na casa do sol

{das coisas que eu quero te dizer e não posso}

algo aqui dentro ainda sopra que não fomos só um engano
mas te lembrar ainda faz com que eu me pergunte
como chegamos a esse ponto? final ou não
eu nunca te amarrei a mim, eu nunca fiz da gente um nó
você sempre foi livre e a porta sempre esteve aberta pra você
(mesmo que isso não significasse que permaneceríamos imutáveis)
e eu sempre fui gentil, apesar das tuas partidas
das tuas palavras ácidas atiradas contra mim
do teu egoísmo descamando a minha pele
eu conhecia tuas dores, tuas inseguranças e os teus medos
mesmo quando você acreditava estar mantendo segredo sobre isso
só pra tentar parecer sóbrio pra mim, só pra me manter intacta
(eu não chamaria isso de engano)
quando você foi embora pela última vez eu tranquei a porta
eu troquei a fechadura e prometi que você não entraria mais
eu chorei no chão da cozinha, do banheiro, no corredor
eu chorei no escritório enquanto organizava papéis
e na volta pra casa quando a luz do sol vazava pelas frestas das árvores
e eu sabia que nenhum pôr do sol seria mais o mesmo sem você
hoje, exceto pelos dias de chuva, eu não choro mais
no entanto a ventania estourou as fechaduras
e a porta continuou aberta porque algo não me permitiu fecha-la
mas quando leio Guimarães Rosa, eu entendo
“o que é pra ser, tem muita força”

Casa comigo? E a gente passa o resto de nossas vidas olhando o pôr do sol, na rede da varanda. Casa comigo? Para nós nos abraçarmos nas noites frias e tomarmos banho gelado juntos, nas quentes. Casa comigo? Para assim podermos ir juntos do Iapoque ao Chui, ou apenas irmos de mãos dadas até a vendinha da esquina. Casa comigo? E vamos nos mudar para o Canadá, e morar em uma cidade onde todos os dias fazem 40º ou se você preferir podemos nos mudar para uma montanha no Sul de Minas, onde o dia mais quente do ano registra apenas 12 graus. Casa comigo?  E vamos comprar um casal de Pastores Alemão e motar um canil particular, afinal nós dois amamos cachorros. Casa comigo? Assim nós podemos juntos, viajar pela Africa e ajudar a construir várias escolas. Mas se você não quiser nada disso, apenas casa Comigo?Assim, como quem não quer nada, só, casa comigo?
—  Ele é Primavera
➼ ❃ ❝ Open

Os primeiros dias eram sempre os piores, especialmente quando toda a cidade é menor que o bairro em que ela costumava morar. A garota ainda se via chorando antes de dormir pela perda e os pesadelos a atormentavam durante o sono. E naquele dia não foi diferente. Mesmo indo dormir tarde, os pesadelos a acordara antes mesmo do sol nascer a garota já estava de pé e sem a menor intenção de retornar a dormir. Saiu de casa, pouco depois do nascer do sol na companhia fiel dos seus fones de ouvido e seu caderno de desenhos. As janelas ainda fechadas, ninguém nas ruas, o silencio interrompido vez ou outra pelo cantar de um ou outro pássaro despertando para o novo dia. O ambiente perfeito para alguém como ela. Mal notou o quanto as horas haviam passado desde a sua chegada ali até alguém sentar se no mesmo banco, retirando a garota dos seus rascunhos e a fazendo franzir as sobrancelhas, não muito contente em ser obrigada a reconhecer a presença da pessoa ao seu lado.

Eu não lhe ofereço as tulipas holandesas porque eu pertenço ao agreste, porque elas denotam o amor e eu não te amo. Eu não escolhi as tulipas porque elas não se adaptam ao clima quente em que vivo, sabe o que eu sou? Você não sabe nada sobre mim. Eu escolhi os cactos, os cactos do agreste setentrional de Pernambuco, porque são bonitos apesar de serem espinhentos. Eu escolhi os cactos porque eles são fortes e eu espero que sua vida não seja tão curta como seria a vinda das tulipas a minha casa: elas murchariam, iriam embora, morreriam rápido demais.
Eu escolhi os cactos porque eles são incrivelmente parecidos comigo. Quando a aproximação não é intensa, posso parecer hostil, mas a minha alma possui um processo de lapidação, é perigosa e todos temem tocar para não se machucarem. E eu, eu não desperto os suspiros apaixonados que as tulipas causam, eu não possuo o perfume dos jardins. Eu sou resistente, eu não fui feita para morrer cedo. E eu, eu posso ser uma flor exclusiva de cacto, posso experimentar a brasa que queima nas casas do sertão. Posso florescer quando o sol invadir o horizonte. Posso ser o tudo. Posso ser o nada. Mas quando eu me despertar flor de cacto, isto significa que eu estou pronta para amar.

