nemligaguria

E você guria, me diga o que tem feito, por onde tem andado, se tem cuidado bem de você. Me diz guria, com quem tu andas agora? Antes eu sabia, hoje não faço idéia. Tem dormido bem a noite? E os teus sonhos guria, ainda são bons? Queria ainda poder encontrar nos teus olhos aquele brilho da primeira vez.

Tudo bem, já não penso mais em voltar. Já pensei em parar em frente a tua casa e ficar lá, por um bom tempo, procurando por ti e esperando que não me veja. Se tu me visse guria, como reagiria? Isso também não sei.

Ainda penso em você quando lembro das ruas. Ainda penso em você quando lembro da dor. Ainda penso em você quando tento esquecer. E porque escrevo? Ah, porque não cabe em mim tanta coisa, guria. E porque não saio por aí gritando aos quatro ventos como me sinto? Ah, porque não quero ferir mais ninguém com a dor que sinto. Porque? Não sei. Realmente não sei, guria.

Juliana R. - Nem liga, Guria.

Guria, por que andas tão triste? Me diga, vamos conversar. Sente-se aqui, tenho a noite toda. Posso te proteger caso suas palavras soem perigosas demais. Olhe para mim, guria, é capaz de ver um passado sombrio? Me assusta também.

Eu, dentre milhares, fui a pessoa escolhida para cuidar de você. Sinto que foi assim. Eu cuidarei, mesmo. Então, me conte um pouco dos teus receios, das tuas marcas, da tua história. Contarei um pouco da minha se caso queira saber.

É ruim, não é? Olhar para trás e perceber que as pessoas foram capazes de destruir o que achavamos bonito. Dói muito, não é, guria?

Mas olhe para mim. Olhe para mim essa noite e veja que eu posso curar tuas feridas. Faz algum tempo que venho tentando. Guria, não te esquece, estou aqui. Sou teu anjo da guarda.

Juliana R. - Nem Liga, Guria.

Tô sentindo sua falta guria. Mais do que o normal. O que era o normal? Passou, não lembro mais como era a saudade antes de te conhecer. Agora é mil vezes pior. Dói muito mais, parte o coração muito mais.

O que é pior pra mim agora? Ficar sem você. Por que? Porque tu é diferente guria, é mais bonita que todo o resto.

Tô sentindo sua falta guria, falta dos teus sorrisos, das tuas brincadeiras bobas, do teu ciúmes disfarçado que eu compreendo tão bem. Difícil. Atormentador. Depressivo. É tudo isso junto e mais um pouco.

Vou voltar logo só pra poder me sentir feliz novamente. Não vai demorar, só espero que eu não perca totalmente minha sanidade até lá. Sinto tua falta, guria.

Juliana R. - Nem Liga, Guria.

Sabe quando tu sente que nada mais faz sentido? Que tua vida até hoje não passou de uma grande obra inútil? É isso guria. Eu não tenho feito nada da vida, ela é só uma obra inútil e mal acabada. Nada me conforta mais.

Eu tenho tantos sonhos guria. Tu nem sabe quantos. Só não tenho mais tanta convicção de que realizarei metade deles. Tudo bem, eu sei que tu deve estar pensando que eu ainda nem cheguei aos trinta e poucos anos pra pensar assim, mas a minha mente deve ser mais madura do que eu achava que era.

O que eu faço agora guria? Queria tanto sair por aí correndo atrás de tudo. Eu não sei como o fazer. Eu não sei por onde começar. É fácil dizer que você tem de ir atrás, mas não dizem que é difícil tomar as redias da tua vida com menos de vinte anos de história.

Já está na hora de dar a cara a tapa. Como tu faz guria? Poderia me dizer? Eu quero tanto ser livre.

Juliana R. - Nem Liga, Guria

Ando tentando entender coisas sem sentido, coisas que não fazem diferença mas que me deixam com interrogações por dentro. Ando por essas novas ruas e ainda lembro das velhas ruas que meus pés cansados costumavam trilhar à tua procura.

Guria, você é uma das interrogações dentro de mim. Escuto teu nome em forma de pergunta. As palavras não saem mais para responder. Passou. Marcou. Ficou. Acabou. E não ache que eu quis assim, o destino quis e eu não consegui reverter.

Nem mesmo minhas palavras fazem sentido agora que teus ouvidos ouvem outras vozes além da minha. Tudo vai ficar pra trás, tão lá atrás que não poderemos mais pegar com as mãos, guria.

Juliana R. - Nem Liga, Guria

Todos os dias sinto um pouco mais de saudade de ti. E a cada dia que passa, a saudade aumenta e abre mais um pouco a ferida. E a ferida aumenta junto com a saudade e sangra muito mais também. E o sangue é azul. Por que é azul? Porque eu acho que azul combina mais com a saudade do que com a dor, guria.

O que eu faria para fechar a ferida? Qualquer coisa. Remendaria com uma outra pessoa qualquer, mas logo a ferida abriria novamente e eu me encontraria assim, com saudade e a dor de não te ter. O sangue ficaria vermelho. Por que? Porque eu acho que vermelho combina mais com dor do que com saudade, guria.

Juliana R. - Nem Liga, Guria.

Todos me decepcionam em algum momento, mas achei que o teu momento de fazer isso comigo nunca chegaria. Tu me decepcionou guria, muito. Não queria ter tal sentimento por ti. Agora isso reina em mim. Queria conseguir apagar, não consigo, permanece latejando na minha pobre mente ainda confusa.

Não aceito desculpas guria, tu sabe que não sou a favor delas. Uso muito pouco, as vezes, prefiro nem usá-las. Não me peça desculpas, não vai mudar e nem riscar o que passei a sentir.

Tentarei organizar meus pensamentos e colocar mais essa decepção no baú mais fundo que encontrar. Se nem isso eu conseguir, sinto muito guria, as coisas vão ter de mudar.

Juliana R. - Nem Liga, Guria.

Nos últimos tempos fiquei pensando em nós, guria. Decidi que quero ter uma casa para que possa chamar de nossa. Decidi que quero cuidar de ti. Decidi que quero lhe receber todos os dias com o jantar na mesa, com a casa bem arrumada e com todos os nossos planos ordenados para se realizar. Quero ver o brilho nos teus olhos, guria. Aquele brilho de satisfação que tens quando olha para mim.

E nossa pequena casa será linda, lhe prometo isso. Com algumas cores, tuas coisas preferidas junto das minhas. O lugar onde você se sinta segura ao meu lado. Guria, só me prometa uma coisa: trará tua felicidade para morar conosco.

Juliana R. - Nem Liga, Guria.

Sei lá, é isso que eu digo pra qualquer um que pergunte sobre ti guria. Tu foi embora sem dizer adeus. Tu foi embora sem avisar. Foi embora e levou alguma coisa minha junto, só não sei o que foi. Sei lá, é isso que quase nunca descreve o que eu tenho pra falar. Tu bateu a porta, se trancou dentro de um lugar que eu não posso mais entrar. Não tenho mais permissão, guria.

Num outro dia me coloquei a procurar algum rastro teu, eu encontrei. Doeu. Porque dói? Sei lá. Por que tu não sabe? Eu também queria saber. É dessas coisas sem explicação que tiramos alguma coisa pra aprender. O que tu aprendeu? Que todos vão embora, até você, guria.

Juliana R. - Nem Liga, Guria.