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Capitulo 94

Thais: Ela esta o que? – Perguntou sem acreditar no que tinha ouvido e acho que pela primeira vez depois de tudo que aconteceu eu a vi chorando bom pelo menos na minha frente.

Thiago: Sinto muito, fizemos o possível mais o quadro dela era grave… – Falou baixo e nessa hora eu já não continha minhas lagrimas assim como todos ali e tia Sol veio ao meu encontro me abraçar para tentar me acalmar mesmo que ate ela estivesse chorando.

Tia Sol: Onde minha filha esta nesse exato momento? – Perguntou limpando suas lagrimas.

Thiago: Bom como ela entrou em coma tivemos que leva-la para o CTI porque lá ela é monitorada 24horas por dia e de bem perto.

Clara: Podemos vê-la? – Perguntei num fio de voz.

Thiago: Claro que sim, porem terão que entrar em duplas ou sozinhas, não pode haver tumulto lá dentro. – Falou e nós apenas assentimos.

Tia Sol: O que acha de irmos ir vê-la? – Perguntou fazendo carinho em meus cabelos e eu apenas assenti limpando minhas lagrimas.

Clara: Por mimesta perfeito. – Falei caminhando ate a caminha de Max que ainda dormia tranquilo e depositei um beijo na sua cabecinha. – Meu amor sua mamãe Vanessa esta em outro quarto e a mamãe vai lá com a vovó ver ela tá bom? – Disse baixinho mesmo que ele não estivesse ouvindo e Junior veio ao meu lado.

Junior: Vai tranquila Clarete que estamos ao lado dele. – Falou me abraçando e eu apenas assenti sorrindo.

Thiago: Então vamos? – Perguntou sorrindo franco e abracei de lado tia Sol.

Não me lembro do hospital ser tão grande porque a cada passo que dávamos rumo ao CTI ele ficava cada vez maior se isso fosse possível, cada vez que olhava para Thiago caminhando na nossa frente passava um filme na minha cabeça e me lembrava de tudo que eu e Van passamos juntas, vocês podem achar que é pouco tempo mais não fazem ideia do quanto eu amo essa meninas e pensar nisso olhando pra esse lugar enorme em branco e azul é provavelmente minha pior tortura.

Thiago: Bom é isso, chegamos. – Falou assim que paramos em frente a uma porta branca enorme escrito “CTI Silencio” – Bom vocês serão obrigadas a usarem luvas, jalecos e mascaras, mas não pensem que é nada contagioso ou nada do tipo é mais para a proteção de vocês e dos outros nove pacientes que estão com ela. – Falou calmamente e apenas assentimos. Tia Sol agora já não chorava mais assim como eu e segurou minha mão assim que a porta foi aberta.

Tia Sol: Por favor, fique do meu lado porque não sei se vou conseguir vê-la assim. – Pediu me olhando nos olhos quando já estávamos devidamente prontas para entrar.

Clara: Eu sempre estarei do seu lado tia Sol. – Respondi sincera olhando em seus olhos e ela me abraçou forte.

Tia Sol: Eu sei que sim… – Falou dando um beijo na minha cabeça me dando a mão e fomos andando atrás de Thiago que nos guiava ate o leito de Vanessa. – Filha eu tenho boas noticias… – Falou tranquila assim que paramos em frente à cama de Van e mesmo ela estando em sono profundo, imóvel apenas ligada a oxigênio e em mais um monte de coisas ela continuou falando mesmo sabendo que não seria ouvida. – Não vou precisar mais fazer os exames do coração porque você já os realizou e descobri que de infarto não morro. – Concluiu seu pensamento com tranquilidade e eu soltei uma risadinha fraca.

Clara: Quanto tempo o senhor acha que ela ficara assim? – Perguntei me sentando ao lado de minha amada brincando com seus dedos.

Thiago: Não há como prever, mas ouvir a voz de vocês digamos que com frequência pode colaborar para sua melhora. – Falou anotando algumas coisas em seu prontuário medico. – Vou deixar vocês mais a vontade. – Disse calmo e apenas assentimos.

Clara: Boa tarde meu amor. – Falei dando um beijo em sua mão e eu devo confessar que estava em uma batalha interna para não chorar ao vê-la sem nenhuma reação.

Tia Sol: Se me dão licença preciso ir ali. – Disse se levantando tentando esconder o choro depois de ficarmos um tempo ao lado de Van “conversando” com ela.

Clara: Meu amor você prometeu que voltaria em algumas horas, acho que já deu certo? – Perguntei beijando com carinho sua mão enquanto uma lagrima corria tímida em meu rosto. – Nosso pequeno ainda esta dormindo e parece que deu tudo certo com o transplante, ou pelo menos parte dele né? – Falei dando continuidade no nosso “dialogo” que existia apenas na minha cabeça porque ela continuava da mesma forma. – O que eu vou falar pro nosso pequeno príncipe quando ele acordar e pedir para ver a mama dele? – Perguntei fazendo carinho em seus cabelos e sentia que a mascara em meu rosto estava cada vez mais molhada de lagrimas que desciam silenciosamente sem que eu pudesse impedi-las.

