no mas lucro

Por tanto tempo eu chorei, e pedi pra não ter que acordar no outro dia e sofrer as retaliações dessa vida, foram tantas noites de tribulação, mas o Espírito me levou até a crucificação, onde nem o “afasta de mim esse cálice” de Jesus foi concedido, e ao pensar em tudo que Ele sofreu pra me ver vivendo uma vida de felicidade, e comparar com a minha eterna ingratidão chega a ser constrangedor. No momento, ainda acho que “morrer é lucro” mas enquanto eu viver, que minha vida seja dEle, porque através de mim seu sacrifício e amor serão proclamados.
—  Que seja feita somente a Tua vontade, e não a minha.

anonymous asked:

Hey, faz um em que ela é professora de ballet e ele está em turnê, ela acaba quebrando a perna em uma aula mas não conta nada pra ele, pra não deixar ele preocupado, porém o hospital liga para ele, mesmo contra a vontade dele, e ele cancela a turnê para ficar com ela. Queria bem detalhado se possível! Muito obrigada desde já.


Pronto!

N/A: Oi, tudo bom? Me desculpa pela demora, mas espero mesmo que você goste do que eu escrevi. Desculpa também por não ter feito com todos os detalhes que você pediu, é que não consegui desenvolver com os seus detalhes -se você quiser eu posso escreve-lo outra vez, acho que não detalhei o suficiente, mas se quiser alguma mudança é só falar- Me manda ask dizendo o que achou, isso é muito importante. 

Boa leitura!


     Estava um dia agradável lá fora, o Sol aparecia mesmo com as nuvens querendo o esconder. Um ventinho frio deixava o dia ainda mais gostoso, e uma sensação boa atravessou todo o corpo de S/N.

     Ela estava indo mais uma vez fazer o que mais gostava, fazia alguns anos que não sentia tanto orgulho de si mesma. Sabia que o que estava fazendo não lhe traria lucro algum, mas quando via o olhar de admiração de suas meninas todas as vezes que ela chagava, lembrava o porquê de estar ali.

     S/N era uma bailarina clássica, muito talentosa. Já se apresentou para críticos importantíssimos do mundo do ballet clássico, os elogios que eles teciam para ela só comprovavam o quanto ela era boa no que fazia.

     Ela ainda se apresentava, mas agora dividia seu tempo em: ser uma bailarina renomada e ser apenas uma professora de ballet clássico em uma ONG para meninas que estavam refugiadas em Londres por seus países estarem em conflito. Ela sempre sonhou em ensinar tudo que aprendeu com sua experiência que mesmo não sendo muita, valia muita coisa; mas nunca pensou que aos 21 anos, uma oportunidade como essa bateria em sua porta. Ela se quer hesitou em dizer sim.

     Eram 08:00h da manhã quando ela estacionou seu carro na frente daquela grande casa que ficava um pouco afastada do centro da cidade, ela saiu e logo entrou cumprimentando todos os voluntários que já estavam fazendo suas tarefas. Caminhou até o banheiro mais próximo para se vestir, hoje ela faria uma surpresa para suas pequenas bailarinas; ela iria apresentar um de seus solos para elas. Por isso se vestiu com um colant preto e uma saia de malha por cima dele, e claro suas amadas sapatilhas de ponta.

     Quando já estava pronta, ela caminhou até sua sala de aula para encontrar 12 garotinhas se alongando. Esse era o trato delas, elas chegam na sala já arrumadas e se alongavam mesmo se sua professora não estivesse ali. Quando elas percebem a mulher as observando, a encaram surpresas por suas roupas e logo se sentaram em circulo no chão como sempre faziam no inicio de cada aula.

 “Você vai se apresentar para nós hoje?” Aisha uma garotinha de 9 anos perguntou a S/N com euforia transbordando de sua voz. Aisha e sua família tinham saído da Síria, e estavam em Londres à alguns anos. Ela era sem duvidas uma das mais talentosas daquele grupo de garotas.

