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As vezes. As vezes da vontade que me tirem a audição, mas ficar sem ouvir tua voz me dizendo seja o que for, seria um castigo. As vezes da vontade de perder a visão, mas ficar sem ver esse teu sorriso tão espontâneo, e como fica lindo quando o coloca no rosto, ou então, não poder ver esses olhos risonhos tão profundos que chegam a me hipnotizar, seria um martírio. As vezes da vontade de sumir, mas ficar sem sentir essa sensação tão perfeita que me invade quando você me toca, seja da forma mais simples que possa existir, ou ficar sem sentir esse abraço que faz com que pareça que nada no mundo poderá me atingir enquanto estiver em teus braços, seria o pior dos castigos. Então para tentar me livrar da tua imagem que fica me rondando desde quando acordo, as vezes eu simplesmente durmo, apesar de ser meio em vão, já que nem em meus sonhos você sai de mim. Fechar os olhos e ficar sonhando com o quão perfeito seria se tudo o que imagino a todo momento se tornasse realidade, pra mim já virou rotina.
—   Galáxia South

O Primeiro Texto do Agora

Um bom texto é aquele que, por si só, consegue (re)transmitir todos os sentimentos que o autor quis (e provavelmente ainda quer) expressar. É como um belo quadro que faz você ficar admirando cada detalhe dele. Esse era (e ainda é) o propósito do pintor. O mesmo acontece com o autor. Só muda o nome da profissão.

Nem todo bom autor faz um bom texto, mas todo bom texto faz um bom autor. Talvez (com certeza) esse texto não me faça um bom autor, mas, por ser sincero demais, talvez ele seja um “bom texto sem dono”. Algo inédito no meio das crônicas (que estão voltando a “ser moda”).

Hoje quero falar sobre todas as palavras que eu não disse esse ano que passou. As famosas palavras não ditas. E pensando aqui comigo, foram muitas.

Há tantas maneiras de nos expressarmos e poucas maneiras de nos entendermos. Hoje, por exemplo, eu não consigo entender o por quê de eu não conseguir me expressar. Entre palavras não ditas, existe o vão que nos leva imediatamente para a infelicidade. P.s.: Infelicidade não tem nada a ver com tristeza. Infelicidade é o desencontro do destino real com o destino utópico. Felicidade é o encontro (coincidência) do destino real com o destino utópico. A felicidade, que existe pra você, é (infelizmente) um resultado de um encontro. Igual uma fórmula de física. Fácil de entender.

Minha utopia é encontrar as palavras não ditas e transformá-las em atitude. Mas, talvez (com certeza), seja mais fácil deixar o cabelo crescer, plantar uma árvore e encontrar um torcedor vivo do América. Tudo isso no mesmo dia.

Palavras não ditas tem o poder de fazer você se revirar na cama durante uma semana. Sem pausa. Palavras não ditas tem o poder de te deixar mais confuso, mais ansioso e mais infeliz. Palavras não ditas são como figurinhas douradas que você ganhava enquanto colecionava algum álbum. Quando você tiver a oportunidade de as usar, use-as. São raras. O momento oportuno de usá-las é tão raro quanto tirar as tais figurinhas douradas.

Não faça coleção de palavras não ditas. Colecione bottons, cd’s do seu artista favorito, filmes do Spielberg , cards do Pókemon e outras coisas que lhe interessar. Mas, não. Palavras não ditas não são colecionáveis. Não devem ser.

Palavras não ditas não servem pra nada. De verdade. Qual é o peso da culpa que você carrega? Até quando você vai se aguentar? Vai esperar seu coração acelerar? Parar? Vai esperar enjoar de si mesmo?

Dedique uma linda história a você mesmo. Conte segredos para você mesmo. Escreva um diário. Dê um jeito de usar as palavras não ditas. E, quando chegar a noite, pense no que você fará no dia seguinte. A cada dia que chega, ganhamos vinte e quatro horas. É hora de usar essas vinte e quatro horas. De um jeito realmente significativo.

O cansaço que faz nos afastarmos de tudo aquilo que gostamos é a coisa mais cruel do mundo. De uma hora pra outra, puft. Paramos de nos dedicar a aquilo que gostávamos. Estranho, né? Parece que, assim como a língua, vamos perdendo gosto pelas coisas. Como faz para a Nutella ter sabor de Nutella de novo? Como faz pra voltar aqueles frios na barriga? Como faz pra ter aquela ansiedade de viver? Como faz? Tem que morrer e viver de novo? Tem que dar restart? Não pode dar “Cine”?

Como eu disse, nem todo bom autor escreve um bom texto. Aqui, com tantas palavras ditas, creio ter provado que nem um bom texto faz um bom autor. Talvez porque o texto não seja bom mesmo…

Mas a intenção é sempre a melhor possível. Sempre. Nunca me deparei com uma intenção minha que não fosse boa. Sério. Já me engasguei com palavras não ditas, mas com más intenções, nunca.

Então entrando em um novo ano, faça uma nova promessa a si mesmo. Não deixe de falar no hoje, o que talvez você não possa mais falar amanhã.