nem me da vontade de chorar

Hoje é o penúltimo dia do ano e eu me sinto tão triste como se toda a carga que eu suportei por meses não fizesse mais sentido eu carregar. Sinto uma tristeza tão profunda, impregnada com uma vontade tão grande de chorar sem parar, embora eu não deixe nenhuma lágrima cair, chove, dentro de mim, como se nunca mais fosse parar de chover. Eu tenho sido forte por tantos anos, mas a cada ano eu me sinto ruir mais e a cada minuto da minha solidão eu penso em uma forma nova de suicídio. Eu não sou feliz. Talvez, nunca tenha sido. Eu sorrio para agradar as pessoas que me cercam, para que não se sintam infelizes também ou culpadas por minha depressão, mas, por dentro, tudo sangra, tudo se desconfigura, os estilhaços, dentro de mim, se chocam cada vez mais, fazendo a minha alma gritar em silêncio. Eu estou só e sinto tanta saudade de pessoas que nem lembram mais de mim, saudade que queima os olhos em vontade de chorar, saudade que aperta o peito e faz eu perder o ar aos poucos. O celular não toca, nenhuma mensagem chega e a caixa de e-mail está empoeirada. Esse vazio é um enorme buraco em meu peito que me sufoca e faz com que eu sinta que nunca mais vou me sentir bem na vida. Vida esta que já se tornou morte. Eu nunca me senti tão sozinho como me sinto nesse exato momento. Esse é o penúltimo dia do ano e eu não queria existir.
—  30 de dezembro de 2016, O Mundo Cinzento.
Abre parênteses, você em mim, fecha parênteses.

Você ainda me toca sem nem ao menos encostar em mim, me toca quando ouço o som de uma risada e lembro da sua ou quando assisto aquele nosso programa de humor favorito. Você me toca quando vejo tudo ao meu redor desmoronar e não te vejo aqui comigo, que era onde você deveria estar. Você me toca quando me causa esse nó na garganta que estou agora, essa vontade louca de chorar-e-gritar-socorro, quem sabe você ouve e vem correndo. Você me toca mesmo depois das duras palavras de despedida que trocamos, aqueles não éramos nós dois, eram duas almas desesperadas pela separação de uma união que parecia o melhor dos paraísos. Esse não é um lamento, é um relato tardio de alguém que gasta as horas que deveria estar dormindo, pensando em quem você pensa antes de dormir. Porque, em mim, você está, você esta aqui (você em mim).

Estou quebrando minha promessa, porque esse é pra você. Eles sempre são para você. Eu sou para você.

Extinta.

homem de lata

despi- me
entrei no banho
toquei meus pés descalços no chão úmido do box
e lentamente aquela atmosfera foi me consumindo
desprotegida
senti a água
fria como tua ausência
encontrar minha pele
mas diferente de você
ela não me preencheu
e como de costume
as gotas gélidas escorreram pelo meu corpo
me permitindo não pensar em nada
me fazendo afundar no vazio do que eu sou
não consegui chorar
não consegui dar um pouco de mim nem para compor a porra da água do meu banho
não me admira que você não tenha tido vontade de ficar
se eu tivesse opção também teria desistido
mas só pensar em nós faz meu estômago revirar e se contorcer em uma dança contemporânea de borboletas, mortas
isso tudo só aumenta a angústia dentro de mim
faz eu me sentir mais vazia
menos viva
e se não fosse pela dor insuportável que agora me dilacera por dentro
teria certeza de que eu havia nascido sem um coração
porque não consigo sentir ele aqui
ele mal consegue me manter viva
estou presa num ciclo vicioso de merda
sempre voltando sozinha
para mim mesma
eu te perdi
e agora
estou me perdendo também
que estúpido
nem eu consigo permanecer em mim
abro os olhos e estou novamente no banheiro
volto então aos meus pés descalços tocando o chão úmido
sinto a água escorrer pelo meu corpo
despida

m.

Egoísmo

Tenho andado perdida, meio que numa vontade de nada ser ou fazer. Se me perguntam encho-me de trabalhos e falo no cansaço que sinto mas mascaro a razão real. E não é real, não mais. As pessoas que passam, passam só por passar, ando vendo tudo distorcido e a realidade é tudo menos aquilo que quero. As pessoas passam, sim, mas eu só vejo borrões.

