noites de inverno

Estava sentada ali no banco da praça naquela noite fria de inverno, passavam pessoas ao meu lado, até que vi uma flor. Ela estava jogada ali no chão, todos ignoravam ela. Levantei-me e fui até ela, peguei e cheirei-a e instantaneamente sorri. Lembrei de você, do seu sorriso, seu cheiro. Olhei para o nada, nunca havia feito tanto frio naquela cidadezinha no meio do nada, mas o céu estava lindo. E pensei, aonde será que você está agora? Você se foi, eu fiquei. No mesmo banco que te via correndo todas as manhãs de sábado, você me olhava e sorria. Eu afundava no meu próprio corpo, e sempre ficava sem graça. Você era o típico cara tipinho de todas as garotas. Você tinha o que chamo de alma bonita. Sua alma era tão radiante que mesmo na neblina, quilômetros de distância de você, poderia te ver. Eu posso contar sobre todo o clichê de como eu te amei, e como você me fez descobrir o que era amar, e o quanto amar era bonito e dolorido ao mesmo tempo. Você era meu quebra-cabeças, o jogo que eu poderia jogar várias vezes,  o filme de romance nada convencional que eu assistia todos os domingos a tarde e chorava sem parar. Você era a perdição em forma de amor.
—  Kuznetsov com Anna.

Daí ce pedestaliza a pessoa como se ela fosse toda noite botar estrelas no teu céu. E você perdoa uma sequência enorme de noites escuras num inverno corrosivo porque você acredita lá no fundo que talvez seja só uma temporada ruim. Ou porque vira e mexe um cometa rasga o céu feito lágrima e qualquer sinal é prova de que o amor ainda tá vivo. Qualquer fagulha te faz acreditar.

Eu só preciso sumir. Dar um tempo de toda essa angustia e confusão. Pegar meus livros e umas peças de roupa e sair pelo mundo a fora, explorando, descobrindo, vivendo. Eu só preciso de um tempo de todo esse caos.
—  Gabriel Mariano - Dias de verão, noites de inverno.

vestígios teus

quando se trata de você meu corpo arrepia de saudades, teus beijos fazem falta nas noites frias de inverno. é como se o ar me faltasse. dedicaria todas as canções que hoje levam teu nome para os casais que sonham com a felicidade. existem marcas suas no meu corpo, marcas do seu amor intenso e penetrante. triste é saber que nada será como antes.

saiba, amor

que a cada sol e lua. manhã e noite
ainda espero te ver correndo de volta para meus braços
seja sorrindo ou chorando
seja numa manhã melancolicamente calorenta ou numa noite de inverno qualquer.
saiba, amor, que te espero
saiba…
eu anseio pela sua vinda.

e.

Eu queria dormir com ela. Queria abraça-la nas noites de inverno. Queria sussurrar que ela é a mulher mais linda do mundo. Queria beijar a sua nuca e senti-la recolher o pescoço. Queria acariciar seu cabelo. Queria passar o domingo inteiro largado no sofá com ela. Queria mandar flores para ela no meio da semana. Queria chegar em casa e encontra-la, ou espera-la chegar. Queria beija-la e ama-la a noite inteira. Queria que ela fosse minha, assim como sou dela.
—  Eu amo você, e você, outra pessoa.
Desejo ser sua primeira carta enviada numa noite de inverno

Aquele dia foi estranho, quer dizer, eu nunca tinha visto alguém se drogar antes, no começo achei que era brincadeira, mas parei de rir quando te vi perdido em algum lugar paralelo que pairava no tempo. Uma pena, eu tinha a juventude toda pela frente, mas queria gastar meu tempo com você. Na semana seguinte, bati na sua porta e sua avó me atendeu com aquela cara de “quer biscoito?”, perguntei onde você dormia e ela pediu pra ignorar a bagunça, mas estava tudo arrumado. Fiquei sentada na sua cama enquanto a dona me trazia leite, imaginei quais eram os sonhos que costumava ter quando estava dormindo e parei quando me lembrei que os homens sempre acordavam excitados. Águas passadas! Uh, meus olhos avermelharam naquela noite, nunca tinha usado cocaína antes e tudo me pareceu muito nojento, ou melhor, muito triste. Voltei para casa e tive insônia, tudo que conseguia pensar era em você. Volta e meia isso ainda acontece, aí eu viro pro lado e começo a me sentir um nada. De qualquer forma, meu corpo inteiro desce de nível quando tento fazer parte desse seu mundo incoerente. Uso todas as coisas que me oferecem, desde cachaça até calmantes, mas nada, absolutamente nada tira minha vontade de te escrever. Você costumava respirar e isso era apaixonante. Realmente espero que os auto-destruidores alcancem o paraíso, mas se eu estiver enganada, me manda uma carta dizendo o motivo do seu fim, eu gostaria de saber qual foi a merda que te tirou de mim.

