulou, e agora estava despejando-o em meus lábios. Eu puxei sua nuca para fazê-la ficar mais próxima de mim, e ela puxou a minha cintura de uma forma nada gentil, também trazendo meu corpo para próximo do dela.
Clara levou suas mãos até minhas costas, exatamente aonde estava o fecho de meu vestido, e de uma forma fácil, ela deslizou o fechecler do mesmo. Em seguida, ela levou suas mãos até meu ombro e foi abaixando o vestido até a minha cintura, onde ele terminou de cair sozinho. Ela voltou com suas mãos para as minhas costas, e eu pude sentir seu sorriso entre o beijo. Clara afastou-se gentilmente para me encarar de uma forma maliciosa.
-Que bom que está usando… -Ela disse, referindo-se a lingerie preta que agora era a única peça que cobria o meu corpo. Eu ri, deixando de lado o meu lado vergonhoso para dar espaço à malicia. Clara continuou a se afastar, e caminhou sensualmente até o palco, retirando sua roupa pelo caminho. Assim que ela chegou nas escadas, seu vestido deslizou por seu corpo, também revelando uma lingerie parecida com a minha, porém branca. Ela virou seu rosto para mim de uma forma convidativa, ainda caminhando até um Pole Dance localizado bem ao centro do palco. -Você vem? -Ela perguntou, iniciando uma série de movimentos que começavam a causar arrepios em partes sensíveis de meu corpo. Levei meu olhar até a perna machucada, depois voltei-o para Clara, que sorria de uma forma divertida. Revirei os olhos e fui mancando até ela, sem mesmo usar as muletas, e ela puxou meu corpo contra o seu assim que eu me aproximei dela.
Clara caminhou lentamente comigo até o pole dance, para que não houvesse nenhuma dificuldade de minha parte. Quando chegamos, ela praticamente me jogou de costas para o pole dance, e começou a se aproximar de uma forma lenta e sensual. Eu sorri para ela, mordendo meu lábio inferior para controlar meus instintos, já que ela estava esfregando seu corpo contra o meu. Clara deu a volta no pole dance, e quando voltou a ficar de frente para mim, uma música tocava no fundo. Não demorou muito para que eu me desse conta de que era a mesma música que tocara na balada no dia que eu vira Clara pela primeira vez. De repente tudo ficou nítido para mim, desde a decoração, até o local escolhido, a música e a roupa que usávamos. Clara estava vestida praticamente da mesma forma, e dançava da mesma maneira. Ela segurou o pole com as duas mãos, atrás de minha cabeça, e foi descendo, roçando toda a sua parte frontal na minha parte frontal.
Eu não desprendia meu olhar de Clara, e ela fazia o mesmo comigo. Porém, diferentemente de mim, ela não procurava meus olhos, mas sim todo o meu corpo. Ela encarava maravilhada todo o meu torso e a lingerie que eu usava, mordendo seu lábio inferior para conter seu desejo, enquanto continuava a dançar exclusivamente para mim. Eu depositava todo o meu equilíbrio no pole, mas era difícil mantê-lo quando ela roçava seus lábios contra meus lábios, clavícula, pescoço e orelha. Ou então quando ela descaradamente pressionava seu sexo contra a minha perna, arranhando levemente o lado de meu corpo logo após. Eu respirava fundo uma, duas, três vezes, para tentar conter os pontos de excitação que ela explorava enquanto dançava, mas era impossível cumpri-lo. Cheguei ao ápice de meu desespero sexual, e inverti as posições com Clara, espremendo-a contra o pole. Ela riu divertida, como seu já esperava, mas continuava a se movimentar contra mim. Em uma certa parte da música, quando nós não resistíamos mais a manter aquela mesma distância, Clara levou sua perna até o meu torso, e prendeu-a também em minha perna, segurando-se com as duas mãos no pole. Eu segurei no pole dance também com as duas mãos, logo atrás de sua cabeça, e rapidamente uni nossos lábios em um beijo de urgência. Clara abriu a boca e permitiu a passagem de minha língua, e eu explorei toda a extensão já conhecida de sua boca da forma que ela achava mais prazerosa possível. Há muitas coisas escondidas em um beijo. Um beijo nunca é apenas um beijo, é muito mais do que esse gesto denominado assim. Eu sabia muito bem disso, por isso que procurava executá-lo em minha melhor forma possível.
Clara “libertou-me” do aperto com sua perna e, ainda me beijando, puxou meu corpo para um outro lugar. Eu desejei mais que tudo que ela não me fizesse subir as escadas, como na primeira vez, e para a minha surpresa, ela não pretendia fazê-lo. Clara abriu as cortinas do palco, revelando algo como um quarto improvisado, porém muito convidativo para um momento como aqueles, e com uma enorme cama confortável. Clara não tinha apenas fechado o local para uma noite surpresa, ela tinha definitivamente preparado tudo. Sorri, mas não tive tempo de demonstrar isso à ela, já que, segundos depois, ela estava atacando meus lábios de uma forma bem mais bruta que eu. Clara me puxou até a cama com um pouco de rapidez, o que fez eu sentir uma pontada de dor na perna, mas eu não me importei muito com isso. Assim que sentiu o lado do colchão, Clara me jogou nele, e veio pôr-se em cima de mim logo após.
Eu coloquei toda a culpa de nossas brutalidades em cima da abstinência que passamos durante esse período. Eu desejava realmente rasgar a lingerie no corpo de Clara, e poder observá-la nua em cima de mim. Antes que eu fizesse, Clara o fez comigo, e eu rapidamente segui seu gesto. Nós teríamos que rever isso de rasgar a roupa uma da outra, pois sempre que transávamos, isso acontecia. Ri com o pensamento, mas não deixei isso sobressair a todo o desejo que eu estava sentindo. Clara arrancou a peça de meu corpo e começou a dar beijos languidos em meu pescoço, aproveitando também para deixar marcas de chupões lá. Eu aproveitava suas investidas para estimulá-la com pequenos arranhões em suas costas, e também apertos na mesma. Clara ousou mais, e posicionou o joelho bem no meio de minhas pernas, repetindo o que ela tinha feito da primeira vez. Eu mordi levemente um de seus braços, que suportava seu corpo e estava ao lado de minha cabeça. Ela não reclamou, muito pelo contrário, continuou a pressionar e massagear meu sexo com seu joelho, arrancando gemidos significativos de mim. Clara apoiou sua testa em meu ombro, enquanto fazia aquilo, e levou uma de suas mãos a um de meus seios, massageando-o e apertando-o, também contornando meu bico já rígido com seus dedos. Eu queria definitivamente xingá-la por estar brincando comigo daquela forma, mas acho que se eu abrisse a boca, eu acabaria soltando apenas mais um gemido e isso faria com que ela piorasse a sua tortura para comigo.
Levei uma de minhas mãos para a bunda de Clara e apertei com vontade, dando um tapa logo em seguida. Ela mordeu meu ombro em resposta e eu subi um pouco a mão para o tecido de sua calcinha, roçando levemente meu dedo também em sua pele naquela região. Como contra-golpe, Clara pressionou mais seu joelho contra meu sexo, dessa vez elevando até a região do clítoris, que mesmo coberto pela calcinha, pulsava insanamente desejando seu toque. Arqueei o corpo em resposta, e puxei seu rosto para outro beijo feroz, dominando-o dessa vez. Aproveitei sua distração para colocar minha mão dentro de sua calcinha e acariciar diretamente seu clítoris. Ela cambaleou um pouco e esbarrou em minha perna, fazendo com que eu soltasse um grunhido que, àquele estado de excitação, soou mais como um gemido agudo.
Clara abaixou seu corpo e o deixou contra o meu, impedindo que eu continuasse aquilo, e eu voltei com minha mão para o seu cabelo, puxando-o e bagunçando-o de uma forma implicante. Ela riu, e como se dizia “vamos ver quem implica mais”, desceu uma de suas mãos sem cerimônia alguma e a enfiou dentro de minha calcinha, movimentando-a por lá. Clara estimulava meu clítoris com seu dedão, enquanto brincava de penetrar ou não penetrar com o resto de seus dedos em minha vagina. Grunhi frustada, e dei um tapa em seu rosto, arranhando-o levemente logo em seguida. Clara chupou meu lábio inferior ferozmente como reprovação, mas, sinceramente, aquilo só tornava as coisas mais interessantes. Rocei meus dedos sobre seu braço que sustentava a mão dentro de minha calcinha, como pedido para que ela fizesse o que deveria ser feito, e Clara não enrolou mais e penetrou meu sexo, num vai e vem constante e delicioso. Mordi seu lábio para conter um gemido, e ela aumentou a sua fricção em meu clítoris e a sua velocidade na penetração. Clara afastou seus lábios dos meus e levou-os até meu ouvido, sussurrando sujeiras estimulativas e fazendo-me gemer seu nome em desespero. Quando cheguei perto de meu ápice, esperei que ela tirasse sua mão para levar sua boca até lá, como costumava fazer, porém ela não o fez, e ficou apenas trabalhando em meu pescoço e em meu seio com sua mão livre.
-Clara… -Disse com um pouco de dificuldade, tentando avisá-la, porém ela soltou uma risada.
-Hoje não… -Ela sussurrou roucamente me meu ouvido, e eu gemi alto em resposta, cravando minhas unhas em suas costas. Clara aumentou ainda mais a sua velocidade em meu sexo, e logo eu cheguei em meu ápice, completamente tomada pelo prazer. Senti todo um tremor percorrer minhas pernas, e vibrava em meu gozo por aquilo. Pude sentir Clara morder o lábio inferior para tentar conter o seu, mas tratei de colocar minhas mãos em cada uma de suas nádegas e puxar toda aquela parte contra mim, fazendo com que nossos sexos roçassem e ela sentisse todo o molhado de meu gozo. Clara rebolou gradativamente em meu colo por alguns segundos, e então também chegou ao seu ápice, desmanchando-se em mim. Ela ergueu sua cabeça como resposta àquilo, mas depois deixou-a cair ao lado de meu pescoço, ainda aproveitando as sensações que aquele momento havia trago para nós.
Silenciei-me por um tempo, ficando apenas acariciando o cabelo de Clara de uma forma carinhosa. Ela se manteve deitada em cima de mim, tentando normalizar sua respiração, e também aproveitando para manter suas energias. Eu amava aquilo, ficar perto dela assim, tão intimamente. Além do calor que emanava de seu corpo, sentir sua respiração e o seu cheiro perto, significava tudo para mim.
-Você não consegue esconder… -Clara disse, rindo e virando seu rosto para me encarar.
-Esconder… ? -Deixei subentendido e ela alargou seu sorriso.
-Quando está pensando em mim, ou em algo sério. -Ela disse. -Seu coração acelera e você fica em silêncio total, e também fica perdida em pensamentos. -Ela completou. Sorri sem graça e Clara me deu um selinho firme, mas logo se afastou e encarou-me maliciosa.
-Energias repostas? -Ela perguntou sugestiva e eu ri. -Ué, temos este lugar até amanhã à tarde… -Ela continuou e eu definitivamente gargalhei.
-Você vai continuar tarada quando nos casarmos? -Perguntei, e dessa vez Clara riu, confirmando com a cabeça. -Ótimo, venci na vida. -Disse e ela riu, voltando a me beijar.

