ortográfico

eu não vou amar você agora
em muito porque eu não sinto mais essa espécie de amor que dói e cansa e dilacera escancarada a carne, o peito, a ideia
meu amor é meio homeopático, meio ‘tudo bem se você for embora agora ou amanhã ou nunca mais, tudo bem’, aquele amor-que-tudo-perdoa-tudo-tolera
mas que sabe a hora de desligar
eu acho essas coisas - nada é certeza
eu diria
eu não vou amar você agora porque não
eu não sei
não há uma razão que eu diria, é essa
mas porque não me parece viável
acho que é sobre como eu não faço ideia do que me espera do outro lado e eu não acredito que amor seja gritar no vácuo
eu acredito que seja sobre sussurrar ou nada dizer
eu queria escrever isso pra te dizer
eu não vou amar você agora porque
mas não se justifica o amor e não se justifica a ausência de
eu não vou amar você agora, então, e ponto
isso não é um adeus, é um agora
talvez depois, se e quando você puder me dizer o que tem do outro lado - silenciosamente
pra que eu possa responder num sussurro:
agora eu te amo

euteamo sem separações

eu estou escrevendo porque preciso sentir essa sensação que me irradia quando você não está. eu estou escrevendo porque nesse exato momento as gotículas da chuva tocam sonoramente em meu telhado e eu consigo imaginar em quantos segundos elas caíram no chão e o cheirinho de terra irá exalar por aqui. eu estou escrevendo porque nada mais me aterroriza, porque já não sinto mais medo de que as paredes dessa casa possam se espremer contra mim. escrevo porque viajo em inúmeras cidadelas e planetas no qual eu nunca coloquei o pé, mas que todas chegam a você…
você me deixou com resquícios seus. eu ainda consigo sentir seu cheiro que está há quilômetros de distância de mim. posso escutar sua voz em qualquer música em que ouvir [será que estou ficando louca ou sobre efeito de alucinações que assumo ser maravilhosas?]
eu sempre me deixo levar. eu me deixo levar porque já não me sinto mais como antes. como no começo. eu já sei para onde ir, eu já sei que não estou mais vazia, mas algo ainda falta. falta eu parar de me limitar. falta eu transbordar. falta eu perder o medo e ser mais corajosa. falta… faltar faz falta.
por muito tempo eu quis escrever e agora escrevendo eu percebo o quanto esse texto está se perdendo.
desculpa, eu sei o quanto você prefere que eu seja direta, mas não consigo.
eu só queria dizer que por muito tempo eu menti pra mim na intenção de me enganar, mas a verdade é que euteamo.
eu que nunca soube definir o amor, amote e percebo que enrolações não vão me levar a lugar algum. mas amor, eu já não sei mais ir sem te encher dos meus “euteamos” que não são avulsos. porque na minha teoria, se eu dizer um “euteamo” separado eles me farão ficar mais longe de você, mesmo que eu tenha medo de te dizer isso.
me perdoa pelo pensamento besta e exagerado anjo, mas é que eu não sei sentir sem ser assim: sem te entregar minha alma exagerada.
sentir é reinventar. é transparecer o transbordamento que o seu ser quer fazer.
euteamo transbordando e não me canso de me encher de novo para transbordar outra vez.

e.c

“Fica”, ele diz.
Minhas mãos tremem.
“Fico”, eu respondo.
Mesmo sabendo que não por muito tempo, mesmo sabendo que ficarei na sua memória, eu fico.
Minhas mãos congeladas do frio amargo que estava dentro de mim, ele tentando aquecê-las.
Não sou boa com mentiras. Não sei inventar fatos, nem mascarar nada, mas menti quando disse que ficaria.
Fico hoje, fico amanhã. Mas não sei o que será da segunda-feira.
Apesar disso, ainda ficarei. Ficarei cravada em você, até o último dia da sua vida.
Serei o espinho que te fere, mas que você nunca conseguirá arrancar. Sinto muito por isso, mas, ainda assim, fico.
—  Fico

Please fire me. I had a customer tell me that his deceased wife’s bill should have been paid off by God when she died. My response? “I apologize sir but we do not receive payments from God.” He did not believe me.