mosqueteiros

Limitações humanas e a saudade

Hoje é saudade o que ontem era tristeza. Lembro dos adversos amigos do Ensino Médio. Dois, apenas. Nossos gostos tão distantes quanto nossas crenças, sendo o que nos unia era o nosso respeito um pelo outro. O auge de nossas rebeldias estava em comer bolacha de marca estranha no cantinho dos fumantes, junto aos excluídos sociais. Nosso passatempo era filosofar sobre a vida, sendo divagações de opiniões entre uma recém-ateia, uma cética e uma testemunha de jeová . De lá, além do cheiro desagradável de cigarros baratos, era possível ficar a par das relações proibidas pela sociedade, traições e brigas de casais.

Nesses dias, o céu parecia sempre cinza, a vida também. Seguíamos parados, observando quem sabe viver, por medo do que poderia acontecer caso saíssemos da caverna. Um pouco depois, bem pouco, eu descobri que ficar alheio a tudo é ainda mais estranho que fumar cigarro, só é mais normal que ser gay, ao que tudo indica.

De fato, hoje, toda aquela exclusão me causa dor, tentar viver a vida é bizarro! Como se faz novos amigos tão bons quantos os antigos? É possível? Meus antigos mosqueteiros morando em cidades diferentes, construindo planos com outras pessoas, com nossa comunicação limitada à caixa de correio eletrônico, pois Mark Zuckerberg que nos perdoe, mas não é o trio inteiro que tem perfil na sua rede social. O que me restou foi o desejo de formar novos laços tão bom quanto os antigos. Qualquer emoção que alivie a solidão de sermos assim: tão humanos e limitados ao nada. 

Para mim é triste conviver com o fato que somos mortais, talvez um eterno mal-estar?  Entretanto, dessa vez, prometo ser mais feliz nesse momento melancólico, porque eu sei que logo vou sentir saudade dessa solidão, quando estiver acompanhada de pessoas tão interessantes quanto meus antigos e eternos mosqueteiros.