O barulho do aeroporto de Vegas acabou me deixando abatida de alguma forma. Eram muitas pessoas, muitas conversas paralelas, muitos rostos novos, muito Vegas em tudo, e agora eu teria de deixar aquilo para trás.
Sabe, desde a última vez em que deixei aqui eu prometi que nunca voltaria, e agora eu não queria de jeito nenhum ir embora. Essa era uma sensação confusa que Vegas causava em mim, mas eu sabia que elas existiam apenas pelo fato de que Vegas fora um lugar importante e emocionante tanto para mim quanto para as pessoas que eu amo. Embora tenha sido um lugar cheio de perigos, também era um lugar no qual nós vivemos os nossos momentos mais especiais, e isso a tornava especial.
-O avião já está pronto, Srta. Aguilar. -O piloto do jato particular de Clara disse, e ela assentiu agradecida, sussurrando algo para Max alegremente. Grunhi baixinho, e minha barriga revirou algumas vezes. Encarei todos os rostos presentes ali: Mayra, Coyotte, Thaís, Bella, Letícia, Pepa e Andrew. Com exceção de Coyotte, Bella e Leticia, os outros ficariam ali durante mais um tempo, e todos tinham um motivo especial.
Thaís e Mayra possuíam coisas para resolver, cada uma em sua vida. Pepa e Andrew, bem, eles possuíam uma razão especial, mas eu ainda contaria isso para eles.
-Perdemos a Srta. Aguilar para sempre? -Letícia perguntou, sorrindo divertida para Clara e também brincando com Max.
-Eu volto. -Clara disse, e eu ri por saber que, naquele momento, aquilo era mentira.
-Vou sentir sua falta. -Letícia disse, acariciando levemente o braço de Clara de uma forma amigável.
-Eu manterei contato, está bem? -Clara disse de uma forma doce.
-Vou ter de arrumar um novo emprego. -Bella disse, brincando com Clara, e eu aproveitei sua distração para chamar Letícia um pouco mais afastado do resto.
Letícia era esplendidamente linda, e isso causava uma certa inveja em mim. Era realmente o destino sobre eu e Clara ficarmos juntas, pois Letícia não era alguém que se jogasse fora. Além de sua beleza física, ela possuía um carisma imenso e um coração maior ainda.
-Espero não ter feito algo que te desagrade. -Ela disse, assim que paramos um pouco distantes.
-Não, para ser sincera… -Disse, sorrindo sem graça. -Eu só queria agradecer por tudo o que você fez por ela antes que eu chegasse. Eu sei o quão boa você foi para ela quando ela mais precisava, e apesar de vocês não terem dado certo, eu agradeço por você ter tentado. -Eu disse sinceramente e Letícia sorriu com o canto dos lábios.
-Eu acho que tenho que te agradecer pelo mesmo. -Letícia disse e eu confirmei com a cabeça, sem obter alguma resposta para aquilo.
-Atrapalho? -Pude ouvir Pepa perguntar, e eu e Letícia nos viramos para encará-la.
-Não, na verdade eu já estava indo. Tenho que puxar Bella antes que ela esqueça do nosso programinha desta noite! -Letícia disse, rindo timidamente. Ela nos deixou logo depois.
-Tenho novidades… -Comecei a dizer, segurando as mãos de Pepa.
-Engravidou Clara?! -Ela perguntou, e depois riu da própria piada. Eu ri junto à ela, mas logo nos silenciamos para encarar a outra.
-Você… terá que levá-lo a lugares legais… Você sabe, Andrew não teve a oportunidade de conhecer Vegas direito… -Eu disse, um pouco atrapalhada com as palavras.
-Quer que eu fique mais tempo aqui? Só falar, Vanessa. -Pepa disse, mudando um pouco o semblante. Eu sorri e ela arqueou a sobrancelha para mim.
-Clara acha que você merece um lugar melhor para ficar com a ONG… Ela pensou que a Empresa Aguilar seria um ótimo local para isso. -Eu disse e Pepa abriu a boca desacreditada. Sorri e ela fez o mesmo, depois me abraçou agradecendo aos risos. -Clara não quer voltar aqui, e não queria deixar a empresa com o pai dela… -Eu disse, assim que nos afastamos.
-Ela é uma boa pessoa, terei que agradecer a ela depois… -Pepa disse, sorrindo sem graça. Ela logo foi envolvida pelos braços magrelos de Andrew, que me espiou serelepe atrás de sua mãe.
-Não vai vir falar comigo, mané? -Perguntei fingindo irritação e Andrew veio até mim, pulando em meu colo. -É disso que eu to falando! -Eu disse e ele riu.
-Contou a novidade para a mamãe? -Ele perguntou e eu franzi o cenho perguntando-me como ele sabia. -A tia Clara me disse, mãe… -Andrew disse, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
-Você vai se comportar aqui, certo? -Perguntei de uma forma autoritária. -Sua mãe vai te levar para onde você quiser se você se comportar… -Eu disse e ele confirmou com a cabeça. -E você vai cuidar dela? -Perguntei. Andrew encarou Pepa e eu fiz o mesmo, ela sorrindo de canto enquanto mordia o lábio inferior e nos observava.
-Vou sim, mamãe. -Andrew disse.
-Ótimo, porque agora você é o homem daqui, está bem? E você tem que ficar de olho nela, mas tem que obedecê-la e cumprir com suas tarefas… -Disse e Andrew confirmou. Dei um beijo em sua bochecha e o coloquei no chão. Assim que o fiz, Pepa veio em minha direção e puxou-me para um beijo de despedida. Não foi algo avassalador, capaz de causar um escândalo. Foi um beijo terno, e eu me senti agradecida por tê-lo recebido.
Afastei-me de Pepa gentilmente, e sorri para ela também de uma forma terna. Pepa devolveu o gesto, e eu me virei para abraçar fortemente Andrew. Estava rezando interiormente para que eles estivessem em casa antes do Domingo.
Eu continuei a me despedir dos outros, e cerca de sete minutos após, nós estávamos indo em direção à pista de decolagem. Clara estava com Max no colo, e eu carregava algumas bagagens dele, enquanto brincava com o garoto que lutava contra o sono naquele momento. Nós andamos por alguns metros, até que então entramos no jatinho de Clara. Ela colocou Andrew em uma cadeirinha especial, enquanto eu ajudava o piloto a acabar de arrumar as coisas. Em pouco tempo, estávamos sentadas juntas e prontas para decolar. Max estava logo à nossa frente.
-Ela fez tanta coisa por nós… -Clara disse baixo, já que o pequeno começava a fechar os olhos. -… merecia mais que apenas um beijo. -Ela completou e eu sorri, ficando surpresa por saber que ela havia visto. Clara estava com sua cabeça apoiada em meu ombro, e nossas mãos estavam entrelaçadas sobre minha perna.
-Eu poderia passar uma noite com ela. -Eu disse, provocativa.
-E então não precisaria nem mais voltar para casa, ficaria por lá mesmo. -Clara respondeu, quase que imediatamente, e nós caímos na risada.
Estávamos observando o que conseguíamos observar de Vegas pela janela do jatinho, e eu já começava a sentir saudades daquele lugar. Vegas era apenas uma palavra e um milhão de momentos, era praticamente uma vida em um local, e isso chegava a ser instigante. Eu sei o quanto eu e Clara pretendíamos não voltar para cá, mas como eu disse inicialmente, eu não sabia se eu realmente queria sair.
Engoli o choro forçadamente e Clara acariciou minha mão de uma forma terna, como se entendesse minhas memórias. Eu sabia que ela estava revirando as suas, mas, diferente de mim, Clara procurava pegá-las e colocá-las em um lugar onde as esqueceriam de alguma forma. Eu deveria fazer o mesmo.
-Vai deixar saudades. -Eu disse sinceramente, e Clara assentiu apesar de tudo.
-Eu não pretendo voltar, Van. -Ela disse, ainda observando a paisagem pela janela.
-Não vamos. -Eu disse. -Teremos uma vida boa no Brasil, Vegas, daqui a um tempo, será colocada de lado por nós duas. -Eu completei, e Clara concordou. Virei meu rosto e ela deu um beijo firme em meus lábios. Depois, Clara voltou à sua antiga posição na cadeira, fechando os olhos para tentar dormir antes mesmo de decolarmos. Continuei encarando a paisagem por algum tempo, e em minha cabeça, um arco-íris deixou tudo muito confuso e nítido ao mesmo tempo, repetindo exatamente o que Vegas significava para mim. Sorri de canto, e fixei meu olhar lá por uma última vez.
-Adeus, Las Vegas. -Sussurrei. Logo após, virei o rosto e apoiei a cabeça junto da de Clara, fechando os olhos pela última vez num lugar que ficaria agora apenas em nossas memórias, mas, principalmente, em nossos corações.

