o que os separa

- O que eu realmente quero que você saiba, é que não importa o tempo que passe, o que aconteça ou o que a vida nos ensine… Não interessa quem somos, ou quem vamos nos tornar… O que vale é o que carregamos dentro de nós. E você, guarde isso na memória pra sempre: eu te carrego junto comigo, todos os dias. @apenas-voceeu

Telefonema, II.

O problema sou eu e o sentir demasiado. Eu não sei ser amena, nunca soube, é certo que jamais o farei. Ainda que meu perdão perdure os séculos, ainda que as decisões tomadas não voltem para assombrar, só eu sei toda a carga engolida pelo temor de assustar quem me rodeia. Ninguém, além de mim, compreende todas as vezes que as portas foram fechadas. É desalentador afirmar que sabia exatamente o momento em que há total descrença sobre mim, ainda espero alguém que me surpreenda. Tenho momentos de intensa irracionalidade, nada mais são do que o resultado de todas as vezes que virei as costas para as certezas e me atirei no olho do furacão. Equívocos inocentes. A certeza irrompe a porta e desarruma a casa. A gente vezenquando se entristece da gente. Uma tristeza que adoece, um vazio que dedilha feridas expostas. Aquela certeza palpável da solidão. Então ela me abraça, me nina. E eu, covarde que sou, permito. Porque chega aquele momento em que você se vê na linha tênue que separa os extremos, o corpo fadigado, o peito esfolado. A cabeça já nem pensa, os pés seguem por não saberem fazer nada além de partir. Já não tenho saúde para olhar para trás, nem para frente. Sigo de cabeça baixa e olhos fechados, a cegueira sobre as coisas mais banais e vívidas. Admito com a mais desesperadora melancolia que não há, certamente não há, alguém que me conheça. Quem goste e fique, quem goste e aguente os comigos de mim. Quem só goste e isso seja suficientemente bom para criar raízes. É fácil demais ser afagado pela obra, a autora tem lá seus espinhos. Nela residem certezas doídas, dores intermináveis, feridas impossíveis de serem curadas. Uma melancolia que beira a insanidade, pranto que não cessa, nem cai. Seria o choro mais desalmado, daqueles de fazer a multidão se unir as lágrimas sem saber porque. A obra é bela exatamente por desconhecer os detalhes. Ninguém, se soubesse sobre todas as coisas, ousaria sorrir diante de tanta maledicência. Vezenquando eu me entristeço de mim. 

G.

A linha tênue que separa o céu do mar

Ficar com os pés mergulhados na água salgada na tarde de uma segunda-feira que foi parcialmente preenchida por uma notícia boa fez eu me sentir completa e viva. 

A água vinha e ia molhando a parte mais alta das minhas pernas enquanto eu conversava comigo mesma sobre as coisas que vinham acontecendo dentro do meu universo não paralelo a realidade. 

Então, eu pronunciei meu nome favorito e disse que ficaria quieta um instante, só para apreciar o som das ondas quebrando na praia e principalmente para apreciar aquela linha que divide o céu e o mar. 

Descobri que agora eu possuía duas certezas neste universo: a primeira é a de que vou morrer. E a segunda é mais poético: aquela linha é a minha coisa favorita na vida. 

Talvez, eu tenha demorado um pouco para perceber isso. Talvez já estivesse dentro de mim e eu apenas nunca havia reparado. Só sei que gosto de ver a linha do horizonte, seja da beira do mar ou da sacada do meu apartamento. 

Não sei exatamente porque gosto dela. Acho que é porque é fascinante pensar que uma pequena linha separa duas coisas que na verdade nem chegam a se encontrar. 

Talvez essa linha tênue que separa o céu do mar, separe outras coisas em minha vida:

O amor e o ódio 

O perdão e a raiva

O estar bem e o não estar bem

Eu nunca soube lidar muito bem com sentimentos que fossem opostos, porque acho que na verdade nunca havia compreendido que eles são complementares e irremediavelmente humanos. 

Eu escrevi minha comemoração na areia e declarei o meu amor.