        bb cream pa-pa-pa, put on some lipstick mam-mam-mwah;

                                         THAT’S HOW BYUN LUNA WORKS:


Longe de qualquer malícia e trivialidades do mundo, em um espacinho todo aconchegante de Changshi nasceu a esperança. Luna foi o sol a raiar na casa dos Byun, principalmente depois de uma difícil gravidez da matriarca. Muito se comentou de como ficaria a saúde da mulher após ter a filha, mas tudo seguiu nos conformes, inclusive o sucesso na venda de novos apetrechos que a empresa de seu pai era dono. A renda deu-lhe espaço para fazer de Luna uma jovem com o menor dos problemas possíveis, sempre dando-a o que esta queria e muito mais: o amor-não-material. Este, Luna aprendeu a cuidar, tratar e espalhar, principalmente quando conheceu Yamamoto Tadao. Ele era bem mais velho na época, mas em seu coração sempre habitou a paixão platônica, até mesmo pela curiosidade que ela, criança na época, possuía. Tudo o que era novo, era incrível!

Seus ânimos afloraram quando terminou a escola, e ela foi melhorando péssimos aspectos de sua personalidade quando começou a passar mais tempo com Tadao. Aos poucos, reconheceu seus pontos fortes, criando até força de vontade para iniciar os estudos e ser veterinária no futuro, com a finalidade de criar algo enorme para ajudar todos os animais — ela nunca foi mulher de pouco. Tão nova começou um relacionamento com Tadao, e mais tarde noivou deste, sem sequer ligar com a reprovação dos parentescos, uma vez que devagar foi conquistando a confiança de cada um. Idealizou toda uma vida e pode facilmente se frustrar se nada ocorrer como o imaginado, especialmente por ter o costume de ter tudo nas mãos.

Eu quero envelhecer ao teu lado. Quero ver os nossos cabelos ficarem brancos como algodão. Quero ver cada parte de nossas peles se enrugarem. Quero ter uma cadeira de balanço junto a tua na varanda da nossa casa, para vermos o pôr do sol e lembrarmos de cada momento feliz quando jovens. Quero olhar nos teus olhos gastos pelo tempo e falar “eu te amo” com a mesma intensidade de que digo agora, dizer ainda que nada do que fizemos juntos me traz arrependimento e se o tempo voltasse a única coisa que eu mudaria seria: eu te daria mais beijos do que eu te dei.
—  Querido J.

One Shot Louis Tomlinson

  • Pedido -  Faz um com o Louis que eles vão pro Brasil e ele se perde e ela acha um ex namorado e daí da uma treta


— Finalmente férias!

Louis falou animado enquanto caminhamos para a saída do aeroporto depois de termos pousado em nosso destino que foi planejado há alguns meses antes que ele estivesse de férias. Louis e eu namoramos há dois anos e há cinco ele tem trabalhado constantemente sem férias estendidas, ele canta em uma boyband que nunca deixa de estar em tempos bons, o que acabou adiando por anos o descanso prolongado até decidirem entrar em hiatus por um ano ou dois anos.

Nós viajamos muito durante os anos de relacionamento, mas nunca tínhamos feito uma viagem que os namorados fazem para se curtir como se estivessem em lua de mel e foi isso que planejamos desde que a história do hiatus entrou em pauta para ser discutida. Estamos tão alegres que só falta nós dois sair saltitando pelo aeroporto.

Não demorou muito para que Louis estivesse reclamando sobre o calor, a diferença do calor que ele está acostumado, como o calor do Brasil é gritante, mas eu me lembro de termos vindo para cá em uma de suas turnês. Não tem como esquecer na verdade, foi a primeira vez que estivemos juntos no meu país de origem.  