Tia Sol: Ate lá pensaremos em algo… – Falou assim que conseguiu parar de chorar e voltar para perto da gente. – Nosso tempo acabou Clarinha, temos que ir. – Disse me abraçando de lado dando um beijo na testa de Van.

Clara: Mais acabamos de chegar. – Falei fazendo uma carinha triste ao ouvir aquilo.

Tia Sol: Meu amor já estamos aqui há quase vinte minutos e infelizmente não poderemos ficar ao lado dela todo o tempo. – Disse no seu jeito calmo e eu fiquei surpresa com o tempo que estávamos ali ate porque pra mim tinham passados minutos. – Eu ficarei de olho neles. – Falou sorrindo ao olhar em meus olhos e depois para Van como se ela tivesse feito um pedido.

Thiago: Meninas temos que ir. – Falou atrás de nós que apenas assentimos e levantamos, dei um ultimo beijo em minha esposa e saímos dali para voltarmos para o quartinho de Max.

Thais: Como ela esta? – Perguntou quase caindo do sofá assim que nos viu entrando no quarto de Max novamente.

Tia Sol: Dormindo tranquilamente. – Respondeu abaixando a cabeça.

May: Eles falaram em quanto tempo ela pode voltar? – Perguntou igualmente ansiosa e eu apenas neguei.

Clara: Eles não podem prever isso. – Falei triste e fui ate meu pequeno que tentava abrir os olhos com dificuldades. – Oi meu príncipe. – Disse me deitando ao seu lado que assim que me viu me abraçou forte.

Max: Max miss you mama. – Falou num fio de voz e eu o abracei forte.

Clara: Eu também filho, mas a mama esta aqui agora e não vai sair de perto de você. – Falei o enchendo de beijinhos.

Max: Quede mama? – Perguntou olhando em meus olhos e eu respirei fundo para tentar me controlar.

Clara: Max olha pra mamãe. – Pedi e ele me olhou atento. – Sua mama esta dodói e esta bem aqui pertinho da gente porem ela não pode ficar aqui com a gente e esta em outro quarto tá bom?

Max: Que vê mama. – Pediu fazendo biquinho e eu o peguei no colo.

Clara: Assim que o tio Jonas deixar eu te levarei lá tá bom? – Assim que terminei de falar Max abriu um enorme sorriso e me deu um beijo na pontinha do nariz com aquela carinha de menino sapeca.

Como Max estava aparentemente bem e extremamente elétrico o peguei no colo e me juntei com Diego, Junior, May, Thatha e tia Sol que conversavam sobre coisas aleatórias para tentar se distrair e não pensar muito no que estava acontecendo ao nosso redor. Já eram quase oito horas da noite e apenas eu e Junior continuávamos ali com Max porque os demais foram pra casa descansar, pois algo me dizia que passaríamos mais tempo que o desejado nesse hospital, estávamos distraídos quando ouvimos três batidas na porta e assim que ela se abriu vimos o rosto tão conhecido de Jonas.

Jonas: Boa noite. – Falou entrando com aquele sorriso que sempre estava estampado no seu rosto. – Como passamos à tarde? – Perguntou revessando seu olhar sob eu, Junior e Max.

Clara: Passamos a tarde brincando, ele acordou elétrico e perguntando sobre… – Fiz uma pausa e ele pareceu entender sem que eu pudesse falar no nome de Van. – E ele quer vê-la então disse que pediria para você e para tentar distrai-lo resolvemos ficar brincando e conversando.

Jonas: É bom ver que ele esta reagindo bem ao tratamento, geralmente pode dar febres no período de adaptação da nova medula digamos assim e ele não deu isso é bom, mas mesmo assim ele vai ter que permanecer internado durante mais alguns dias, pois o tratamento deve continuar e ate que ele esteja bem mais fortinho não poderá vê-la. – Falou serio e se sentou no chão ao lado de Max. – Já tá fortão garotão? – Perguntou bagunçando os cabelos do meu pequeno que assentiu sorrindo.

Max: Quede mama? – Perguntou olhando para Jonas e ele me olhou.

Jonas: Quando você já tiver bem forte o tio te leva na sua mamãe ok? – Retrucou sorrindo.

Max: Ooh. – Falou chamando a nossa atenção enquanto ele mostrava seu muque.

Jonas: Tá forte em? Mais um pouquinho e vamos ate sua mamãe. – Respondeu sorrindo e meu pequeno assentiu voltando a brincar. – Já sabem né qualquer coisa podem me ligar a qualquer horário.

Clara: Você tem noticias do CTI? – Perguntei antes que ele pudesse sair do quarto.

Jonas: Ela permanece do mesmo jeito, acabei de passar lá. – Respondeu calmo tentando me passar tranquilidade. – Sei que o momento é delicado mais vamos ter paciência ok? – Assenti triste e ele se retirou.

Junior: Clarete tenta ficar bem, precisamos de você. – Falou ao meu lado apontando para Max.

Clara: Eu vou tentar ficar… – Respondi triste e peguei meu celular para olhar algumas fotos nossas para conter um pouco a saudade, afinal não poderia ir com muita frequência no CTI.