no me pegueis por favor

Em Seus Olhos - Cap 39

- Oi mãe.

- Oie mina filha.. Hmm.. aconteceu alguma coisa?

- Porque?

- Sua cara, me diz que algo aconteceu – eu larguei mina bolsa no sofá e me sentei no chão de frente para minha mãe.

- A decoradora deu em cima de mim hoje – minha mãe sorriu.

- Linda desse jeito, eu estranharia se ela não tivesse. – Você vai jantar filha? – Eu achei estranho, minha mãe não perguntou o que tinha acontecido.

- O que foi? -  ela perguntou se levantando do sofá.

- Bom, você não quer saber o que aconteceu?

- Eu sei que nada aconteceu Clara.

- Sabe?

- Claro minha filha, você ama a Vanessa, e eu não duvidaria de você e do amor que você sente por ela nem por um segundo – ela voltou e beijou minha testa – Vou fazer alo para você jantar, tome um banho enquanto isso.

Eu e minha mãe nos sentamos a mesa para comer, ficamos conversando sobre o apartamento e o que faltava para que ficasse pronto. O meu celular vibrou sobre a mesa eu sorri, porque era ela, minha mãe apertou minha mão e retirou os pratos.

- Oi amor.. por aqui esta tudo bem, minha mãe te mandou lembranças.. eu mando.. e com você? ..e ele? Tem ido atrás de você eu te ligado? ..Hmm.. bom, eu também acho isso estranho, ele saiu daqui disposto a ter você de volta.. deixe o maximo de pessoas avisadas quando você sair por favor.. ok.. bom hoje fui ao prédio, falta pouco mesmo.. eu queria que você estivesse aqui.. sim, eu vou.. já que hoje você resolveu dormir mais cedo, vou escovar os dentes e eu te ligo assim que eu me deitar.. ate, eu também.

Não achei necessário contar sobre Nora, não tinha motivo.

Eu dormi mal aquela noite, nenhuma noite tinha sido a mesma sem Vanessa aqui, mas essa noite foi diferente, eu acordei mal, cansada e angustiada, minha mãe me trouxe o café na cama e ficamos conversando, eu não ia para o escritório hoje, iria passear com minha mãe por Miami.

Minha mãe quis comprar algumas coisas para colocar no meu apartamento, coisas para mim e para a Vanessa.

Na hora do almoço eu já não estava mais agüentando o sentimento estranho, eu pedi que minha mãe aguardasse em uma loja, fui para o lado de fora. Eu liguei duas vezes para o celular de Vanessa e nada, depois liguei para Thais que também só chamou, voltei para a loja.

Andamos mais um pouco ate que paramos em uma joalheria, minha mãe foi escolher algo para ela, depois de andar um pouco pela loja eu escolho um anel para dar a Vanessa, um anel de diamantes, eu sei que ela não me deu uma resposta par ao pedido, mas um dia.. mas para frente, quem sabe? Eu sabia que seria ela, e só ela, caso ela não aceitasse eu lhe daria o anel mesmo assim, porque ela é a única que deveria usá-lo. Quando vi o anel, eu sabia que tinha que ser esse, ele era todo de ouro rosa, com diamantes em volta circulando metade do circulo passante em cima ele era redondo com uma pedra de diamantes cobrindo quase todo o circulo, e em volta mais diamantes menores sobre o outro rosa.

Eu guardei a caixinha de couro e veludo preto comigo, e tentei ligar para Vanessa novamente, nada.

-  O que foi Clara?

- Eu não consigo falar com a Vanessa e nem com a irmã dela, e eu estou sentindo uma coisa ruim mãe, não sei o que é, mas não me deixou dormir bem, e eu acho que só vou conseguir me acalmar quando conseguir falar com ela.

- Não fique assim, vamos ao hotel, eu acho que chega de compras por hoje, assim que chegarmos lá você tenta de novo.

Assim que subi, eu disquei novamente e a mesma coisa aconteceu, só chamou, eu comecei a digitar uma mensagem de texto.

Para: Garota da chuva

Amor, me liga, estou preocupada.. Te amo.

Mandei a mensagem e esperei, esperei e esperei, nada, liguei de novo varias vezes e nada, minha mãe ficou ao meu lado, tentando me acalmar, mas não deu muito certo.

Lá pelas quatro da tarde meu celular vibrou, vi que era Thais.