Tenho andado, e não é mentira, mas não tenho saído de casa, não mais longe do que à sala de aula e logo volto para este mundo tão neutro. Perdida nem é estado; como estou? Sólida de tanto sentir, líquida de tanto chorar, gasosa de tanto sonhar, de tanto fugir desta realidade que aperta. E nesta vontade de tudo e nada, nado e me afogo nos intervalos de tempo mais curtos que alguma vez pude imaginar. Imaginar? Sentir! E a dor que propaga e me atinge o cérebro é tão real quanto os monstros que vivem debaixo da cama, dentro de mim; e eles vivem, fortes e feios, tão feios que custa olhar.

Tenho fugido, a verdade é essa. Tenho me magoado sozinha, para completar. Dizer que dói é eufemismo quando eu mesma me sinto dor. E dói um pouco mais… isto de saber que ninguém se dói em mim.

Cristina Lemos.

Ei lembra quando eu disse que ñ queria q o ano acabe-se, pq estão acabados as aulas e eu mais nunca mais vou ver ninguém é que isso me deixa triste, e que ñ é bem isso, a verdade que sim isso me deixa triste mas sério to me conhece tem gente na nossa sala que eu nem gueto nem olhar pra cara, eu sei que vai me fazer falta, mas oq mas me deixa triste é o fato de q ano vai acabar e eu nunca mas vou te ver e nem falar com vc, e doido mas só de pensar que o nosso nunca vai começar e depois desse ano até nossa amizade vai acabar me da vontade de chorar….

Estou tão triste. Insatisfeita comigo mesma. Tenho vontade de chorar o tempo todo, mas não o faço. É cansativo. Estou cansada de mim mesma e de minhas lágrimas. Já não sei ficar sozinha, mas quando estou com outra pessoa me isolo, e novamente me sinto solitária. Na maior parte do tempo penso que ninguém realmente gosta de mim, e quando penso que sim, isso dura tão pouco que não dá nem para ser sentido e apreciado. Não gosto da vida que tenho, clamo por mudanças mas não faço nada para que elas cheguem até a mim. Sinto que minha vida é um desperdício, às vezes queria não existir. Queria ser e fazer tantas coisas, mas não consigo. É como se alguém estivesse me afundando no meu eu, e me perco nessa profunda bagunça. Sou um nada. Sempre fui. Comum. Queria ser outra pessoa, com uma história diferente. Odeio ser coadjuvante de um livro que ninguém nunca lê. Odeio ser incompreendida. Odeio ser comum. (♥alguemtedisse)

Eu odeio suas confusões e mais ainda por me deixar confusa, por me deixar louca e não saber o que é real. Eu não sei o que eu quero e nem se quero, mas tudo isso me tira do sério e você me tira do meu conforto, me desestabiliza. Me faz repensar tudo sobre mim, sobre minhas vontades e meus sentimentos. Me faz chorar por saber que você está a quilômetros de distância e que te ver é algo vácuo e que não há certeza, que vai acontecer e é umas das coisas que mais quero que aconteça, quero te abraçar e sentir você comigo e junto a mim. Mas você é maluca, não sabe o que quer e me faz repensar o que eu quero, você não sabe o que sente e ainda quer opinar oque eu sinto, e o pior é que eu sinto muito, sinto por você, sinto por ele e eu sei lá oque eu sinto e eu queria dizer que sim, que eu gosto de você, que eu queria ficar contigo, mas tenho medo e sei que mesmo que você sinta algo por mim, não é e nem seria uma fração do que sentiu e sente por elas.
—  Maricarla Gomes.