 “Acho que alguém estragou minha surpresa.” S/N disse sorrindo e fazendo todas as garotas rirem. “A algum tempo vocês me pedem para apresentar alguma coisa para vocês, e eu acho que todas já podem aprender alguma coreografia, até agora ensinei só o básico, mas hoje vou mostrar o meu primeiro solo.” Ela continuou, olhos brilhantes a encaravam ansiosos.

     S/N se levantou e foi até o micro system que ficava no canto daquela sala, a música suave que saiu do aparelho, sempre a fazia lembrar de quando tinha apenas 10 anos e sonhava em ser uma bailarina e viajar pelo mundo se apresentando para as mais variadas pessoas, e saber que agora que ela já tinha realizado seu sonho ela poderia ajudar outras garotas e se realizarem a deixava extremamente feliz.

     Ela se movimentava suavemente na posta de seus pés, perfeitas piruetas no ar, seus braços faziam movimentos graciosos, movimentos que significam mais para ela do que para qualquer um. Suas alunas a olhavam hipnotizadas, qualquer pessoa ficaria impressionada com a leveza e naturalidade dos movimentos de S/N, mas  para aquelas crianças era mais que isso, era a admiração, orgulho e felicidade de ver que seria possível ao menos chegar perto do que S/N representava para o ballet internacional.

     Mas aquele momento de encanto não durou muito tempo, um pouco antes de finalizar uma de suas apresentações mais especiais, S/N que estava com os olhos fechados sentindo toda a energia boa daquele momento, não pode ver a pequena bolça de uma das garotas no chão, ela tropeçou e caiu, as garotas se encaram sem entender nada mas logo foram tentar ajuda-la. No primeiro momento S/N não sentiu nada, foi quando tentou se levantar que uma dor aguda interrompeu sua ação. Ela gemeu e contorceu seu rosto com a dor.

 “Você está machucada? Quer que eu chame o tio Brian?” Nádia perguntou assustada. A mulher apenas assentiu com a cabeça e logo Brian, um dos voluntários, chegou.

 “O que foi? Dói muito?” Ele perguntou rápido vendo S/N sentada no chão, esfregando um de seus pés com as mãos.

 “S-sim.” Ela disse com a voz afetada pela dor.

 “Você consegue se levantar?”

 “Acho que consigo.” Ela disse e Brian a ajudou dando seu braço como apoio.

 “Vou leva-la até um hospital, acho que você pode ter quebrado.” Ele a encarou preocupado.

 “Tudo bem.”

    S/N se despediu brevemente de suas alunas e Brian a levou até seu carro sentando-a no banco do carona; o caminho até o hospital foi o mais longo de sua vida, em toda a sua carreira de bailarina ela nunca tinha se machucado assim. Dores no corpo, e dedos dos pés inchados eram normais pelos ensaios excessivos, mas nunca chegou a ter uma lesão.

    Quando chegaram até o hospital, Brian logo pediu uma cadeira de rodas para facilitar o caminho para a moça, eles foram a recepção e S/N logo foi atendida pelo ortopedista, fez alguns exames, e foi tudo que ela se lembrava quando acordou assustada em um quarto branco d hospital. 

 “S/N S/S?” O médico a chamou, quando abriu a porta. “Vejo que já está melhor, os analgésicos já fizeram efeito?” Ele perguntou.

 “Sim.” Ela disse suavemente.

 “Isso é bom.” Ele a encarou sorrindo. “Estou com seu Raio-X e como eu já desconfiava foi uma torção, nós vamos engessar seu pé esquerdo e em três ou quatro semas você já vai estar bem.”

 “É um alivio ouvir isso, então eu vou poder voltar ao ballet em algumas semanas, não é?” Ela perguntou com medo da resposta, estava muito longe do tempo de se aposentar. Ela pretendia dançar por muitos anos ainda.

 “Oh, claro.” S/N suspirou aliviada. “Em dois ou três meses já vai poder dançar tão bem quanto antes, mas para que se recupere mais rápido eu recomendo muito repouso. Apesar de não ter fraturado nenhum osso, não foi uma torção tão simples. O que mais ajudou foi que você não demorou para procurar atendimento médico.”

 “Tudo bem, vou repousar.” Ela disse sorrindo.

