morrendo de raiva

Quem nunca, né? Cometeu um erro. Daqueles erros gigantescos. Mas aquele erro bom, que tem um sorriso bonito, aquele erro dos braços fortes e confortáveis, que tem a boca boa, o beijo bom. Esse erro ai mesmo, que você pensou. Que olha e te despe a alma. O erro que te manda mensagem de bom dia, boa tarde ou boa noite. As vezes nem mensagem manda, e faz você ficar morrendo de raiva. Quem nunca, né? Errou ontem, hoje, quer errar amanhã. Você bate o pé com sua amiga: “nunca mais vou errar” e ela apenas sorri, fingindo acreditar. Porque sabe que: basta o erro sorrir de mansinho, você despista, e pensa “só mais um errinho, esse eu domino”, mesmo sabendo que não domina nada. E gosta, porque esse erro te faz bem. Já está sofrendo por antecedência, porque sabe que vai terminar deitada no quarto da sua amiga, chorando e dizendo: “Foi meu maior erro, Ariane. Eu não devia”. Mas por enquanto, está te fazendo bem, né? Então, você quer tentar. E mergulha fundo. E sabe que no final a cabeça vai doer. O coração vai doer. O arrependimento vai bater. E você vai dizer: “Meu Deus, porque errei?”. Mas hoje não é esse dia, hoje você quer curtir seu erro. Amanhã você pensa nisso. Já se passaram 6 meses errando. Vou continuar tentando.
—  Anelise Cristine.

04:04 da madrugada e estou aqui tentando me controlar pra não te ligar, quero você aqui comigo. Estou desde as 2:30 em pé olhando o meu avô no banheiro, e queria você aqui, queria poder deitá-lo e em seguida ir pra cama e te ver lá, dormindo feito um anjo, queria poder abraçá-la de conchinha, beijar seus ombros, sentir o cheiro do seu cabelo todo bagunçado no meu rosto, poder deslizar meus dedos suavemente pelos seus braços e toda a lateral do seu corpo e logo abraçá-la mais forte. Você me acalma tanto, única pessoa que consegue me acalmar, tão facilmente. Posso estar morrendo de raiva, socando e quebrando tudo, que ao ouvir a sua voz, esse seu sorriso, tudo fica bem. Você consegue me tirar o sorriso mais bobo e longo enquanto soluço de tanto chorar. A minha vontade é de te ligar, ouvir a sua voz me xingando por ter te acordado. Eu babaria por longos minutos, ouvir sua voz de sono, tentando ser brava, e ao mesmo tempo sendo doce, oh eu quero ouvir… Mas tenho dó em acordá-la, que vou ficar apenas na vontade. E sei que quando chegar na porta do quarto, vou te ver deitada no canto da minha cama, pois sou louca, lembra? Eu te vejo sempre, em todos os lugares, os mais improváveis, você está lá, a mais bela, com o sorriso mais apaixonante, a minha princesa. E eu vou sorrir, feito uma boba, as pessoas ao redor não vão entender nada, mas quem liga pra elas? 
Amor, eu quero você aqui, estou manhosa, e só você cura isso, quero o seu abraço, o seu beijo, seus carinhos… Mô, vem cá? 
Eu te amo, minha princesa adormecida.

Ps: São 5:11 da madrugada, acabei de deitar e você estava dormindo feito um anjo no cantinho da minha cama.

(Continuação)

Ele ficou quieto e pareceu desconfortável por eu estar o avaliando.

- Parece que eu fui o único a não ser avisado. - Falou de forma irônica mas aquilo não soava como uma crítica. - Você vai voltar para casa? - Harry agora parecia um garotinho que estava indo pela primeira vez na escola e não queria largar da mãe.

Fechei meus olhos tentando conter minha imensa vontade de gritar com ele por pensar que as coisas seriam tão fáceis assim.

- Não. - Respondi de forma curta o vendo concordar com a cabeça. - Eu vim aqui para nós nos acertamos, por um ponto final ou continuar com uma vírgula. - Foi a única maneira que consegui expressar o que eu estava sentindo e relação a nós dois.

Mais uma vez ele concordou com a cabeça.

- Eu acho que eu deviria começar lhe pedindo perdão. - Ele falou devagar como que se ele assumisse o erro fosse difícil. - Primeiro, por permitir que você fosse embora quando na verdade eu deveria lutar por nós dois. - Engoli seco e mais uma vez senti meus olhos arderem, mas eu não iria chorar, não na frente dele. - Eu me sinto um lixo toda vez que me lembro que simplesmente virei as costas e deixei você sozinha naquela maldita sala.

Se você tivesse insistido mais um pouco, talvez eu ficaria…

- Segundo… - Suspirou fortemente. - …por fazer você passar por coisas que não deveria, eu sei o quanto você tinha vontade de ter filhos comigo e admito que fui um moleque ao engravidar uma completa desconhecida. - Um nó enorme se formou em minha garganta.

Não era fácil para mim tocar naquele assunto, talvez nem para ele, mas saber que até mesmo uma desconhecida poderia dar a ele algo que eu não podia fazia com que eu ne sentisse a pior mulher do mundo.

- E eu gostaria de deixar bem claro a você que não tenho mais nenhum tipo de laço com ela. - Falou soando um pouco desesperado para que eu acreditasse.

