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Eu não posso pedir pra ele voltar, Zé. Não posso simplesmente ir lá e dizer que o quero de novo. Porque sou uma confusão; uma hora eu sinto um desejo descomunal de tê-lo e em outra eu só o quero distante. Eu vivo um dilema constante, Zé, e eu prefiro sofrer sozinha, calada, esperando com o tempo tudo isso passar, do que vê-lo sofrer novamente por minha causa.
—  Tu me entende, Zé?
Conformada, Zé, é assim que me sinto nesse momento. O que sinto continua a mesma coisa, continua da mesma forma, e eu continuo a mesma. Porém agora eu me sinto mais madura, o suficiente para entender que acabou, fim, terminou. Se doeu? Muito! Mas eu percebi que foi melhor assim; entendi que se continuasse forçando a barra eu iria sofrer bem mais. Eu estou bem, quer dizer, eu aprendi a lidar com isso. E por incrível que pareça, foi bem mais rápido do que eu pensei. Foi mais rápido a aceitação de um final de algo que nem tinha começado direito. Agora eu me permitir viver outros ares, conhecer outras pessoas, provar outros sabores, e desse amor o que restou foi uma lembrança; conturbada, talvez, mas uma lembrança da qual eu vou levar comigo e que serviu para meu aprendizado. A vida tem dessas coisas, Zé, e agora eu entendo o que você tanto me falava.
—  Tu me entende, Zé?
Andei pensando muito esses dias sobre as coisas das quais estão acontecendo, Zé, e tá muito bagunçado mesmo. As tempestades resolveram se acalmar mais, mas eu sei que a qualquer momento elas podem vir à tona. Aos poucos estamos nos encaixando; eu ainda tenho medo do final, mas acredito que esteja caminhando para que tudo fique bem e tranquilo. Eu nunca quis rotular o que tínhamos, só queria tê-la perto de mim. E talvez ela também. Mas eu sei que o que acontece dentro de nós é bem complicado de lidar e é preciso paciência e compreensão pra poder seguir. Talvez eu me arrependa de tudo, mas eu sei que será melhor me arrepender de ter tentado do que ter o peso na consciência de não ter lutado.
—  Tu me entende, Zé?