Capítulo 23

“Agora entendo quando você diz que temos uma ligação cósmica, quer dizer que assim como eu, o lado rosa da força te atrai tanto quanto o azul” Ela disse pouco depois que entramos no carro, sua brincadeira me fez rir, Van é Van, era capaz de fazer qualquer tipo de clima mudar, o clima antes pesado se tornou descontraído.

“Não gosto de todo o lado rosa da força, apenas as mais bonitas desse lado” Mesmo antes de toda a revelação, nós sempre trocávamos pequenos flerte, tinha virado uma brincadeira e eu amava quando atingia o ponto certo e conseguia deixar Van encabulada “Como você” Touché sua bochecha corou instantaneamente. Sua timidez era graciosa, ela era incapaz de manter seus olhos nos meu quando eu lhe cantava, ou se manter com a pele natural, sempre ficava vermelha.

“Só você mesmo, sua amiga chega 16 horas e você vai me fazer chegar no aeroporto as 15 horas” Vanessa mudou de assunto na cara de pau “ Ainda teremos que esperar o avião pousar, ela sair, pegar as malas, passar no Check-in e sei lá mais o que, mano vamos ficar horas ai”

“Para de reclamar mulher, você reclama muito”

“Você terá que arrumar formas de me entreter, por que se não ficarei entediada” Como sempre, Vanessa me tirava o doce e depois me dava novamente, aquela mulher era uma montanha russa, eu não conseguia decifra-la, ela tinha cortado o momento de sedução para instantes depois voltar com ele.

“Eu posso te entreter por horas, mas lembre-se que depois você terá que arcar com as consequências”

“Não sou de fugir das consequências” Eu não sei o porque, mas aquela frase fez meu coração saltar, eram apenas brincadeiras talvez, mas ainda assim elas mexiam com minha mente e meu corpo.

“Vanessa, você ta fodida ” Eu soltei sorrindo e ao mesmo tempo séria, eu não sabia até quando iria aguentar aquela brincadeira de provocações.

“Se controla mulher” Ela disse rindo, eu sentia por Vanessa um carinho imenso, ela tinha se tornado minha melhor amiga, ela era linda e inteligente, uma mulher instigante, e eu era humana e feita de carne e sentimentos, eu desejava Vanessa e era ciente disso, e também era ciente de que grande parte das vezes ela parecia me desejar tanto quanto. Mas tínhamos tantas questões em aberto ainda, que nenhuma de nos estávamos prontas para encarar nossos desejos, então apenas deixávamos ele em segundo plano e escondíamos tudo por trás de pequenas brincadeiras.

Foi difícil controlar Max no aeroporto, um espírito deve ter baixado naquele menino e ele queria correr, pular, gritar e fazer tudo, menos ficar quieto, eu já estava perdendo a paciência, mas Vanessa parecia ainda consegui lidar com toda aquela energia infantil, eu fiquei sentada mexendo no celular enquanto ela corria atrás dele e tentava o distrair, a cada segundo eu desviava meus olhos da tela do Iphone para olhar onde eles estavam, dessa vez quando fiz eu não os achei, olhei em volta procurando os dois e quando os encontrei para minha surpresa Vanessa estava com Max no colo e conversava com uma bela mulher.