Pronunciei meu nome favorito mais uma vez, agradeci pela ótima conversa e disse baixinho:

“minha vida sempre faz sentido na praia”

Quando caminhamos com alguém a quem amamos, gostamos de fazê-lo de mãos dadas. O mesmo ocorre com Deus. Ele nos ama tanto que deseja que andemos com ele seguros em sua mão. A diferença é que ele não quer que a soltemos, nunca. De fato, sua vontade é que nos tornemos mais e mais dependentes dele. Deus quer que escalemos alturas que nem imaginamos, mas para isso temos de atravessar os vales profundos e os caminhos estreitos da vida, onde poderíamos nos perder facilmente. O fato é que não existe um meio de seguirmos em segurança, sozinhos. Jamais conheceremos a alegria da verdadeira liberdade até que entendamos que não podemos dar um passo sem sua ajuda. Mas, cabe a nós a iniciativa. Jamais aprenderemos a caminhar com Deus se não dermos o primeiro passo. Não podemos nos deixar paralisar pelo medo. Deus só abriu as águas do Jordão para os israelitas depois que eles colocaram os pés na água (Js 3.15-16). Ele sempre exige que o primeiro passo seja nosso. Mas, para dá-lo, temos de olhar para Deus, segurar-lhe a mão. Só depois desse primeiro passo é que ele nos mostrará os passos subsequentes. Descobriremos como evitar o que nos separa dele e do que ele tem preparado para nós. Quando caminhamos com Deus ele nos ensina a caminhar à luz da sua verdade, revelação e amor.
—  Stormie Omartian
Meu mozin, primeiro dia dos namorados juntinhos. Primeiro de muitos né??
Eu só queria dizer hoje que mesmo a gente não estando mais juntos como era antes ainda continuo pensando em você o tempo todo e todos os dias! E que essa distância não separa a gente, ela nos deixa mais próximos a cada dia que passa, e não mudei meu conceito em nada sobre você, tu ainda é a melhor pessoa que já apareceu pra mim, a pessoa que eu espero a semana toda para sentir o perfume e ganhar um abraço bem forte, a pessoa em que eu penso quando acordo e a última que eu penso antes de dormir, a que eu tenho sonhos lindos sempre, a que eu planejo futuro e a que eu não abro mão por nada! Sei que você é caidinho por mim também moreno.. E que mesmo com toda tua marra você me ama tanto quanto eu amo você! As lágrimas que caem sempre de mim são de saudades e não de medo! Por que tenho certeza que com a gente vai ser pra sempre..
E sobre você ir jogar pra fora em breve, tem meu total apoio, mas não esqueça nunca de mim ok?? Pois assim que puder eu vou largar tudo e ir ficar juntinho contigo pra sempre meu amor. Sabes que é o que eu mais quero e é o que a gente vive planejando! Peço para que quando a gente estiver distantes você pense em todos os momentos felizes que a gente já teve, e deixa que o futuro se encarregue dos momentos felizes que estão por vir. Eu NUNCA vou desistir de você, e eu to lutando com todas minhas forças pra suportar dia pós dia longe de ti, porque sei que em breve vamos ser recompensados por ter que esperar tanto
…sei que vamos!
Eu te amo muito meu amor.. Prometo te amar todos os dias do resto da minha vida; E depois desses dias, prometo te amar para sempre!
—  Gabrieli Moreira