- Thais, onde está a Vanessa. – e o silencio prevaleceu do outro lado da linha - ..Thais? ..O que? .. quando e como ele entrou? ..E onde foi isso? ..a policia? .. não, eu estou indo para ai, eu vou precisar que você me mande o endereço por mensagem, e assim que eu chegar.. não, eu estou indo.. absoluta, eu vou pegar o próximo vôo para o Brasil e aviso você, me mantenha informada por favor.

- Filha, que conversar foi essa? – eu peguei uma mochila coloquei as primeiras roupas que vi pela frente, peguei meu passaporte e documentos e enfiei na mochila.

-  O canalha do ex dela, ele surgiu na frente do prédio, o porteiro disse que ele obrigou ela a entrar no carro, o porteiro ligou para Thais, ela disse que passou a manha e a tarde tentando falar com o Austin, e só conseguiu agora pouco antes de me ligar, ela disse que viu minha chamadas, mas ele não podia atender quando não tivesse noticias dela.

- Mas o que ela contou para você filha? Ela conversou com Vanessa?

- Ele disse que.. que, ele disse que ela vai ficar com ele ate que ela desista de ir embora, e volte com ele.

- Isso é seqüestro.

- Sim, eu sei, e eles estão com medo de chama a policia, estão com medo que ele tente algo contra ela.

- Calma, fica calma Clara, eu vou com você, espera que eu vou.

- Não mãe, eu vou sozinha, eu só estou com medo por ela, mas não precisa ir comigo, eu só preciso ir para o aeroporto agora, precisa de passagem.

- Calma, eu pedir para a Amanda fazer isso, arrume suas coisas, eu levo você para o aeroporto.

Minha mãe me levou as pressa, por sorte e graças ao poder de persuasão de Amanda, eu consegui um vôo que sairia as seis de Miami, pedi que minha mãe avisasse meu irmão e Luis, depois de minutos de atraso deu tchau a minha mãe.

Eu torcei e rezei para que assim que eu ligasse meu celular novamente eu tivesse boas noticias. Tomei umas duas doses de conhaque, e parei por ai, consegui dormir umas quatro horas, foi o pior vôo da minha vida, demorado e angustiante quando acordei eram quase seis horas da manha no meu relógio, mas em São Paulo seriam uma oito da manha, eu liguei meu celular assim que pousamos, avisei a minha mãe e em seguida fui para o ponto de taxi no aeroporto. Passei o endereço que a Thais me enviou por mensagem, eu tinha me esquecido de trocar dinheiro mas o taxista não se importou em receber em dólar, dei algumas notas para ele e sai d carro. Liguei para Thais assim que cheguei, eu sabia que ela estaria acordada, o porteiro abriu para mim assim que desliguei o telefone.

- Oi Thais.

- Oi Clara, prazer em conhecer, infelizmente assim, mas prazer – Thais era da minha altura, o mesmo tom de pele de Vanessa, mas ela tinha olhos azuis também, alguns traços dela eram parecidos com os de Vanessa, como o formato dos olhos e a boca.

- Noticias?

- Não, nenhuma, mas eu falei com o pai e a mãe dele, eles foram para lá, e essa é nossa esperança, eu estava esperando você chegar para irmos.

Eu deixei minha mochila no sofá da sala, e fui com Thais para a garagem, ela ia passar na casa da outra irmã delas e Mayra.

- Como vai? – a irmã dela me cumprimentou assim que entrou no carro, ela era mais branca que as duas, e mais baixa também, seus cabelos eram loiros, mas pareciam ser pintados, e eu percebi que Thais era a mais parecida com Vanessa do que Mayra, eu respondi a ela, mas ela não falava inglês, então muitas vezes Thais teve que traduzir a conversa para mim.

Nós chegamos a casa que eles estavam, e todas as luzes estavam acesas, havia alguns carros parados na frente, uma mulher estava ao lado de fora e ela parecia estar chorando, quando ela nos viu ela chorou ainda mais. Thais foi ate ela, elas conversaram em português, percebi que ela perguntou quem eu era, e Thais me chamou.

- Essa é a mãe dele – ela era baixa, de uma certa forma com ar jovem, cabelos lisos e castanhos, seus olhos estavam vermelhos e ela carregava consigo um terço, ela começou a falar em português comigo, Thais colocou a mão no meu ombro e quando ela parou de falar, ela começou a traduzir.

