olha-quem-voltei

A propósito, meu nome é Mike
Sempre fui uma boa filha. Meus pais me ensinaram muitas coisas sobre a vida, desde escovar os dentes antes de dormir até que tomar produtos de limpeza não é uma coisa muito aconselhável para a saúde. No entanto, eles nunca falaram como se declarar pro vizinho chato do 26. Esse foi o maior erro da criação dos meus pais, que eu pretendo nunca cometer com os meus filhos.
Aqui estava eu, num corredor deserto, pensando em como eu poderia ser sincera com Mike, sem parecer atirada ou psicopata. E digamos que isso não estava dando muito certo.
A única coisa que eu consigo pensar é em quantas formas possíveis se pode matar alguém. Jenna não deveria ter me encorajado a fazer isso. Amanhã mesmo eu vou procurar se hipnose conta como matéria em psicologia. Isso se eu sobreviver até lá.
Ok, se concentre, Taylor. Como você deve começar? “Hey, quer ser o pai dos meus filhos?”. Esqueça, muito idiota.
— Seja direta, Taylor, direta. — Sussurro pra mim mesma.
Sabe, o primeiro passo pra loucura é falar sozinha.
Olho para frente e vejo Mike encostado em sua porta.
— Mike, oi, eu…
Você? — Ele perguntou divertido. Que ótimo, eu aqui sofrendo para concluir uma frase e esse filho de uma boa mãe quase rindo da minha cara.
Respirei fundo. É agora, você consegue. Seja rápida, como tirar um band-aid.
— Eu estou aqui pra dizer que decidi o rumo do nosso relacionamento.
E qual seria o seu verídico, senhorita? — Ele pergunta um falso tom sério, como num tribunal.
— Eu concluí que eu não posso ficar sem você destruindo a minha casa, a sua camisa xadrez verde e o seu cabelo com cheiro de loção para crianças. Então decidi que é, eu posso ser a sua namorada.
Ele sorri e cora um pouco, logo percebo um brilho diferente no seus olhos, como se tivesse me pedindo alguma coisa. Ah não, droga.
— Você está brincando, certo?
Ele ergue um sobrancelha me desafiando. Idiota.
Me ajoelhei, e segurei uma mão de Mike. A sua boca era uma linha fina, segurando a risada que provavelmente ele não conseguiria segurar por muito tempo.
Mike Harries, aceita ser meu namorado e aquecer meus pés nas noites frias de Londres?
Um minuto. — Ele se solta e fecha a porta na minha cara.
Mas que diabos? Eu passo a maior humilhação e simplesmente bate a porta na minha cara. Que seja, quem precisa dele. Eu posso muito bem ficar solteira pro resto da vida com meus gatos, obrigada.
Ouço a porta abrir novamente.
Oi, desculpa pelo som. Acabei de abaixar, pode dormir tranqüila agora
— Mike, o que…
Precisa de mais alguma coisa? Á propósito, meu nome é Mike. — Ele diz estendendo a mão.
Olho pra ele confusa, até que começo a entender. Ele estava tentando o negócio de “vamos começar de novo”.
— Prazer, Taylor — Digo sorrindo e apertando sua mão.
Então, Taylor, aceita entrar e beber alguma coisa?
— Acho melhor não, sabe. Tenho que acordar cedo amanhã.
Ah, vamos lá, você nao tem cara de ser tão careta assim.
— Eu não contaria muito com isso.
Ele se afasta para eu poder entrar. Enquanto eu observo se Matt ou John estavam em casa, sinto alguém me puxando ao seu encontro, rindo.
Você prefere com ou sem gelo?
— Isso depende do que você esta se referindo.
Mike encosta seus lábios nos meus, num selinho demorado. Sorrio, percebendo como a situação era cômica.
Sabe, não é muito normal beijar uma estranha. Você pode assustar a garota.
Hum, algo me diz que nós já nos vimos antes. — Ele sussurra e me beija novamente.
— Então posso considerar isso um sim?
Não exatamente.
— Como é? — Digo já irritada.
— Jamais poderia passar a noite com você, senhorita Evans. Além de ser inapropriado, eu sou um moço de família.
—  O que aconteceu com o Chelsea e destruição da camada de ozônio?