cê é de um tempo quando eu só ouvia rock atrás de rock, sabia os nomes de cada jogador do barcelona, as posições. eu tinha o maior cabelão que não cuidava, não dava conta, não tinha saco. eu não usava maquiagem, não desenhava, escrevia textos mais curtos, com menos pontuação. cê é dessa época quando eu não abraçava muito, quando eu ainda sabia só os acordes básicos do violão e pensava que um dia ia dar certo com a guitarra. e eu tinha uma meia dúzia de amigos que eu nem conhecia, pra ser honesta. tinha uma penca de vontades e certezas que hoje parecem pozinho de tang que engulo às pressas a caminho da faculdade. e eu te perdoo por estar meio obsoleto no mural de fotos me dizendo silenciosamente que sente uma saudade que não age. porque você sabe: saudade costuma mover a gente pra algum lugar, que seja o chão do banheiro pra chorar, mas move. mas a sua saudade é estática. faz uma faltazinha mínima e toca pra frente, como quem dá um soluço só e passa. cê é das antigas, de quando eu tinha aquelas feridas abertas e escondia debaixo da roupa e não sabia como estancar. em algum desses momentos eu me entupi de mpb, jazz e um pouquinho de eletrônica nas festas. aprendi uns acordes novos, larguei de vez a guitarra, parei de assistir futebol. escrevo umas coisas esquizofrênicas e fui lentamente te deixando pra trás, congelado nas fotos do moral. e eu respeito esse nosso estilo de saudade, porque ela é própria respeitosa no não agir dela: deixa que a vida toque em continuidade, dessa vez embalada pelas melodias certas. sem isso de ‘se ama vai atrás’. amor é dar espaço, dar tempo, dar distância. tem flor que só germina em nevasca.

Reações dos paqueras se experimentassem as maravilhas da cólica e reação da Docete ao ver isso

Armin: Oh por quê? Onde foi que eu errei para sofrer isso?! Me ajuda, Docete. O que eu faço? Tá doendo! 

Castiel: Mas que #$%@ de dor dos infernos é essa? Isso não passa nem tomando remédio? Quando eu penso que passou vem uma pontada que dói até a minha alma!

Kentin: Quem me odeia tanto a ponto de fazer um boneco vodu e me torturar assim? Eu nem sei onde tá doendo direito, mas cada pontada dá vontade de chorar! Por quê?! Ai que dor! Faz isso parar!

Lysandre: Conceal, don’t feel, don’t let them know~ ♪ 

Nathaniel: Eu já tomei Atroveran duas vezes e isso não passou por quê? Propaganda enganosa! Como eu faço essas pontadas passarem?!

Possíveis reações da Docete

E depois eu que sou o sexo frágil, hein.

Me escuta, eu não posso fazer mais nada. Eu já dei os remédios que eu uso… Só se você quiser as receitas caseiras da vovozinha que nunca testei, então não sei se passa.

Que frescura é essa, menino? Você me vê chorando pelos cantos, por acaso?

Desculpa, eu não queria rir, mas é difícil controlar! Hahaha

Ultimo dia do ano de 2015. Um ano que eu provavelmente não esquecerei. Neste ano eu descobri que posso ser mais forte do que eu penso, posso superar a vontade de descontar os erros das pessoas em mim ou na minha vida, eu também sou humana, digna de imperfeição e tenho que saber lidar com isso, descobri que nada abala uma boa oração e a minha fé, nesse ano eu descobri que posso ser sensível, doce e amável e as pessoas (algumas) não vão jogar isso contra mim, elas me amaram da mesma forma, descobri também que nem tudo que achei que iria permanecer na minha vida permaneceu e entendi muito bem qual foi o papel dessas coisas que foram embora tão logo e me fizeram sofrer, chorar e aprender que também posso ser amada, esse ano eu descobri o amor da forma mais pura e linda que existe, e esse amor me ajudou a descobrir o quanto eu sou incrível, forte, linda e posso ser tudo o que quiser, me fez amar o meu corpo e as minhas perfeitas imperfeições, me provou que posso sim mudar alguém por conta do amor e da minha persistência. Eu gostaria de agradecer a todos os meus queridos seguidores e as pessoas que não tem tumblr, mas eu sei que vem visitar meu cantinho e sempre me enchem de elogios! Um feliz ano novo, e que seja realmente novo, brilhante e estupendo 2016! 

IMAGINE COM HARRY STYLES

  • Agradeçam a Babi (imagin3s-onedirection)* por ter me dado essa MARAVILHOSA ideia, eu apenas desenvolvi, os créditos podem ser considerados muito dela (a não ser q esteja mt ruim, ai a culpa é minha, pq a ideia é muito legal mesmo). *Obrigada meu amor, é por essas e outras que você mora no meu coraçãozinho <3

Fechei a porta com força, e isso fez um barulho estrondoso que ecoou pelo quarto. Me joguei contra a cama de casal, me agarrando a um dos travesseiros da cama. E ao puxá-lo para debaixo de meu rosto pude sentir seu cheiro impregnado ali. Merda.

