mulher gorda

“Cortei meu cabelo (tinha 70 cm!) quando passei na faculdade em 2013. Queria que fosse um símbolo de mudança na minha vida e marco na realização de um sonho. Desde então é um elemento importante de meu empoderamento como mulher gorda, no controle de meu próprio corpo. Venho mudando o corte eventualmente e pretendo deixar crescer daqui pra frente, pra novamente cortá-lo num momento especial!” Mary

A sociedade reclama do bullying , mas não podem ver alguém um pouco acima do peso que se torna motivo de piada, oprimindo aquela pessoa sem ao menos perceber. A sociedade reclama do estupro, mas se uma mulher é estuprada falam que sua roupa era inadequada e dão indícios que ela pediu para que o agressor comete-se tal ato. A sociedade reclama da homofobia, mas não respeitam a diversidade no mundo, não deixam os homossexuais terem espaço. A sociedade reclama sobre a corrupção mas ninguém dá a cara a tapa, ninguém se sente no dever de mudar.
Na minha opinião, ninguém deveria se importar com os padrões dessa sociedade caótica, ninguém deveria se importar com a cor, sexualidade, peso e da forma que uma mulher se veste, somos todos seres humanos temos direitos de fazer nossas próprias escolhas.
E quando eu digo que eu amo outra mulher, que sou gorda e que tenho vontade de mudar essa mesmice que vivemos, não vai ser essa sociedade com padrões medíocres que vai me impedir de amar, de comer e muito menos de mudar!
—  Heglyn J.
12 COISAS QUE NÓS MULHERES EVITAMOS FAZER SÓ POR SERMOS GORDAS

Por Juliana Rocha e Janaina Marques

Ser gorda é muitas vezes viver segregada. É aprender as técnicas da autochacota, antes que alguém tome a atitude de tirar sarro. Ou então, é ignorar isso e se aceitar, tendo sempre uma resposta pronta para cada gordofobia sofrida. A aceitação e o amor-próprio são difíceis. É uma luta diária, muitas vezes é um passo para frente e dois para trás, porque é muita, muita violência. Estranhos param a gorda na rua. Gritam. A família quer saber por que ela ainda não emagreceu, e sabe os quilos que ela ganhou melhor do que ela mesma. Cada encontro é a renovação do “você engordou” ou do “você emagreceu”. Mas veja, o emagrecimento nunca será suficiente. Muita gente diz o quanto o rosto da gorda é bonito, falando isso com uma pena imaginando como ela seria liiiiiiiiiiiiiinda… se fosse magra.

Além de cuidarem da estética da gorda, associam isso com uma possível solidão: “Baranga, desse jeito vai ficar sozinha, não vai arrumar marido”. Como se casar fosse algo primordial e central na vida de alguém. Ninguém nunca pergunta pra gorda se ela está feliz, se casar é seu objetivo. Só querem moldá-la com o objetivo de servir alguém.

Por isso, quando a gente viu esta matéria, logo imaginou todas as outras coisas que deixamos e deixaremos de fazer, ou que fazemos com sacrifício, só por sermos nós mesmas. Só por sermos gordas. Então, como se não bastasse uma lista de coisas que não fazemos só por sermos mulheres, fizemos outra lista. A das coisas que não fazemos por sermos gordas.

1. Ir à praia ou ao clube 

Na praia, temos que mostrar tudo aquilo que mais nos aterroriza e que todos sabem que tem embaixo das nossas roupas. Aliás, roupas escolhidas para esconder nosso corpo estrategicamente. Não tem truque na praia. Os gurus da moda estão sempre dando dicas de como esconder barriga e alongar o corpo. Não tem como fazer isso com um biquini ou maiô. Por isso meses antes do verão começam as matérias em toda mídia sobre emagrecimento. Como não bastassem as gorduras sobrando, ainda temos que nos preocupar com celulite e estria. E o pior, todos os olhares de reprovação. Tudo que falaram o ano inteiro vai estar ali exposto e exibido, e a gente deveria ter vergonha de se exibir. Por isso é melhor deixar a praia para os magros ou para os homens. E aqui deixamos uma pergunta: será que essa galera pensa que vamos tirar a roupa e de repente vai surgir uma Paris Hilton de biquíni? Não é meio óbvio que tirando a roupa continuaremos gordas?

