mylifeasrabbit2

As frases vem e vão com uma rapidez tal que não consigo acompanhá-las, então pego algumas palavras aleatórias e as junto com preposições e verbos, tentando libertar a dor que há em mim. Falho. Sou humana. Sou uma poeta de meia tigela, nem cheia nem vazia, nem boa nem ruim. E admito que esse meio termo me incomoda. Tudo que é metade me incomoda. Quero inteiros. Quero rimas dançando ao ordenar de meus pensamentos, romances sendo escritos e mundos nascendo. Quero encher minh'alma desse tal de amor que todos tanto falam, quero ser cega por esse sentimento abstrato e me sentir normal, ao menos uma vez. Mas as minhas tais palavras aleatórias sempre começam a se embolar e se anular, começo a criar paradoxos, e meus verbos ficam perdidos entre rasuras de uma folha há muito amassada e desamassada e amassada novamente. Tenho sede por pedaços, e anseio por completá-los. Mais uma vez, quero inteiros. Quero fazer dos meios inteiros. Quero ser a metade de alguém. Nem eu me entendo, porém também nunca soube se esse é realmente um desejo que tenho. Talvez. Talvez eu queira apenas ser esse pedaço de uma confusão que se contradiz enquanto caça por suas outras partes… Preciso de uma nova caneta, a tinta desta já se foi quase toda. Mais metades. Droga.

Bruna de Fátima

Entenda, querido, que nem sempre o amor vence. Histórias mentem, omitem, distorcem… A verdade às vezes é cruel. “Se duas pessoas se amam, por que não ficam juntas?“, você pergunta. Mas nem tudo se resume a isso. Penso no amor como a teoria do caos. Nunca se sabe o que determinado ato irá causar no futuro, logo, quando se tem uma pequena noção das consequências que tal ato trará, será que ainda vale a pena arriscar? Talvez, se a borboleta soubesse que, ao bater suas asas, um furacão se forma em outra parte do mundo, destruindo milhares de vida (…); só talvez, ela preferiria nunca mais bater suas asas. Só talvez, ela preferiria não pensar em como é bom voar, ou coisas do tipo. Isso se chama auto-sacrifício, e é uma das coisas que o amor mais exige. Quando paramos de pensar em nós mesmos, e passamos a pensar nos outros, então descobrimos o que é amar. E isso basta. Mesmo não estando perto da pessoa que você gosta, saber que é a coisa certa a se fazer e saber que a pessoa também pensa assim… basta.

Bruna de Fátima

Quero sussurros ao pé do ouvido, andar de mãos dadas, beijos na testa, abraços de quebrar a coluna, comentários desnecessários, risadas escandalosas, brigas, ciúmes… Quero você. Quero que me faça corar ao perceber que tem seus olhos sobre mim, quero que me aqueça contra o frio com seus braços ao meu redor, quero que mexa nos meus cabelos, que implique comigo, que faça birra, que fuja, que volte. Quero que fique. Não só hoje, mas para sempre. Quero amor. Quero você.

Bruna de Fátima

Era a simplicidade que havia nela que me encantava, o amor que ela exalava. Era o modo como ela temperava a comida, o jeito como mexia a panela de brigadeiro, a lambança que fazia comendo pipoca doce. Era ela em um todo. Era paixão. Era mais. Eram aqueles olhinhos me encarando espantados, curiosos. Era o sol quando batia naquela pele clara, e me fazia recear que a machucasse, mas não, apenas a deixava mais linda. Não só aos meus olhos, mas aos de todos. Sorrisos, gracejos. Era um anjo. Um anjo enviado à mim, exclusivamente. Meu anjinho. Era minha poesia, minha poetisa, minha musa e minh'alma. Era meu tudo. Minha. Deliciava-me observar seu andar, sonhava sempre com o vento batendo em suas madeixas, e com como a luz da lua refletia em seu olhar. Eu era o amante. Ela era minha. Era paixão. Era mais.

Bruna de Fátima

Teus olhos percorriam meu quarto, um tanto curiosos, porém muito aflitos, e eu os observava cautelosamente. Pararam em uma fotografia tua, em minha cabeceira, e um sorriso brotou em teus lábios - talvez o mais lindo que já tenha dado, e quem sabe, o mais sincero também. Vi lágrimas começarem a escorrer pelo teu rosto, e vi tuas mãos tentando inutilmente escondê-las. “Garota, o que eu preciso fazer para descobrires que podes confiar em mim?“ perguntei. Outro sorriso. “Eu te amo” respondeu-me e desarmou-me. Nunca ninguém havia dito tais palavras à mim. Outro sorriso. Dessa vez, meu. Senti teus pequenos braços tentando agarrar-me desengonçadamente, e tentei fazer com que tivesse tivessem sucesso. Muito mais desengonçadamente que tu, por sinal. Eu finalmente percebi que havia encontrado o que a muito procurava. Ah, o amor. Ele me pegou de surpresa, te jogou no meu colo, fez dos teus olhos encantadores, e largou-me à deriva. Teus beijos são minha droga, agora quero que explique-me o porque, garota. O porque de chamar-me de anjo, se foi tu quem me salvou. De mim. Do mundo. 