Respirei fundo sentindo ainda mais vontade de chorar. Eu queria simplesmente que tudo explodisse agora mesmo.

#Flashback On#

Eu nem lembro do motivo inicial da briga, eu só sei que agora enquanto eu começava a comer do prato que acabará de chegar, eu tentava não olhar pra Harry, que me encarava firme, sem tocar na comida.

‒Para de me olhar assim. ‒Soltei brava o suficiente para ele perceber.

‒Sn..‒ Harry me chamou baixinho, e com um tom insuportavelmente amável ‒Sn.. Olha pra mim‒ Subi meu olhar pra ele levemente enquanto sua mão veio até a minha, se pondo em cima da mesma e acariciando de leve ali..

‒ Harry!‒ Uma voz estridente saiu de trás de mim, pelo susto repentino, eu retire minha mão de baixo da mão dele, que me olhou antes de  direcionar seus olhos até a dona da voz que o chamava. Tudo isso  em milésimos de segundos. ‒Quanto tempo não é?‒ A dona da voz estridente e escandalosa riu, e Harry sorriu fraco provavelmente tentando ser simpático. Eu acho.

‒Sim.. É.. Hum.. Muito tempo. ‒Ele ainda sorria, e então seus olhos se desviaram pra mim por um segundo e automaticamente me virei pra trás, vendo ninguém menos do que adivinhe, sim, a ex de Harry. Ela olhou pra mim de volta, e eu sorri cínica.

-Oh.. Ah.. Parece que você está ocupado.. ‒Minha vontade foi gritar um enorme ‘sim’ e talvez soltar alguns xingamentos pra ela.

‒Sim, nós estamos.. ‒Falei

‒Tudo bem.‒ Harry falou, e eu automaticamente encarei-o.

Fala sério, O que ele esta falando?

‒Não estou mesmo atrapalhado algo? ‒ela perguntou, totalmente cínica,

SIM, VOCÊ ESTÁ. Pensei enquanto sentia meu pulso trincar. Minha única vontade era de dar um soco na cara dela.

‒Não, tá tudo bem.. ‒Ele sorriu fraco enquanto eu fechei o punho, agora quem tinha que receber o soco era ele.

‒ O tempo passa rápido né? Quer dizer você parece já estar bem.. ‒ela sorriu cínica mais uma vez.

Talvez os dois pudessem receber meus socos..

‒Sim eu estou. ‒Ela sorriu aberto pra ele e eu apenas conseguia pensar em:  o que ela está fazendo em pé, ao lado da nossa mesa, aonde antes discutíamos por algo que eu nem me lembro mais?

Eu juro, que eu posso sentir meu sangue ardendo dentro de minhas veias.

‒É engraçado como as coisas são né..‒Ela continuava falando‒ Acredita que.. Acabei de terminar com Josh? ‒Ela deu uma risada baixa e ele sorriu pra ela.

ELE SORRIU PRA ELA, sem os dentes, e de um jeito, quase sem graça, MAS SORRIU.

-Em pensar que eu te deixei justamente por ele.. ‒Ela riu abafada e Harry também riu fraco. Ele até parecia sem graça, mas eu não sei mais se isso era por sua presença ali, ou pela minha.

Meus pulsos estavam fechados e engoli a seco o antes de me levantar da mesa, fazendo ambos me olharem.

‒Como eu tenho senso, eu acho melhor eu me retirar. Não quero atrapalhar a conversa de vocês. ‒Joguei o guardanapo de pano sobre a mesa, ao lado do prato, ainda cheio é claro. Me virei e fui andando em direção a porta.

‒Sn.. ‒Harry falou num tom mais alto que seu natural‒ Sn! ‒ Seu tom aumentou, e meu passo também, fazendo eu sair do restaurante pela porta de vidro do local. ‒Sn, volta aqui.. ‒Eu continuei a andar, já fora do restaurante indo em direção a rua. Eu precisava de um taxi, agora. ‒SN! ‒Harry agarrou meu braço, me fazendo parar de andar e encará-lo

‒O que foi?! ‒Quase gritei com raiva.

‒Sn.. Eu não tenho culpa dela aparecer aqui..

‒Sim, você não tem.

‒Então o que ..

‒ Você tem culpa de deixar ela entrar em uma conversa, você tem culpa de deixar ela ficar a vontade o suficiente pra me deixar desconfortável!

‒Sn..