Entre as reclamações sobre o calor, drama de dizer que está derretendo, paradas em fast-food para comprar refrigerantes e mais um pouco de drama, chegamos ao hotel não muito conhecido que se localizava um pouco mais distante do centro da movimentada cidade para que a presença de Louis não cause tumulto e acabe com a nossa privacidade.  

A única coisa que Louis fez foi usar o banheiro por causa da quantidade de refrigerante que bebeu, tirar a roupa ficando apenas de cueca e se jogar na cama pedindo para que eu ligue o ar condicionado para que minutos depois estivesse de boca aberta em um sono pesado.

Resistindo a imensa vontade de acertá-lo com um tapa na bunda, eu caminhei até a janela vislumbrando o grande mar que produz um barulho gostoso ao que suas ondas se quebram na areia. O sol um pouco forte demais que me fez um pouco de falta quando me mudei, beija a pele das pessoas que resolveram encará-lo para terem um dia de praia e de quebra conseguir uma marquinha.

A verdade é que eu a tempos não me sentia tão em casa como agora, esse é meu verdadeiro lar, não importa onde eu more, tamanha distância, esse sempre será o meu lugar favorito em todo o mundo.

Mesmo com a empolgação de estar de volta em casa e a vontade de sair rodopiando nas ruas embaixo do sol quente cantando garota de Ipanema, o cansaço me pegou de jeito e eu sou a próxima a me atirar seminua na cama ao lado de Louis.

[…]

Depois de horas de descanso e de eu ter a visão de Louis comendo pizza - que é a única coisa que ele aprendeu em português quando eu tentei ensiná-lo - sentado na poltrona no canto do quarto assim que acordei, estamos agora devidamente vestidos com uma roupa leve e que não nos causará um infarto fulminante ao sair no sol, acrescentando em Louis um chapéu e óculos escuros para não ser reconhecido.

— Minha cabeça está suando… Será que eu preciso mesmo disso?

Louis perguntou ao que sentamos em um banquinho em uma praça bem arejada e com uma enorme sombra feita pela quantidade de árvores ali. Ficamos alguns minutos andando e resolvemos parar para nos refrescar com uma água mineral bem gelada que ainda vou comprar.

— Eu me pergunto se você será reconhecido com esse chapéu e você quer tirá-lo?! — o olho rindo — Você só tem que aguentar mais um pouco. Eu vou ali comprar água para nós dois. — aponto para um homem que tem uma grande caixa térmica sobre sua bicicleta.

Após ver Louis assentir, me levantei do banquinho indo em direção ao homem que é muito simpático comigo fazendo com que a conversa sobre o clima se estenda um pouco mais de cinco minutos. E são esses mais de cinco minutos suficiente para que eu perca o meu namorado que não se encontra mais na praça.

Várias coisas se passam em minha cabeça quando eu ainda não tenho sinal dele depois de rodar a praça quase que dez vezes, é como se ele tivesse evaporado no pouco tempo que eu desviei a minha atenção. A hipótese de ele ter voltado para o hotel, ter sido sequestrado ou apenas sido abduzido rodeiam minha cabeça e o que mais me deixa desesperada é o fato de que a segunda hipótese é a mais provável porque ele não tentaria voltar ao hotel sem me falar sabendo que não sabe o caminho.

Eu estava quase começando a gritar por seu nome quando eu senti uma mão em meu ombro e uma sensação de alívio tomar todo o meu corpo. Me virei para a pessoa sorrindo, mas esse sorriso morreu assim que vi que não se tratava do meu namorado e sim do meu ex, Ricardo.

— Nossa, não achei que ficaria tão feliz de me ver. — ele falou com um tom brincalhão e riu em seguida.

— Não… É que eu estou procurando uma pessoa, achei que você fosse ela. — sorri forçado tentando não pensar o quanto Louis deve estar confuso e perdido.

— Eu sinto muito por não corresponder a sua expectativa, mas eu estou muito feliz em ver você. — ele sorriu com o seu típico sorriso que me fazia cair ao seus pés. Fazia, agora que eu conheço Louis, nenhum sorriso se iguala ao dele.

— É bom ver você também. — digo sem o dar muita atenção enquanto corro meus olhos ao redor a procura do inglês desaparecido.