2. Dar um fora ou rejeitar

O carinha dá aquela cantada horrível na rua. Você mostra o dedo e xinga? A gorda, meu bem, terá que agradecer o assédio. Se xingar, será agredida. Vão gritar o quanto ela é gorda, e usar um “baleia” ou coisas do tipo. Na balada se o cara chegar e a gente rejeitar, a mesma coisa. E ele ainda vai dizer que estava bêbado. A gorda tem que aceitar qualquer coisa. Sem contar que, gorda é moeda de aposta. Quem vai pegar a gorda? O “guerreiro”.

3. Usar roupa apertada ou da moda

“Toma vergonha na cara, gordinha, esconde suas banhas. Ninguém é obrigado a ver suas coxas gigantes nessa legging colorida e suas banhas saltando nas roupas apertadas. Contente-se com as batas”. É isso que a gente ouve ao se vestir ou ao comprar roupa. Quando não nos chamam de “provolone amarrado”.

4. Entrar em toda loja do shopping

Todo mundo passeia e entra nas lojas só para dar uma olhada, certo? A gente não. Conhecemos os olhares de reprovação da atendente e até mesmo já ouvimos o “não tem roupa do seu tamanho” ou “só fazemos até numeração tal”. Por isso muitas vezes só entramos em lojas especializadas ou de departamento onde pegamos a roupa que quisermos sem a reprovação ou opinião da atendente. Por que atendente de loja acha que pode saber melhor do que a cliente qual é a roupa que cabe ou que fica melhor no corpo dela?! E com uma de nós já aconteceu o seguinte: ao entrar na loja a atendente perguntou o peso. Não sabíamos que existe roupa “por quilo”.

5. Ir ao médico

Quando a gente tem um problema, sei lá, no couro cabeludo, o médico vai dizer que precisamos emagrecer. Muitas vezes ele vai nos tratar com um desprezo, um ar de “nojinho”. Outras vezes ele vai listar todas as doenças que temos ou teremos por causa do sobrepeso. Ele vai dizer que ia passar um remédio mas não vai mais, porque estamos gordas. Ele vai nos encaminhar para um endocrinologista sem a gente pedir, ou passar emagrecedores e antidepressivos. E no final ele vai deixar bem claro que nada adianta se a gente não emagrecer. O que a gente entende é “só volte aqui ou em outro médico quando você emagrecer.”

6. Ir à academia de ginástica

A gente não sabe mais se não vai à academia porque não gosta ou se é por medo de ser hostilizada. Academia não é um lugar para qualquer um fazer exercícios regularmente. É um lugar pra ficar magro ou forte (ou os dois) e sem celulite, onde todos já são magros e fortes e sem celulite! Nós não somos assim! Os próprios instrutores fazem chacota do corpo gordo durante a aula: “Vamos queimar essa banha!”, “Dá tchau pra ‘baranga’”, etc.

7. Comer na rua

Por que todo mundo acha que pode meter o bedelho até no que a gente come? Todo mundo, até mesmo estranhos. Olhares de reprovação quando comemos em publico rolam livres. E eles querem dizer “por isso que você é gorda” ou “você deveria se envergonhar de comer porcaria”. Se você é magro claro que ninguém se importa com a porcaria que você come. Pena que não dá pra ver gordura visceral na rua, caso contrário sairíamos condenando um monte de magro fitness saudável que enche o “rabo” de gordura. Afinal, “estamos apenas preocupada com a sua saúde”.

8. Ir a um churrasco/festa na piscina

Pelos mesmos motivos que não vamos à praia. Maiô e biquini. Quando vamos ficamos vestidas pelo menos com uma saída de praia. Aí as pessoas questionam por que não entramos na piscina. Mas essas pessoas sabem por quê. Elas estão apenas sendo sádicas.

9. Transar de luz acesa

Por motivos óbvios, queremos esconder o corpo. Nosso corpo não é desejável. A gente realmente não entende o porquê daquele pau duro ali, só pode ser porque a luz está apagada. Como já disse Ana Paula Barbi (Polli), ninguém fica de pau duro de maneirice, de caridade. Se não dá tesão o pau não sobe, simples assim. Sentir desejo por uma mulher gorda é tão absurdo que os caras praticam o auto-engano de “eu fiz caridade”.

10. almoço/confraternização

Se ficarmos um tempo sem ver a família, ou amigos e de repente fazem algum encontro, relutamos a ir. Porque não importa se a gente mudou de emprego, fez mestrado, se a outra teve filho, o outro se separou e mais não sei quem mudou de país. Vamos ter que explicar esses quilos a mais e o assunto e olhares de reprovação vão ser para nosso corpo, mesmo que alguém tenha sido preso e esteja lá na condicional!

