o amor e um cao dos diabos

Em determinado dia você acorda cansado e as razões já não fazem o menor sentido. Olha para o teto, toma o café, encara as roupas. Pensa na existência, na ilusão, e até mesmo nas palavras de amor que drogam a alma. Pensa na morte e na vida, no caos e nas atitudes que virão depois. Foge do desespero como o diabo da cruz e amaldiçoa a cena do crime onde você mesmo se feriu. Por dentro, por fora, aos cacos, aos pedaços. Então olha para o relógio e pergunta quantas horas ainda restam, se pergunta com quantos tombos é possível se reerguer de um caixão nunca selado. Mas é um fato, não é possível retornar ao dia de ontem. Sonhos frustrados, a busca de pessoas reais, o caminho certo para descobrir que talvez você pegou o caminho errado, é tudo a mesma coisa. Os dias mudam caso você mude, a guerra se vai quando você luta por ela. Pode não parecer, mas é possível usar suas melhores armas para encarar os olhos da indiferença.
—  Emerson Mollin
nasci há mais de 50 anos,

acompanhada da psicodelia
e do som da guitarra de Sérgio Dias.
Injetei em minhas veias as paranóias
de Roberto Piva.
Viajei por milhões de galáxias
descobrindo planetas e vidas.
Me tornei amiga de um marciano
que não quis visitar a Terra em
espanto por tanta guerra.
Acompanhei Jesus abraçando
as prostitutas e morrendo por elas.
Vi o Buda nascendo de Maya
e Ogum lutando por eras.
Conheci o diabo como anjo
e anjos criando um câncer com
a falácia de paraíso, os enganados
lambem suas feridas e ainda 
esperam por seus milagres.
O mundo acabou três vezes e eu
não estou perto do fim.

Mais de 50 anos carregando
caos, amor e vidas.
Sendo refém da psicodelia.
Acreditando que a arte é o deus
da salvação eterna.
Que gritar poesias é menos louco
que adultério.    
Que classificar não serve.
Tudo é humanização.
A arte abre um vácuo que cabe
de tudo.

Nasci há mais de 50 anos,
carrego um mundo.