papel timbrado

Imagine - Harry Styles

É gente, eu sumi. Não tenho lá muitos motivos para escrever aqui. Bom, aqui está a segunda parte do imagine meio escrito pela @maytrindex . Espero que gostem. 

Primeira parte 


Após me despedir do casal, subi para meu quarto checando os e-mails que ainda me aguardavam. Agora que nossa “convidada” não estava mais em nossa casa, eu tinha outros afazeres, mas nada que me prendesse muito; as tardes, eu ainda ia para minha cafeteria preferida e ficava lá até enjoar de ver as pessoas entrando e saindo dela.  

Harry levou uma semana e meia para dar sinal de vida; mais uma carta que tive relutância em abrir. Não queria saber sobre mais caprichos de sua nova amante, e pela demora de notícias, até desconfiava de um casamento ser anunciado na carta.  

- Que alguém me salve. – Murmurei antes de romper o selo.  

Abri o envelope para, de certa forma, me decepcionar. Harry chegaria em cinco dias. Mas eram apenas essas palavras escritas no papel timbrado. Meus dias de descanso estavam contados graças a próxima amante que ele traria. E a lista de desejos da próxima? Enviaria mais próximo da sua chegada? Para aproveitar meus últimos dias de descanso usei sua banheira e seu carro, aproveitando a descrição dos funcionários perante seus interrogatórios. Encontrei em seu armário um aromatizante novo de cerejas e me deliciei durante o banho.  

Estava apenas com uma camisola de cetim quando vi o carro do aeroporto estacionar na entrada da sua casa. Somente você desceu do carro; com poucas malas e uma carinha de sono.  

- Olá. – Você murmurou depois de dar um beijinho rápido em meu pescoço.  

- Oi, Harry. Venha, a mesa do café ainda está posta. – Depois de entrelaçar nossos dedos, nos dirigimos a cozinha. – Você ainda vai querer conversar, ou já me considera uma boa menina?  

- Não faça essa expressão, (S/N). Você não vale o café que está bebendo. – Você torceu os lábios ainda me encarando e eu fiquei sem reação. Realmente não sabia do que se tratava.  

- Você pode me explicar do que está falando? – Sua expressão virou irônica aos meus olhos.  

- Você ficava desfilando de roupinhas curtas e justas por essa casa deixando Genevive constrangida; foi por isso que ela foi embora, por sua falta de noção. Você não tem noção de como eu me sinto vendo você nessas roupinhas de dormir e saber que Genevive usava calças e meias.  

Foi ai que eu entendi o que se passava na sua mente. Você estava furioso por eu sempre ser melhor do que elas, as outras. Você jamais esqueceu meu corpo, não é mesmo? Cruzei minhas pernas por baixo da mesa e apoiei meu braço na mesa deixando minha cabeça apoiada nele.  

- Minhas roupas nunca incomodaram você.- Sorri cínica.  

- Não brinque com fogo. – Ele murmurou entre dentes. Me levantei para colocar minha xícara na pia; foram segundos para sentir seu corpo colar no meu.

- Você deve estar louco se pensa que vou deixar você tocar no meu corpo. – Tirei suas mãos de mim.  

- Você acha que eu não sei o quanto excitada você ficava ouvindo meus gemidos. – Ele soprou no meu ouvido.

Suas mãos desceram para meu quadril, inclinando meu corpo sobre a pia, e senti sua intimidade tocar a minha. Você gemeu com a pressão.  

Você me virou com brutalidade e seus lábios tomaram os meus; seguimos a cegas para o quarto misterioso e depois de girar a chave vermelha o quarto, que um dia foi nosso, inundou meus olhos. A roupa de cama que eu adorava usar, os mesmos abajures que eu fiz você comprar e o nosso porta retrato, de um dia no parque.  

Os beijos eram firmes e meus sussurros incontroláveis.  

Você me fez sua mais uma vez, com brutalidade, com vontade e todos os adendos a mais. Quando terminamos me vi perdida, envergonhada, mas satisfeita e saciada. Que saudade dos seus gemidos em meus ouvidos, ou dos seus cabelos pinicando minha pele. Seus cabelos com cheiro de camomila. Seus braços ao redor do meu corpo e toda névoa que o orgasmo me trouxe.  

Você suspirou ao meu lado. Eu despertei do curto momento que eu esperei algum romantismo vindo de você. Levantei da ampla cama  que dividimos um dia, e ponderei todas as opções que eu tinha na minha vida.  

Vesti apenas meu roupão de seda e recolhi do chão as poucas roupas que vestia antes de cometer esse ato de insanidade. Você me olhava com olhos curiosos, mas em nenhum momento pediu para eu ficar. Ao entrar no meu quarto, procurei minhas malas de viagem e peguei uma de tamanho médio. Não sabia ao certo para onde iria, então não fazia ideia de quanto tempo ficaria. Não esperaria você me dar férias, eu mesma faria isso por mim.  

Após um longo banho, vesti um jeans e um agasalho. Estava no corredor, fazendo o mínimo de barulho quando você me abordou e vermelho de raiva não quis me deixar sair. E eu não apenas sai, como também prometi nunca mais voltar.

A impressão que tenho é que nada vai ser suficiente. Nem todo amor, nem todo desprezo, nem toda a poesia, nem todo carinho. Nada acrescentará ou diminuirá. Nada para pôr ou tirar. Nada para começar ou terminar. Nada que melhore ou piore… Nada. Um vácuo. É estranho a força deste vazio projetado em mim. É um guia cego. Permaneço na calçada esperando um futuro que não chegará , contentando-me com este presente ausente. Tudo devidamente catalogado, papel timbrado e autenticado pela dor. O “nada” ingerido e seus excrementos: dizeres superficiais, hormônios traiçoeiros, sorrisos enferrujados e choros alucinantes. Seria ilusionismo sentimental? Que nada é este capaz de devastar-me assim? Planejo melhorar adornos, busco incessantemente os mais dignos enfeites, tal qual indianas para seus cerimoniais casamento. Tudo em vão, tudo para nada… Dispêndio de energia.Como um cavalo com rédeas ou o povo Hebreu no deserto, ando olhando apenas poucos metros a frente. Outras vezes ando em círculos por caminhos óbvios. Repiso na dor recém-cicatrizada, acredito que não há outro percurso. Em círculos, não deixo que esta ferida se feche. Não há terceiros nesta mutilação… É auto amor, auto piedade, auto flagelação, auto saudade,  auto expectativas, auto sofrimento.  A minha Caverna de Platão. Temo as minhas próprias sombras. Neste buraco escuro  -refém de mim-  esmago meus sonhos para que não cresçam. Talvez eles façam uma sombra ainda maior. Deprecio meu reflexo querendo ser as sombras alheias. Desdenho, por nada, minha silhueta composta por curvas jubilosas e doloridas. Rejeito o imutável… Aterrorizada com minha imagem avanço para escuridão para que não haja mais reflexos. E agora sou um nada também.

Cacau