Talvez o embalo da música ao fundo fosse responsável pelo turbilhão de sensações que inundam minha pele. Mas quando seus braços entrelaçam meu pescoço e um sorriso malicioso desenha-se em sua face, sei que é você a única capaz de tamanha façanha. O movimento de seus quadris dita as regras do jogo. Novo movimento. Nova posição. Meus lábios idolatram cada centímetro de seu corpo nu. Santo Deus. Quanta blasfêmia. Pouco me importa. Seus olhos vidrados de desejo se fecham, te beijo e corro a boca no teu pescoço, você geme baixinho, ofegante. Minha mão gélida deixa um rastro de arrepio sobre sua barriga. Quase que instantaneamente seus olhos procuram os meus. Lindos olhos castanhos, aliás, que a julgar pelo brilho tentam dizer algo que passou despercebido. Enquanto seu olhar permanece fixo ao meu é como se você desvendasse minha alma. O que me deixa um pouco sem jeito fazendo com que eu desvie o olhar. Você acha graça e me puxa para um abraço na tentativa de romper o curto espaço que separa nossos corpos. Com os seus lábios próximos ao meu ouvido você sussurra … sabe o que dizem né? Mãos frias, coração quente. Ao passo que desliza seus dedos nas minhas costas em busca das covinhas que tanto gosta. Sorrio. Você interpreta como uma confissão. De fato, estou de quatro por você. Metaforicamente entregue, rendida aos seus encantos. Você apressa-se para dizer que me ama. Finjo estar surpresa, como se não soubesse e te arranco um sorriso doce e ingênuo. Digo, finalmente, também te amo. Porque não sabemos fazer outra coisa que não amar uma a outra.

        - A. C Ramos 

O engraçado é que somos tão diferentes e tão iguais. Essa loucura um dia vai matar a gente, mas em morrer com você, eu já fico contente. Fazer o que se você não sai da minha cabeça, e nada nesse planeta faz com que eu te esqueça? Se isso é certo ou errado eu não sei e nem me importo, eu só me importo em saber o dia que eu vou te ver. Você é tão complicada, parece um campo minado, mas são esses desafios que me prendem ao seu lado. Você é inteligente e gosta de estudar, e eu despreocupado com que faculdade cursar. A gente é tão diferente, pensei que não dava certo, mas vi que ficava contente quando você tava perto. Fiquei um tempo distante, dias sem te ver, e foi nesse instante, que eu passei a perceber que sem você do meu lado, tava faltando um pedaço, daí percebi que estava ficando apaixonado. Eu quase desisti, mas pensei bem melhor, ficar sem você é com certeza pior. Hoje fico agradecido, digo abertamente, a Deus por te me escolhido e te dado de presente. Mesmo você revoltada, consegue mostrar os dentes, e o sorriso só aparece pra mostrar que nada separa a gente.
—  Cat and Sid
os meus olhos cheios d'água, seu mar vazio.

Eu imergi no raso do teu mar e me perdi de mim, João. Atraquei no teu cais e fiquei a ver navios. Mas neste momento, estou abrindo mão desse vazio que é, tentar arrancar palavras do meio da tua garganta. Eu me vi tão urgente, tão a flor da pele, tão sedenta para que você tirasse o teu amor das entrelinhas e se atirasse na profundidade de mim, que o teu silêncio acabou me rasgando inteira. Meus pedaços foram espalhados pelo mundo. Não sobrou nada, João. Agora, olho através do espelho nossos reflexos tão distantes e pergunto o quão tênue, é a linha que nos une e nos separa. Os dias têm sido compridos e eu carrego entre gargalhadas escancaradas, o peso imenso de um adeus que eu não falei. Nas minhas cordas vocais, ainda está preso tudo que eu quis responder, quando você nem mesmo se deu ao trabalho de fazer as perguntas certas. Nos meus ouvidos, ainda ecoam as palavras que eu tanto quis ouvir, mas você não disse. No deserto do meu peito, jorram as lágrimas que eu mantive seguras em minhas órbitas, para que não desaguassem quando pude ter ver amargamente, escorrendo por entre os meus dedos. 

“ e eu aqui, eu aqui morrendo
desaparecendo, como uma foto de Polaroid
eu morro mais ou morro menos
tanto fez, você não veio mesmo.”

