parar de escrever

eu aprendi a conviver com as tuas assombrações. porque ainda que eu quissese ser como a moça do brilho eterno de uma mente sem lembranças, eu tenho certeza que nenhuma experiência médica seria capaz de te expulsar das minhas memórias. aprendi a lembrar de ti infinitas vezes por dia e deixar doer, porque dói mesmo e vai doer pra sempre, de nada adiantaria o desespero. as vezes a gente só precisa aceitar as nossas escolhas, mas não somente isso, como as consequências também. eu aceitei as minhas. aceitei o peso da mala carregada de lembranças que ficariam depois que você fosse embora. aceitei a espera eterna do teu retorno, pelo arrependimento de ter fugido de você. aceitei te procurar em todos os rostos na rua porque a saudade é tamanha que eu preciso me livrar disso de alguma forma. a vida vai seguir, outras pessoas farão moradia no meu coração, algumas outras eu vou ver ir embora, talvez o tempo passe mais rápido, mas eu sei que independentemente do que aconteça as consequências que eu aceitei me acompanharão, nosso amor será minha eterna assombração.

E aos poucos eu vou te esquecer, assim como esqueci todos os outros. Um dia eu vou parar de escrever sobre você, assim como parei de escrever sobre todos os outros. Em algum momento, irei reler esses textos e pensar: “Meu Deus, como eu era boba. Olha as besteiras que escrevia para ele. Olha como eu intensificava tudo o que estava sentindo. Como tinha coragem de escrever isso?”, assim como eu faço quando leio os textos que fiz para todos os outros. Daqui a algum tempo, eu irei olhar para você e lembrar, talvez, assim casualmente: “Ah, eu era apaixonada por ele, né? ”, assim como acontece quando olho para os outros. Em algum dia, isso que sinto por você será apenas uma vaga lembrança de um tempo que eu perdi de viver outros amores, uma vaga lembrança do tempo que perdi te esperando. Mas enquanto esse dia não chega, eu continuo aqui a te escrever mais um texto que irei me arrepender.
—  Christiellen Pinto. 

Eu nem consigo escrever sobre ele ter ido embora.

Porque já não dói a muito tempo.
Porque eu não amo nenhum deles que se foi.
Porque estou sozinha e é só.

Não quero parar de escrever romances, mas não consigo nem um mísero trecho.

Me faz vomitar. E não é verdade.

Gosto de sentir o que escrevo, faz tudo ter sentido quando leio depois.

Victoria Aveyard, autora do livro “A rainha vermelha”, agradeceu ironicamente aos seus professores de redação do Ensino Médio que lhe aconselhavam a parar de escrever narrações para dedicar-se ao estudo das dissertações, tipologia textual geralmente cobrada nos vestibulares.
Ela, assim como muitos outros escritores, provou que o sucesso profissional decorre da vontade das pessoas e não da obediência a uma fórmula  geral para alcançar isso. Existe uma série de pessoas alienadas, defensoras do princípio em que consiste na garantia de uma qualidade de vida a partir do ingresso a uma faculdade. A Medicina que deve mais sofrer com isso, pois a maioria dos alunos pretende concluir esse curso apenas por status ou com a expectativa de receber um bom salário.
No entanto, essa vida é repleta de surpresas e precisamos está preparados para tudo. Por isso, antes de seguir qualquer sonho é necessário elaborar o plano B. Afinal, o que deu certo para Victoria pode não dá certo para mim ou para o próximo aspirante a cantor.
Apesar disso, vale a pena investir proporcionalmente no plano A e no B. É verídico que os nossos planejamentos costumam sair de forma diferente como desejamos, por isso é importante acreditar nas nossas capacidades e sempre ressaltar que se podem existir no máximo 1000 vencedores, deve-se considerar apenas 999 destes, pois um já é você.
—  Maria Carolina Assi Alencar, Motivações de uma menina desmotivada
Recita-me
Me deixa ser cada palavra saída da sua boca,
Saia desse corpo pesado
Sente.
Deixa-me ser o tom grave que entoa cada letra e que soletra com amor as estrofes desse esfarrapado trecho da minha vida.
Calma!
Fique mais, acomode-se.
Poeme-se!
Deixe ver cada palavra que cobre o seu corpo.
Deixe que ajudo com os sapatos.
Continue ler, enquanto eu passo um café.
Vou imaginar você a me olhar e decifrar minhas entrelinhas.
Agora leia.
Ou releia, não importa.
Só quero continuar a ouvir o amor a me falar que a casa da cheia e que você vai ficar para o jantar.
—  A menina feita de espinhos.
Por um tempo tentei parar de falar sobre você, escrever e pensar em você. Acreditei que assim você estaria mais distante de mim, e sendo assim, seria mais fácil te esquecer, que ilusão. Todos os dias que fiquei sem escrever sobre você não consegui dormir direito durante a noite, e  todo o tempo que fiquei distante de você, esse tempo fez com que me sentisse um Zé ninguém, vivendo uma vida completamente sem sentido. E é exatamente assim que minha vida é, completamente sem sentido se você não está ao meu lado. Sei que é horrível, e sei que se um dia você me deixa com certeza vou sofrer muito por te colocar sempre em prioridade na minha vida, mas não consigo te deixar como segunda opção. Por maior que seja meu medo de sofrer se você me deixar, eu não posso deixar de fazer as coisas para você por simplesmente ter medo de que você não retribua e nem simplesmente perceba os esforços e o quanto me dedico  por nós. Eu não posso por limites em meus sentimentos, eles são tão puros e cheios de boas intenções, seria tão cruel se eu limitasse meus sentimentos por medo de que você não retribua na mesma medida com que foram dedicados a você. Por um longo tempo, tentei fugir de todos esses sentimentos, fazer de tudo para que ele adormecesse dentro de mim, mas é impossível fugir do que sentimos. Não vou limitar meus sentimentos, você me conhece e sabe como sou, se amo, amo de verdade, me entrego e faço de tudo para dar certo, e não tenho porquê mudar meu modo de sentir por medo de que você não valorize. Espero de todo meu coração que você perceba meus esforços, e que valorize eles. Espero que você perceba o quanto eu te amo, e espero que todo esse sentimento não te assuste, porque ele é gigantesco e não vou trancá-lo mais.
—  Larissa Gonçalves. 

