paula b

Eu sempre foi uma pessoa quieta, na minha, beirando ao anti-social. Sabe todas essas festas e farras de adolescência? Não tive! Sabe esses grupos de amigos que são inseparáveis? Nunca fiz parte! Às vezes eu pensava: quando for independente vou viver sem frívolas, sem medos, sem escoras. Acontece que nunca tive motivos de amarras antes, além das minhas. Eu sou minha mordaça, minha braçadeira apertada. Eu sempre vivi no meu mundinho. Ainda vivo. Nada realmente me interessou para que eu tirasse os fones dos ouvidos e ouvisse com atenção. Ninguém nunca se inclinou a quebrar a crosta de gelo que se formou em mim, e isso só cresceu com o tempo, me sinto confortável vivendo em meu mundo. Mas, às vezes entro em um desespero que me faz criar grandes paranoias: do porquê eu vivo nesta solidão, do porquê ser tão diferente das pessoas ao meu redor. Às vezes eu tenho uma leve impressão que eu cavo minha própria cova e a cada problema que eu crio, ou alimento em mim, é como se fosse uma pá cheia de areia que eu jogasse dentro da cova e isso me sufoca, pois o maior sabotador da minha vida sou eu mesmo, vivo nesse mundo criado por mim, onde eu me pergunto até quando ficarei aqui sem chamar a atenção ou sem me interessar de fato por algo que me faça “mudar”.
—  escalenab-aian0