Bruna de Fátima

Sou inconstante, odeio rotinas. Odeio o amor. Nem eu mesma posso confiar em mim, então acredite, nunca desejarei que você faça isso. O momento me agrada, o agora. Não importa onde, como ou com quem. Relacionamentos trazem decepções, que trazem lágrimas, e isso é tudo o que eu não quero. Não quero você. Não quero ele. Não quero ela. Quero à mim. Quero exceder às minhas próprias expectativas, quero ser livre, ser eu; quero viver. Viver de verdade. Viver por mim.

Bruna de Fátima

Seus falsos sorrisos enganam à outros, mas não a mim, menina. Prometi cuidar de ti, lembra? Conheço cada defeito teu, cada qualidade. Aprendi a te amar mesmo diante deles, e não irei te deixar. Nunca. Entenda que, és meu motivo, minha esperança, meu eu… e não posso me abandonar. Não posso largar meu coração em tuas mãos e ir. Fiz uma promessa, e apenas peço que não minta para mim, não mais. Fique.

Bruna de Fátima

Os dedos dele dançavam sobre aquele velho piano, e eu apenas observava, de longe. Talvez porque aquela cena fosse tal como em um sonho que tive um dia, talvez porque meus olhos não pudessem se desviar dele mesmo que quisessem, talvez porque eu ansiava por, de certa forma, um dia ser o seu piano. Um dia ter aquelas mãos dançando sobre meu corpo, aqueles olhos fitando-me com atenção - um dia ser a melodia daquele rapaz. A música então seria nossa concubina, e faríamos da poesia nossa afilhada. Ele sorriria de manhã, à tarde e à noite, e eu sorriria junto. Poderíamos tentar. Talvez eu diga isso à ele outra hora, por enquanto, continuarei apenas observando, de longe.

Bruna de Fátima

Mais enrolada que um novelo de lã, mais desajeita que uma menina curiosa, mais confusa que um comercial de perfume. Não estou tentando ser engraçada, e sim, “dar nome aos burros". Quero redescobrir-me entre as linhas acanhadas dos teus sorrisos, familiarizar-me com tuas risadas desajeitadas, recordar-me da felicidade (…) quero que apresente-me ao amor, menino. Quero tua doce voz sussurrando um bom dia manhoso ao pé do meu ouvido, quero ver tua cara inchada de manhã, teus cabelos bagunçados, e rir de nós e de como somos bobos juntos. Quero tomar sorvete no frio, no calor, de noite, de manhã, quero doces e flores, pipocas e flores, beijos e flores… Quero cores. Colore meu mundo… pinta ele do jeito que quiser, desenhe bordas, borre o meu sol, faça do meu mar chocolate. Ria comigo, menino, e nós poderemos ser o que quisermos. Os heróis, os vilões, os amantes. O mundo será nosso… ria, menino. Para mim e de mim.

Bruna de Fátima

É um deserto sem fim. Todas as noites, olho para o céu e espero as estrelas sorrirem para mim. Sorrirem como milhões e milhões de guizos que balançam apenas para fazerem de mim, feliz. Sorriem como tu sorrias, minha ventania. Com os joelhos no chão, imploro durante o dia para que voltes logo. Sinto falta do conforto de teus braços e do aconchego dos teus ombros. Quero correr, mas não tenho para onde ir; quero te amar, com força, com desejo, com tudo o que ainda há em mim - quero te ter aqui, de novo, me ninando e bagunçando meus cabelos. Teu suor, tua paz, teu cheiro; quero que apazigúe este coração, que segure esta mão - acalma a alma da tua menina, diga palavras doces, volte, ventania. 

Bruna de Fátima

Ela costumava afastar as pessoas de si, preferia sofrer só do que por alguém. Preferia cair e desistir à saber que acreditavam nela e sentir que deveria seguir em frente. Ela gostava daquilo, da dor, da solidão. Ela se encontrava ali. Não deveria satisfações ao mundo se ficasse reclusa em seu próprio mundo. Não queria se entregar, não queria confiar - tinha medo. Do desconhecido. Dela mesma. Medo do que poderia ser capaz de fazer se já não tivesse mais esse tal do medo. Encarava o espelho todas as noites, na esperança de que algo tivesse mudado, mas não, era a mesma menina indefesa com olheiras de noites mal dormidas e fraca demais para continuar. Aquela menina só precisava de um abraço, de palavras de amor ditas aos sussurros no pé de seu ouvido, de alguém que a guia-se, de alguém que se importasse. Aquela menina era eu, e mesmo estando cansada, não faria nada para mudar o que era. Se ninguém podia me confortar, eu teria a minha dor. Se ninguém podia me fazer companhia durante a noite, eu teria as minhas lágrimas. Eu me abraçava e me aquecia e tentava mostrar à mim mesma que também poderia me amar. Talvez eu goste disso, de ser a inútil e pobre coitada para depois, me consolar só e desamparada. Posso viver assim. 