- Ela disse que esta feliz que a Vanessa tenha encontrado alguém, alguém que tenha vindo de tão longe para ajuda - lá, ela disse que sabe que nós estávamos com raiva do filho dela, mas que ele não é má pessoa, ela disse que gosta muito de Vanessa, sempre a tratou como filha, ela disse que esta tão preocupada com ela quanto com o filho, o pai dele esta lá dentro tentando acalmá-lo, porque ele se recusa a deixar Vanessa sair do quarto.

- E a policia? – eu perguntei a Thais, a mulher parece ter entendido a pergunta, e ela começou a falar com Thais, desesperada e ela respondeu a ela.

- Ela pediu para ter paciência, pediu para não chamar a policia que o pai dele ia conseguir dar um jeito nisso.

- Mas ele não pode ficar impune.

- Sim, foi o que eu disse a ela, mas ela disse que no caso seria melhor tratamento psicológico e não cadeia.

- Ele esta armado? – vi o medo no rosto de Thais, um medo que refletiu em mim. Mayra estava impaciente, e ela começou a discutir com a mãe do canalha, Thais teve que interferir e pedir para a irmã voltar para o carro.

- Ela esta muito nervosa, ela sempre foi assim, e quando ela ouviu que a mãe dele não queria que chamassem a policia ela ficou mais brava ainda, disse que se algo acontecesse com a nossa irmã, ela mesma iria fazer justiça com as próprias mãos.

- Porque ela esta aqui fora, e não lá dentro com eles? – Thais se virou para perguntar isso a ela, esperei que ela respondesse.

- Foi ele quem pediu, ele disse que ela o deixa ainda mais nervoso, ai o pai dele exigiu que ela ficasse aqui fora – Nós sentamos na calçada, tínhamos que esperar para ver se o pai dele ia conseguir fazer alguma coisa.

Uma hora depois a porta da frente foi aberta, eu me levantei e fui para a frente da casa, Thais me segurou, mas ficou ao meu lado, Mayra saiu do carro e ficou ao nosso lado.

O homem tinha cabelos brancos por toda a cabeça, parecia cansado e nervoso, a mãe do canalha foi ate homem, ele falou com ela, então se virou para nós, ele me deu uma olhada e logo em seguida Thais, começou a falar com ele, pelas feições de Thais as noticias não eram boas, eu queria saber o que eles estavam conversando, então Mayra começou a falar, aquela discussão não ia ter fim, a mãe dele pegou um celular e começou a falar com alguém, e eu fiquei ali olhando a cena, eu respirei fundo, e comecei a andar em direção a casa. Ouvi Thais me chamar, não olhei para trás, e pouco antes de chegar a porta uma mão me segurou, e então o pai de Austin veio junto e ficou na minha frente, ele começou a falar com Thais, que começou a me explicar.

- Ele disse que não vai mudar de idéia, ele disse a ele que eles passaram por muita coisa, eles já brigaram e se resolveram inúmeras vezes, agora seria igual, ele não quer saber de policia, ele disse que se chamarem a policia ele a mata e depois ele mesmo. O pai dele disse que já implorou a ele.. que eles quase brigaram lá dentro, mas ele se recusa, e … – foi quando ouvimos um grito, e era de Vanessa, eu passei por ele, ouvi todos atrás de mim, o pai dele berrava o nome dele, eu não sabia de onde vinha o grito, o pai dele passou por mim e entrou no corredor, e depois abriu uma porta, ele ficou parado na porta e mostrou a mão nós pedindo que esperássemos, a mãe dele passou por mim e foi para a porta, ela chorava muito e começou a berrar com o filho, eu precisava saber o que tinha acontecido, o que ele tinha feito com Vanessa, ele estava machucada? Meu Deus, eu não ia agüentar muito tempo, Mayra sussurrou algo no ouvido de Thais, que depois sussurrou no meu.

- Mayra chamou a policia, mas pediu que eles viessem com as sirenes desligadas, ela explicou a situação, ela vai ficar lá embaixo esperando por eles -  eu concordei com a cabeça. – A mãe dele esta implorando para que ele solte Vanessa, o pai está nervoso pedindo o mesmo.

- Você não me respondeu, ele está armado?

- Parece que ele esta com uma faca. – eu não podia mais agüentar aquilo, porque ela tinha berrado? Ele tinha a ferido? O pai dele entrou no quarto, e começou a berrar muito, ouvimos um barulho forte, alguém tinha caído, a mãe dele começou a gritar e foi no mesmo instante que a Mayra surgiu com quatro policiais atrás dela, Thais berrou algo, e os policiais avançaram, mais barulho e gritos, eu não tinha mais ouvido Vanessa, desde o grito.