 “Antes de ir tenho que avisar que ligamos para seu contato de emergência, quando tomou um dos analgésicos você apresentou uma alergia a um dos componentes do medicamento, nós tivemos que administrar um outro, que foi o que fez você dormir. Então tivemos que seguir o protocolo do hospital.” O homem de meia idade falou devagar.

 “Oh, vocês falaram com Harry? Não era para isso ter acontecido, ele está viajando e vai se preocupar atoa.”

 “Não posso dizer que seja atoa, você ainda terá que ficar em observação até termos certeza que não vai manifestar mais nenhum indicio da alergia.” O médico olhou para prancheta em suas mãos. “Seu namorado disse que iria vir te ver, disse que hoje mesmo chega aqui.” Ele se despediu de S/N e saiu de seu quarto.

 “Merda.” Ela sussurrou logo que a porta se fechou, recostou sua cabeça no travesseiro e se culpou por ter incomodado seu namorado em um dos momentos mais importantes da vida dele. Harry tinha acabado de lançar um álbum solo, e sua primeira tuor internacional já tinha começado, ela estava extremamente orgulhosa de seu garoto, ele tinha trabalhado muito naquilo e todos os mínimos detalhes estavam perfeitos.

     Depois de alguns minutos de culpa, S/N adormeceu por conta do forte remédio que tinha tomado. O sono pegou-a desprevenida e ela apenas se entregou, estava cansada pelos exames e pelo dia nada comum em sua vida.


     S/N acordou com as caricias de Harry em seu rosto e cabelos, ela abriu os olhos devagarinho para ver ele melhor, ela ainda se sentia culpada por ele ter vindo, mas não podia negar que era ótimo vê-lo mais cedo. Ela sorriu delicada e levou sua mão até a dele que estava em seu rosto, agarrando-a e a levando até a boca para deixar um beijinho ali.

 “Oi.” Ele disse e apertou a mão dela mais forte.

 “Você não deveria estar aqui.” Ela disse baixinho olhando para suas mãos entrelaçadas.

 “Eu não poderia te deixar sozinha e machucada.” Um suspiro escapou da boca de Harry.

 “Mas amor… e a tuor?” Ela perguntou encarando suas íris verdes.

 “Não se preocupe, eu estava na Irlanda e o voo até aqui é bem curto.” Ele explicou. “Conversei com o seu médico e ele disse que você vai precisa de pelo menos um mês de repouso absoluto para você voltar mais rápido ao ballet.” Ela assentiu com a cabeça. “Eu já pedi para cancelarem alguns shows para ficar com você durante esse tempo.”

 “Harreh.” S/N choraminga. “Você não pode fazer isso, é apenas uma torção.”

 “S/N não há nada que você possa fazer, já está feito.” Ele disse sério e um pouco rude. “Eu não conseguiria fazer bons shows com você lesionada em casa, eu fiquei tão preocupado com você baby.”

 “Harry…”

  “Amor, só deixa eu cuidar de você.” Ele implorou, S/N sempre foi um pessoa muito delicada e desde que eles começaram a namorar, Harry começou a ter atitudes super protetoras quando se tratava dela. Cancelar um mês de shows para cuidar dela não era surpresa nenhuma para moça.

     Ela se sentia péssima por gostar da ideia de ter Harry um mês inteiro cuidando dela. Atitudes como essa é o que faz ela se apaixonar por ele cada dia mais, sua forma de cuida-la fazia com que ela se sentisse amada e protegida. Ela só queria receber os cuidados dele.

 “Só se você deitar comigo.” S/N sussurrou dando espaço na cama para ele, Harry riu e tirou seus sapatos para se deitar ao seu lado; mergulhou seu rosto no pescoço da garota para sentir o perfume que ele tanto sentia falta, ele deixou vários beijos ali, o que fez S/N rir um pouquinho.

 “Eu senti tanto a sua falta nesses meses fora, fiquei tão preocupado quando me ligaram dizendo da sua crise alérgica.” Ele disse enquanto sua grande mão fazia carinhos no cabelo dela. “Por que você tem que ter alergia a tantas coisas?” Ele brincou tirando uma gargalhada gostosa da garota, seu coração esquentando com o seu som favorito no mundo todo.