— Você parece um pouco ocupada, mas não gostaria de ir tomar um sorvete comigo?  

— Eu estou realmente ocupada, desculpe, mas não vai dar.  

— Você poderia pelo menos me dar um abraço? Eu realmente estava com saudades de você. — eu olhei em sua direção um pouco desconfiada, mas em nome dos velhos tempos eu resolvi ceder e abraçá-lo, me arrependendo segundos depois que tive que virar com agilidade meu rosto para o lado quando ele tentou me beijar de surpresa.

Antes mesmo que eu falasse alguma coisa, mãos encontraram o meu ombro e o de Ricardo nos separando bruscamente e eu estou agradecida quando vejo um Louis nos encarando com uma cara de poucos amigos.

— Que porra está acontecendo? — sua voz continha uma alto grau de irritação.

— O quê? — Ricardo perguntou encarando Louis com uma careta de quem não entendia nada. E de fato ele não entende.

— O que você acha que estava fazendo com a minha mulher, seu bastardo?! — Louis não gritava, mas também não falava baixo.

— Louis… — tentei falar que o cara não estava entendendo nada, mas Louis não me deu oportunidade.

— Você quer morrer? Eu vou matar você se encostar nela de novo, porra. As coisas de onde eu venho não funcionam assim, então eu não permitirei, entendeu?!  

— Lou…

— Pare de me olhar com essa cara de merda e responda a porra que eu estou-

A única maneira que encontrei de calar o Louis foi o surpreendendo com um beijo, beijo esse que fiz questão de prolongar para vê se Ricardo se tocava e dava o fora para não piorar as coisas. Assim que separei nossas bocas e abri os olhos, as íris azuis de Louis me fitavam com atenção em busca de respostas.

— Onde você estava Louis? Eu estava louca atrás de você. — eu fui a primeira a perguntar tirando sua chance.

— Eu percebi o quanto você estava preocupada me procurando. — ele ironizou e eu o empurrei pelo ombro.

— Você que resolveu sumir justo na hora que o louco do meu ex escolheu para tentar me beijar de surpresa.

— Espera! Seu ex? — ele parecia surpreso e indignado enquanto procurava algo - acho que o Ricardo - ao redor. Ainda bem que ele deu no pé.

— É, mas ele não conseguiu. Eu fui mais rápida em virar o rosto e você em aparecer somente na hora que lhe foi conveniente. — o encarei séria — Onde você estava, Tomlinson? Não poderia ter me avisado?

— Desculpe, amor… Eu vi que na loja ali na frente tinha ar condicionado e fui lá me refrescar um pouco. — ele sorriu sem graça coçando a nuca.

— Você é um idiota! — o empurro mais uma vez pelo ombro, dessa vez mais forte — Por que não me avisou? Eu fiquei preocupada.

— Não vai mais se repetir, eu não sairei mais de perto de você.

Ele sorriu de lado me puxando pela cintura e iniciando um beijo cheio de provocação, mesmo que estivéssemos no meio da praça. Pelo menos para uma coisa o traste do meu ex serviu, Louis não vai mais ousar me deixar sozinha ou desgrudar de mim por causa de um ar condicionado.




Hey Angels!

Espero que gostem, deixem o seu favorito e me digam na ask.

Hoje é um dia feliz, comemoramos o dia em que o nosso garoto nasceu para nos alegrar. 

- Tay

Você ama falar comigo. Eu sou o amor da sua vida. E você é o amor da minha vida. Nós nos amamos. Vamos nos casar, e ter vários Pedrinhos e várias Aninhas. Depois vamos ter um cachorro chamado Tono, para podermos chamar ‘Ou Tono’. E vamos morar em uma casa na praia, nos ‘divertir’ na piscina, e no pôr-do-sol ir lá na praia. Te pagarei um sorvete, e você vai me beijar. Vamos ser felizes para sempre, sempre, sempre e sempre.
—  Com amor, Pedro.
CAP 14

POV VANESSA

Quando me deparei com os pais de Clara entrando pela porta, meu coração foi parar na boca. Estava em choque, todas as palavras que eles proferirão no dia que o Junior me levou naquela casa pela primeira vez, voltaram com toda força em minha mente. Não sei onde que  estava com a cabeça quando aceitei entrar com a Clara. Percebi os olhos dela em mim, quando os pais dela também pararam assim como nós quando eles me viram. Engoli em seco, não sabia o que viria dali. A única que parecia perdida ali era a Mayra, amiga da Clara, era possível ver que ela não compreendia porque estávamos todos parados olhando uns aos outros.