A força da alienação vem dessa fragilidade dos indivíduos que apenas conseguem identificar o que os separa e não o que os une.
—  Milton Santos.
Capítulo 4

N.I: Desde o capítulo 1 eu não coloco nada no começo, mas antes desse capítulo tenho que agradecer quem veio comentar da fic no meu twitter (thatsmanibear), quem divulgou a fic e quem está lendo mesmo que anonimamente. Bem, a primeira vez, a gente nunca esquece, né? Apreciem… 

Acordar com um peso nas costas por causa de trabalhos alheios é uma coisa que acontece apenas comigo. Eu realmente não queria que a secretária fosse demitida, por mais grossa, arrogante e ignorante que ela fosse. E ainda tinha a minha própria situação, que não estava nada boa.
Bella não tinha sido tão dura quanto eu imaginava. Na verdade, ela mal trocou palavras comigo desde que deixamos a empresa. Antes ela falasse algo. Seu silêncio chegava a ser mais torturador do que qualquer palavra que ela pudesse pronunciar.
Aqueles cinco minutos em que eu enrolei na cama foram o suficiente para fazer com que eu chegasse a uma conclusão muito importante assim que chegasse no trabalho: eu teria de falar com Clara. Mesmo que aquele noivo dela tivesse dito asneiras sobre a secretária dela, que no caso sou eu, que não sou secretária nenhuma. Eu tinha que resolver essa situação o mais rápido que pudesse.
Atravessei todo o imenso saguão e subi os vinte e três andares sem paciência nenhuma para esperar o elevador. Além de poder pensar mais um pouco nas minhas palavras, eu também me exercitava um pouco. Foi bom saber que eu não estava tão fora de forma. Passei pelo setor de contabilidade rezando para que ninguém pudesse notar a minha presença passando reto pela porta, mas infelizmente pude sentir o cheiro do aroma do perfume de Bella ficar cada vez mais próximo. Parei na mesma hora e me virei para trás, encontrando-a em braços cruzados e cara amarrada. Contei até dez mentalmente para ter paciência com ela. Hoje eu estava com muitos problemas para aturar suas regras.
-Aonde você pensa que vai? -Ela perguntou fechando os olhos e respirando fundo antes de abrí-los e terminar sua frase.
-Tenho coisas a resolver. -Disse, sem intenção nenhuma de dar mais detalhes.
-Você não já complicou muito a sua vida, ontem, Vanessa? -Ela perguntou tentando parecer um pouco mais calma. Depois de um tempo analisando seu rosto, pude perceber que Bella não tinha dormido bem. Ela provavelmente tinha passado a noite em claro para tentar resolver algo que eu tinha provocado. Mais um peso para jogar em cima de mim.
-Bella, eu sei que a sua função é melhorar a minha vida aqui na empresa, mas certas coisas eu tenho que fazer sem o seu consentimento, e sozinha. Eu tenho que resolver o que aconteceu ontem, compreende? Eu preciso tirar esse peso das minhas costas, eu tenho que falar com a Clara. -Eu disse de uma só vez e Bella não esboçou nenhuma reação. Entendi aquilo como um “não vou me intrometer mais” e voltei a andar em direção à sala de Clara.
Apenas para dificultar a minha respiração, eu pude ouvir a voz masculina monstruosa vindo da sala da Srta. Aguilar mesmo estando na metade do corredor. A secretária estava no lugar dela, fingindo fazer algo que não fosse escutar a conversa dos dois. Passei por ela sem pedir autorização para entrar na sala e fechei a porta. Assim que soou o barulho do batente da porta fechando contra a aduela, Clara e o noivo arrogante e prepotente pararam de gritar um com o outro e me encararam. Como se aquilo fosse dar algum tipo de suporte para mim, eu encarei os olhos escuros de Clara por alguns segundos antes de me virar para o ogro presente ao lado dela.
-É dela que eu estava falando. -Ele disse, encarando meus olhos naquela profunda irritação e demonstração de superioridade. Encarei-o sem medo algum daquela sua pose, e então me virei para Clara, que alternava seu olhar entre eu e ele.
-Você pode me explicar o que aconteceu, realmente? -Clara perguntou para mim em seu perfeito inglês, dando ênfase no “realmente”. Pontos para mim, ela não acreditava em nada que aquele ogro tinha inventado.
-Todo ser humano tem necessidades, e a sua secretaria também teve. Ela foi ao banheiro por uns cinco minutos e eu fiquei tomando conta do trabalho dela apenas por esses minutos. Foi quando esse og… seu noivo apareceu. -Eu disse me xingando mentalmente por quase soltar algo que realmente acabaria comigo.
-E o que ele fez? -Clara perguntou, interrompendo um suposto protesto de seu noivo.
-Ele queria entrar na sala sem ser anunciado e isso não é permitido pelas normas da empresa. Eu não sabia que ele era seu noivo, senão eu teria permitido que ele entrasse. Mas ao invés dele me explicar calmamente quem ele era, ele fez um escândalo! -Eu disse olhando furiosamente para o homem a alguns metros de mim, que me devolvia o olhar. -Ele foi muito, muito grosso. -Eu disse e pude ver ele fechando o punho ao lado de seu corpo.