 “Estou bem, amor.”

 “Eu sou tão grato por isso.” Ele disse erguendo sua cabeça para beijar seus lábios. “Eu te amo.”

 “Eu também.” Ela disse e beijou sua bochecha.

 “Agora durma, você precisa.” Ele deitou outra vez e S/N se aconchegou em seu peito depois de deixar um beijo ali.

 “Seu coração está acelerado.” Ela disse.

 “Você deixa ele assim.” Ele disse rindo. Não demorou para ela dormir mais uma vez, Harry adormeceu logo em seguida.

     Pelo menos aquela torção matou a saudade que eles sentiam um do outro.

Por quê Enfermeira?

Muita gente já me procurou pra me perguntar o por quê eu escolhi ser Enfermeira. Muitos já me pediram dicas e ‘sinopses’ sobre O Quê é Enfermagem. Atendendo a pedidos, vou fazer esse post. Eu acabei de me formar então não tenho muita a visão de uma profissional no ramo há anos, mas posso tentar, UM POUCO, esclarecer as dúvidas.

Eu sempre quis área da saúde. SEMPRE. Bom, talvez nem sempre. Como qualquer adolescente que fica com dúvidas na hora de escolher um curso no preenchimento da inscrição do vestibular, eu também tive as minhas. Medicina era a minha primeira escolha. Tanto que prestei vestibular 2 vezes e não passei (por míseros 3 pontos ¬¬). Aí cogitei a idéia de fazer Cinema, quem me conhece sabe que sou uma cinéfila convicta, já fiz cursos e mini-cursos de críticas, audiovisual, roteiros e produção de metragens. Só que eu moro em Floripa e vamos todos concordar e fazer uma carreira nessa área é SUPER difícil. Mas, Renas, você escolheu curso por dinheiro? NÃO! Mas pensei sim no lucro da minha futura profissão. Decidi então que Cinema seria meu hobby e estou pensando seriamente em cursar uma faculdade nessa área agora. Depois pensei em fazer Relações Internacionais. NÃO ME PERGUNTEM O PORQUÊ! Já cogitei até mesmo Biomedicina, mas não. Voltando ao topo desse parágrafo, eu sempre gostei da área da saúde. Então optei pela Enfermagem. Perai Renas, você não gostava da Enfermagem? Olha, eu não tinha nada contra e nem a favor, comecei o curso justamente pelo motivo de: não passei para Medicina e não vou perder mais algum(ns) ano(s) da minha vida em cursinho. Se eu gostar, ótimo! Se não, paciência. E assim entrei na faculdade.

E foi então que me apaixonei.

Acho que como toda faculdade, as primeiras fases são um saco, porém, necessárias para formar uma base. Com a Enfermagem não foi diferente. Foi só a partir da terceira fase, quando os estágios no hospital começaram e que eu pude notar a diferença que o trabalho do Enfermeiro faz nesse universo do cuidado, que eu passei a me apaixonar cada dia mais.

Eu sei que a maioria tem aquele tabu que Enfermeiro é 'secretário do médico’ e eu tenho ÓDIO MORTAL com quem vem me falar isso. Enfermeiros e Médicos são profissões COMPLETAMENTE diferentes mas que trabalham JUNTOS em pró da saúde da população. E vou confessar uma coisa: eu peguei raiva de médicos. Sei que existem profissionais maravilhosos por aí, já trabalhei com vários, mas sei e senti na pele como ainda existem esses que pensam que Enfermeiros não passam de uma subclasse no mundo da saúde que deve satisfação e obediência a eles. É cada um no seu quadrado, ok? 

A Enfermagem tem uma vasta gama de atuação. E NÃO! Enfermeiro não é só medir pressão e fazer curativo, vai muito, mas MUITO além disso. Enfermeiro é um conjunto de qualidade, direitos e deveres que não cabe a mim listar. Somos líderes de equipe. É uma profissão HUMANIZADA, somos nós que estamos ao lado do paciente 24/7, ao seu lado, no leito. Somos nós que oferecemos conforto, tanto físico quanto psicológicos, somos nós que seguramos nas mãos que ninguém mais quer tocar, somos nós que estamos aparando uma família que acabou de perder seu ente querido, somos nós… lá! Estamos SEMPRE LÁ!