Mayra foi atrás dos policiais e eu fui junto, eu não vi mais nada eu só consegui ver Vanessa, no canto do quarto, sua cabeça estava apoiada nos joelhos e ela os abraçava com força, Thais estava com ela.

- Vanessa? – ao ouvir minha voz ela levantou a cabeça no mesmo instante, ela estava sangrando, um corte nos lábios e um na sobrancelha, percebi que suas roupas tinham sido rasgadas, ela me abraçou forte e começou a chorar soluçando no meu ombro, Mayra veio logo em seguida, ambos falando com ela em português, imagino que perguntando se ela estava bem, um dos policiais veio ate nós, quando olhei para trás, o ex dela estava algemado, ele não falou nada, mas o ódio em seus olhos eram plausíveis, era para mim que ele estava olhando. Agora, seus pais estavam chorando ao ver a cena, eu senti pena deles, mas eu queria que a justiça fosse feita.

Alguns paramédicos surgiram em seguida e nós tivemos que nos afastar dela, eu não queria, mas ela disse que seria necessário, então eu soltei sua mão e fiquei perto,  o maximo que pude.

Em Seus Olhos - Cap 14

Esperei mais de trinta minutos ate que anunciassem o embarque. Fui para o meu acento na primeira classe e desmoronei na poltrona, enquanto aguardava lembrei que Luis Haia dito que ela tinha passado por outros três hotéis na Escócia, e que ela havia se instalando nesse atual a dois dias. A comissária de bordo me trouxe um pouco de champagne, ela voltou com certa freqüência perguntando se eu queria, comer, ou se eu queria pendurar meu casaco, ou guardar o embrulho, ela provavelmente não falaria comigo se eu estivesse no meu humor costumeiro de antes. Mas eu tinha um sorriso estampado no meu rosto, isso deve tê-la deixado mais a vontade para voltar tantas vezes. Fechei meus olhos para que ela não precisasse mais me pergunta nada.

A viagem seria rápida, no máximo uma hora e meia de avião, e mais trinta minutos de carro. Droga! Lembrei que tinha me esquecido do carregador de celular, eu teria que conseguir algum no aeroporto, ou teria sérios problemas para chegar no endereço, eu não sabia qual carro Amanda havia conseguido, me esqueci de perguntar, se não tivesse GPS pelo menos uma entrada USB teria que ter.

Foi anunciado o pouso em Aberdeen, a comissária voltou para me ajudar e desejar uma boa estadia, agradeci e desci do avião o mais rápido que pude. Sai pelo portão, resolvi ir primeiro ao banheiro, eu não queria parar. Fui ao balcão de informações onde um homem com seus quarenta anos me explicou onde ficavam as lojas, corri para lá, encontrei uma loja de alguns eletrônicos. Depois fui para a área de ponto de encontro, era onde estava localizada a locadora de carros.

Uma jovem mulher de cabelos vermelhos e muitas sardas no rosto me atendeu.

- Boa Tarde, por favor um carro em nome de Clara Aguilar.

- Boa tarde, se senhorita pode me mostrar algum documento por favor? – Peguei minha carteira de motorista e entreguei a ela, que então começou a verificar na tela do computador, ela se virou e foi a um painel com chaves e pegou uma, vi que era uma Mercedes, pelo menos confortável seria, eu estava torcendo para que não fosse uma Mercedes antiga, ela me entregou as chaves.

- Tudo já esta pago senhorita Aguilar. – alguém vai levá-la ao local para retirar o carro, ela me entregou o documento e chamou um funcionário baixinho, bem acima do peso e ruivo também.

- Por aqui senhorita. A senhora precisa de ajuda para se familiarizar com o carro? – ele perguntou dando um passo a minha frente.

- Não será necessário, obrigada.

Eu entrei no carro, coloquei no banco do passageiro minha blusa e o embrulho, conectei meu celular no cabo USB que tinha acabado de comprar, peguei em meu bolso o endereço do hotel e programei o GPS, me ajeitei no banco cinza quase branco e liguei o carro, vi que o pequeno homem ainda estava ali fora, acenei com a cabeça e dei ré para sair.