‒Me solta. ‒Ele olhou para meu braço, notando a força que aplicava ali, e então ele diminuiu a força mas ainda deixando a mão envolta de meu braço. ‒Harry, me solta. ‒E então ele soltou.

‒Senhor!‒ Um cara gritou de dentro do restaurante, logo colocando a cabeça pra fora da porta ‒Senhor, a conta, o senhor não pode..

‒Eu sei. ‒Harry disse alto se virando pra trás ‒ Eu vou pagar. Um segundo. ‒O homem assentiu com a cabeça, provavelmente não se importando realmente com isso, afinal nós íamos ali quase que uma vez por mês, até ele já nos conhecia. ‒Eu vou lá, e já voltou tudo bem? ‒Não respondi, mesmo Harry dando tempo para que assim eu fizesse ‒Por favor me espera Sn.. Ok?‒ Não respondi mais uma vez enquanto apenas o encarava.

Harry se inclinou pra frente para beijar minha testa, e eu me inclinei pra trás, e ao notar o fracasso ele suspirou pesado.

‒Sn.. Por favor me espera. Vamos voltar juntos. ‒Aquilo era uma afirmação, mas sua voz continha o tom de hipótese.

E então de forma relutante ele fez o caminho de volta, me olhando a cada dois ou três passos, e assim que ele entrou de vez no restaurante, eu me virei e fiz o sinal para o primeiro taxi que passou, indo pra casa sem ele.

#Flashback Off#

Eu já sentia meus olhos arderem e eu tinha certeza que eles estavam vermelhos.

Ouvi o barulho da porta batendo na sala, anunciando sua chegada. Me apertei mais contra o travesseiro, o que me fez  inalar ainda mais seu cheiro sobre o mesmo. Merda, eu estou chorando.

‒Sn! ‒ Sua voz foi se aproximando rápido do quarto‒Sn, onde você..‒ E então sua fala cessou logo depois porta se abrir. ‒Sn.. ‒Seu tom era mais doce que antes, mas estava em uma linha tênue entre o calmo e o desesperado.

Ouvi seus passos se aproximando, enquanto eu não conseguia me mexer, e talvez, por céus, nem respirar.

‒Amor.. ‒ Me arrepiei ao sentir seu toque sobre meu rosto, afastando com os dedos os fios sobre ele. Com calma e com uma pequena ajuda minha, que levantei um pouco a cabeça, logo todos os fios estavam atrás de minha orelha.

Abri os olhos, ainda sentindo-os arder um pouco, e encarei sua imagem. Ele estava ajoelhado no chão enquanto seu cotovelo estava apoiado na cama e ele se inclinava um pouco sobre a mesma, ficando bem próximo de mim.

‒O que aconteceu hen? ‒Harry perguntou enquanto me encarava e fazia carinho em minha bochecha.

Levei minha mão até a dele fazendo ele parar, e logo enlacei nossos dedos, puxando-o em seguida. Harry levantou os joelhos do chão e logo se deitou ao meu lado.

Ele me puxou de leve, e eu logo me juntei a ele, o máximo que eu podia, abraçando forte seu corpo contra o meu, ele fazia o mesmo.

‒Desculpa.. ‒ Soltei fraca sobre seu peito descoberto por conta dos botões abertos. Harry embolava os dedos nas pontas dos meus cabelos

‒Pelo que Sn..? Você não fez nada.. Eu acho que eu que..

‒Tudo bem Harry ‒ suspirei fundo   ‒ No fundo, você também não fez nada. E eu sei disso. ‒Funguei sentindo seu cheiro invadir meu nariz. Olhei pra ele, sua mão voltou para meu rosto enquanto a outra continuava me abraçando contra si.  ‒ Mas é que..

‒Eu não queria que você pensasse que.. Nossa Sn, não. Não mesmo. ‒Sorri fraca enquanto ele se embolava.‒ Eu estou com você agora, não importa o que aconteceu antes na minha vida, eu TE amo, e você sabe disso não sabe?! ‒Assenti de leve encarando seus olhos absurdamente verdes. ‒ Não duvide disso nunca mais tudo bem? Você é quem eu amo, você é quem eu quero. Só você. Única e exclusivamente você. ‒ Harry se esticou um pouco o pescoço, deixando um beijo sobre minha testa enquanto eu fechava os olhos.‒ E se por algum motivo, você ficar em duvida ‒Ele me abraçou mais forte sobre seu corpo‒ Me avise, que eu te lembro que meu coração é sou só seu.