nós queremos o céu, sabendo que não temos nada para dar em troca, eu me tornei azul quando te conheci. me encaro no espelho do banheiro, estou desbotando, desde que você se foi, o sol não nasce, tudo está ficando permanentemente cinza. minha vista está borrada, mas já estou de óculos, meus pés doem, e todos os caminhos parecem iguais, sinto que envelheço mais rápido longe de ti, volta. eu preciso parar de escrever sobre você, enquanto ouço música ruim durante a madrugada, sinto que estou sem inspiração, mesmo assim continuo tentando desabafar, acho que estou passando tempo demais assistindo filmes.

pedro (rotineiro)

Me lembro de como você era minha notificação favorita, de como me fazia sorrir quando aparecia e, de como me fazia feliz por ser minha inspiração. Me lembro de como isso tudo era tão bom, fácil… Mas agora tudo o que eu quero é parar de escrever sobre você, é parar de sentir por você… Não sabe como é doloroso te encontrar nas minhas palavras e saber que ainda importam pra mim, não sabe como é difícil encontrar tanto sentimento e sentir sozinha. Então não estranhe se com o tempo você começar a sumir das minhas linhas, não ser mais a pessoa das minhas palavras; eu preciso parar, e pra isso acontecer eu preciso parar de te eternizar…
—  Fragmentos.
Mas Eu Não Morro

Cabe a noite me fazer lembrar, o que o dia me fez esquecer. E eu lembro, eu não queria lembrar, mas eu lembro. Vez ou outra eu choro, eu odeio chorar, sinto que estou traindo a mim mesmo. Cada lágrima que escorre pelo meu rosto tem um gosto salgado de mar, e como eu queria que estas lágrimas se tornassem ondas e me matassem afogado. Mas eu não morro, o corpo sofre, a mente sofre, o fígado reclama, e eu não morro.
Queria ao menos esquecer, queria bater o carro numa árvore, bater a testa no volante do carro, e esquecer. No outro dia despertaria feliz, caso despertasse. Do contrário, estaria no que era pra ser, talvez ela fosse ao meu velório, talvez chorasse ao me ver imóvel, talvez não. Talvez seja melhor eu parar de escrever, esta história não é sobre mim, não é sobre ela, esta história é sobre Daniel, mas Daniel não vai a lugar algum, eu vou, vou dormir.

- Francisco Carvalho.

- Trechos Soltos de Uma História Qualquer -

e chega uma hora em que as cortinas se fecham: as palavras já não falam mais por mim.

li uma vez que: dentro de nós há uma luz, e essa tal luz é que rege o nosso ser e ela é tão brilhante como as estrelas cadentes do universo.

como toda estrela que se prese, por mais bonita e brilhante por fora, seu interior sempre está em constante colapso. uma comparação um tanto presunçosa seria dizer que os intervalos amenos das explosões atônitas  de hélio seriam como os nossos momentos felizes e a pseudo-quietude - maior parte do tempo, mesmo que pareça o contrário -  nossa tristeza em demasiado.

eles dizem que quanto mais explosões, mais maciça as estrelas ficas, logo, menos luz emitem. é o que acontece com a nossa luz interior, quanto mais minhas mãos calejadas insistem em segurar o peso do mundo, mais o chão tende a se abrir e me devorar. quanto mais interiorizo minhas lágrimas, mais ácido clorídrico meu estômago produz deixando um no em minha garganta. quanto mais eu corro pra recarregar minha luz, mais as minhas moléculas colidem e partículas implodem, como um ciclo vicioso.

babe, estou me tornando matéria morta
poeira embotada
um buraco negro
sem luz
e sem cor.

só escrevo sobre ele

juro que tento parar de escrever sobre você. mas acho que minha própria mente me trai, e meu corpo é cúmplice dela… quando não consigo parar de pensar em você, parece que minhas mãos criam vida própria e meus dedos acompanham. ai, quando vejo, já tenho mais um texto inteirinho sobre ti. parece besteira, mas quando leio o que escrevi, só me sinto ainda mais apaixonada… e é assim que continuo pensando em você e escrevendo cada dia mais sobre a ilusão que é te amar.

- mulh3r de fas3s
Eu me sinto vazia. Preciso parar de ler e escrever poesias. Parece que todos os meus problemas se resolveriam se eu tivesse um amor correspondido. Que tosca que eu sou.
—  Psicologia dos Vencidos .