nefertum

scene from the Great Harris Papyrus: King Ramses III (wearing the Nemes with the uraeus, holding the ‘Heqa’-scepter and the Flail) making adorations to Ptah (mummiform, holding the composite 'Djed’-'Ankh’-'Uas’-scepter), Sekhmet (lioness-headed, wearing the Solar disk with the uraeus), and Nefertum (wearing a crown in the form of a lotus calyx with two feathers). Dated to the 1150 BCE; now in the British Museum…

Bless it be the God Nefertum the healer Nefertum (Nefertem, Nefertemu) was originally considered to be an aspect of Atum. According to one version of the creation story of the Ennead in Heliopolis, Nefertum (translated as beautiful Atum, or perfect Atum) was born from a blue lotus bud which emerged from the waters of Nun at the beginning of creation. Atum represented the sun and so Nefertum represented the sunrise. He cried because he was alone and his tears created humanity. It was thought that he was born with every sunrise, matured into Atum during the day before passing into the world of the dead every sunset. The cycle of birth in the morning and death every evening (as the sun travelled through the underworld) represented the daily struggle between Chaos and Order (Ma'at).

As estradas são injustas, meu amor.

Eu chorei na frente dele. Eu não pude me conter, que idiota! Eu preciso aprender a mentir olhando naqueles olhos. Mas como eu diria?: “Meu amor, você corre a 160 por hora, eu não ultrapasso os 80. Não sei como será a próxima curva. Não sei se consigo furar o sinal amarelo antes que feche. Te acompanhar me dói e te deixar me extingue, talvez não por completo mas na minha maior parte, a parte que eu mais gosto. Então porque você não diminui um pouco? Só o suficiente para mim não perde-lo de vista”. Mas eu sei que ele não diminuiria, então eu chorei quando ele me perguntou se estava tudo bem. Chorei até pensar em algum jeito de dizer que a estrada morria ali. Então eu o beijei como nunca havia beijado antes e acho que ele percebeu algo…

O perdi de vista no sinal seguinte.

Nef.

Nefertem (play /ˈnɛfərˌtɛm/; possibly “beautiful one who closes” or “one who does not close”; also spelled Nefertum or Nefer-temu) was, in Egyptian mythology, originally a lotus flower at the creation of the world, who had arisen from the primal waters.[1] Nefertem represented both the first sunlight and the delightful smell of the Egyptian blue lotus flower, having arisen from the primal waters within an Egyptian blue water-lily, Nymphaea caerulea. Some of the titles of Nefertem were “He Who is Beautiful” and “Water-Lily of the Sun”, and a version of the Book of the Dead says,

“Rise like Nefertem from the blue water lily, to the nostrils of Ra (the creator and sungod), and come forth upon the horizon each day.”

Nefertem the child comes from his earth father Nun’s black primordial waters, and his sky mother is Nut. When he matures, he is Ra.

Nefertum was eventually seen as the son of the creator god Ptah, and the goddesses Sekhmet and Bastet were sometimes called his mother. In art, Nefertum is usually depicted as a beautiful young man having blue water-lily flowers around his head. As the son of Bast, he also sometimes has the head of a lion or is a lion or cat reclining. The ancient Egyptians often carried small statuettes of him as good-luck charms.

Eu me sinto triste. De uma forma que nunca me senti antes. Talvez a tristeza seja como uma goteira no teto: ela começa a fluir de uma rachadura e se não concertamos logo ela faz o teto desabar e então começa chover na casa inteira. Depois disso não há o que fazer a não ser abrigar o máximo de coisas que conseguir e esperar a chuva passar. Mas e se essa chuva não passa? Estou de braços arriados, não tem lugar pra me abrigar. Nada - nem ninguém - para me proteger. Agora é questão de tempo. Lembra quando eu te disse que era uma bomba? Será que estes são os segundos finais que antecedem o meu “detonar”? Antes eu gostava de ficar só, mas agora estou prestes a e afogar na solidão que forjei. Contruí meu castelo de ferro velho e tijolos em farelos, mas esqueci de criar uma saída. Agora tudo inunda e eu me afogarei em lama, ferrugem e solidão. Eu só penso em dormir, e quando estou acordado tento não chorar. Finalmente tenho meu baile de máscaras. Meus convidados sorriem fingindo se importar e eu sorrio fazendo força para conter o choro.