Olhei o pequeno relógio analógico no centro do painel, era 16h55. Segui as coordenadas no GPS e cai em uma estrada. A paisagem era muito bonita com verdes pastos e flores selvagens a beira de estrada. Coloquei minhas musicas em ordem decrescente, eu queria ouvir as mais recentes, as que lembravam Vanessa, foi quando percebi onde eu estava e o quão perto eu estava, me deu um certo pânico, o medo surgiu, medo da rejeição. Ela poderia não querer me ver de jeito nenhum, e isso me fez reduzir um pouco a velocidade, ela nunca me respondeu nenhuma mensagem, comecei a sentir meu estomago afundar cada vez mais, eu já estava ali, o que eu diria quando a visse? Pior ainda o que ela diria quando me visse? Eu deveria seguir em frente? Eu suportaria uma outra rejeição, eu pensei comigo, outra? O que eu estava fazendo? Então eu encostei e desliguei o carro, encostei a cabeça no encosto e fechei os olhos.

Eu tinha passado por uma cidade, eu achei melhor voltar, passar a noite e ir embora amanha, mas a idéia de ir embora era mais dolorosa do que a idéia de uma rejeição, eu abri a porta do carro e sai, andei ate o meio do campo, estava ventando muito, o céu estava cinza.

Ali no meio do nada, eu fiquei parada de olhos fechados, sentindo o vento, tentando me esquecer de tudo que tinha acontecido, me odiando por ter ido ate aquela garota, me odiando por ter alimentado esperanças até hoje, sendo que ela não tinha dado um sinal de vida sequer.

Eu coloquei as mãos nos bolsos e continuei ali parada, então senti um papel lembrei que era a carta dela, que eu sempre carregava comigo, eu ia começar a rasgar a carta, quando meus olhos bateram no final.

PS: Miami fica melhor com você.

Isso só podia significar que ela havia saído de Miami porque seria difícil ficar lá sem me ter por perto, me lembrei do beijo correspondido, ela poderia ter ido para outro hotel, ter sumido, Miami era grande o suficiente para que não nos esbarrássemos, eu sabia que ela queria conhecer outros lugares, mas antes que eu me declarasse ela não chegou a comentar uma vez sequer a vontade de sair de Miami, eu respirei fundo, dobrei a carta de novo colocando-a no bolso, voltei para o carro.

Segui viagem, eu esclarecia de vez isso. Eu estava completamente apaixonada por essa garota, e não ia deixar esse sentimento passar, eu ia deixar bem claro para ela que eu iria respeitar os seus limites, eu não sabia pelo o que ela havia passado, mas ia ajudá-la se recuperar.

Pelas placas eu já estava próxima a Newburgh, cheguei a uma encosta de um rio, vi as casinhas de pedra, com muitas chaminés, com pequenos jardins a frente das casas, então avistei uma grande construção de pedra também cheia de chaminés com uma pequena placa com o nome que Luis havia me passado, manobrei o carro e desliguei o motor. Eu baixei a cabeça por alguns segundos sobre o volante, ate me sentir mais confiante, peguei as coisas no banco do passageiro, desconectei o celular do USB e coloquei no bolso. Havia uma cerca de pedras com arbustos em cima, fiz o contorno e subi alguns degraus até a porta.

Um homem estava na recepção, ele me avistou e mostrou um sincero sorriso quando me aproximei, ele era alto, com um bigode com muitos fios brancos, um nariz comprido e grandes costeletas, seus pequenos olhos me observavam.

- Boa Tarde! – ele disse.

- Boa tarde! Gostaria de saber uma coisa e realmente é algo muito importante, eu imagino que não seja o tipo de informação que vocês costumam passar, mas.. bom.. eu vim de Miami hoje e estou a procura de uma garota, o que me foi informado é que ela está hospedada aqui, seu nome é Vanessa Mesquita. – o homem parou de sorrir.

- Senhora realmente nós não podemos passar esse tipo de informação, por segurança, você entende. Se trata de algo serio, policia por acaso? – e então o homem mudou seu semblante calmo para preocupado.

- Não! Não, nada disso, vou ser sincera, eu estou perdidamente apaixonada por essa garota, e eu vim ate aqui por esse único motivo, sem roupas se malas e com um pouco de coragem que me restava. – eu fui o mais sincera que pude, me abri com alguém como jamais teria feito antes, antes dela claro. Percebi que o homem ficou em duvida, mas ele não pareceu que iria ceder, então uma pequena mulher surgiu de uma porta que estava aberta ao lado, com cabelos pretos presos em um coque, ela tinha muitas marcas de expressão no rosto, fazendo-a parecer mais velha do que certamente ela seria, ela me olhou nos olhos então se virou para o homem.