Mayra: O que foi gente ? Porque todos estão com essas caras ? - ela realmente não entendeu nada.

Rodrigo: O que essa garota faz aqui ? Já avisei que não quero ela aqui - ele disse com ódio e senti minhas pernas estremecerem

Clara: Eu a convidei - disse calma e em seguida segurou minha mão, mas a retirei rapidamente. Ela estranhou o meu gesto.

Rodrigo: Você mal conhece essa garota e já põe ela aqui dentro!? O Junior tudo bem, a gente até entende que ele se deixa influenciar por qualquer pessoa. Mas você Clara !? A Clara que eu conheço jamais se aproximaria de alguém assim - ele se aproximou enquanto falava

Clara: Conheço o suficiente pra saber que ela é muito melhor que qualquer um aqui. A Clara que você diz conhecer, não é a mesma a muito tempo pai, não sou mais uma adolescente imatura. Sou uma mulher, que sabe reconhecer o valor que cada pessoa tem e a Vanessa tem um valor inestimável pra mim - ela disse serena e com um sorriso no rosto. Eu realmente não esperava por essas palavras, nem que a Clara me defendesse assim.

Rodrigo: Não estou acreditando no que acabei de ouvir - ele sorria cínico

Vanessa: Clara, eu já vou. Não quero confusão - entreguei Max para que ela o pegasse e quando eu ia saindo ela puxou meu braço.

Clara: Eu vou com você - ela sorriu doce

Rodrigo: Clara, nossa conversa ainda não terminou. Deixe ela ir - ele a olhava nos olhos e estava muito irritado

Clara: Nós já estávamos de saída quando vocês chegaram, em outro momento conversaremos - ela disse já saindo e eu a acompanhei assim como o Junior e a Mayra.

Rodrigo: Não, a nossa conversa acabou de começar e você fica - ele segurou o braço dela quando estávamos saindo

Junior: Pai, depois vocês conversam - ele se aproximou, queria evitar uma discussão maior.

Rodrigo: Não, vamos conversar agora. E você também fica - ele olhava nos olhos de Clara. Estava muito irritado.

Clara: Já disse que estávamos de saída e que depois conversaremos. Solte meu braço por gentileza, esta me machucando - ela o olhava, parecia manter a calma.

Vanessa: Clara, melhor vocês ficarem. Eu já vou indo - saí pela porta sem ao menos olhar pra trás.

Senti um aperto no peito, no fundo eu sabia que isso ainda iria acontecer e que a Clara nunca seria minha. A tanta coisa entre nós, além do mais ela iria embora na quarta e eu ficaria aqui com as lembranças enquanto ela voltaria para a vida dela. Não consigo lidar com o que estou sentindo, porque não consigo ver nada além de Clara e tudo o que consigo pensar é no quanto me deixei envolver em tão pouco tempo. Ela é muito mais do que posso querer, nossos mundos são diferentes.Se os pais dela já não me suportam como amiga do Junior, imagine se souberem do nosso envolvimento. Não gosto nem de pensar. Quando já estava chegando ao carro, ela segurou meu braço. Me virei no susto, ela tocou meu rosto fazendo carinho, me abraçou. Mas fiquei assustada, os pais dela poderiam ver, então a afastei. Nossos olhos se encontram, mas pude ver a duvida em seus olhos diante de minha atitude.

Vanessa: Seus pais podem ver - disse tentando me explicar

Clara: E qual o problema ? Nós somos adultas - disse fazendo carinho em meu rosto

Vanessa: Eles já me odeiam, se nos verem com tamanha intimidade então… O que vão pensar!? - segurei sua mão que tocava meu rosto a tirando

Clara: Você se preocupa muito com o que as pessoas pensam ou vão pensar… Precisa parar com isso. Eu não me importo com nada disso, o que importa pra mim nesse momento é você - ela se aproximou e meu coração quase sai pela boca - Sinto por meus pais não verem o que consigo ver apenas ao olhar em teus olhos.