-Ela está mentindo. -Ele disse encarando Clara.
-Fabian, eu sinto informá-lhe que conheço-o bastante para saber de seu temperamento. -Clara disse docemente para o homem. Não sei o porquê, mas o jeitinho doce que ela falara com ele me trouxera uma espécie de desconforto. Sinceramente, ele era um ogro arrogante e ela era uma maravilha de pessoa. Ele não merecia ela. -Peça desculpas. -Ela disse e o homem soltou uma risada cínica que com certeza ecoou por todo o prédio. Não é possível que eu possa odiá-lo ainda mais.
-Você não vai me humilhar na frente dessa… pessoa. -Ele disse, voltando seu olhar para mim com um sorriso sarcástico no canto de seus lábios.
-Não quero ter que pedir duas vezes. -Clara disse, dessa vez um pouco mais rígida. Fabian balançou a cabeça negativamente antes de andar em minha direção e passar diretamente por mim sem ao mesmo olhar na minha cara. Assim que alcançou a porta, ele voltou o seu olhar para Clara.
-Você irá se arrepender disso, Clara Aguilar. -Ele ameaçou furiosamente e depois saiu. Não sei explicar a vontade que tive de deformar a cara dele por ter falado isso para ela. Não sei também explicar a raiva que eu sentia de Clara por não dar logo um pé na bunda desse cara.
- - -
A tarde passou mais rápido do que eu pensei. Tudo ocorreu como sempre, as mesmas entediantes tarefas diárias. Mais uma vez eu que teria que fechar o setor de contabilidade. Isso já estava ficando repetitivo, mas eu não me incomodava em fazer. Bella, Junior, Amanda, Cássio, Valter, e todo o resto tinham uma família ou alguém que estava esperando-os assim que chegassem em casa. Eu não tinha ninguém a não ser os meus demônios interiores que toda a noite me assombravam com o mesmo sonho. E pra piorar eu tinha certeza que tinha visto aquele anjo. E ela era a mais pura realidade.
Fechei todo o setor e estava me preparando para ir embora, mas parei no meio do caminho assim que vi uma luz vindo da sala de Clara. Eu não tinha aparecido lá desde o ocorrido, então dar uma passada lá só para saber se tudo estava bem parecia bastante tentador. Uma coisa nisso era engraçado, Clara sempre fazia questão de ficar mais tarde todas as vezes que ela sabia que eu fecharia o setor de contabilidade. Eu via a luz de sua sala como um convite para que eu fosse lá. Um convite irrecusável.
Andei lentamente pelo corredor, como se não quisesse nada e cheguei na sua sala sem mesmo bater na porta pedindo sua permissão. Clara estava encostada em sua mesa, um copo de whisky e um cigarro em sua mão. Ela me olhou de cima a baixo e deu uma risada. Com certeza ela não estava sóbria.
-Não estou bêbada. -Ela disse como se estivesse lendo minha mente, e apagou o cigarro num cinzeiro prateado que eu nunca tinha reparado antes em cima de sua mesa. -Estou só… alegre. -Ela disse novamente. Posso apostar que já tinha visto aquele olhar em algum lugar. Aquela espécie de tentação que toca cada parte do seu corpo e te trás arrepios. O olhar que faz o frio na espinha ser apenas um início de uma onda de formigamentos. Confesso que já tinha reparado na beleza de Clara desde que ela chegara na empresa depois de suas férias, mas agora tudo estava mais claro, mais belo. É como se ela fosse algo protegido por algum escudo que saía apenas quando ela quisesse. Como se ela fosse uma paisagem que apenas se mostrava para quem ela escolhesse.
-Você me protegeu hoje. -Eu disse a fim de afastar quaisquer pensamento mais profundo sobre ela.
-Faria de novo. -Ela disse quase que na mesma hora. Clara cambaleou o corpo e depositou o copo de Whisky na mesa, depois voltou a me encarar com o seu olhar de anjo proibido.
