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A Man Escaped (Robert Bresson, 1956)

“Of all of Bresson’s films, A Man Escaped, along with his long out of print book Notes on Cinematography, should be required reading and viewing for all film students, as examples of economy, simplicity, and striking proof of the power of images to convey ideas, emotions and faith.”

Capítulo 39 - Ameaça

Rodrigo e Juliana seguiam a vida completamente apaixonados. Cada dia mais tinham a certeza de que tinham nascido um para o outro. Naquela noite iriam ao cinema e depois se encontrariam com os irmãos e cunhadas de Rodrigo em um barzinho. Rodrigo chegou um pouco atrasado para pegar Juliana. Tinha ficado preso no trabalho por conta de uma atrapalhada de Sabrina que teve que resolver pela ausência de Verônica.

- Nossa, Rod. – Juliana falou ao ver o namorado. – pensei que nem vinha mais.

- Quase não consigo sair, minha linda. – falou beijando sua testa. – A Sabrina é mestre em fazer burrada, caralho.

- Nem continua. Não quero estragar minha noite falando sobre exu.

- Exu, Ju? – riu

- E olha que ainda é um elogio. – riu também – Vamos?

- Vamos.

Seria muito perguntar a história do filme. Na verdade o que Juliana e Rodrigo fizeram no cinema não passou nem perto de prestar atenção ao que era exibido na tela. Estavam mais interessados em se curtir. E foi isso que fizeram.

Quando chegaram no barzinho eram só sorrisos. O que foi notado por todos.

- Vocês têm certeza que foram ao cinema? – Felipe perguntou

- Fomos sim, seu pervertido. – Juliana sorriu

- Não , porque eu nunca saí do cinema com esse sorriso safado do Rod, aí. – apontou para o irmão que caiu na gargalhada.

- É porque o filme era muito bom. – Juliana falou sem graça.

- Nos conte mais sobre esse filme. – Bruno entrou na provocação.

- Ferrou! – Rodrigo sussurrou no ouvido de Juliana.

- Gente, parou a palhaçada. – Yanna interviu. – Tem muita graça vocês querendo saber da intimidade dos dois.

- Brigado, cunhadinha. Põe ordem nesses dois.

- Tá bom, Rod. – Bruno riu – Salvo pela barrigudinha. Senta aí que hoje é dia de comemoração.

- O que foi? O Fi aprendeu a usar o troninho, foi? – devolveu a provocação. – Mamãe deve tá muito feliz.

- Nossa, que engraçado. – Felipe fez careta para o irmão. – Começa que eu conto pra Ju algumas coisinha do seu passado também.

- Então quer dizer que você  fazia xixi na cama Fi? – Mariana ria olhando o namorado.

- Eu era um bebê. – justificou

- Bebê de oito anos. – Rodrigo gargalhou e todos o acompanharam inclusive Felipe.

- E quem tinha medo da vizinha, só porque a mulher tinha uma verruga no rosto? – Felipe continuou.

- Ela parecia uma bruxa, Fi. – Rodrigo se defendeu. – Todo mundo tinha medo, até o papai.

- Mas nem todo mundo se escondia debaixo da cama por isso. – Bruno completou.

- Vamos fechar o baú dos Simas, vamos? – Yanna pediu.

- Ih… Tá com medo de saber dos podres do Bu, é Ya? – Felipe não perdeu a oportunidade.

- O meu namorado é perfeito , tá? Eu só quero contar a novidade pra vocês. A Ana e o Beto já sabem, falta vocês.

- Conta! – Juliana falou curiosa

- Então… – Bruno fez suspense. – Hoje descobrimos o sexo do bebê.

- Fala logo! – Mariana não conteve a curiosidade.

- Acho melhor esperarmos o Rod e Ju pedirem algo pra beber. – Bruno enrolou

- Moleque, fala logo! – Rodrigo encarou Bruno – Deixa de ser chato!

- Falo, Ya? – olhou para a namorada.

