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“ Hoje sai mais cedo da escola. Fui liberada e então não perdi tempo, peguei minhas coisas e fui embora. Descendo a rua do colégio, enxerguei uma árvore e lembrei dos dias em que subia nela para me dar um susto. Continuei a descer. Com o fone no ouvido passei por um muro e nele havia um coração pixado. Eu sabia que tinha sido você. O encarei por mais ou menos cinco minutos e voltei a descer aquele gigantesco morro. Depois de algumas músicas serem tocadas tirei o fone e olhei para trás, ouvi alguém me chamando. Mas não tinha ninguém. Mais uma vez fiquei cinco minutos encarando o vento. Depois disso, peguei o fone e quando o coloquei estava tocando sua música favorita. Eu fechei meus olhos, senti minhas pernas bambas. Comecei a ver tudo em volta girando. Sim, era nostalgia. Eu sabia que era, mas não podia ficar ali. Continuei a andar e depois de três passos senti um perfume nada estranho. Era seu. Era identico ao seu. Que raiva, não podia ser. O dia estava me levando ao passado. Cansei de ouvir aquelas músicas e abri minha mochila para guardar o celular. Como eu filmes, passei por diversas pessoas e uma em especial derrubou minha mochila. Todos os livros se abriram em meio a calçada e ninguém me ajudou. Pensei que se você estivesse ali, estaria rindo de mim. Peguei tudo com pressa e ao colocar o último caderno dentro da mochila, um papel caiu de dentro dele. Eu não sabia do que era, realmente não estava me recordando daquele grande e amassado papel. Pensei que fosse mais uma lista ridícula de física, mas algo em mim me fez abri-lo. Errei, não era nada em respeito a escola. Era a sua caligrafia. Os seus erros e suas gírias. Tinha sido você o autor de cada letra ali escrita. Eu olhei para cima, vi duas gotas vindo em direção a mim, olhei para os lados e nenhuma pessoa estava ali. A rua estava deserta. Eu sentei ali mesmo, e comecei a ler toda aquela carta. Com dificuldade de acabar de ler em meio a tantas emoções, eu parei. Recomecei a ler mais ou menos umas cinco vezes. Ali estava tudo o que eu menos podia lembrar. Coisas que até eu mesmo já tinha esquecido. Momentos que eu não lembrava de ter existindo. Mas forcei a memória e a unica coisa que ocorreu foi de minhas lágrimas caírem por todo o meu rosto. A chuva estava forte, não dava para perceber que eu chorava absurdamente. Depois de ler todo aquele papel, percebi que a muito tempo eu andava me enganando. Afinal, eu ainda te amo demais. ”
—  M-eralidade.

Passo minhas noites em claro, fazendo planos, ensaiando diálogos, desejando você… Como o dia de amanhã pode ser tão incerto? Mesmo passando horas pensando antes de dormi, você nunca sabe o que virá, nunca sabe qual vai ser seu destino, é tão vago, tão… Incompleto! Assim, me sinto incompleta longe de você, me sinto vaga, sinto-me sem destino. Eu que sempre tive um objetivo, eu que sempre fui sozinha, sempre certa das minhas ações, agora tão plural […]. Você me pegou de surpresa, arrebatou meu coração… Venha, meu amor, venha sonhar comigo, nos desejamos, nos amamos de verdade, eu sou tua e você é meu, podemos rodar esse mundo de mistérios, apreciar novos ares, nadar em novos mares, só preciso de você ao meu lado, aqui, bem pertinho, não quero mais sofrer de saudades, é tempo de mais, vem depressa, vem correndo, eu estarei de braços abertos pra você meu bem, meu baú do amor esta esperando pra ser aberto com a chave que só você tem, e despertar o sentimento mais lindos e que venho guardando só pra ti, venha me descobrir, venha descobrir essa menina que se mostrou tão dura e tímida… Venha saciar esse desejo de você, me ame como se fosse a ultima vez. Quero ser sua agora, sem hora e sem lugar, quero cair em seus braços e me sentir segura em ti. Vou lhe falar tudo que venho ensaiando, tudo que venho pesando em realizar ao seu lado, quero me entregar a ti, meu amor!    - Luana K. (mau-romance)

Os olhos dela escondem o mais precioso dos segredos. Seu jeitinho meio manhoso, de repente engrossa; de repente ela fica dura feito rocha. Os curiosos comentam sobre sua preferência pela solidão, os mais próximos também não à conhece tanto; nenhum deles entende, por que entenderiam? Assim ele o descobriu, no meio de uma conversa entre amigos.. se aproximou como quem não quer nada, foi conhecendo ela aos poucos. Fizeram um trabalho de física juntos, ele a ajudava, ela não entendia nada; mas fingia, gostava da compania. Começaram a almoçar juntos, ele guardava o lugar ao seu lado na mesa; sabia que ela se atrasava devido as suas fugidinhas na biblioteca. Ela insentivou ele a começar a ler, ele teimava, não tinha a concentração necessária. Viraram conhecidos, colegas, e finalmente amigos. Andavam meio grudados, não - totalmente grudados - compartilhavam manias, brigavam para escolher o filme que veriam no sábado a noite. Nunca insinuaram uma relação além da amizade. E tudo ia bem, tudo normal, melhor do nunca; o pai dele trabalhava na marinha, ela sabia, mas não esperava uma mudança repentina, o tempo passou, e surgiu a notícia. Ele se mudaria para uma cidade não tão longe, até o estado seria o mesmo. Eles prometeram não se afastar, juraram um para sempre; se viam de vez em quando, mandavam emails, falavam pela web cam, telefonavam antes de dormir, mas tudo foi se esvairindo com o tempo. Daí perceram, ensinuaram tarde demais; foi-se a além da amizade. Foram se perdendo no tempo, os corações andavam sempre aperdados; a distância os uniu e mesmo assim, continuava os separando. Ela voltou para seu mundinho isolado, ele tentava superar farreando com os amigos nos sábados a noite, o que o lembrava os filmes, as brigas. Ganharam o que todos desejam ter um dia, mas perderam tão rápido.. nem aproveitaram. Restaram-se as lembranças e a saudade; apenas isso. Além do para sempre, que agora só existia em seus corações. (save-u)