Vanessa: Pre…preciso ir Clara - disse quando ela se aproximou mais e quase me beijou, senti seu desapontamento com minha atitude. Mas não estava disposta a correr o risco dos pais dela nos verem tão próximas - Foi um erro ter vindo aqui, talvez um erro até em…

Clara: É sério isso Vanessa!? Quer dizer que foi um erro ficar comigo? É isso que ia dizer ? - ela estava exaltada, alterou o tom de voz, mas logo depois ela pareceu perceber e diminuiu - Quer saber, nem precisa responder.

Clara se virou e seguiu pra dentro da casa sem dizer mais nada, ela estava magoada.Entrei no carro e segui pra casa, dei murros no volante me chamando de idiota o tempo todo, como pude agir daquela maneira com ela !? Como pude dizer aquilo!? Pensei em todo caminho em mil maneiras de pedir desculpas, mas eu era covarde o suficiente para ter qualquer atitude. Logo cheguei em casa, encontrando minha mãe e Thais com Jacki e Thor na sala.

Sol: Que cara é essa minha filha? - ela me olhou preocupada.

Vanessa: A de sempre mãe - dei um sorriso amarelo e desviei meu olhar. Me sentei no chão e Jacki deitou sua cabeça em meu colo

Sol: Aí Vanessa, quero saber o que aconteceu? - ela disse já num tom de irritação

Vanessa: Os pais do Junior não gostaram de me ver lá na casa deles - disse sem olhar pra ela, fazendo carinho em Jacki 

Sol: Mas o que foi fazer lá filha ? Você nunca vai lá quando eles estão na cidade

Thais: Você dormiu lá com a Clara ? - ela perguntou assustada e nem se deu conta do fora que deu

Vanessa: Thais!! - a repreendi, pois minha mãe iria me encher de perguntas.

Thais: Foi mal Van

Sol: Então você passou a noite com a Clara !? - ela sorriu

Vanessa: Aaah mãe, quer saber os detalhes também? - falei irritada, já me levantando

Sol: Vanessa, senta aí - disse num tom autoritário - Você não respondeu a pergunta da Thais.

Vanessa: Não, não dormi na casa dos pais dela. Passei a noite no apartamento dela - já havia me sentando novamente no chão, mas não tive coragem de olhar pra elas

Sol: Pensei que ela estivesse hospedada na casa dos pais - ela disse como se pensasse alto

Vanessa: E está mãe, ela comprou o apartamento essa semana. Mas não está totalmente mobiliado, por isso ainda está na casa dos pais - disse ao olhar pro nada com o pensamento longe.

Thais: Não tô entendendo nada. Se passou a noite no apartamento dela, eles te viram quando você foi levar ela lá ? - se não me bastasse minha mãe, agora a Thais com mais perguntas.

Resolvi contar logo a história toda, desde o começo. Só não contei a parte que fui uma idiota com a Clara. E mais uma vez minha mãe se irritou com a atitude do pai da Clara. Ela estava inconformada, mas expliquei que ele não chegou a usar certas palavras como da ultima vez. Já havia se passado algumas horas desde que saí da casa dos pais de Clara. Thaís resolveu almoçar com a gente depois da minha mãe insistir. As horas se passaram e meu pensamento estava em Clara, não conseguia prestar atenção em nada que elas conversavam. Já se passava das 18H quando Thais foi pra sua casa. Estava jogada no sofá assistindo TV com minha mãe quando ouço a campainha tocar.

Vanessa: Será que a Thais esqueceu alguma coisa mãe ? - disse ainda deitada e ouço novamente a campainha tocar - Vai lá mãe, por favor !?

Sol: Nossa Vanessa, deixa de ser preguiçosa - disse já indo atender a porta. Ela saiu e demorou um pouco a voltar. Foi quando ouvi o barulho da porta abrir e me virei.

Vanessa: E aí mãe, quem era ? - foi quando vi o Junior entrar junto com ela pela porta. Ela o abraçava de lado e os olhos dele estavam vermelhos e inchados. Ele estava nervoso e quando me viu começou a chorar, me abraçando em seguida. Nunca havia visto ele daquele jeito.