muito tempo que não escrevo

Porque falo sem medo algum: Só permanece infeliz quem quer. O ontem não me deixou mais solitária, nem tampouco desapegada e egoísta, porque amar não significa retribuição por um bom feito, não receberemos de volta o mesmo olhar que damos embora todos os dias. Não saberemos se fomos o amor passageiro de alguém que passou por nós numa mesma rua, e que ao dobrarem a esquina, morreremos sem descobrirmos se já imaginaram um futuro repleto de felicidade ao nosso lado. Quem realmente ama não precisa dizer para todos, não precisa gritar. O amor está em um suspiro, em uma vontade de prestar atenção em algo e não conseguir. O amor está presente em um gesto de bondade, porque amar é realmente ser solidário e dividir com uma pessoa toda a sua vida, e aceitar correr riscos de que tudo o que tem à oferecer não seja o suficiente. Que na procura pela felicidade, tropece. Que no tropeço, sangre. Arda. Espertos são todos os que sorriem ao dizer eu te amo, mesmo que não haja uma retribuição similar a de um gravador ou até mesmo a de um corredor vazio onde você grita e ele ecoa infinitas vezes. Amar é nobre. Permanecer infeliz é para quem realmente acha que conhece o que ainda desconhece. Porque amo o som ecoando nos corredores quando grito até minhas cordas vocais não aguentarem mais. Porque distribuo amor sem pretensão de uma reciprocidade onde só acontece em filmes. Porque vivo numa realidade diferente, e não tenho tempo para berrar o quanto estou infeliz. Porque dentro de mim há amor suficiente para todos, e principalmente para me amar. A infelicidade só domina quem se desama.
—  Os porquês de Amélia Roswell.