11. Sair sem se arrumar

Todo mundo às vezes tem preguiça de se arrumar para sair. Aí vai na padaria, no mercado, na faculdade ou apenas dar uma volta de qualquer jeito, com o cabelo desgrenhado, sem maquiagem, com qualquer roupa. Mas a gente já é relaxada o suficiente por ser gorda, então não tem esse direito, ok? Então se arrume, ponha maquiagem, uma boa roupinha e deixe de relaxo.

12. Sair confortavelmente

Seja um pacote de café tipo exportação (embalado à vácuo). Não importa se está te machucando, se está quente, se está coçando, se está te faltando o ar: use a cinta elástica. A cinta elástica numa pessoa gorda não vai deixá-la magra, é apenas um alívio psicológico e visual para quem julga. “Pelo menos ela tá se esforçando para ser vaidosa”, “agora não somos obrigados a ver aquela banha mole caindo pra fora da roupa, tá tudo empaçocado dentro da cinta”. Ou a reação é contrária, né? Porque o importante é hostilizar: “Do que adianta essa cinta elástica? Continua baranga!”.

Por fim, não adianta quantas dietas da sopa de repolho, da proteína, do ovo, da lua, da água, da luz você fizer, a função das pessoas é de julgar: que você não emagreceu porque é incapaz, que você saiu da dieta porque é fraca, que você se odeia porque “não se cuida”, que “quero ver um homem querer casar com isso”. Nada melhor que acompanhar sem perder nenhum capítulo a vida do gordo, né? 

Do segundo sexo.

A segunda cena mais bonita relacionada a gêneros que já presenciei foi aos dezoito anos, numa classe de Sociologia Geral. Quando o Prof. Amaro Braga disse a um calouro que se ele continuasse a repetir que há “diferenças biológicas entre homens e mulheres que impedem um gênero ou outro de exercer certas profissões” ele não precisaria retornar às aulas, pois estaria automaticamente reprovado.

A primeira foi quando, estando ocupada, meu irmão mais velho pediu que eu fizesse o jantar e meu irmão mais novo, de sete anos, perguntou “por quê? Porque ela é mulher? Ou você não tem mão? É porque não sabe cozinhar? Devia aprender. Comer é uma ‘necessidade básica’”. E eu vi que ele era capaz de surpreender com muito mais do que novos vocábulos bem-colocados.

Me deixa curiosa quando dizem “pra que um 8 de Março? Pra que um dia das mulheres? Por acaso tem dia dos homens?”. Como a clássica “pra que um dia da consciência negra? Por acaso tem dia da consciência branca?”. Uma dessas ocasiões em que você precisa respirar muito fundo e dizer com a paciência de quem explica a uma criança por que não se deve atravessar a rua sem olhar para os dois lados: “opressão, militância, mortes, minorias, machismo? Algum dia, você ouviu falar?”.

Eu ainda estava na terceira ou quarta série do ensino fundamental quando tive de fazer um seminário sobre as mulheres da fábrica de 1857, e recuso a crer que alguém que haja passado por uma escola também não o tenha feito em algum momento. Recuso crer até mesmo que alguém que tenha ouvidos não tenha escutado de algum conhecido sobre tal coletivo homicídio e suas causas. Que qualquer pessoa, estando numa universidade, independente da área, não tenha trombado no fato histórico ou em algum texto de Simone de Beauvoir. Que, tendo acesso a internet, ainda não tenha se deparado com uma página feminista.

Igualmente recorrente ao “pra que um 8 de Março?” é o famoso “não sou feminista nem machista, é tudo tolice”. Dos muito espertos que não sabem o que são antônimos, misoginia ou misandria, muito menos femismo (oh, yeah, sem o “in” depois daquele m). Dos muito espertos que acreditam de olhos bem fechadinhos que feministas odeiam homens, ou que “essas mulheres ficam querendo provar que valem tanto quanto nós e tentam roubar nossos cargos e salários” - porque uma mulher não pode querer um melhor salário ou um cargo por si, ela quer porque, batendo o pé nº 35 no chão, aquele é um “cargo de homem”. É claro.

É muito atrevimento prum segundo sexo só.

De ver homens se sentirem “oprimidos” porque mulheres “resolveram” achar que cantadas são algo ofensivo. Porque verdadeira opressão não é ouvir aos dezesseis anos, de um total desconhecido, que esses tais dezesseis anos foram “muito bem vividos”.

De aturar, todos os dias, repetirem, como quem segura um relógio e balança numa tentativa de efeito hipnótico, que não há machismo.

Não há machismo, não.

