nu honesto

talvez assim a gente pudesse tirar essa capa que nos afasta e protege pra amar despido de medo. mas acho que essa coragem nua simplesmente não existe. e a gente precisa amar apesar disso. por dentro dos sobretudos. atrás dos muros. entre quatro paredes. em salas vazias. porque o amor de todo dia, de meio de rua, de honestidade translúcida simplesmente não existe.
e eu pensando que a poesia ia virar rotina, que eu podia pular na rede consciente de que a queda é iminente e doce. acho que a gente é meio obrigado a andar fingindo que o amor é algum tipo de doença. a gente é meio obrigado a querer ser livre e viver preso numa pseudoliberdade triste. que só o amor salva. só o amor nu, puro, honesto, inteiro. mas a gente tá tão ocupado fingindo que não sabe disso que até acredita.