Pensem em um hospital. Pensem em quantas salas, áreas, especializações existem. Pensaram? Pois em cada uma dela existe um enfermeiro na base de tudo dando o sangue e o suor para que tudo flua sem problemas. Eu não estou aqui para discutir modelo de assistência de saúde do Brasil, mas nós somos os anjos da saúde que tentam que esse modelo funcione TODOS OS DIAS, PARA TODOS.

Existe Enfermeiro Assistencial Hospitalar, como chamamos. Aqueles que trabalham na 'mão na obra’. E como disse, tem uma gama de áreas. Oncologia, Emergência, Terapia Intensiva, Pediatria, Endoscopia, Ambulatório, Hematologia, Clínica Médica, Cirúrgica e por aí vai. É na faculdade que cada um vai perceber qual dessas áreas fez seu coração bater mais forte e dizer “eu poderia trabalhar aqui todos os dias e não me cansar”. No meu caso foi a Unidade de Terapia Intensiva.

Existe o Enfermeiro Assistencial da Saúde da Família, ou o famoso Enfermeiro do postinho. Esse enfermeiro é o mais foda de todos (com o perdão da palavra) pois é um conjunto de 8197348637186 enfermeiros em um só. Um Enfermeiro de posto de saúde é assistencial, é professor, é psicólogo, é contador, é administrador, é farmacêutico, é palhaço, é TUDO.

Tem o Enfermeiro Burocrata, aquele que cuida da parte que ninguém ou quase ninguém gosta: a parte chata das leis e de como colocar tudo pra funcionar. Temos órgãos que nos representam, como Secretaria da Saúde, Conselhos Federais e Estaduais, Direção de Instituições e etc. Essa é realmente uma área que eu FUJOOOOOOOOOO!

Tem o Enfermeiro Professor, aquele que tem por função transmitir o conhecimento em Universidades ou Cursos Técnicos. Aqueles que são responsáveis pelos futuros profissionais.

Eu poderia ficar horas e horas aqui especificando áreas e maneiras de como um Enfermeiro atua, mas acho que isso não seria viável para um post explicativo. O que eu quero deixar na cabecinha de vocês é que um Enfermeiro vai além do que é mostrado em jornais e revistas. Somos nós que batalhamos todos os dias em condições precárias de trabalho e não recebemos muito em troca. E nem estou falando de dinheiro (mas também), mas sim de RECONHECIMENTO. É uma profissão difícil de lidar, nosso processo de trabalho é longo, nossa carga horária grandíssima e nosso salário RIDÍCULO, mas é a profissão mais linda que existe nesse mundo. A profissão, a arte de CUIDAR. Por isso que todos que vem me perguntar sobre a Enfermagem eu digo a mesma coisa: TEM QUE GOSTAR DO QUE FAZ, TEM QUE AMAR PORQUE NÃO É FÁCIL. Mas eu amo e espero que vocês, se não amarem, por favor, pelo menos respeitem e reconheçam nosso mérito. Até mesmo porque pensem que um dia vocês poderão estar em nossas mãos.

