os pinos

Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que vêem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Empurram a raça humana para a frente. E, enquanto alguns os vêem como loucos, nós os vemos como geniais. Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam.
—  Jack Keroauc
Os Pinos
Eduardo Pondal e Pascual Veiga
Os Pinos

Os Pinos

Texto: Eduardo Pondal
Música: Pascual Veiga

¿Qué din os rumorosos
na costa verdecente
ao raio transparente
do prácido luar?
¿Qué din as altas copas
de escuro arume arpado
co seu ben compasado
monótono fungar?
Do teu verdor cinguido
e de benignos astros
confín dos verdes castros
e valeroso chan,
non des a esquecemento
da inxuria o rudo encono;
desperta do teu sono
fogar de Breogán.
Os bos e xenerosos
a nosa voz entenden
e con arroubo atenden
o noso ronco son,
mais sóo os iñorantes
e féridos e duros,
imbéciles e escuros
non nos entenden, non.
Os tempos son chegados
dos bardos das edades
que as vosas vaguedades
cumprido fin terán;
pois, donde quer, xigante
a nosa voz pregoa
a redenzón da boa
nazón de Breogán.

/recensión/

Este himno simboliza a loita dos galegos polas liberdades rexionais. A letra escribiuna a finais do século XIX o poeta galego Pondal e a música Chané que, emigrado, morreu na Habana. Os restos do músico, que soubo interpreta-los anceios do pobo galego, foron levados á súa patria e soterrados na Coruña. (Carlos Palacio, “Colección de Canciones de Lucha”, Febreiro 1939)

O himno galego “Os Pinos”, que se estreou o 20 de decembro do 1907 no Gran Teatro de La Habana, foi produto do espírito creador da Galicia inmigrante, ao igual que a bandeira mailo escudo. O himno foi o resultado do esforzo de coordinación de José Fontenla Leal, o cal lle encargou a Curros Enríquez (importante figura galega que residía na Habana) que escribise a letra, e a música a Castro “Chané”, pero Curros non foi capaz de compoñelo axiña e Fontenla decidiu escolle-lo poema Os Pinos de Eduardo Pondal. Para a música contouse con Pascual Veiga.

O motivo central do himno é que Galicia esperte do seu sono e emprenda o camiño cara a liberdade. Dende o 1907 ata o 1923 o himno galego foi cantado por rexionalistas e agraristas nos seus actos e, pouco a pouco, foi sendo aceptado por moitos máis. Os centralistas asumirano, finalmente, na campaña electoral do 1977. Durante a época anterior á República prohibíronse tódolos símbolos rexionais. Daquela, as sociedades galegas da América intensificaron o seu interese pola expresión pública do himno. Coa II República o amor cara el intensificouse coma expresión dunha Rexión dentro do Estado Integral que se constituíra. Durante o periodo franquista, ata a etapa de aperturismo, só se cantaba, como moito, en actos culturais e coma unha canción máis dentro do folklore galego.

Poetas não usam celular, nem computadores, nem ligam para bytes, megabytes, cifras e unidades de medida. Não olham as páginas, não escolhem livros, não ouvem música clássica, não espiam a data no calendário, não botam pilha no relógio. Poetas vivem, mas vivem como poucas pessoas ousam. Poetas ousam. Isso os faz. Eles não pulam de prédios, nem de pedras exóticas, nem usam paraquedas, nem fazem rapel em cachoeira, nem pulam corda ou dançam jazz. Poetas não tomam café, mas não preferem chá ou coca cola. Poetas jogam banco imobiliário sem fraudar os títulos, mesmo assim nunca são escolhidos para ser o banco, pois não gostam de levar uma vida de múltiplas responsabilidades, seja com o dinheiro e a vida dos outros, seja com os pinos de sua própria vida sem ponteiro. Poetas são animais, mas também são gente, abanam o rabo como cachorro, mas têm a malícia de gato arrepiados pelo vento frio do beco batendo da lata de lixo metálica que serve de abrigo. São gente porque pensam, mas não só por isso, porque só pensar não faz a gente ser humano. Os macacos pensam, as baleias cantam, são criativas e os golfinhos são atrativos turístico em ilhas paradisíacas. O poeta gosta do mundo, das pessoas do mundo e por isso não pode ficar ilhado, mesmo na cidade que, por si, nesse século, é uma ilhota. São normais, de uma normalidade tão excessiva que os dota de uma complexidade aterradora. A cada segundo poetas nascem. Só nascem. São eternos à sua maneira.
—  Theu Souza