muito bom esse filme

Eu não sinto falta dele mais. Olha que mentira mais mal contada. Nem argumentos eu tenho. Porque na verdade, eu estaria pulando de alegrias se ele estivesse aqui. Ou talvez não, mas com certeza eu não teria uma coisa faltando, mesmo que eu esquecesse que ele existe por alguns minutos, ou que eu não ligasse e chamasse pra sair, ou que atrasasse pelo menos umas cinco horas, ele estaria me esperando. Porque ele era um amigo melhor que eu. E ele não reclamaria não, sabe? Ele iria rir das minhas desculpas e sairíamos rindo de tudo. Que nem dois bêbados que morrem de medo de beber de verdade. Dois covardes que morriam de medo de andar pelas ruas de madrugada e que quase se espremiam na calçada oposta à do lado que alguém passasse. Ele era um amigo pra mim, melhor do que eu era um amigo para ele. Ele sorria de algumas coisas e estava sempre presente, ignorava algumas coisas que eu não conseguiria e escolhia sempre as palavras. E eu era totalmente diferente. A melancolia veio depois que ele foi embora. E ao contrário dele, ela não é divertida. Ela não me chama para sair, ela não me deixa ver graça na vida, ela não me conta de programas de TV ou me diz o quanto eu deveria ver tal filme. Ela consegue ser uma amiga pior que eu fui, ela vira as costas quando eu quero desabafar e nem existe quando eu preciso. E ele não, eu já disse o quanto ele era especial? Ele era quase como o sol no meio de uma tempestade. Não aquele raio de luz fraca, mas realmente o sol. Completo. Não tinha como ficar triste, realmente, não havia espaço. Tristeza era não poder sair porque estava chovendo. E mesmo assim, ele vinha na chuva. Eu nunca fui quando ele chamou se estava chovendo, na verdade, eu nunca ia mesmo quando tinha sol. Ia quando precisava, quando não tinha nada melhor. Ele era a opção extra pra mim, se não tinha nada melhor, era meu melhor amigo. Se tivesse, era alguém que esperaria o dia todo sem reclamar. Ou reclamava, mas reclamava rindo. Eu não encontro ninguém que reclama rindo mais. Eu não tenho amigos para deixar no meu quarto enquanto eu saio, ou que entram na minha casa como se fosse dele. Ele não era tão importante pra mim antes, era sempre a opção de quando “não tinha nada pra fazer”, e eu a principal dele. E ele foi embora. Um pouco de distância fazia bem, meus pensamentos egoístas me faziam acenar e deixar ele ir. Aos poucos, ele já não ligava mais. Aos poucos, ele não aparecia mais, eu não o via. Uma vez por semana. Depois, uma no mês. Agora, uma vez por ano, e ele está acompanhado. Novos amigos, pessoas boas. Ou talvez pessoas piores que eu, mas que deem mais atenção do que eu dei. Que sejam mais amigos que eu fui. Ele não me parece triste, ele sempre sorria, agora não é diferente. Na verdade, é diferente sim, antes sorria do meu lado, comigo. Agora sorri aí, pra outra pessoa. Sai por aí com outras pessoas. E eu, acho que é só pra “oi e tchau”, às vezes um “quanto tempo” pra mim, uma eternidade. Mas pra ele deve ter passado rápido. Porque ele continua ele, só um pouco mais distante. Só bem melhor sem mim, muito mais do que eu algum dia achei que estaria. Ele deixou pra trás algo mais ou menos e conseguiu um amigo que é exatamente o que ele era. Talvez, o trate como primeira opção também. É o que eu espero. Ele era uma pessoa boa, agora é uma pessoa melhor. Nunca tive inveja dele, talvez porque ele sempre fizesse eu me sentir importante na vida dele. Agora, alguém do passado. Alguém que você dobrou a esquina da vida sem, o carro passou em cima e você não teve noticias. Só isso. Só um amigo de infância que ficou na infância. E que nunca arrumou outra pessoa que fosse capaz de dar um décimo da atenção que você dava. Que ficou meio triste e sem ninguém. Sem graça demais pra arrumar amigos tão bons. Ou talvez, não haja tantos dispostos a serem meus colegas, tampouco amigos. Menos ainda melhores amigos. Acho que conto os que tenho agora em metade de uma mão, e ainda estou exagerando. Comecei a ser aquele que não faz diferença. Aquele que sempre é o extra. Se não tiver ninguém, leva eu. Se tiver, me esquece por aqui mesmo. Na verdade eu tenho muitas coisas pra fazer, eu não preciso tanto assim sair por aí. Olha, eu tenho um filme para assistir. Sozinho, no quarto escuro. E olha, que filme engraçado! Olha, eu tô gargalhando! Olha como eu tô feliz! Esse filme é muito bom! Acho que vou assistir de novo, não tenho nada pra fazer mesmo… Por que eu tô chorando?! É de tanto rir, esse filme é muito bom. Com quem eu tô conversando? Sozinho, por quê? Quer ver esse filme comigo? Ninguém quis ver esse filme comigo. Ele veria. Ele riria, mesmo do que não achasse graça. Ele seria amigo, mesmo eu não sendo nada. Ele me trataria como a melhor pessoa do mundo, mesmo que eu nunca fizesse nada para merecer. Ele me perdoaria se eu pedisse perdão, antes. Hoje não. Hoje ele é diferente, continua a mesma pessoa, mas diferente. Quem mudou de mundo foi eu. Quem abriu os olhos tarde demais foi eu. Quem perdeu alguém importante, foi eu. O culpado também foi eu. Ele me perdoaria, eu não. E talvez, se eu pudesse, eu consertaria tudo. Se eu fosse uma pessoa melhor, talvez ele iria embora mesmo assim, mas não encontraria alguém melhor. Tem ideia do que é isso? Saber que existe alguém melhor no seu lugar? É como ver alguém entrando no seu quarto, pegando sua coisa preferida e levando embora. Mas ele não era uma coisa. Mas era meu favorito, meu amigo! Meu melhor amigo! Eu só queria ter percebido isso naquele tempo…
—  A culpa é mesmo das estrelas? 
8
O mundo vai quebrar o seu coração de 10 formas diferentes até o Domingo. Isso é garantido. Não dá para explicar isso. Ou as loucuras dentro de mim e de todo mundo. Mas adivinhe? Domingo é o meu dia preferido de novo. Eu penso no que todos fizeram comigo, e eu me sinto um cara muito sortudo.
—  O lado bom da vida