CAP 22

A semana passou relativamente rápida, a cada dia que se passava eu e a Vanessa estávamos mais próximas. E comigo uma única certeza, eu fiz a escolha certa em me permitir viver tudo que há pra viver ao lado dela. O dia que não nos víamos, trocávamos sms ou ligações. Estou tão feliz e completa, quero tanto poder fazê-la feliz. A Vanessa ainda é um mistério para mim, nunca sei o que se passa em seus pensamentos, as vezes sinto ela travar um pouco. Mas o Junior me garantiu que é somente o jeito dela, que ela já foi machucada em outros relacionamentos e que ela tem certa dificuldade de demostrar seus sentimentos. Depois que conversei com ele fiquei mais tranquila, mas sabia que seria difícil quebrar um pouco certas barreiras que ela coloca entre nós. Mas faria o possível para quebrá-las aos poucos. A Vanessa e a Mayra se aproximaram muito, parecem amigas de anos. Não que eu me importe, mais elas vivem de segredinhos e isso me incomodava as vezes. Não, não é ciúmes, confio plenamente na May e mesmo não conhecendo a Van muito bem, sei que ali é apenas uma amizade que se iniciava. Enfim, eu também acabei conhecendo melhor a Thaís amiga da Van. Ela é um amorzinho de pessoa, no começo achei muito estranho todo o apego das duas, mas logo vi que são como se fossem irmãs e já comecei a nutrir um carinho especial por ela. A May também se aproximou bastante dela, quando as duas se juntam, tudo vira uma festa. Adoro quando a Thaís aparecia em casa com a Van. O Junior vive perturbando a Thaís e a May principalmente. É a especialidade dele. A Vanessa quis devolver a chave do apartamento que dei a ela, mas com muita dificuldade, ela acabou ficando com a chave. Mas ela nunca a usou, como é boba essa garota, sempre quando chegava no apartamento toca a campainha. Cansei com ela, para usar a chave. Mas acabei não insistindo mais. Max parece estar confortável com as novas pessoas que entraram em nossas vidas, no começo demorou um pouco para ele se acostumar com a Thaís, mas de alguma forma ela acabou conquistando meu pequeno. Nem posso falar da Sol e do Sergio que fazem todas as vontades dele, quando estamos na casa deles é sempre uma luta para convencê-lo a voltar para casa. Tirando a falta de novidades em relação a minha separação com o Fabian, minha vida parecia estar entrando no eixo perfeito. Não tive mais notícias dos meus pais após a expulsão do Junior de casa e da nossa discussão. O Junior não parou muito em casa durante a semana, perguntei algumas vezes se estava acontecendo algo mas ele sempre fugia do assunto, já estava ficando preocupada. A May e a Van tentaram me acalmar dizendo que não era nada, eu conhecia muito bem meu irmão para saber que algo estava acontecendo. O final de semana passamos todos juntos na casa da Van, Sol insistiu tanto que não tivemos outra opção a não ser aceitar. Estava feliz vivendo momentos inesquecíveis ao lado da Van e de sua família, eles nos acolheram com muito carinho e a cada dia mais eu só queria retribuir todo esse carinho conosco. O Max e a Vanessa pareciam ter uma ligação forte, viviam grudados. A Vanessa tinha o dom de acalmar meu pequeno quando ele se irritava com algo ou acordava manhoso, presenciar os momentos dos dois juntos aquecia meu coração e o preenchia de uma certa forma que eu nunca senti antes dela entrar em minha vida. Se me perguntassem se estava arrependida de não ter voltado para Los Angeles ou se sinto falta de quem eu era antes de voltar ao Brasil. Eu diria sem pensar que não, estou feliz com minhas escolhas e com a nova mulher que sou, sinto saudades unicamente da minha irmã e meu cunhado. A Vanessa foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida, não sei o que esperar dela, eu nunca sei. Mas não vou deixar de viver algo tão especial com medo do que possa acontecer amanhã ou depois, quero viver do presente e aproveitar cada momento ao seu lado.

Depois de um final de semana perfeito, a segunda chegou tão rápida e o dia passou assim como ela. Não vi a Van, pois ela teria muito trabalho na ONG, falamos apenas por telefone e ela não viria hoje a noite para meu apartamento. Claro que fiquei triste, mas ela tinha suas responsabilidades e também estava cansada tadinha. Já se passava das 20H quando coloquei o Max em seu quarto para dormir, a May havia saído com o Junior e ainda não tinham chegado. Estava na sala assistindo TV quando eles chegaram.

Junior: Que cara é essa Clarinha? – me beijou na testa e se sentou no sofá ao meu lado com a May.

Clara: A de sempre, não tá vendo!? – fui grossa sim, eles passaram o dia todo fora e sem dar sinal de vida.

Mayra: Credo Clara – ela disse e desviou o olhar para o Junior

Junior: Pelo visto a Vanessa não vai dormir aqui – ele riu alto com a May

Clara: Não – falei seca – Posso saber onde vocês estiveram o dia todo? – falei cruzando os braços ao olhar os dois. Eles se entreolharam.