Bruna de Fátima

Dói tanto. Às vezes chega a parecer que é uma luta em vão, que estou só, perdida, e começo a pensar em desistir. As coisas ficam difíceis com o tempo, e é aí que se começa a esquecer. Se começa a esquecer do porque de ter chego até onde chegou. Do porque de ter lutado até o ponto em que lutou. Preciso de algo que se enrosque em meus tornozelos e que me puxe de volta. De volta para as minhas raízes. Para o meu começo. Preciso de algo que segure meu braço com força e diga “continue, menina, continue". Preciso de algo que me lembre do que eu era. De algo que não me deixe mudar. Preciso de algo que traga de volta as minhas crenças, mas apenas elas, e não meus medos e receios. Apenas minhas crenças. Preciso ter de novo a minha fé. Fé no mundo - em mim.

Bruna de Fátima

Não irei mentir, mas sim, a ideia de fugir de tudo e de todos já se passou pela minha cabeça. Cansei de sofrer, e sei que você entende como eu me sinto. Cansei de ser ignorada, abandonada, trocada. Preciso de certezas… preciso saber que, quando eu cair, terá alguém ao meu lado para me levantar. Preciso de um motivo para continuar. Nada disso é culpa minha, e preciso aprender a aceitar esse fato. Aprender a viver apesar de tudo.

Bruna de Fátima

Era sábado, fazia frio, e eu conseguiria tocar a monotonia - se tentasse. Já se passavam das cinco, e o sol começava a sumir, dando espaço à uma tão amarela lua que fez-me sentir espasmos e até medo. Pouco sei sobre maus presságios, talvez nem volte a acreditar em tais baboseiras, mas não hoje. Não neste sábado frio. Não com esse incômodo no peito. Ah, garoto, outra está em teus braços agora… Outros lábios tocam os teus - mas não são os meus - outras mãos acariciam teu rosto - mas não são as minhas - porém ainda tenho uma certeza. Esta lua amarela também brilha para ti, amor. Esta lua amarela também lhe assombra. Compartilhamos um receio, uma crença. Queria que estivesse aqui, ao meu lado, agora, e que me dissesse o que fazer. Não consigo seguir sem você. Era para ser a nossa lua, lembra? E agora estou nessa estrada sozinha… 

Bruna de Fátima

Chove lá fora, mas não mais do que aqui dentro. Está frio hoje, menino, e não tenho teus braços para me aquecer essa noite… Entenda que, eu te amei. Amei cada defeito teu, amei cada riso, cada sorriso, cada olhar. Amo. Desisti de nós por mim, não quero sofrer; não mais. Agora, lágrimas se misturam com a chuva, e resta um vazio em mim que só teu amor pode ocupar. Prometo voltar, se ainda me quiser, prometo voltar. Só preciso encontrar meu lugar nesse mundo, mas dessa vez, sozinha.

Bruna de Fátima

Não acredito no amor, não acredito em borboletas no estômago e nem em mãos suando. Mas acredito em ti, garoto. Acredito nas coisas que me faz sentir, nos arrepios que vêm com teu toque e no frio na barriga que dá quando te vejo. Acredito que eu poderia encarar uma rotina se fosse você quem estivesse acordando ao meu lado de manhã cedo, e me contando histórias para dormir logo à noitinha; se fosse você quem me desse um beijo antes de sair para trabalhar, e outro ao voltar. Eu te apresentaria aos meus avós, e você riria dos comentários deles sobre meus hábitos estranhos enquanto eu coraria. Cantaríamos qualquer música antiga no carro, imitaríamos os solos de guitarra com a boca, e seguiríamos vezenquando calados e fazendo alguns batuques na perna de acordo com o ritmo. Eu riria das suas caretas, e você, do quão desastrada sou. Nossos filhos nos fariam perguntas difíceis, como “de onde vem os bebês?“, e inventaríamos cegonhas e anões e pombos e qualquer coisa absurda que conservasse a pureza deles. Você diria que me ama, eu começaria a acreditar. As borboletas apareceriam e as mãos suariam. Eu começaria a acreditar. Não no amor, mas em algo maior que ele… algo nosso.

Bruna de Fátima

Eu era o bobo apaixonado, e gostava disso. Gostava de quando ela sorria pra mim - hora surpresa, hora envergonhada. Me diga: quem não gosta? Quem não gosta de alguém para dividir uma vasilha de pipoca enquanto assite à um romance? Quem não gosta daquele perfume que fica impregnado em cada mísero detalhe da roupa depois de abraçar e beijar sua garota? Pois bem, eu amava. Amava suas confusões, suas birras, seus dengos. Amava cada defeito e cada detalhe, por menor que fosse. A amava por inteiro. Talvez isso nos tornasse mágicos. Não eram apenas flores, cartas e ursos que eu dava à ela, era uma parte de mim. A melhor parte de mim. Era meu coração que eu entregava nas mãos daquela menina sempre que a via… 
… Era o tal do amor nos pegando de repente. 

Bruna de Fátima