A mulher era realmente bonita e parecia ter saído de um ensaio de moda executiva, sua aparência era impecável, salto alto, calça social preta, blusa branca de seda, cabelo escovado, maquiagem feita, nada nela parecia fora do lugar. Por impulso, sem pensar muito sobre,  me levantei e fui até eles, Max que estava agitado quando me viu começou a dar gritinhos e se impulsionar para meu colo, Vanessa me entregou ele.

“Então você que é a mãe dessa coisinha fofa?” A mulher perguntou, seu perfume doce era  enjoativo demais para mim.

“Sim” Respondi com um sorriso falso “E você, quem é?” Perguntei não fazendo a mínima questão de ser educada, senti o olhar de Vanessa me congelar.

“Jesus Van, dessa vez você realmente arrumou uma namorada bem ciumenta hein” Van? Dessa vez? Então essas duas  se conheciam, certo? Foi a única coisa que pensei sobre o que a mulher disse, e quando Vanessa estava dizendo ‘Clara não é minha…’ eu a cortei sua frase e expus minha dúvida.

“De onde vocês se conhecem?” Vanessa me olhava chocada, mas eu precisava sanar minha dúvida, eu queria saber de onde Vanessa conhecia aquela mulher tão bonita e, aparentemente pela sua roupa, tão importante.

“Van, eu tenho que ir, vê se não some novamente, mais tarde eu te ligo” A mulher além de ignorar minha pergunta ainda teve a cara de pau de antes de sair cumprimentar Vanessa com um beijo na bochecha e a mim apenas disse um tchau.

“Clara, você ta louca? Por que tratou a Drica assim? Ela é minha amiga”

“Agora você vai brigar comigo por causa dela? Eu pensei que eu era sua amiga também” Eu sei que estava sendo dramática, mas era mais forte que eu, se Vanessa não estava entendendo minha forma de agir, eu tão pouco estava.

“Eu não to brigando com você Clara, apenas Drica é uma amiga, ela é advogada e sempre que preciso ela trabalha de graça na ONG nas questões jurídicas”

“Ela deve fazer de graça porque quer namorar você” Ok, o quão infantil eu estava sendo?  Mas quem se importa?

“Clara, você só pode está brincando” Vanessa virou-se e saiu indo em direção as cadeiras sentar-se, eu apenas me senti com vergonha de toda a cena e recobrei a consciência, puxei Vanessa e a fiz vira-se para me olhar.

“Desculpa Van, por favor me desculpa. Eu apenas estava curiosa e fui uma idiota e tratei mal sua amiga. Por favor, não fique brava comigo” Vanessa no inicio não queria me olhar no rosto, porém minha voz de suplica a fez me olhar e eu lhe dei o meu sorriso mais doce e vi Vanessa me sorrindo de volta.

“Mano, esse seu sorriso é do capeta, não consigo ficar brava quando você sorrir assim” Eu abracei Vanessa e pela primeira vez tive coragem de fazer algo que desde o primeiro dia que a conheci queria fazer, lhe depositei um suave beijo em seu pescoço, bem em cima de sua tatuagem, Vanessa se arrepiou com o gesto inesperado e senti ela me abraçado mais forte ainda, eu poderia jurar que pude sentir o coração dela acelerado em seu peito.

Sentamos nos duas lado a lado na cadeira, Max tinha se acalmado e brincava com meu Iphone, o clima não estava tenso, ao contrário, era leve. Ficamos uma hora sentada em um confortavel silencio, ambas pensando cada uma a qual em seu mundo, que por muitas vezes, era o mesmo mundo.

Quando vi May não consegui me conter e dei um pulo cadeira ficando em pé e indo correndo abraçar minha amiga, definitivamente agora eu sabia que tudo iria ficar bem.

XIX – Capitulo

POV Clara

O Calor parecia estar voltando e junto com a primavera agora as flores pareciam incomodar minha respiração, Max estava alérgico a isso, espirrava e se coçava boa parte do tempo. Vila lobos ficava muito mais bonito quando era primavera, o parque parecia mais cheio, as pessoas mais alegres com a volta do calor, poder andar de camiseta e nada mais realmente deixava tudo mais leve.

Sentei com meu livro enquanto Max corria solto pela grama, fazia tempo que não o via tão alegre por mais que a alergia das flores o incomodasse, o ar estava com cheiro de flores de laranjeira, inclusive era a arvore que fazia sombra acima da minha cabeça aquele momento, olhei para cima e a arvore estava coberta de pequenas florzinhas brancas perfumadas.

- Max! Não filho, não bota isso na boca. – Max parecia nunca passar a fase de colocar as coisas na boca. Não parecia estar alérgico o suficiente ainda quer comer a flor.

Ele trouxe até mim em um gesto cavalheiro e me entregou a pequena flor amarela, sorri pra ele. – Obrigada meu amor. – Ele voltou com um sorriso sincero a correr pelo gramado.

Vanessa não tinha dado nenhum sinal de vida desde que liguei para ela na manhã após a ultima vez que se vimos. Ela não havia me ligado, por tanto deixei que me procurasse dessa vez. Não queria sufoca-la, ela se sentia mal  e bem por sair comigo, os dois ao mesmo tempo, apesar de eu não entender muito sobre seu relacionamento com Alexandre e nem me dar o trabalho de perguntar, as vezes não me parecia tão real, ela não dependia dele para as coisas.

Acho que desde pequenas sempre tivemos um espirito de liberdade forte, começando pelas brincadeiras que na nossa época não eram consideradas ‘’ brincadeiras de meninas’’ nunca nos importamos com isso, sempre tentávamos ser felizes da nossa maneira, isso não mudou até hoje fazemos o que parece bom para nós sem se importar com a opinião alheia.

~flashback

Voltamos correndo para a areia de mãos dadas, procurei em meio a todos aqueles coloridos guarda-sóis aonde estava nossas mães. Vanessa parou de correr no meio do caminho dando um puxão no meu braço e eu virei para ela, os cabelos molhados caiam no ombros e o rosto vermelho apontava queimaduras de sol.

- Vamos voltar! Nunca vamos encontra-las no meio de tanta gente. – falou

- Vamos ficar perdidas para sempre se não procuramos, e eu tô com fome. – reclamei colocando a mão no rosto tentando fazer sombra para meus olhos que incomodavam e ardiam quando o sol batia de frente.

- Ali! Não é elas? – ela apontou para um guarda sol colorido ao lado da casinha do salva vidas.

- Sim. – voltamos s correr e chegamos logo ao local.

- Olha Clara, presta atenção, tá atirando areia em mim. – minha mãe resmungou enquanto entramos correndo para de baixo do guarda-sol.

A mãe de Van passava protetor no rosto dela onde as marcas de sol castigariam mais tarde, ela reclamava de olhos fechados, pois odiávamos protetor solar.

- Vanessa, tira essa regata, olha só tá ficando a marca em você, fica só com a parte de cima do biquíni, depois vai ficar essa marca branca enorme no seu corpo.

- Mas eu gosto de ficar de camiseta. – Van reclamou se esquivando de sua mãe quando ela tentou puxar a barra da regata para cima.

- Compra uma prancha pra mim mãe? Quero aprender a surfar. –pedi

- Haha, tá doida menina, mal sabe nadar e quer surfar, e você é menina, o que quer com prancha de surf. – falou em um tom irritado.

Fiz uma cara de decepção e Van me puxou para voltar para agua. – Por que elas sempre reclamam dessas coisas?! – perguntei irritada

- Elas acham que tudo é de menino. – Van falou enquanto a agua batia em nossas pernas e íamos entrando no mar.

- Eu sei que é, mas mesmo assim, o que tem de tão errado? – afinal era só um brinquedo o que isso mudaria? Nada, me deixaria feliz, não custava nada.