- Oras Liam, pare de besteira, ela esta falando da moça bonita, aquela que chegou aqui esses dias – o homem arregalou os pequenos olhos para a mulher, e então ela desviou os olhos dele, e voltou-se para mim, eu sorri para ela.

- A senhorita me passe o seu nome sim? E deixe um documento comigo, porque assim Liam poderá respirar. – ela revirou os olhos.

- Claro que sim, meu nome é Clara Aguilar, entrei meu passaporte a pequena senhora, que entregou ao homem, ele balançava a cabeça discordando da atitude da mulher, mas pegou meu passaporte e guardou em uma gaveta.

- Agora,vamos a você minha jovem, eu ouvi o que você disse, e aprecio esse tipo de atitude, eu gostei daquela moça, apesar dela estar aqui a pouco tempo. Ela passa pouco tempo no hotel, pelo que os garotos disseram que ela tem ido sempre ao rio Ythan, é só você sair por aqui e seguir em frente, com certeza você a encontrara por lá.

- Eu realmente agradeço muito pela ajuda senhora. – ela acenou para mim e deu um tapa no ombro do homem, eu sorri, coloquei meu casaco, e fui para onde a mulher havia apontado.

Ventada muito, senti meu nariz gelar em poucos minutos de caminhada, avistei o rio. Para um lado ele afinava, imaginei que ela tivesse ido para o outro lado, então segui minha caminhada.

Continuei andando, eu não a vi em nenhum lugar, mais a frente vi que havia uma pequena fabrica com alguns contêineres eu já devia estar andando há uns vinte minutos, eu não estava muito agasalhada e comecei a sentir meus dentes baterem. Segui em frente pelo rio. Havia a margem do outro lado,e montes verdes logo em seguida, passei por uma construção o que parecia ser de um novo e grande hotel, e vi a estrada, senti meus pés úmidos, dei uma batida para ver se saia um pouco de água, e me abaixei para amarrar o cadarço de tênis que havia desamarrado.

Quando me levantei eu vi, um pouco mais a frente, cabelos longos e castanhos se movimentando com o vento, ela estava olhando o rio, sozinha, o que eu achei extremamente perigoso, porque ela fazia isso? E se alguém tentasse fazer algo com ela? Aqui? No meio do nada? Quem a ouviria? Ela estava de costas e sentada, ao menos parecia estar agasalhada. Eu cheguei mais perto, meu coração disparou em um ritmo muito acelerado, não sei se o meu peito conseguiria manter ele ali dentro. Eu me dei por mim, eu estava aqui, muito perto, finalmente depois de todo esse tempo. Olhava para ela, que parecia tão perdida agora, diferente do dia em que a conheci então eu soltei o ar dos meus pulmões e respirando mais uma vez segui em frente. Quando cheguei ao seu lado, ela olhou para os meus pés, subindo seus grandes olhos castanhos parando ao encontrar os meus, achei ter visto um vislumbre de um sorriso, mas ela voltou a olhar para o rio. O que ela estaria pensando? Eu não esperava essa reação, imaginei milhares de cenas em minha cabeça, ela me xingando, pedindo para eu ir embora, as vezes imagens felizes dela pulando em meus braços, mas não isso.

- Você não parece surpresa. – depois de alguns segundos que pareceram uma eternidade, ela respondeu.

- Acho que no fundo eu já esperava por isso. – eu me sentei ao lado dela, no cobertor xadrez, ela não se afastou, mas para o meu espanto ela passou o seu abraço em volta do meu, e ainda olhando para o rio ela sorriu e disse.

- Eu senti saudades.

e as minhas sextas à noite têm sido assim: abandonada por minha mãe, irmã, amigos; trancada no quarto olhando pro chão gelado e ouvindo umas bandas alternativas no rádio. não sinto vontade de ler, escrever, comer, nada. não sinto.

com licença, senhor, você poderia me mostrar a porta de saída, por favor? acredito que peguei o caminho errado.

—  L. Misna
One Shot ~ Niall Horan

Pedido: “Faz um shot que a S/n cuida da cirurgia na perna do niall.Obrigada desde já !”

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- Acho bom você se comportar bem quando sair daqui. - Eu disse para meu amigo que tinha acabado de passar por uma cirurgia no joelho. 