Eu sou uma daquelas pessoas que demora para escolher o sabor do sorvete, que demora para escolher uma música que combine com seu humor, que demora para escolher qual filme vai assistir, que demora para escolher qual livro irá ler. Eu sou uma daquelas pessoas que demora para aceitar um sentimento, que demora para amar, que demora para fazer amigos, que demora para confiar. Eu sou uma daquelas pessoas confusas, perdidas, birutas da vida. Sou aquele senhor que não não sabe qual jogada fazer no Xadrez, sou aquela mulher que, no meio de tantas roupas, não encontra uma boa suficiente para vestir, sou aquele pai que não sabe dar o nó na gravata, sou aquele amigo que não sabe qual festa irá, sou aquela pessoa especial que não consegue encontrar um presente tão bom quanto quer dar. Eu sou aquela pessoa que não sabe se está feliz ou triste, sou aquela pessoa que  mistura os sentimentos como se fossem linhas até não conseguir desembaralhar. Eu sou aquela pessoa que sorri, que chora, que transborda e desmorona. Eu sou aquela pessoa que foi, que ainda é, que será. Eu sou você.
—  Gabriel Mariano - Dias de verão, noites de inverno.
Ela se aquece com uma boa xícara de chá numa noite fria de inverno, deita em sua cama aconchegante e pega um romance para uma leitura antes de adormecer como um anjo que repousa em uma gostosa novem de algodão.
—  Anchieta Geiffersn

O mundo anda tão rápido ultimamente.
Sentei em minha cama hoje e fiquei olhando pela janela.
Pessoas tão vazias. Corrompidas pela fama. Pelo poder. Pelo dinheiro.
Pessoas que se esqueceram de como é bom o toque da alma. O quão é bom sorrir pro nada lembrando de coisas que aconteceram em segundos do passado
Pessoas que vivem pelo mundo e esqueceram de viver pra sí.
Pessoas com olhares perdidos na multidão. Em busca de algo ou alguém para preenche-las. Para aquece-las em noites de inverno.
Olhando para essas pessoas de saias coladas e gravatas, me pergunto quando foi que aceleramos tanto?
Precisamos desacelerar, ou parar por completo. Olhar uns para os outros e apreciar o maior presente que recebemos. A Vida.

Eu não sei o que aconteceu. Quando eu parti minha essência ficou. Eu não simplesmente abandonei amigos e familiares, não. Eu abandonei a mim mesma. Tons de cinza me acordam no meio da noite, eu tento gritar no silêncio que me mata mas já faz tempo que perdi minha voz. Já não sinto o calor do sol, nem o frio das noites de inverno. Durante a noite tenho pesadelos, vejo os monstros que me cercam durante o dia.
Felicidade não passa de uma lembrança borrada, esquecida no meu subconsciente. Tenho guardados em minha memória todos os momentos felizes, mas não consigo lembrar do calor da felicidade.
Não sinto tristeza, nem felicidade. Não estou deprimida, eufórica tampouco.
Não sinto. Não estou. Não sou.
—  Anna Maia
Eu fui consumido pela tristeza, era como se eu estivesse destinado a sofrer. Destinado a um futuro que ninguém gostaria de ter, um futuro vazio, escuro, úmido, cheio de confusões, fobias e tristezas.
—  Gabriel Mariano - Dias de verão, noites de inverno.
Acabei de acordar

Acordei no meio de uma noite de sono pesado com sonhos (des)agradáveis e confusos. Você estava lá (sim, ao meu lado) e eu quase pude sentir de novo o seu beijo, quase pude sentir teus carinhos e tua voz ecoava quase sem nenhuma falha. Era quase real!
Estou entorpecida com um sentimento tão confuso que vaga entre a saudade e o desespero, meu coração dói enquanto a chuva lá fora cai sem parar nessa noite fria de inverno. Acabei de acordar, e já quero voltar dormir, pra ter a sorte de te ver novamente e poder te abracar durante o maior tempo possível aproveitando cada segundo que resta até o sol raiar e eu acordar outra vez com as mesmas sensações que estou tendo agora.
Acordei agora e percebi que cabia melhor nos meus sonhos loucos que em minha vida desajeitada. Por que você não está aqui ao meu lado, aqui eu não vou sentir o gosto do teu beijo muito menos seus carinhos, aqui cada palavra que eu ouvir de você vai machucar pouco a pouco meu coração. Você estava lá, ao meu lado e aqui eu tento lutar contra essa saudade insistente.
Acabei de acordar e esta noite não me parece tão fria quanto meu coração agora tão solitário que apenas dói ao desejar que não fosse apenas um sonho, e tenta se acostumar com a idéia de que esse “quase” nunca mais será real.
-Lari C.