                                                                                      Carta a Estênio,

                                                                         16, de março de 2013

Depois de viajar tão longe entre os universos que ficam além do meu teto e além de mim, eu esqueço que não me encaixo mais na cama e decido que se eu fizesse a passagem deste para o mundo, onde as coisas acontecem de acordo com o que fica no meu subconsciente - mais conciso do que meu consciente que se torna atordoado de tantas idas e vindas pra alem de mim - e não voltasse mais, tudo seria melhor, porque nessas viagens as coias se invertem e vida vira sonho e sonho vira realidade, e tudo se ajeita de olhos fechados, pois é no escuro que os desejos se realizam.
—  Nefertum - trecho de “idas e vindas para além de mim” - Nihil Somniare.

Meu vazio talvez tenha 1,79 de altura, veias saltadas que começam no dorso das suas mãos e terminando em seu pescoço. Um casaco cinza que parece não aquece-lo e olhos tão escuros que poderiam engolir todas as minhas estrelas e nem mesmo a lua cheia mais brilhante poderia me salvar dessa escuridão. Mas eu nunca quis ser salvo, e não pediria socorro mesmo que doesse muito. Meu vazio talvez tenha nome também, mas pronuncia-lo é demasiado perigoso. 

Eu caibo em qualquer lugar que tu quiser

eu cortei minhas vertentes pra poder me encaixar em qualquer espaço vazio que se descuide. Pode me levar na bolsa, me deixar na gaveta do criado-mudo e até dentro do compartimento de moedas da sua carteira. Eu não me importo mais. É questionável ser a parte que faltava em um quebra-cabeça. Eu só quero um canto pra mim, um canto pra dois. Só preciso ter um lugar que faça meus suspiros pesados de dias cansados serem de alívio por ter um lugar pra onde fugir.

A ventania que trouxe um pouco de chuva para regar as almas em chamas trouxe consigo um peso que fez morada em meu peito. Não são as gotas de chuva despencando lá fora, não são os galhos se quebrando ou os telhados se desfazendo ao serem beijados pelo vento, esse barulho que escuto é áspero. Agora venta aqui dentro e meu peito deságua. Existem algumas perguntas que eu nunca farei por achar que talvez passem, como copos sujos deixados na pia esperando para serem lavados por outra pessoa, ou papeis deixados na rua a serem levados pelo vento ou pelo gari. Quantos conflitos uma pessoa pode aguentar calada? Quantas vezes alguém precisa lutar por dentro e por fora antes de ganhar a guerra? Pessoas não enlouquecem, apenas ostentam sua psicopatia. Ninguém sabe encarar olhos vazios - eles gritam. Para salvar alguém em desespero basta agarra-la pelas mãos com força e esperar a chuva transbordar, mas preferem andar com as mãos nos bolsos e dizerem “esse mundo não tem jeito” ao verem as tragédias no noticiário antes da novela. Todos pedem mas não sabem ceder. Quando eu olho para os lados e não encontro ninguém eu procuro um lugar para me esconder e espero que alguém me encontre. Mas ninguém me encontra… acho que ninguém procura. Eu já posso explodir ou devo esperar mais um pouco do que ainda resta de mim se partir? Pra ser ouvido é preciso calar-se às vezes, mas meu silêncio se perpetuou em deserto e nenhum peregrino a passar pelas minhas areias estendeste a mim sua mão.
—  Nefertum - Tu ouves meus passos a adentrar na casa e finge estar dormindo. Seus olhos não são as mesmas bolas de cristal que costumavam ser.