- Você já falou isso umas três vezes em menos de… - Olhou o celular. - Cinco minutos! 

- É só para frisar. - Ri fazendo-o bufar. 

Niall passou o dia sendo submetido a diversos exames para que os médicos tivessem certeza de que ele estava apto para seguir o tratamento em casa. E eu, claro, acompanhei tudo de perto. Assim que chegamos ao seu apartamento, já no fim da tarde, Niall logo tentou levantar-se sozinho da cadeira de rodas.

- Ei! - Gritei. - Não faça isso. Quer cair e voltar para o hospital hoje mesmo? 

- Claro que não. Então como eu vou levantar daqui, espertinha? - Olhou-me com dificuldade já que eu estava atrás dele. 

- Eu vou te ajudar. - Respondi como se fosse óbvio e na verdade era. Niall gargalhou e logo ficou sério novamente.

- Você não tem forças. 

- Vamos ver. 

Fui até ele e pedi para que desse suas mãos. Niall fez relutante e eu o puxei delicadamente, aos poucos ele foi se levantando e sentou-se com tudo no sofá por conta da dor que provavelmente sentiu. E como num efeito dominó eu caí também, sendo que da pior forma: em seu colo. Vergonhoso para uma mulher!

- D-desculpe. - Falei quando já estava de pé.

- Viu o que eu disse? - Niall riu. 

- Mas você está, não está? - Cruzei os braços. - E outra, você me puxou de propósito.

- E por que eu faria isso?

- Pra não admitir cem por cento que eu posso muito bem te ajudar em tudo aqui. 

- Tudo bem. - Niall ergueu os braços. - Quer fazer tudo? 

- Eu vou.

- Então vai lá me preparar algo pra comer. - Apontou para a cozinha.

- Sou sua amiga e prometi pra sua mãe que cuidaria de você, portanto me ajude também. 

- Não precisa lembrar disso.

- Disso o quê?

- Que somos amigos.

- E por quê?

- Por nada. Esqueça. - Riu sem graça. Claro! Minhas amigas tinham razão quando disseram que ele não era apenas meu amigo, mas eu achava que elas falaram isso porque EU gostava dele. Não ao contrário. Essa pergunta ainda não tinha sido respondida.

- Já volto. - Praticamente corri até a cozinha e tentei preparar um sanduíche e um suco pra ele.

- Poderia ter sido um refrigerante no lugar do suco, seria bom pra mim e até menos trabalhoso para você.

- Não se faça de bonzinho, Horan. O médico me deu uma lista de comidas saudáveis pra você e eu pretendo cumpri-la nessa semana.

- Okay, mamãe. - Deu língua me fazendo revirar os olhos. - Pega ali o controle, por favor? - Peguei e entreguei a ele. - Obrigado. 

- Vou arrumar sua cama e você vai ficar lá. 

- E como eu vou andar até o meu quarto?

- Vai voltar para a cadeira de rodas e eu te levo.

- Estou me sentindo uma criança.

- Você sempre foi uma criança, Niall. - Ri e ele jogou um dos guardanapos em mim. 

Ajeitei sua cama, peguei uma toalha em seu closet e segui até o banheiro, tirei todos os obstáculos para que a cadeira entrasse e deixei o box aberto. Voltei para a sala e ele xingava algo que passava na TV, claro que era jogo de futebol.

- Vamos?

- Não. Estou vendo o jogo do Brasil. 

- Já sabemos que o Brasil vai perder. - Ri desligando a televisão.

- Que merda! - Fez cara feia. - Você como uma brasileira não deveria dizer isso. 

- Por isso mesmo, conheço meu povo. 

- Agora eu não vou mais. 

-Não acredito, Niall. Para com isso, vai. Você tem que tomar banho ainda e depois você assiste o restante do jogo na sua cama. Eu vou dar pausa pra você. 

- Você vai me dar banho? - Abriu um sorriso imediatamente.

- Não. Você vai tomar banho sozinho, eu vou te esperar na porta do banheiro. 

- E quem vai tirar minha cueca? Você vai ligar para algum dos meninos?

- Se quiser… - Ri. - Eu tinha pensando em você tomar banho com a cueca mesmo. 

- Então está bem. - Esticou os braços. - Vem. - Ajudei a colocá-lo na cadeira de rodas e seguimos para o quarto. - O que acha de me empurrar aqui?