Eu escolheria você, se eu tivesse a opção de escolher. Eu observaria seus olhos e tocaria o seu rosto. Seguraria a sua mão com a plenitude e a certeza de quem deseja ficar. Eu permaneceria. Numa tarde de verão ou numa noite de inverno. Eu caminharia por lugares que já conhecemos e por aqueles que desejávamos conhecer. Veríamos do vigésimo andar as luzes da cidade, respiraríamos a nossa felicidade. Eu deveria ter ficado. Não deixado você caminhar sozinho pelas ruas escuras e rodeadas de lembranças. Deveria ter chamado o seu nome em meio a multidão, admitido que errei, arrumado a bagunça do coração. Agora, sentada em uma pedra de arrependimentos, eu apenas coloco a casa em ordem para o único amor que conheci.
—  Dani Farias
Escrever sempre foi a melhor forma de fugir de tudo, sempre foi tão fácil colocar meus sentimentos num papel, eu era fascinada em criar personagens e dar vida a eles através das palavras, e as pessoas gostavam. Como alguém poderia gostar de ler sobre a dor? Eu nunca os entendi, mas continuava escrevendo. Lembro-me daquela noite de inverno em que a neve cobria toda a vista lá da cidade e só me restava olhar a janela com aquela imensidão branca lá fora, os canais de TV só falavam da nevasca que tinha alcançado a cidade, mas eu não me importava, ela era mínima perto da nevasca que me cobriu o peito após ler seu adeus.
Pareceu tão fácil pra você, mesmo dizendo que não era.
E naquele dia, a TV, o rádio e até os jornais só falavam de como a neve permanecia voraz cobrindo tudo a seu redor.
Não havia o que fazer, o termômetro marcava - 5ºC acendi uma fogueira e fiquei ali olhando para o fogo que sequer conseguia aquecer aquele lugar, por segundos me peguei desejando aquele fogo dentro de mim, já em contra partida eu não queria me aquecer, enquanto uns lutavam pela vida, para manter-se aquecidos, eu já havia aberto mão da minha própria existência, porque eu estava viva, mas tive óbito quando senti seu cheiro, procurei aos quatro cantos da casa e você não estava mais lá. Restou-me apenas uma caneta e um pedaço de papel rasgado, foi então que eu percebi que desde que você se foi, eu nunca mais escrevi.
—  Polyane Costa.
Logo que um novato entrava para os Capitães da Areia formava logo uma idéia ruim de Sem-Pernas. Porque ele logo botava um apelido, ria de um gesto, de uma frase do novato. Ridicularizava tudo era dos que mais brigavam. Tinha mesmo uma fama de malvado. Muitos do grupo não gostavam dele, mas aqueles que passavam por cima de tudo e se faziam seus amigos diziam que ele era um “sujeito bom”. No mais fundo de seu coração ele tinha pena da desgraça de todos. E rindo, e ridicularizando, era que fugia da sua desgraça. Era como um remédio. No rosto do que rezava ia uma exaltação, qualquer coisa que ao primeiro momento o Sem-Pernas pensou que fosse alegria ou felicidade. Mas fitou o rosto do outro e achou que era uma expressão que não sabia definir. E pensou, contraindo seu rosto pequeno, que talvez por isso ele nunca tenha pensado em rezar, em se voltar para o céu. O que ele queria era fugir da sua angústia, que estrangulava. Mas o Sem-Pernas não compreendia que aquilo pudesse bastar. Ele queria uma coisa imediata, uma coisa que pusesse seu rosto sorridente e alegre, que o livrasse da necessidade de rir de todos e rir de tudo. Que o livrasse também daquela angústia, daquela vontade de chorar que o tomava nas noites de inverno. No bando, não tardou a se destacar porque sabia como ninguém como afetar a dor.
—  Capitães de Areia 
Não sei quem inventou esse estereótipo de que eu sempre tenho que estar com um sorriso no rosto. Será que eu não tenho direito de ter os meus dias de tristeza? Até quando terei de esperar para chegar a noite e chorar em prantos enquanto estou trancado em meu quarto, com uma música alta para que ninguém ouça? Até quando terei de suportar? Sinceramente, cheguei a um ponto que não aguento mais, já passou dos limites. Eu não quero ser perfeito, quero chorar quando der vontade, sem ser criticado. Quero rir quando me der vontade, e não apenas para agradar os que estão em minha volta. Você consegue entender onde eu quero chegar? Eu tenho o direito de sorrir e chorar. Na maioria das vezes, a gente precisa enfrentar uma tempestade, porque a vida não é feita só de tempos ensolarados.
—  Gabriel Mariano - Dias de verão, noites de inverno.