Junior: Bem, prefiro te mostrar. Coloca uma roupa, vamos sair – ele disse ao me olhar.

Clara: Como assim me mostrar? Não posso sair, Max está dormindo – disse ainda com os braços cruzados

Mayra: Anda Clara, vai se trocar. Eu vou ficar com o Max – ela me olhou e sorrio

Clara: Vocês não podem simplesmente me dizer onde estiveram? Não preciso que me mostrem nada – disse indiferente

Junior: Vai logo Clara. Por favor… - ele disse ao juntar as duas mãos, como se implorasse. Revirei os olhos e me levantei indo ao quarto para me trocar. Não disse nada.

Me troquei rápido, querendo ou não estava curiosa. O Junior foi dirigindo, fomos todo o caminho em silêncio e o lugar parecia ser longe, pois demoramos meia hora para chegarmos em uma rua que parecia mais um beco deserto. Já estava desconfortável quando ele parou estacionando em frente a uma porta estreita daquele beco. A palavra certa seria, que eu estava com medo. Um lugar assim, que tipo de gente poderia aparecer por ali. Ele fez sinal para que descesse do carro, meio contra minha vontade mais desci. Ele parou enfrente a porta estreita e a abriu, me aproximei e entrei logo atrás dele.

Clara: Junior, onde estamos? Aqui parece ser perigoso – disse ao segurar no braço dele pois estava um pouco escuro.

Junior: Prefiro que veja com seus próprios olhos. Aqui não é perigoso Clara, nós só entramos pelos fundos. Tem outra entrada, depois te mostro. Vem vou ascender as luzes e te explico tudo quando você ver – ele foi iluminando o caminho com o celular, logo chegou a uma caixa que deveria ser da luz, pois elas se ascenderam logo quando ele ligou as chaves dela.

Clara: Meus Deus!! De quem é esse lugar? – olhei para ele que estava de cabeça baixa, como se tivesse cometido algum erro

Junior: É….meu – ele suspirou – A May insistiu para que te mostrasse. Mas eu vou vender Clara. Foi um erro ter comprado isso aqui. Mais um pra minha lista de fracassos.

Clara: Ainda bem que você me mostrou. Junior, porque não me contou desse lugar? – disse ao olhar todo aquele lugar

Junior: Sei lá Clara – ele deu de ombros – Mas não faz diferença, vou vender. Isso não daria certo, nem tenho grana pra isso aqui. Papai me deixou sem nada e a herança do vovô usei pra comprar isso aqui. O pouco que restou, usei essa semana para mandar limpar e consertar algumas coisas. Comprei de um cara que acabou falindo antes mesmo de inaugurar o lugar, por isso tudo está em perfeito estado.

Clara: Você não vai vender. Junior, isso aqui pode dar certo – eu sorri ao olhá-lo. Ele agora me olhava um pouco assustado com a minha reação.

Junior: Cl…Clara, achei que você fosse dizer que comprar isso… - não deixei ele terminar a frase

Clara: Talvez esse tenha sido o melhor negócio que você já fez até hoje. Você conhece esse mundo melhor que ninguém – sorri sincera

Junior: Não tenho grana pra isso Clara – ele suspirou – Não mais.

Clara: Vou te ajudar. Você merece, tenho certeza que isso aqui vai dar certo – disse o abraçando e o soltando em seguida.

Junior: Me ajudar? Não Clara, não posso aceitar e se não der certo? Não teria como te pagar – ele me olhou tristeza

Clara: Vai dar certo Ju, não tenha medo. Já disse que vou te ajudar e você não vai precisar me pagar nada – disse sorrindo

Junior: Não Clara, como assim não vou precisar te pagar? Não posso aceitar seu dinheiro – ele disse nervoso e envergonhado ao mesmo tempo

Clara: Como você já sabe, pretendo me estabelecer no Brasil. Tenho dinheiro suficiente para investir nisso aqui, porque acredito em você e principalmente por saber que isso vai dar certo sim. Claro, se você me aceitar como sócia. O que acha? - disse sorrindo e olhando novamente o lugar.