‒Único e exclusivamente meu..‒ sorri beijando seu peito

‒Sim‒ele também sorriu aberto.‒ Em todos os sentidos. ‒ Suas covinhas estavam totalmente destacadas.‒ Do mesmo jeito que você é minha..

Um sorriso torto se formou em seus lábios enquanto ele, com calma, virou nossos corpos na cama. Sorri do mesmo jeito pra ele começando a sentir seu toque com calma sobre meu corpo.

E hoje mais uma vez eu volto a dizer: é só você que eu quero. Quando eu acabo de chegar cansada de mais um dia daqueles, e aí vejo algumas mensagens sua, lembro do seu olhar tão apaixonado me chamando pra um abraço apertado, lembro da gente se cuidando, do carinho mais gostoso do mundo, dos melhores dias que passei ao seu lado. Porque contigo não tem dia ruim. Não tem meio termo. É alegria e pronto. É ter vontade de agarrar, apertar, beijar e falar mil vezes que te amo. É uma vontade imensa de acordar ao seu lado e ficar te olhando por um bom tempo, chorar de alegria e depois dizer o quanto sou feliz ao seu lado. E ter a vontade absurda de voltar quando ainda nem cheguei a ir.
—  Viabilizou-se.
Existe certas situações na vida em que a gente tem que olhar para dentro de sí mesmo e dar um limite, dar um basta. Por mas que seja difícil, porém não é impossível. Existe certas dores que temos que dar um fim também, por mais que sejam bastante dolorosas. Aprendi também, que não vale a pena chorar por uma pessoa que nem se quer merece nosso choro, aprendi também que amor, carinho, atenção não se pede, apenas são recibos de livre e espontânea vontade. A vida tem me ensinando muitas coisas, mas para aprender, nós temos que quebrar a cara, sim, é difícil e triste. Mas se você não quebrar a cara, vai continua persistindo no erro e se machucando cada vez mais. Então o limite de tudo, quem da é você mesmo.
—  Alef Santos.

ontem eu chorei por mim e por todas pessoas que se perderam no meio do caminho nesse enorme universo. digo isso pois não tem como uma pessoa tão pequena ter tantas lágrimas e dores. então suponho que chorei por todas nós. isso não me deixa melhor. na verdade não faz diferença nenhuma. chorar por mim ou por você não faz muita diferença. no final sempre me da muita vontade de fazer xixi. mas uma coisa que fez diferença na minha cabeça agora é como chorei. ou sei la o que quero dizer. mas meu choro ta sendo um pedido de socorro. eu choro choro choro na tentativa falha de me livrar de mim. me contorço. doi tudo. e choro mais. o problema é que ninguém vê. ninguém ta vendo que eu não aguento mais. muito menos escutando meus soluços. ninguém ta vendo minhas cicatrizes e nem percebendo a forma que meus olhos suplicam por salvação. ou a morte. queria a morte. mas me contento em ser salva. só que ninguém vê. ninguém se importa. eu não tenho ninguém pra se preocupar. deveria, mas não tenho. meus amigos perceberam que eu estava distante e me deram uma ajudinha: foram embora. minha mãe nunca se deu muito bem comigo. meu pai nem se fala. não tenho ninguém. nem umzinho. e minha vida não é um conto de fadas e nenhuma estranha na rua vai me parar dizendo que esta loucamente apaixonada. nada nada nada disso. continuarei só como sempre fui. mas dói. dói da pior maneira essa minha solidão. dói do jeito que não da mais pra aguentar.

desde já, desculpem o desabafo

é só uma vontade quase sufocante que vez outra aparece, de ter alguém. pra me amparar nos meus fracassos e rir das coisas que eu vivo mirabolando. alguém que me olhe e enxergue além dessa casca onde eu me guardo por medo de ninguém gostar desse meu avesso torto e triste. é só um medo interminável de nunca ser nada do que os outros esperam e de nunca ser o suficiente pra encantar mais ninguém. é só uma vontade de ter um colo só meu pra chorar. alguém que ouça meus desatinos sem pensar que eu sou uma desvairada que vive sempre querendo abraçar o mundo com tanto sentimentalismo. é só um medo terrível de nunca me encontrar no coração de ninguém. de só ser ponto de partida e nunca de chegada. de sempre ser a desconhecida que aparece e logo desaparece pela estrada e nunca a pessoa que chega e abre um sorriso que já era há muito tempo esperado. é só uma impaciência triste que mora nos ponteiros do meu relógio e bate tão forte que eu quase não consigo me aguentar de pé. é só uma tristeza de esbarrar com tantos olhares e nunca ser verdadeiramente reconhecida. é um desespero doído de quem tem medo de ser sempre abrigo, mas nunca encontrar um cais pra se abrigar.