- Vai, fala. – concordou

- Vem aí mais um gostoso Simas! – falou e levou um beliscão de Yanna. – Ai, amor! Doeu!

- Bruno, meu filho não vai ser tarado igual a vocês não. Vou logo avisando.

- Depois ele mesmo te responde isso, amor.

E foi nesse clima de zoação e alegria que ficaram até pouco mais de 3h da manhã. Juliana iria dormir na casa de Rodrigo, assim como Yanna e Mariana. Já estavam chegando ao estacionamento, mas ainda era tempo para as brincadeiras de Felipe.

- Hoje nossos velhos não vão dormir até as sete. – falou abraçando Mariana

- Por quê? – Juliana não entendeu

- O que vai ter de cama rangendo do lar doce lar dos Simas… – respondeu

- Felipe, você é sempre tão safado assim? – Yanna rindo perguntou

- Responde pra ela Mari. – Felipe falou e mordeu a bochecha da namorada.

Ainda caminhavam rindo das provocações de Felipe, quando Rodrigo não acreditou no que viu em seu carro.

- Que porra é essa? – falou arregalando os olhos.

- O quê , amor?

- Olha ali, Ju – apontou para o carro.

Pichada em letras garrafais , Rodrigo pode ler uma ameaça bem direta.

                               “ PREPARADO PRA MORRER?”

- Rod, é ele. – Juliana se descontrolou – É ele!

- Calma, Ju. – Mariana pediu – Deve ter sido um louco que faz isso por diversão.

- Não, Mari é o Guilherme, eu sei que é.

- Juliana, isso é só uma frase pichada em um carro. – Felipe tentava acalmar Juliana – Poderia ter sido em qualquer carro.

- Parem de tentar fingir que tá tudo bem! É o Guilherme e isso aí é uma ameaça.

- Juliana, me escuta! – Rodrigo pegou no rosto da namorada. – Sendo ele ou nada, sendo uma ameaça ou não, nós vamos pra casa e isso não vai estragar nossa noite. Tá ouvindo?

- Mas, Rod…

- Nada de mas, Ju. A gente não pode ficar desse jeito achando que tudo gira em torno desse psicopata.

- Escuta o Rod, Ju. – Bruno aconselhou – Ele tem razão. Depois com calma a gente ver isso.

- Tudo bem, mas você vai ficar colado em mim. – falou como se pudesse proteger Rodrigo de qualquer mal.

- Sabe que até gostei dessa pichação. – Rodrigo brincou para acalmar Juliana. – Acho que vou contratar uns moleques pra picharem meu carro todos os dias.

- Rodrigo, isso é sério – falou o encarando firme.

- Tá bom , Mulher Maravilha – sorriu – Vamos pra casa pra você me mostrar seus poderes.

Foram embora e Rodrigo preferiu falar sobre o sobrinho que estava a caminho para tirar a atenção de Juliana do acontecido. E ele pareceu saber que aquele assunto prendia por total seus pensamentos. Juliana estava muito feliz com a gravidez da amiga e se envolvia em cada detalhe do enxoval do pequeno.

Quando chegaram no prédio de Rodrigo, ficaram esperando pelos os outros para que subissem juntos. Assim que entraram no apartamento , Felipe quis logo fazer uma aposta.

- Vamos ver quem coloca a cama pra ranger primeiro?

- Felipe, você é muito escroto, moleque. – Bruno riu

- Vai ver que a cama dele nem range tanto assim. – Rodrigo brincou

- Tá com medo bebê da mamãe?

- Nem vou te responder do que o meu namorado é capaz, porque não quero fazer propaganda. – Juliana defendeu Rodrigo.

Se tivessem feito a aposta, com certeza Rodrigo sairia vencedor. Mal entraram no quarto e as roupas foram sendo tiradas do corpo com pressa. Não era preciso muito para acender o fogo do desejo. Bastava um simples olhar para se quererem. Se entregaram ao amor de forma intensa, só deles.



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Beijos e uma boa noite!