Junior: Voc…você…tá…falando sério Clara? Tem certeza que quer correr esse risco, caso não de certo.. - ele disse ao engolir em seco

Clara: Todo negocio é assim Ju, pode ou não dar certo. É um risco que se corre, mas isso aqui vai dar certo sim. E claro que falo sério, a não ser que não me queira como sócia – disse o olhando séria agora e ansiosa por sua resposta.

Junior: Isso é loucura, mas se você acredita que pode dar certa. Seja bem-vinda sócia – ele me abraçou forte, mal contendo sua felicidade.

Clara: Juniooor, para…você tá me sufocando – ele me soltou sorrindo.

Ficamos por lá mais algum tempo, pois ele me mostrou cada ambiente daquele lugar. Lá era enorme. Bastante espaçoso, a decoração precisava ser mudada, mas nada exagerado. Com uma semana já poderíamos inaugurar, o lugar estava em perfeito estado. Só precisaríamos contratar os funcionários e no máximo em uma semana a boate seria inaugurada. O Junior não parecia muito confiante que eu fosse gostar dele ter investido naquele negócio, mas uma boate, quando bem administrada pode vir a dar muito lucro. Mas faria isso, não só pelo fato de dar lucro, mas sim por ele. Pois sei que ele merece crescer na vida e ele precisa dessa chance para erguer a cabeça. Não quero que ele acredite ser um fracasso, não quero que ele desista de tentar investir em algo, por medo. Não quero que ele leve em conta as palavras do nosso pai. Quero que ele possa acreditar mais em sua capacidade e eu estarei ao seu lado.

I’m wasted on you ❥ Ahmiran & Derbel {flashback}

— É realmente couro de dragão, asseguro-o disso — afirmou antes de lançar à bainha um olhar impressionado, sorrindo como se não pudesse acreditar no que tinha em mãos. — E não é qualquer dragão! É o remanescente de Fafnir, o cruel dragão morto pelo lendário Matador de Dragões, Siegfried. Veja por si mesmo, senhor, como essa textura é única — estendeu o produto em direção ao homem à sua frente, em um convite para que ele a tocasse.

Era uma grande mentira, claro. Ahmiran sabia disso. A bainha era de couro comum, várias camadas dele, cuidadosamente endurecidas. Talhara em sua superfície um padrão constante de figuras geométricas e revestira finas lâminas de ferro que conseguira com um colega com o material final. Era um processo trabalhoso, mas o lucro que a peça gerava o fazia valer a pena. Já havia vendido ao menos doze daquelas, e tinha outras em seu estoque. Todas sempre únicas, todas sempre os últimos remanescentes de Fafnir. Adorava aquela história. Adorava ainda mais as pessoas que nela acreditavam e investiam seus orens de ouro.

Esperava que aquele senhor pudesse ser uma daquelas pessoas. Parecia-lhe rico o suficiente para pagar por ela, para dar mais mesmo do que Ahmiran pedia. Ao menos era o que concluíra de suas roupas, e de seu modo de se carregar ao mesmo tempo austero e presunçoso, algo que sempre atribuíra às classes mais altas. Alta burguesia, nobreza. Seus alvos prediletos.

E ainda assim ele existia que não, não seria capaz de pagar tanto por ela. Tentou pechinchar, abaixar o preço. Com outros produtos, Ahmi teria entrado em seu jogo. Contudo, sabia que por aquele podia receber bem mais. Era sempre um trunfo a se ter na manga.

— Sei o quão pesados 800 orens de ouro podem soar, senhor, mas é uma peça única. Não desejaria perder uma oportunidade como essa — insistiu. O senhor disse que retornaria mais tarde, se tivesse a chance e julgasse seu dinheiro o suficiente. Tentaria questioná-lo, mas o homem deu o negócio por encerrado.

Ahmiran suspirou e retornou a bainha à caixa de madeira em que a deixava. Olhou ao redor, para cada cidadão que atravessava o local. Talvez algum deles lhe provasse um negócio mais… frutífero.