-Porque? -Perguntei, me aproximando dela sem mesmo notar que estava me movendo. Ela era muito mais linda de perto. Seus traços eram mais reais, notáveis, perfeitos. Seu cheiro não estava mais abafado pelo perfume da manhã, e por incrível que pareça ele me trazia um conforto. Era um aroma gostoso de sentir.
-Você faz perguntas de mais. Se você for uma pessoa esperta, você deixa essa sala sem pensar duas vezes. -Ela disse num tom provocativo e sensual. Tenho certeza que ela é a única que consegue fazer isso.
-E se eu não for esperta? -Perguntei no mesmo tom, aproximando mais meu rosto do dela. Clara mordeu o lábio inferior deixando transbordar o que ela desejava. Tudo dependia dela. Sinceramente, eu já estava caída.
-Se você não for esperta, Vanessa, você confunde o seu futuro nessa empresa encerrando o espaço que separa os meus lábios dos seus. -Clara disse, olhando em meus olhos e depois abaixando o olhar para os meus lábios, prendendo-o lá.
-Digamos que eu não quero ser esperta por agora. -Eu disse e finalmente encerrei o espaço que separava nossos lábios. Assim que nos tocamos, um fogo surgiu dentro de mim e queimou todas as partes do meu corpo trazendo um imenso desejo e felicidade logo depois. Foi como se eu estivesse vivendo para aquele momento, para aquele choque que foi o nosso primeiro contato. Meu coração parecia querer explodir a qualquer momento, e eu acho que não teria forças para impedí-lo caso ocorresse. Clara colocou uma de suas mãos em minha nunca e a outra em meu rosto, me trazendo mais para perto e acariciando minha bochecha com o seu polegar, e eu abracei sua cintura e acariciei suas costas. Ela entrelaçou os seus dedos em meu cabelo e eu explorei todo o interior de sua boca com a minha língua. Ela tinha a boca mais gostosa e limpa que um dia eu já tinha experimentado. O gosto do whisky deixou tudo melhor. Clara beijava ferozmente, como se pedisse que aquilo jamais acabasse, e eu, de maneira nenhuma queria me separar dela. Quando ficamos sem ar, eu chupei seu lábio inferior e encerrei o beijo com alguns selinhos demorados. O tempo em que usei para respirar foi o suficiente para ela inverter nossas posições e me prensar na mesa. Eu voltei a beijá-la dessa vez com muito mais vontade do que antes. Tudo estava mais quente, mais abafado que o normal. Clara puxou a barra da minha blusa e eu me afastei para livrar-me logo daquela barreira entre nós. Ela encarou o meu abdômen por longos segundos antes de olhar para mim com uma sobrancelha arqueada e um sorriso engraçado. Eu sorri junto antes de voltar a beijá-la. Ela acariciou o meu abdômen e eu senti meus próprios músculos contraírem com o seu toque. Clara começou a passear suas mãos em meu corpo, principalmente meus seios ainda cobertos pelo sutiã. Eu busquei os botões de seu vestido em suas costas e me livrei deles assim que os encontrei. O pano deslizou sobre o seu corpo revelando a bela escultura que era escondida todos os dias. Clara voltou a pressionar seu corpo contra o meu e começou uma trilha de beijos sobre meu pescoço e mandíbula. Ela se livrou do meu sutiã e encarou meus seios maravilhadas. Aquilo era uma tortura. Sem enrolar mais, ela tomou um dos meus seios com a sua boca e acariciou o outro com a mão. A quentura de sua boca contra o meu bico fez com que eu soltasse um gemido agudo contra seus cabelos. Eu me segurei na mesa para não perder o equilíbrio enquanto ela continuava a me estimular. Ela inverteu seus movimentos e começou a chupar e morder de leve o outro bico. Joguei minha cabeça para trás e apenas deixei ela brincar por ali, sem pressa de que ela fizesse tudo logo.