- Deixa, quando a gente crescer, vamos aprender a surfar sozinhas e fazer tudo que quisermos. Agora ainda não tem como, mas quando eu for grande, ninguém vai me dizer o que posso e não posso fazer.

- Concordo com você. – ela sorriu para mim e pegou minha mãe para que pulássemos a onda grande que se aproximava.

~ fim flashback

Sorri ao lembrar o quanto nossas vidas realmente tinham mudado, e tínhamos feito o que pretendíamos, viver da nossa forma, e do modo que nos fazia feliz.

- Max! Filho! Vem vamos para casa. – Max correu para o  meu lado e peguei ele no colo para voltarmos para casa, já era quase meio-dia. Ele voltava com mais flores nas mãos.

- Ai filho, Você arrancou todas as florzinhas coitadas. – falei sorrindo e ele deu um gritinho e uma risada ao mesmo tempo.

- Vamos lá, colocar elas na agua antes que morram. – voltamos caminhando para casa, em passos calmos.

POV Vanessa

Larguei o peso no seu devido lugar após terminar o exercício das pernas, e finalmente podia voltar para casa, meu horário de academia já havia terminado. Enxuguei o suor com a toalha e abanei para meu personal saindo pela porta, ele repetiu o gesto de despedindo. Alexandre me encontrou segurando minha mão. Sua regata estava encharcada e colada nele de tanto suor, suas veias saltadas pelos exercícios pesados.

Ele dirigiu de volta para minha casa e entrou comigo, minutos depois me encontrava sentada na cama tirando os tênis de treino enquanto ele se observava na frente do espelho, tirou a camisa e forçava o abdômen saltados os músculos, abdômen altamente cuidado liso e definido.

- Olha minha barriga, que orgulho, nunca mais irei beber na minha vida, ela tá perfeita. – falou feliz pelo resultado

- Pra isso tem que manter a dieta também. – ele bufou

- Na próxima vida vou queimar todas batatas doces do planeta, não aguento mais comer. – eu ri dele e ele me olhou.

- Para de rir, ou vou te dar uns tapas. –falou brincando

- Oxi, acha que é mais forte? Não esquece que levantamos a mesma quantidade de peso nos braços. – o alertei

Ele fechou os braços em punho e começou a pular. – Vem pra cima, vem.

Corri e tentei chutar ele, com habilidade ele segurou minha perna antes que tocasse no seu corpo e me deu uma rasteira, segurou meu corpo e deixou cair lentamente para que eu não me machucasse.

- Ih, tá fraca. –e ele riu e eu fiquei irritada, tentei socar ele, mas não funcionou ele prendeu meus braços e fiquei completamente imobilizada.

Ele sorriu vitorioso e os lábios encontraram os meus por alguns segundos. – Tá sai, quero encher a banheira.

Seu corpo desprendeu o meu e enchi a banheira. Tomamos banho juntos ali por tempo longo aproveitando a espuma que ele insistia em jogar em mim só pra encher o saco.

- Olha ali o chão ó. Você vai secar tudo. – ele riu sem dar a mínima.

Mas eram exatamente nesses momentos que eu via, nosso relacionamento estava muito mais para amizade, do que para namoro. Ele parecia meu amigo, tão amigo quanto Erick era. Ele levantou cheio de espuma se secou e deixou o banheiro para se vestir.

Pensei em levantar, mas acabei ficando ali por mais alguns minutos meio perdida em pensamentos. Só me dei conta do tempo quando ele entrou no banheiro vestido, pegou o pano e começou a secar o chão molhado. Haha, sabia que ia fazer, ele sabia do meu TOC.

- Então… – começou – Junior convidou para sairmos hoje. Tá afim? – eu já hvia passado boa parte do dia com Ale, ele havia dormido aqui, acordado, malhado comigo, e tomamos banho, acho que já chega por hoje.

- Eu tenho planos com outra pessoa na verdade. –falei enquanto saia da banheira e me enrolava na toalha branca.

- Com quem? – perguntou

- Na verdade ela não sabe ainda, mas pretendo ligar para sairmos hoje. Eu e a Clara. – pensei sobre o que havia falado com Erick, me afastar simplesmente não ajudaria em nada, então resolvi continuar próxima como amigas, que eram apenas amigas, acho que não seria tão difícil, se mantermos uma conversa civilizada e eu pedir a ela que parássemos com os encontros ‘românticos’.

- Marcou com uma pessoa, e ela nem sabe? – ele perguntou rindo da minha situação.

- Vou ligar pra ela logo. – Ele terminou de secar o chão e se despediu de mim enquanto eu me vestia. Sentei na cama vestida e peguei o celular, disquei seu numero rapidamente, chamou logo ela atendeu:

- Oi Van. – falou

- Oi, tudo bem? – perguntei sempre era a melhor forma de começar uma conversa

- Sim, e você?

- Tô bem, olha só, eu tava pensando se você não quer dar uma saída mais tarde? – perguntei e ela respondeu rapidamente.

-Claro, vamos sim. Quer que passe aí? Ou quer passar aqui…?

-Acho que eu busco você, qual horário é melhor?

- Hum… –ela pensou por alguns segundos – Às 20h tá bom pra você?

- Tá ótimo, tem ideia de algum lugar?

- Ainda não, mas vou pensando, daí depois decidimos. – ela concordou e desligamos. Hoje eu pretendia acertar as coisas.

Capítulo 112

Por mais que eu odiasse o que Adrien tinha feito a ela, mesmo sem saber o que era, iria usar o fato dela temer ele ao meu favor, era a única arma que eu tinha no momento.

“Não vou deixar ele te levar, mas para isso você terá de contribuir comigo, pode ser?” Perguntei, dessa vez ganhei em resposta um acenar positivo de cabeça “Ótimo, vamos tomar então um banho quente e depois você come algo, pode ser?” Novamente apenas o acenar de cabeça, por hora aquilo bastava.

Eliza se levantou do sofá e foi comigo até o banheiro, tentei segurar sua mão, mas ela a puxou e apenas seguiu andando ao meu lado, Clara já tinha dado banho em Max, ele estava animado com a presença de uma nova criança, assim que chegamos no quarto Max se levantou do chão, aonde estava brincando, e correu até a gente, antes que ele pudesse encostar em Eliza e a menina em auto-defesa o empurrar ou coisa do tipo, o peguei no colo.

“Vanessa, podemos conversa agora?” Clara me pediu, novamente sua voz tinha um tom irritado.

“Deixa eu dar um banho nela e dar algo pra ela comer, depois a gente fala sobre tudo, juro que te explico tudo”

“Ok” Sua voz era extremamente contrariada, a ignorei.


Elizabeth não era tão pequena quanto Max, apenas precisava de monitoração ao tomar banho e não de realmente alguém lhe dando banho, a situação em si foi constrangedora, mas era necessário, não podia deixar ela tomar banho completamente sozinha.

Só quando ela já estava em baixo do chuveiro que me dei conta que a mochila com as roupas tinham ficado no estábulo. Merda, a menina sairia do banho e não teria o que vesti.

“Continuei ai até eu volta, tudo bem?” Falei com Eliza, a menina mais um vez apenas acenou positivamente, ela não mais tinha falado, apenas acenava.

Sem sair totalmente do banheiro, abri a porta e chamei por Clara. que estava na cama com Max,  logo veio até mim.

“Aonde está os seguranças? Cadê Marcos?”

“Foram te procurar, mas já devem está na casa”

“Chame Marcos para mim” Pedi

“Para que?” Apenas respirei e mantive todo meu equilíbrio.

“Depois, Clara, juro que depois explico tudo, mas agora apenas me ajude”

Clara e eu não eramos simplesmente um casal, nunca fomos, eramos acima de tudo amigas e protetoras uma da outra, não importa o quanto chateada estávamos uma com a outra, sempre iriamos ajudar-nos, tínhamos uma cumplicidade acima de qualquer coisa.

