olhos verde

Eu desisti, simples assim. Não foi de você ou de nós, desisti de mim, do amor. Não tem lógica continuar tentando se eu sei o final da hsistória. Já deu para perceber que não levo sorte nisso. Não te culpo pelo o que fez, todos fizeram, vejo isso como um sinal. Não nasci para ser feliz no amor. Aqueles olhos verdes, azuis, castanhos; aqueles abraços apertados e apelidos carinhosos; os sorrisos durante os beijos; os eu te amo que pareciam verdadeiros e que hoje não significam nada. Dizem que acostumamos com certas coisas, mas com essa dor não tem como se acostumar e agora eu desisti.
—  Ilusões de Esther.
Para o menino de olhos verdes

Era segunda feira, eu tava de saco cheio da minha vidinha monótona. Sempre a mesma coisa, sempre o choro pelo mesmo motivo, pela mesma pessoa. Eu já estava bem triste logo pela manhã. Quando na hora do intervalo, que pra mim seria apenas mais um normal… Eu te vejo. Meu Deus! Foi amor a primeira vista, juro. Te encarei e vi todos meus desejos numa pessoa só. Fiquei sem reação, tentei fingir que estava tudo bem, mas meus olhos sorriam. Precisava saber quem era aquele garoto novo, que me chamou tanta atenção. Então, procurei saber. E soube. Soube pouco e as pessoas souberam mais, sobre mim, sobre meu interesse em ti. E olha só, nos juntaram. Incrível, né? Eu achei que você só ia querer me pegar e pronto, tchau. Mas não, não foi assim. Foi totalmente diferente, e conforme fui te conhecendo, nossa personalidade foi batendo, como diriam muitos: nosso santo bateu. Você tem tudo haver comigo, é meu amigo, namorado, quem sabe futuro marido. Com você eu não tenho medo de não causar boa impressão, eu simplesmente ajo naturalmente, falo o que me vem a mente. Aliás, quem entende é só a gente. Tem gente que vem de passagem, uns pra ensinar lição, mas você, eu não quero que vá embora, não. Fica comigo? Hoje, amanhã, depois, pra sempre? Você é meu abrigo. Me sinto tão feliz contigo. Não quero te deixar ir, nunca. Longe ou perto, quero você. Saber que tenho a ti, me deixa tão feliz. Não me perdoaria se eu te perdesse. Me apaixonei tão intensamente, quem me vê, diz “nossa, olha como ela mente. Mal terminou e já tá dizendo que ama outro.”, mas não. Eu não sabia o que era amor até te conhecer. Não sabia o que era se apaixonar a ponto de mais nenhuma pessoa no mundo te interessar. Nossa, caramba, garoto, o que você fez comigo, hein? Só te peço, fica comigo, não quero que o que a gente tem tenha fim.

Conheci ela no jazz. Essa frase pode parecer romântica se você imaginar alguém tocando Cole Porter num subsolo esfumaçado de Nova York. Mas o jazz em questão era aquela aula de dança que todas as garotas faziam nos anos 1990 –onde ouvia-se tudo menos jazz. Ela fazia jazz. Minha irmã fazia jazz. Eu não fazia jazz mas ia buscar minha irmã no jazz. Ela estava lá. Dançando. Nunca vou me esquecer: a música era “You Oughta Know”, da Alanis. Quando as meninas se jogavam no chão, ela ficava no alto. Quando iam pra ponta dos pés, ela caía de joelhos. Quando se atiravam pro lado, trombavam com ela que se lançava pro lado oposto. Os olhos, sempre imensos e verdes, deixavam claro que ela não fazia ideia do que estava fazendo. Foi paixão à primeira vista. Só pra mim, acho. Passamos algumas madrugadas conversando no ICQ ao som de Blink 182 e Goo Goo Dolls. De lá, migramos pro MSN. Do MSN pro Orkut, do Orkut pro inbox, do inbox pro SMS. Começamos a namorar quando ela tinha 20 e eu 23, mas parecia que a vida começava ali. Vimos todas as séries. Algumas várias vezes. Fizemos todas as receitas existentes de risoto. Queimamos algumas panelas de comida porque a conversa tava boa. Escolhemos móveis sem pesquisar se eles passavam pela porta. Escrevemos juntos séries, peças de teatro, filmes. Fizemos uma dúzia de amigos novos e junto com eles o Porta dos Fundos. Fizemos mais de 50 curtas só nós dois —acabei de contar. Sofremos com os haters, rimos com os shippers. Viajamos o mundo dividindo o fone de ouvido. Das dez músicas que mais gosto, sete foi ela que me mostrou. As outras três foi ela que compôs. Aprendi o que era feminismo e também o que era cisgênero, gas lighting, heteronormatividade, mansplaining e outras palavras que o Word tá sublinhando de vermelho porque o Word não teve a sorte de ser casado com ela. Um dia, terminamos. E não foi fácil. Choramos mais que no final de “How I Met Your Mother”. Mais que no começo de “Up”. Até hoje, não tem um lugar que eu vá em que alguém não diga, em algum momento: cadê ela? Parece que, pra sempre, ela vai fazer falta. Se ao menos a gente tivesse tido um filho, eu penso. Levaria pra sempre ela comigo. Essa semana, pela primeira vez, vi o filme que a gente fez juntos —não por acaso uma história de amor. Achei que fosse chorar tudo de novo. E o que me deu foi uma felicidade muito profunda de ter vivido um grande amor na vida. E de ter esse amor documentado num filme —e em tantos vídeos, músicas e crônicas. Não falta nada.
—  Gregorio Duvivier - Desculpe o transtorno, preciso falar da Clarice. 

E quem é que espera por finais? O único final que realmente desejamos é o final de semana, mas quando se trata de finais sentimentais somos todos fracos, inclusive eu, você que está lendo e ele. Há quem diga que éramos um belo casal juntos, porém mal sabiam que nem um casal realmente éramos, nós gostávamos de gostar um do outro, mas cada um do seu canto, nos gostávamos de longe. Mas eu desejava o sentir perto, nos tornando apenas um, contrariando as leis da física e ocupando o mesmo espaço, meu sentir era antigo e era todo seu. Não tinha certeza do que você sentia mas eu sabia que seus lindos olhos azuis, verdes ou castanhos eram só meus. Olhando o céu e comparando a você, fui pega de surpresa, parecia que você estava lendo meus pensamentos, nunca havíamos trocado uma palavra e você veio me abraçou e deu-me um beijo, me deixando logo após sem nenhuma explicação, era o garoto que morava logo ali, mas se encontrava muito aqui. Não tivemos um começo, um meio, mas tivemos um ato de final, que como sempre vai te pegar de surpresa, no pulo, no susto, no sopro e você vai lembrar de um átimo, um dia, um mês, um ano inteirinho em um minuto. Tudo vai parecer tão real, tão vivo e presente, você vai fechar os olhos, respirar fundo e se perguntar: por que acabou? Será que realmente começou ou existiu? Ou será que sonhei?


Laryssa Oliveira e Simone Ribeiro