- Como assim?

- Tipo aquele dia que você fez no aeroporto. 

- Sério isso?

- Sim. - Voltei alguns passos e empurrei ele pelo enorme corredor de sua casa. Corri atrás para que a cadeira não chocasse com a parede no final do corredor. Nós gargalhávamos. 

- Foi engraçado. 

- Está vendo? Você tem que se divertir mais vezes.

- Mas eu só fiz isso porque sabia que você não ia se ferir.

- Foda-se isso, (s/a). O divertimento vale mais.

- Ah é? Deixa eu fazer de novo e vou te deixar bater na parede.

- Não! - Gritou. Eu ri. - Louca.

Deixei ele no banheiro, expliquei como seriam as coisas e saí do banheiro, claro que ele insistiu que eu ficasse e o ajudasse, mas obviamente eu não quis ficar. Liguei para algumas pessoas informando como ele estava e depois organizei tudo para refazer seu curativo. 

- Pronto? - Perguntei colada na porta do banheiro. 

- Sim. - Abri a porta e retirei-o do box. Niall já tinha dado um jeito de retirar a cueca e colocar outra, apenas auxiliei-o a colocar uma bermuda de moletom e uma camisa. - O que vamos fazer agora?

- Curativo. 

- Porra. A pior parte. - Sua indignação me fez rir. 

- É a vida, Horan. - Levei-o para a cama e lá fui obrigada a praticamente deitar com ele para que conseguisse depositá-lo na cama. Refiz todo o curativo da maneira mais delicada que consegui. - Doeu muito?

- Não. Quase nada. - Ele sorriu. 

- Que bom. - Nos olhamos por um momento. - Acho melhor você ir dormir.

- Mas e o jogo?

- Ah, sim. É mesmo. Vou ligar a TV. - Ao me levantar, Niall me segurou. 

- Vem assistir comigo?

- Estou com sono, vou tomar banho e ir dormir no quarto ao lado. Qualquer coisa você grita.

- Tudo bem. - Esticou-se para beijar minha bochecha e eu fiz o mesmo. Saí do quarto e fui direto tomar banho e me preparar para dormir. - (s/n)! - Niall gritou quando eu tinha acabado de me deitar.

- Já estou indo. - Coloquei um roupão que tinha no quarto e corri até o seu. - O que houve?

- Aconteceu um problema aqui. 

- O quê? 

- Vem cá. - Eu estava na porta do quarto. Fui até ele.

- Não aconteceu nada. Ou é dor? - Eu estava perdida, Niall aparentemente não tinha nada.

- É dor sim.

- Aonde?

- No coração. - Ih caramba! Niall puxou-me pelo braço fazendo com que eu caísse por cima dele. - Não faça essa cara de assustada, (s/a). Todo mundo sabe que eu te amo, você ainda não tinha percebido? 

- E-eu… Niall… 

- Ah, claro. Você não percebeu! - Riu e afagou meus cabelos. - Eu me vejo apaixonado por você há uns dois anos, mas nunca tive coragem de assumir isso pra ninguém, eu achava que pra mim já bastava. 

- E eu…

- Você também gosta de mim que eu sei. - Falou convencido. - Uma amiga sua me disse há uma semana. 

- Quem?

- Isso não importa. Eu devo um ingresso pra prima dela e tudo. - Gargalhou. 

- Eu vali só isso?

- Aparentemente sim. - Fiquei indignada, mas no fundo eu estava feliz por isso ter acontecido. Niall aproximou-se lentamente, com medo da minha reação, e segundos depois eu já sentia seus lábios colados aos meus. - Fique comigo. 

- Como? 

- Namore comigo. 

- Isso é um pedido?

- Sim.

- Não foi um pedido.

- Foi sim.

- Não, não foi.

- Okay! - Praticamente gritou. - (s/n) (s/s), aceita namorar comigo?

 - Hmmm… Aceito. - Niall sorriu satisfeito e quando ia me beijar eu o impedi. - Mas tem uma condição.

- Qual? - Arqueou a sobrancelha. 

- Quando você melhorar do joelho eu quero todas as regalias que eu dei e que, provavelmente, ainda vou dar.

- Combinado. - Falou rápido me fazendo rir. Não sabia se o primeiro beijo nosso ainda como amigos foi melhor que o segundo, que na verdade era o primeiro como namorados. A verdade é que beijar Niall Horan é o melhor, independente de quantas vezes.