“Fica de olho em Max” Ela me disse e saiu para procurar os seguranças.

Assim que ela saiu me senti em pânico, não sabia se deveria ficar no quarto olhando Max ou no banheiro olhando Eliza, eu era uma só e eles eram dois, no mesmo instante me dei conta que por um tempo indeterminado, aquilo seria uma rotina, agora teríamos duas crianças em casa.

“Max, vem aqui” Chamei meu pequeno e ele logo pulou da cama e correu até mim, o peguei no colo e entrei com ele no banheiro, Eliza logo correu para se tampar.

“Ele não tem nem dois anos, não é um menino de verdade” Tentei a tranquilizar, mas ela continuava tentando se esconder enquanto Max nem se importava com nada “Você já pode sair dai” Entreguei a ela uma toalha e desliguei o chuveiro, ela rapidamente se enrolou naquele pano e se cobriu, agora que a água quente não mais caia sobre ela, o frio se fez presente e pude vê-la bater o queixo.

Com um esforço descomunal equilibrei Max no colo e tentei secar ela, enrolei uma nova toalha em seus longos cabelos e a levei para cama, a mantendo enrolada embaixo dos lenços até que chegassem com sua roupa.

Quando Clara voltou ao quarto com Marcos, deixei ela lá e fui para fora explicar a ele o ocorrido e manda-lo pegar a mochila. Voltei ao quarto e encontrei Clara na cama com Max. Ela estava mantendo o máximo de distância de Eliza, eu realmente não podia entender seu comportamento, permanecemos todos calados, minha vó veio com um prato de sopa e a menina comeu correndo, com gula, extremamente faminta, em seguida comeu o bolo e tomou um copo de suco.

Marcos chegou com as roupas e ela se trocou, quando a mandei deitar novamente, não deu mais que cinco minutos e pude a ouvir ressoar, o sono tinha a pego, ela estava exausta, como ela Max também dormia.

“Podemos conversa agora ?” Clara me perguntou.

“Claro” Respondi, enfim era a hora de escolher, falar a verdade ou a ludibriar com novas mentiras?

Aquela decisão poderia mudar todo nosso futuro, mentir sobre algo tão sério assim, poderia acabar destruindo tudo;

Capítulo 62

Era incrível em como Vanessa conseguia tirar Clara do sério, tudo o que a loirinha mais queria era poder esquecê-la de vez e viver sua vida, mas aquilo parecia praticamente impossível, agora sem Mayra ela ficaria sozinha com Max e quando isso acontecia, era Vanessa que fazia companhia para ambos. Clara soltou um suspiro pesado ao chegar em casa com Max, logo Fabien o buscaria, mas diferente dos outros finais de semana esse ele levaria Max para a França junto com o pai da loira e a noiva de Fabien, ou seja, Clara ficaria sozinha

- Olha você, por favor, por favor, toma cuidado com ele – Clara avisava para Fabien, entregando a mochilinha de Max e uma pequena mala a ele

- Relaxa, eu vou cuidar bem do nosso filho – Fabien disse sorrindo, ele parecia feliz – Não é, garotão? – Ele pegou Max no colo e o balançou, fazendo o menino rir

- A mamãe vai sentir saudades, amor – Clara disse triste, pegando Max do colo de Fabien e o abraçando com força, logo distribuindo beijos por todo o rosto da criança

- Vou ligar todos os dias, eu prometo – Fabien disse colocando a pequena mochila de Max em um de seus braços e puxando a pequena mala para perto dele

- Toma cuidado, por favor – Clara pediu quase chorando e Fabien assentiu, segurando Max assim que Clara o colocou no colo do ex marido – Boa viagem – Ela deu um beijo na testa de Max e apenas sorriu para Fabien, que agradeceu e foi embora levando o filho. Clara ficou o resto da tarde sozinha, mais tarde tocaria na boate e tiraria a limpo a história de Vanessa ter ligado para ela, Dani ter atendido e não ter comentado nada, com a morena.

Thais e Vanessa estavam saindo na ONG já no início daquela noite, Vanessa ainda brava com a mini discussão que teve com Clara e Thais implorando para a loira ir com ela à balada

- Vamo, Vanessa! Por favor! – Thais quase chorava pendurada no braço de Vanessa

- Ah não, Thais. Você sabe que Clara vai tocar hoje – Vanessa falava firmemente

- Mas, Van, você nunca mais saiu comigo. Poxa, isso que é amiga – Thais tratou de fazer cara emburrada e Vanessa revirou os olhos, ela odiava quando Thais fazia aquela, pois conseguia o que queria

- Tudo bem, mas nós vamos voltar cedo – Vanessa disse também emburrada

- Eba! – Thais pulou no pescoço de Vanessa – Você é a melhor, Van! – Ela beijou o rosto de Vanessa com vontade, que riu

- Sei, sei – Vanessa resmungou arrastando Thais para o carro ia deixá-la em casa e depois iria para a sua

Fazia alguns dias que Clara não falava com Dani, então ela teve que se arrumar um pouco mais cedo para ir à boate e falar com a morena, infelizmente o trânsito estava caótico e quando chegou à boate, ela já havia sido aberta. Clara respirou profundamente com aquilo e entrou, já tinha um número considerável de pessoas lá, então ela foi direto para área vip, onde certamente encontraria Dani, ou não, já que a loirinha procurou e não achou a mesma. Ela decidiu beber um pouco e depois descer para perto da pista, talvez ela estivesse por lá.

- Vanessa é só uma balada e não um casamento – Thais reclamava por causa da demora de Vanessa para se arrumar

- Ai, você me convida e agora reclama porque eu to me arrumando. Não vou mais – Vanessa disse aborrecida por Thais a estar apressando

- Vamo logo, a fila deve estar gigante! – Thais bateu o pé no chão e cruzou os braços

- A May sabe que você vai sair? – Vanessa perguntou com um tom cínico

- Até me incentivou a ir. A Clara sabe que você vai vê-la? – Thais retrucou no mesmo tom cínico

- Vai se foder – Vanessa disse bufando e terminando de se arrumar. Depois de mais 15 minutos elas finalmente saíram em direção a boate. Thais tagarelava sobre as fotos que Mayra mandava de LA pra ela pelo WhatsApp e Vanessa tentava se manter atenta a tudo que a amiga falava, mas sua cabeça estava em uma certa loirinha peituda, em uma certa boate que tinha uma certa gerente que ela odiava. Não demorou muito para que elas chegassem à boate, Thais tinha conseguido Vips com Dani, então não enfrentaram fila alguma. Thais passou e foi direto para o bar, perto da pista de dança para começar a beber, ela e Vanessa combinaram de não ir para a área vip naquela noite, Vanessa não queria esbarrar com Clara, já que ela sabia que a loirinha ficava lá

- Olha, vê se não vai exagerar nessa bebida – Vanessa disse já repreendendo Thais, enquanto se sentava no banco que tinha ali no bar

- Bebo por nós duas – Thais brincou rindo e arregalou os olhos ao ver quem se aproximava delas

- Que foi, Thais? – Vanessa disse vendo a cara da amiga e virou seu rosto em direção para onde Thais estava olhando. Não precisou que ela subisse à área vip para ver Clara, já que a mesma estava vindo na direção dela e de Thais.

