onze bar

✧❝ CAN I HELP YOU? ❞✧ (a&l)

@lexiedeyes

                            O relógio marcava ser quase meia-noite quando Ares terminou o shift no bar, largando o avental de bartender no armário da sala de funcionários e tirando a mochila do mesmo lugar. O cansaço consumia o seu corpo e tudo o que ele queria era ir para casa, deitar-se na cama improvisada e dormir. Tinha começado a trabalhar horas extras devido à falta de dinheiro; e sabia que precisava arranjar outro emprego, especialmente se queria manter uma banda, mas a sua exaustão física pelos turnos dobrados no bar o impediam de fazer qualquer coisa. Chegava no pequeno apartamento quase às duas da manhã todas as noites, só conseguia pegar no sono lá pelas três e meia, e depois era obrigado a acordar às nove porque começava no bar às onze. O tempo não era seu amigo e o dinheiro também não. Era quase capaz de escutar a voz de Heejun em sua mente, rindo dele enquanto Ares reclamava das dificuldades que passava: “E você diz que dinheiro não compra felicidade!”. Não compra, pensou, ciente de que estava mil vezes mais feliz daquele jeito do que na vida que levava antes com os pais.

Terminou de arrumar suas coisas dentro da mochila e se deparou com os panfletos que havia feito manualmente anunciando que estaria montando uma banda, a “EX1T” e precisaria de membros. De membros e de um espaço para praticarem, porque de resto, já tinha tudo: desde instrumentos à materiais de produção musical. Soltou um suspiro, considerando se aquela seria uma boa hora para sair colando os anúncios pela cidade, em postes e muros, ou se deveria esperar um dia em que não estivesse tão cansado. Após alguns segundos ponderando, decidiu que não poderia mais prolongar: precisava de membros para começar oficialmente os trabalhos com a EX1T, e estes não cairiam do céu. Colocou a mochila nas costas e com os panfletos em mãos, saiu pela porta dos fundos do bar, deparando-se com o choque térmico ao sair do ambiente climatizado. Odiava o quão quente Los Angeles era.

Respirou fundo, caminhando pela rua à procura do primeiro lugar onde poderia colar os panfletos. Por sorte, não muito longe do bar, Ares encontrou um muro cheio de anúncios de trabalho, cachorros e gatos perdidos, aulas de espanhol, viagens em grupo e entre outros; parou à frente dele, colocando a mochila no chão e procurando a fita adesiva em meio às roupas e outras inutilidades que sempre trazia consigo. Assim que a encontrou, levantou-se para começar a adesivar alguns dos papéis contra a parede, tapando descaradamente outros panfletos ali.

A rua estava quase vazia, salvo alguns carros e pedestres passando de vez em quando por ele, então Ares demorou para perceber que estava sendo observado. Seu coração pulou e ele sentiu a respiração ficar pesada. A última coisa que precisava naquele momento era ser assaltado, pois além de carregar praticamente toda a casa na mochila, também levava o dinheiro do aluguel daquele mês. Contado certinho. Congelado no lugar, deixou soltar a respiração que estava segurando e virou o rosto lentamente até a presença que o acompanhava, rezando para todos os deuses que não estivesse prestes a ser roubado. Suas sobrancelhas se ergueram e uma onda de alívio percorreu-lhe o corpo quando percebeu que o seu “assaltante” não passava de uma garota, provavelmente da sua idade. — Posso ajudar? — perguntou, ainda um pouco desconfiado. Não sabia o que ela poderia estar escondendo; talvez tivesse uma arma ou um canivete e ele não pudesse contornar a situação. Semicerrou os olhos, analisando-a da cabeça aos pés. — Você é muito baixinha e magrela para me assaltar, então desembucha aí o que você precisa. Se é o meu número que quer, então saiba que não vai rolar. Não tenho tempo nem para cuidar do meu gato, quem dirá de uma namorada baixinha como você.