eu fiquei com vontade de chorar

porque por dez segundos eu senti toda a dor que um riso esconde
porque por dez segundos eu me senti em casa num riso chorado, gritado, esperneado em silêncio
porque risos são poemas
porque rios são sistemas
e você deságua em lugares nos quais não está nem nunca estará
você é cais pra viajantes sem par
e você é impar, querido, você é único
e ser tão único é também ser tão só.

acenderia um sol se isso pudesse te fazer sentir melhor
mas eu sei que toda água evapora e chove, alguma hora
desejo eternamente que uma gota minha um dia possa te lavar das dores, dos ardores, das saudades de nunca chegar
desejo eternamente que um dia você se aporte em si mesmo e se permita navegar sem volta. liberdade é também se amarrar em laços de fita - mas nunca em correntes. chover é às vezes torrentes. fico feliz que você não se canse de nadar. liberdade às vezes afaga, às vezes afoga. fico feliz que você (ainda) consiga tentar.

sobre compostos

Sinto-me cansado. As vezes dá vontade de seguir pelo caminho mais fácil, de largar tudo e todos, de chutar o balde. Mas, logo após me recordo dos padrões impostos pela sociedade. Não é permitido pirar. Na maioria das vezes até chorar pega mal. O problema é que a sociedade não vem solucionar meus problemas, me dar colo, atenção ou carinho. Ela não me dá o que preciso. Ela nem ao menos liga se estou andando, se tenho o que comer ou o que vestir. Ninguém liga pra ninguém nesse mundo. Conclui por fim que estamos todos sozinhos, e que fazemos pequenas participações na peça de outras pessoas, chamada vida. E eu não sei você, mas não aceito ser figurante.
—  Alifer Souza.

estou me sentindo sozinho com vontade de chorar dentro do ônibus. hoje acaba o carnaval, resolvi, não levei cigarros nem chamei ninguém, mesmo sabendo que meus amigos também andam se sentindo da mesma forma que eu, sozinho. estou olhando pela janela as luzes dos postes refletindo no asfalto, as pessoas em volta e cada garota que chama a minha atenção que já me faz pensar em sexo, acabo comendo todas só com o olhar e o pensamento, já não quero mais evitar esses pensamentos, não mais. mas meus olhos estão marejados, estou triste por causa do filme que eu terminei de assistir no cinema, ainda me sinto fraco e só, acho que esse é o fim do meu carnaval.

rotineiro

Faz dois dias que eu encaro a tela em branco e não consigo rabiscar nem um esboço de palavra
Não sinto vontade de explicar ou perguntar
Só queria entender o tamanho real das coisas
E medir os se’s e talvez’s
Só consigo sentir que são todos enormes porque constantemente engolem minha capacidade de racionalizar
Eu não tenho feito o menor sentido ultimamente
Sinto falta de cair nos braços de alguém e chorar um pouco mas sei que não consigo
Não ando triste ou melancólica
Só perdida e confusa
Fico sonhando com realidades paralelas onde eu não sou um constante desencontro
Esse aqui e agora me assusta
Tenho reclamado da dificuldade de prosseguir sem rumo, sabendo exatamente que onde eu queria estar fica na direção oposta
Não consigo decidir o que fazer agora
Vou cambaleando nos absurdos da rotina

ando tão à flor da pele
que qualquer beijo de novela
me faz chorar.
ando tão à flor da pele
que eu olhar flor na janela
me faz morrer

ando tão à flor da pele
que meu desejo se confunde
com a vontade de nem sei
ando tão à flor da pele
que minha pele tem o fogo
do juízo final

barco sem porto,
sem rumo, sem vela
cavalo sem cela
bicho solto
cão sem dono,
menino, bandido.
às vezes me preservo,
noutras suicido…