Quando garotas de oito anos preferem o suicídio ao casamento obrigatório, no Oriente Médio, e uma mulher sofre estupro coletivo da comunidade em que vive porque engravidou de um estuprador. Quando é preciso ouvir dos jornais nacionais sobre o suposto, sempre suposto, estupro daquela garota que saiu do baile funk. Que, afinal, sempre alguém sussurra, “baile funk não é lugar de mulher direita”. Que ainda é preciso ouvir que há tipos de mulher: mulher de respeito, mulher pra casar, mulher pra curtir, mulher pra pegar, mulher pra só olhar e zoar porque, afinal, “mulher gorda é sempre engraçada”.

“Aquela saia? Muito curta. Muito longa. Ela não tem corpo pra isso. Ela tem corpo demais. Tá pedindo pra nenhum homem a olhar. Tá pedindo pra ser comida.”

A frase mais desprezível que ouvi nos últimos dias é de uma senhora não Diante, mas sentada no Trono e dizendo “a filha daquele irmão passou em primeiro lugar em Medicina no vestibular, mas não sabe pregar um botão!”. Sem levar em conta a sabedoria concorrente que ouvi, hoje, 7 de Março, de um policial: “uma chave que abre muitas fechaduras é uma chave-mestra, uma fechadura que abre pra todas as chaves não tem nada de especial”. Ele havia dito, antes, que as mesmas mulheres que pegaram dez homens no carnaval, agora vão correr atrás de namorado e postar frases de amor em rede social. “Quer pagar de puta? Pague, mas aceite que nenhum homem irá te valorizar. Quer ser santa? Seja santa realmente e terá vários homens atrás de você.”

É impossível que apenas eu, lendo aquilo, tenha sentido vontade de vomitar.

O que eu cresci ouvindo de vários lados é que “homem não gosta de mulher rodada ou muito atrevida”. O que eu peço, crescida, é “senhor, piedade pra essa gente careta e covarde”.

Eu tenho um sinal de nascença acima da pálpebra esquerda. Minha avó tem um sinal de sangue no olho esquerdo que, palavras dela, foi “herança do seu avô”.

Claudia

PS: Lugar de mulher não é no tanque. De lavar roupa ou de guerra. Lugar de mulher é onde ela quiser estar. Eu escolhi um laboratório químico acadêmico. Ingrid escolheu desenhar e costurar, lá no Paraná.

Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente? Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer. A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam para nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê. Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu! Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por 1 rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério? Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça!

A morte é uma piada

Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente? Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer. A troco? Você passou mais de dez anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um chiste. Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz. Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.

                                       (Martha Medeiros)

Eu estou ouvindo muitos boatos por aí, com a galera incomodada demais. Só por causa da minha aparência, por eu dizer que eu sou  diva, que eu sou maravilhosa, que eu sou linda, que eu sou isso e etc… Mas, é verdade, eu sou linda, eu me amo, eu me acho linda. Eu tenho que me achar, eu tenho que me achar linda. Eu não consigo olhar no espelho e não ver outra coisa, então, eu sou maluca ou sou louca. Eu me olho no espelho e vejo uma mulher maravilhosa, uma gorda linda, gostosa, diva porque é o que eu sou, entendeu? Não é porque eu sou gorda que eu tenho que ficar no canto chorando, me lamentando naquele mundo de sofrimento, entendeu? Eu sou uma gorda que se ama, que se valoriza. Que gosta de se maquiar, que gosta de sair com suas amigas, se divertindo, eu sou essa,  essa aqui. Eu não posso fazer nada se você esta aí, cheia de perturbações na sua cabeça, com a minha divindade, entendeu? Eu sou diva, eu sou maravilhosa. Sabe o que acontece? Quando eu acordo, eu me olho no espelho e penso assim: “É incrível como o tempo só me valoriza”.  Eu sou linda, eu sou maravilhosa, olha o meu rosto, eu não posso fazer nada se as pessoas estão incomodadas. Infelizmente a sociedade é preconceituosa, as pessoas continuam preconceituosas, né? Pessoas, familiares. Eu sofro preconceito da minha família, por eu sempre ser gorda, desde pequenininha eu sempre fui gorda, baleia como o povo diz. Mas, eu me amo, acima de tudo. Eu me amo, entendeu? Aqui dentro tem uma mulher maravilhosa que se ama independente de qualquer coisa. Se eu fosse careca eu seria linda, se eu fosse cadeirante eu seria linda, se eu fosse cega eu também seria linda. Porque eu me amo, o meu amor esta dentro de mim, dentro do meu peito, não está aí em você, não está em ninguém, esta dentro de mim, eu me amo, eu me aceito.
—  Referenciador.
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