pcabral

Quero lençol bagunçado, café na cama, cortinas bem abertas. Quero abraço apertado, mordida na bochecha, beijo demorado. Quero banco do passageiro ocupado, cinemas às quatro, tempo para nós dois. Quero seu riso estampado, seu cheiro espalhado, nossa música na rádio. Quero pintar nossa casa da mesma cor do nosso laço, colar você no meu abraço, fazer amor. Quero sussurrar no teu ouvido, ouvir seu pior ruido, que você seja meu livro mais lido. Quero, acima disso tudo, você numa sexta feira a tarde sem preocupações, nós a sós, dividindo nossas vidas em uma só.
—  Pedro Cabral, DESESPERANÇOSO
E sabe, tenho medo de cair na rotina. Aquela coisa ordinária de acordar, envelhecer a alma a cada segundo que passa e voltar a dormir com aquele arrependimento de não ter sentido pelo menos um frio na barriga. Me atormenta o pensamento de que a vida passou e eu só quis que ela voltasse.
—  Pedro Cabral, DESESPERANÇOSO
É engraçado a necessidade que temos de ouvir um “obrigado”, “tô com saudade”, “você me faz bem” ou, até mesmo, “eu te amo”. Tem graça porque não importa que a gente saiba que são da boca para fora, apenas é gostoso de se ouvir, faz bem se enganar um pouco de vez em quando, nem que seja apenas acender um fósforo no escuro.
—  Pedro Cabral, DESESPERANÇOSO