- Clarete! – Thais disse animada a abraçando Clara – Pensei que só te veria mais tarde – Ela disse abraçada a Clara de lado, caminhando até o bar, até onde Vanessa estava

- Eu vim mais cedo hoje – Clara se limitou a dizer. Na verdade, ela estava procurando por Dani quando viu Thais, mas antes que pudesse dar meia volta ao ver que Vanessa estava junto, a loira virou o rosto e a viu, então não teve como fugir

- Olha quem saiu da toca – Thais brincou, se referindo a Vanessa e já ao lado dela junto de Clara

- Engraçadinha – Vanessa disse revirando os olhos – Oi, Clara – Ela disse dando um sorriso de canto e virando-se para ficar de frente para a loirinha

- Oi – Clara falou mexendo no cabelo, indiferente e virou-se para Thais, fazendo Vanessa sentir vontade de puxar aqueles cabelos dela e dizer que ela era uma abusada – Ce não vai subir? – Clara perguntou a Thais, vagando o olhar pelo local procurando por Dani

- Ta procurando alguém? – Vanessa perguntou vendo Clara inquieta

- Viu a Dani? – Clara virou para Vanessa e sorriu cinicamente, Vanessa no mesmo instante semicerrou os olhos e Clara riu. Thais ficou olhando para as duas bebendo

- Tenho cara de mapa pra saber onde as pessoas estão? – Vanessa retrucou e Clara riu, tava conseguindo irritar Vanessa

- Calma, gatinha – Clara falou se aproximando de Vanessa apertando sua bochecha

- Sai daqui, Clara – Vanessa disse dando um tapinha na mão de Clara afastando de seu rosto, fazendo Clara apertar mais uma vez e agora mais forte

- Parece uma criança emburrada – Thais disse prendendo o riso e Vanessa revirou os olhos. Nesse momento Clara avistou Dani entrar na boate e seguir direto para a escada que levava à área vip

- Preciso resolver uma coisa – Clara falou ainda seguindo Dani com o olhar e Vanessa respirou fundo – Vejo vocês lá em cima – Ela deu um sorriso, pegou uma bebida e saiu em direção à área vip. Clara não sabia de onde vinha tanto autocontrole em não beijar Vanessa tendo ela assim tão perto, mas ela própria quem escolheu isso e agora se ela quisesse ter qualquer coisa com Clara de novo, teria que lutar. Logo que ela chegou, viu Dani também com uma bebida na mão, ela estava com um vestido preto todo colado ao corpo e um salto alto também preto, seus cabelos caiam quase sobre sua bunda, negros e lisos e em seus lábios um batom vermelho. Aquela foi a primeira vez que Clara sentiu atração por ela, mas também como não sentir? Ela estava linda, Clara pediu forças para não fazer besteira e para resistir a Dani e a Vanessa

- Loira burra – Dani disse abrindo um sorriso enorme ao ver Clara

- Oi, Dan. Queria falar com você – Clara disse um tanto séria e Dani estranhou

- Aconteceu algo? – Ela perguntou mexendo nas pontas dos cabelos de Clara como de costume

- Vamos ao seu escritório? – Clara perguntou dando um gole em sua bebida. Dani pensou que Clara tinha descoberto sobre a ligação de Vanessa que ela atendeu e apenas assentiu. Enquanto elas passavam pela área vip, Clara olhou para ver se Vanessa ainda estava no bar. Sentiu seu corpo todo em chamas quando viu Vanessa ainda sentada de costas para a entrada da boate, com Thais a sua frente e uma mulher ruiva de aproximando delas e tampando os olhos de Vanessa com as mãos, como se aquilo fosse uma surpresa. Realmente era uma surpresa, uma surpresa muito desagradável para Clara ter que trombar mais uma vez com Pepa junto de Vanessa, mas aquilo não ficaria assim. Clara olhou para Dani a sua frente e sorriu maliciosamente. A noite só tinha começado.

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Capítulo 80

Acordei com pequenos e cálidos beijos em meu pescoço, abri os olhos lentamente e vi Clara com o rosto muito próximo ao meu me sorrindo.

“Bom dia, bela adormecida” Clara me disse, sua boca próxima ao meu nariz me liberou uma fragrância de hortelã, me dei conta então que Clara tinha os cabelos molhados e sua pele parecia fresca, ela tinha acabado de sair do banho.

“Que horas são?” Perguntei surpresa, pois certamente ela já estava a um bom tempo acordada.

“Quase 11”

“E por que você me deixou dormir tanto?”

“Porquê sim” Clara se deitou na cama me abraçando, meu corpo nu estava envolto dos lenços, porém descobri apenas meus braços e a abracei de volta, seu cheiro da mistura entre o sabonete e o creme me preencheram.

“Você está cheirosa” Não era um elogio, era um fato.

“Você ainda está quente” Ela me olhou e me deu sorriso travesso.

“Nem pense nisso, não podemos, Max já deve está acordado e daqui a pouco chega aqui correndo”

“Ai é que você se engana, talvez os seguranças podem ser mais úteis do que pensávamos, no momento eles estão na sala com Max”

Olhei para a porta do quarto e ela estava trancada, nunca a mantínhamos fechada, afinal Max ainda não era muito bebê para ter acesso impedido aos cômodos, se fechássemos a porta certamente ele não iria entender e acabaria chorando, com medo e com razão.

“Por isso a porta está fechada?”

“Exatamente” Clara continuava com seu sorriso travesso “E sabe o que mais? Eu trouxe seu café da manhã” Clara se levantou e foi até uma bancada que tinha no quarto, regressando com uma pequena bandeja de café da manhã, aquelas frutas estavam sugestivas demais: morangos, uvas e um melecado suco de manga, eu não pude evitar de ri.

“Esse é seu plano para o café da manha?” Perguntei rindo.

“Comer você? Sim, esse é meu plano” Ela disse sem pudor.

Clara colocou a bandeja na cama e veio de joelhos até mim, o lençol foi arrancado me deixando completamente nua, dessa vez tudo rolou sem pressa, ao contrário, a brincadeira era tardar tudo ao máximo, experimentar cada limite da outra. Quando terminamos tivemos que ir para o banho aonde mais uma vez nós entregamos ao prazer.

“Ok, quanto constrangedor será sair desse quarto agora?” Perguntei a Clara, já estávamos vestida e eu terminava de pentear meu cabelo.

“Para mim, nenhum pouco, você vai se sentir constrangida? Fala sério, devemos nos sentir orgulhosas” Eu gostaria de ter essa falta de timidez dela “Vanessa, sobre ontem a noite eu…” Ela tentou começar aquela conversa.

“Sobre ontem a noite, falamos depois, hoje não, vamos hoje curtir um clima leve e amanhã falamos disso, pode ser?” Pedi lhe olhando com uma cara doce de suplica.

“Como você quiser, mas eu tenho que te pedi desculpas…” A interrompi novamente.

“Sem desculpas. Olha, Clara, eu amo você e, eu te entendo, foi informação demais, você ficou fora de si e acabou agindo como agiu, eu te entendo, sem necessidade de desculpas” Eu estava sendo sincera, eu seria uma tola se achasse que ela realmente teria a intenção de me bater, ela não tinha, tudo foi o calor do momento e seu choro em seguida mostrava todo o seu arrependimento, os gestos falavam mais do que qualquer palavra, seu choro desesperado foi para mim um pedido de desculpa.

“Ainda assim eu devo desculpas, não tinha o direito…” Fui até ela e a calei, dessa vez com um beijo.

“Sem mais esse assunto, amanhã a gente fala sobre isso, hoje não mais”

Virei-me e sai do quarto deixando Clara lá, não foi um gesto rude meu, eu apenas não queria falar sobre aquele assunto, eu precisava de um dia de paz e era isso que eu iria ter hoje.

Assim que Max me viu, ele veio correndo e pulou em meu colo, o segurei como sempre e fui com ele em meu colo até a cozinha, o sentei no balcão como de costume e fui até a geladeira procurar algo para comer. Peguei os ingredientes e fiz um sanduíche para mim e outro para Max, ele nunca recusava comida.