Clara saiu de meus seios e começou uma sequência de beijos languídos sobre minha barriga, depois lambeu toda a minha extensão peitoral até voltar a minha boca e voltar a me beijar com vontade. Ela desabotoou os botões da minha calça jeans e eu me levantei um pouco para tirar me livrar da peça e consequentemente da minha calcinha, que no momento estava muito mais que molhada. Clara voltou a me beijar assim que eu me livrei destas peças e então começou a traçar um caminho com seu dedo indicador do meu rosto, passando por minha clavícula, seios, barriga, e chegando finalmente no seu objetivo principal.
Seu beijo, suas estimulações, seus toques provocativos, tudo, não chegava nem perto da sensação que ela me trouxe assim que atingiu meu núcleo. Eu me agarrei em seu pescoço para tentar me equilibrar enquanto ela se movimentava dentro de mim, me estimulava com o dedão, mordia e chupava meu lábio inferior. Naquele momento eu já estava mais que entregue a ela, sem forças nenhuma para tentar fazer alguma coisa. Cravava minhas unhas em suas costas e arranhava sem dó na medida que ela parava seus movimentos e me torturava um pouco. Cheguei ao meu ápice logo depois, derretendo-me em seus dedos. Me senti nas nuvens, tocando o céu e bailando entre as estrelas. Era uma sensação muito mais gostosa e prazerosa do que todas as que eu já tive na minha vida. Minhas noitadas com os amigos que terminavam sempre na cama com alguma pessoa não chegava nem perto do que foi aquilo, e eu tive certeza que a principal culpada era eu mesma. Eu estava permitindo nascer um sentimento naquilo, mesmo que me ferrasse depois. Clara se permitiu aproveitar todo o meu gozo para depois gozar também, o som mais gostoso que eu já tinha ouvido. Abracei-a fortemente, e ficamos assim por algum tempo. Abri meus olhos e tive uma surpresa ao descobrir que ela estava seminua e eu estava completamente nua. Ela tinha me feito gozar sem mesmo estar pelada e isso eu nunca pensei que aconteceria com alguém. Me afastei um pouco e encarei seus olhos, eles estavam radiantes. Depois disso, me lembro de fechar os olhos por alguns segundos, e assim que abri, estava em um outro local. Minha cabeça estava girando um pouco, tinha uma certa claridade vindo da janela e isso não permitia meus olhos a abrirem por completo. Eu estava em um quarto desconhecido, clareado por aquela luz. Estava enrolada em um lençol branco, fino, em uma cama bastante bagunçada. Levantei um pouco a cabeça e vi a sua bela figura olhar algo através da janela.
Ela estava com o mesmo brilho da última vez que olhei seus olhos, só que dessa vez era muito mais radiante. Clara estava sentada na janela, apenas uma parte de seu corpo e rosto era visível porque estava iluminado pela luz que entrava de lá. Ela sorria, acariciava os lábios e dizia algo incompreensível. Eu senti meus olhos pesarem novamente, e a única coisa que vi antes de dormir foi o seu sorriso ficar maior do que estava e a luz de um dos carros de Las Vegas iluminar o seu rosto por completo. Era o mesmo rosto que eu tinha visto há quatro anos atrás, por trás de um vidro imenso de uma das boates de São Paulo. Ela era o mesmo anjo que iluminava os meus sonhos todas as noites.
E agora eu tinha a total certeza disso.

N.F: Se tiver algum erro de português, me desculpe, acabei de escrever e nem revisei as coisas. Como é a primeira vez, eu cortei algumas coisinhas no hot hot só pra deixar vocês na vontade hehe E aí, gostaram? Comentem lá pra mim, divulguem se vocês gostarem e obrigado novamente! Beijos, Luh.