“Sabe, você está precisando de um apelido novo, o que pensa de maçã?” Perguntei a Max  “Gosta de maçã?” Ele me fez uma careta “Ok, nada de maça” Olhei para ele, ainda tão pequeno “Você ta crescendo rápido, mas ainda é tão pequeno que acho que posso te chamar de azeitona, você gosta de azeitona?” Novamente ele me fez uma careta, em verdade acho que ele não tinha era gostado da maionese no sanduíche, entretanto ignorei isso “Você é difícil hein. Já sei, jujuba, que tal? Meu pai me chamava de jujuba quando eu era pequena” Max não fez careta, na verdade ele agora estava entretido demais tentando comer o queijo do sanduíche “Ótimo, até que enfim achamos um que você goste, será jujuba então” Declarei feliz, fui guardar as coisas na geladeira e quando me virei para isso, vi Clara de braços cruzados escorada na porta nos olhando.

“A quanto tempo você está ai?” Perguntei, ela tinha um sorriso no rosto.

Tempo suficiente para saber que meu filho agora se chama jujuba”

Max viu Clara e começou a chamar sua ‘mama’, Clara foi até ele e sentou-se no balcão ao seu lado, acho que ela já tinha entendido que ali era na verdade uma grande cadeira.

“Que tal sairmos e passar o resto do dia com Max no zoológico?” O relógio já dizia ser quase 15 horas.

“Acho que ele vai gostar”

A tarde foi agradável, Max  tinha se apaixonado por todos os animais, em especial ao macaco, saimos de lá e fomos ao shopping jantar, acabei não resistindo e comprando-lhe uma pelúcia de macaco, Clara dizia que eu o mimava muito e iria o estragar, mas eu sabia que Max cresceria com caráter, logo nada iria o estragar.

Os seguranças nos acompanhavam ao longe, um deles me informou que meu carro estaria pronto daqui a dois dias, o que significava que nós não precisaríamos mais ir em seu carro, poderíamos ir tranquilamente no meu e eles seguiriam a gente no deles. Aos poucos era como se tudo fosse sendo anexado em uma confortável rotina, quando voltamos ao apartamento, Max dormia, Clara o tinha em seu colo, ela logo que entrou foi até o quarto colocar ele na cama, eu assim que entrei vi meu Iphone no sofá, me assustei em tê-lo esquecido em casa, mas agora fazia sentido o porque ele tinha passado o dia todo silencioso, fui até o aparelho ver as ligações, inicialmente o básico, minha mãe 2 vezes, a ONG 3 vezes, entretanto cada final de dia parecia surgir uma nova surpresa. 

A cada dia lutávamos para colocar tudo no trilho e no final dele, parecia que nada adiantava e o trem descarrilhava novamente, lá estava, 11 ligações de Eduardo e numerosas 15 ligações de Adrien.

Como dizia Clara, o pesadelo parecia nunca ter fim.

CAPÍTULO 126

Eram tantos os problemas, tantos os temores, que ficava impossível controlar minhas próprias ações por completo, meu corpo, a maioria do tempo, agia apenas por impulso, eu já não tinha mais atenção aos pequenos detalhes, tal como, o de ter trago comigo as chaves de casa, acabei sendo obrigada a tocar a campainha e anunciar antecipadamente minha presença.

Elizabeth estava posicionada a minha frente, já Clara estava bastante afastada de mim, com Max em seu colo, naquele segundo me senti exposta e mais uma vez sozinha, eu estava no centro com a menina, ambas literalmente no olho do furacão, o nervosismo tomou conta de mim apenas com a simples menção de imaginar o que iria se seguir.


As atitudes de Clara me deixavam com medo, ela me condenava a cada segundo, eu só podia pensar que minha mãe faria o mesmo, afinal eu estava cada vez mais entrando dentro de uma loucura, certo?

Meus pensamentos foram cortados e meus medos triplicados quando a porta começou a se abrir. Quantos segundos leva-se para uma porta abrir completamente? Uns vinte segundos? Trinta, talvez? Para mim pareceu ter levado horas, dias, vi a porta se abrindo em câmera lenta, o pânico tomou conta de meu corpo e me arrependi de estar ali, mas também, como não estar? Não poderia fugir para sempre.

Acho que a tensão do momento era presente em todos nos, incluindo Elizabeth, que assim que a porta começou a se abrir,se apressou e deu um passo para trás, simultaneamente com ela, dei um passo para a frente, Eliza e eu tínhamos ficado praticamente grudadas uma a outra, como se tivéssemos buscando uma proteção, um refugio.

Soltei todo o ar que pesava em meus pulmões, respirando em pleno alivio, meus ombros relaxaram e minha postura se tornou menos rígida, assim que vi que era minha tia Drica quem abriu a porta e não minha mãe.

Meus cães se tornaram enlouquecidos ao notarem que era eu à porta, tia Drica, foi atropelada por eles, assim como Elizabeth, que por estar a minha frente, acabou sendo atropelada por um bando de cães, a menina assustada, logo correu para o lado fugindo daquela pequena matilha.

Max, assim que viu seus pequenos e melhores amigos, se tornou tão enlouquecidos quanto eles, o pequeno menino começou a gritar e fazer força para que Clara o coloca-se no chão, ela não teve escolha a não ser fazer como ele clamava, foi menos de um segundo entre os pés de Max tocar o chão e ele aparecer ao meu lado, em meio aos cães, agarrando-os e latindo para eles.

Max e eu fizemos uma pequena arruaça à parte, no meio da rua, frente ao portão da minha casa, os cães obviamente foram os que mais contribuíram para isso. Jack, que sempre foi o mais carente, porém o mais tranquilo e superior a confusões e bagunças, parecia ser o mais desesperado por atenção, o grande pitbull se jogou em desespero em cima de mim e até mesmo se atreveu a rosnar para os demais cães, Thor, não se intimidava pelo tamanho de Jack e audaciosamente buscava seu lugar o mais próximo de mim que conseguia, todos os demais tentavam se aproximar, mas Jack e Thor não lhes davam espaço.


Os choros eram incontidos, misturados a latidos e gritos de Max, que por puro fenômeno sobrenatural ainda não tinha matado nenhum dos cães,ele estava pendurado nos pobres animais, os agarrando fortemente pelo pescoço, em um abraço sufocante, enquanto latia no ouvido de meus pobres filhos. Sim, latia, Max latia mais até mesmo do que os próprios cães.

Demorou um bom tempo para acalmar a todos eles, estranhamente minha mãe não apareceu por ali, puro milagre, eu lembraria de rezar a noite e agradecer a Deus por isso. Após acalmar meus filhos, consegui fazer com que todos eles entrassem dentro de casa, Clara, as crianças e os seguranças fizeram o mesmo, todos nos entramos para o alivio dos vizinhos, que agora já não tinha mais estridentes latidos ou gritos de uma criança animada em seus ouvidos.

Com meus bebês já mais calmos e contidos, foi minha vez de matar a saudade deles, sentei-me ao chão do quintal, de forma desordeira e agitada, um a um veio se aproximando de mim e eu fui fazendo carinho e brincando com eles, Max ficou todo o tempo agarrando um cão diferente, eles pareciam estar gostando de todo aquele carinho grosseiro que uma criança sempre está apta a oferecer.

Não calculei o tempo que fiquei ali mimando meus filhos, Thor foi o primeiro a se dar conta que tinha mais gente além de Max e eu, animadamente ele foi cumprimentar Clara e matar a saudades daquela mulher que ele tanto gostava e conhecia. Eliza, que estava relativamente próxima a Clara, se assustou com a proximidade de Thor para com ela e soltou um alto e estridente grito, sincronicamente minha mãe chegou ao quintal.

Senti um arrepio tomar conta do meu corpo, por fim tinha chegado a hora de enfrentar dona Solange e consegui fazê-la entender toda a história, acima disso, consegui fazê-la me apoiar.