- Eu sei. - Falei baixinho e seus olhos se arregalaram. - Sua mãe foi em casa. - Expliquei o vendo balançar a cabeça. - Sabe Harry, quando eu pedi para darmos um tempo eu sinceramente achei não iria duarar mais de duas semanas…- Começei sentido uma dor na garganta por tentar não chorar. - …mas é que naquele momento eu realmente achei que era o melhor para nós, você sabe, nós estávamos sempre brigando e isso acabava com a gente. - Entrelaçei minhas mãos. - Os primeiros dias sem você foram horríveis, eu acordava sozinha, tomava o café da manhã sozinha e isso parecia uma tortura. Eu pensei várias e várias vezes em voltar para casa, mas eu sabia que se isso acontecesse nós provavelmente faríamos amor mas no outro dia já estaríamos quebrando a casa. - Sorri triste vendo ele prestar atenção em mim. - Eu procurei me isolar de tudo que lembrava você, bloqueei seu número, não respondia mais as mensagens de ninguém porque eu não queria que ninguém influenciasse minha decisão de voltar mais cedo para casa. Eu refleti sobre tudo, desde os votos de casamento até a primeira briga que tivemos, eu vi que realmente te amava, sobre qualquer hipótese, eu analisei a última briga que tivemos e vi o quão boba fui por deixar aquilo nos afetar já que passamos por coisas piores, e aquilo provavelmente era apenas uma crise. E então, eu pensei em voltar, pensei em voltar porque eu imaginava como que você estava se sentindo, eu estava preocupada pois não sabia se você estava conseguindo comer direito, se você estava conseguindo deixar a cozinha em ordem ou até mesmo se estava dando o nó na gravata da meneira certa. - Seus lábios se contorcetam em um sorriso. Não ainda Styles. - Então, depois de um longo período fora de casa, eu acordei feliz pela primeira vez, naquele dia eu estava decidida, eu iria voltar. Eu acordei cedo, comi um café da manhã digno o que eu não fazia a tempos e me arrumei para ir trabalhar. - Sorri ao lembrar do quão empolgada eu estava. - Dei bom dia de forma simpática a todos os funcionários e entrei na minha sala querendo acabar o serviço da forma mais rápida possível. Mas, naquela quarta-feira, aquela maldita quarta-feira, eu resolvi abrir meu email, você sabe que eu nunca abro emails as quartas. - Disse vendo ele concordar e o sentimento de dor no peito me veio novamente. - Eu vi que alguém havia me enviado um anexo e resolvi abrir… - Fechei meus olhos tentando conter ao máximo minhas lágrimas, mas já não era possível, elas já escorriam de forma lenta pelo meu rosto. - …eu me arrependo todos os dias por ter aberto aquela merda de link. - Rosnei. - …era uma notícia onde informava eu e o mundo que você seria pai. - Ao encarar Harry vi que seus olhos estavam marejados e sua respiração descompensada.

Eu não consegui continuar pois meu choro era mais forte, aquilo doía mais que qualquer coisa eu me sentia tão inútil.

- Eu juro que não queria lhe machucar… - Ele falou aproximando a cadeira da minha e ameaçou tocar em meu rosto mas recuei. - …S/n, eu juro que não tem um dia se quer que eu não me arrependa.

- E-eu me sinto tão burra por ter me preocupado com você. - Admiti já soluçando. - Eu pensei que você estaria em casa, talvez pensando em mim, em nós dois, mas você estava me quebrando em milhões de pedacinhos fazendo um filho em outra… - Novamente suas mãos vieram até mim e dessa vez não desviei.

- Por Deus S/n, me perdoa! - Ele falou encarando meus olhos enquanto também chorava. - Eu estava tão puto por você ter me deixado eu achei que me embebedar seria a melhor solução, para mim aquela garota não significou nada eu nem se quer lembrava o nome dela no outro dia…

- Você parou para se ouvir Harry? - Esbravejei ainda com lágrimas me soltando dele. - Você a engravidou, ela pode não significar nada para você, mas para mim sim! Você se quer tem noção de como eu me senti ridícula? Uma desconhecida pode te dar em uma noite o que eu não pude durante sete anos, por mais que ela não tenha chego a ter o bebê nada muda o fato de que ela engravidou e eu nunca Harry, nunca vou conseguir isso! - Praticamente gritei.

Eu já não sabia se sentia raiva de Harry ou de mim mesma por ser tão patética, a única coisa que eu queria no momento era poder chorar no colo de alguém enquanto deixava toda a amargura ir embora junto com as lágrimas. Eu me sentia tão boba quanto uma criança de cinco anos.

Os fortes braços de Harry me rodearam e sua mão apoiou minha cabeça em seu peito. Minhas mãos agarraram a camisa branca enquanto minhas lágrimas a molhavam. Não sei quanto tempo fiquei ali descarregando todo minha tristeza em forma de lágrimas enquanto o homem que até então eu estava morrendo de raiva se pronunciou.

- Pra mim você sempre foi uma mulher incrível… - Começou falando baixinho. - …você sempre lutou para conseguir o que tem hoje, você nunca precisou ou quis meu dinheiro mesmo depois de casados. Você é a mulher mais inteligente que já conheci, você administra uma empresa enorme, da reuniões para milhares de homens engravatados que nunca chegariam ao seu nível, mas erra a se achar un lixo por não poder ter filhos. - O encarei com a sobrancelha arqueada. - Eu sei que não mereço seu perdão e não estou falando essas coisas para tê-lo, mas eu quero que você enxergue que é muito mais do que pensa. O fato de você não poder engravidar não faz a minha admiração por você diminuir nem faz com que eu te ame menos, pelo contrário. - Ele suspirou. - Durante todo esse tempo que você ficou longe de mim eu só imaginava o quão bem você poderia estar sem eu, você sempre foi tão competente e isso sempre me intimidou e eu estava frustrado, pois eu sabia que provavelmente você não iria voltar. Eu cometi uma burrada, deixando você ir embora, mais uma me envolvendo com uma desconhecida e vou cometer outra se deixar você ir novamente. - Seu polegar acariciou de forma leve minha bochecha fazendo eu perceber o quão necessitada estava de seu toque. - Nenhuma borracha no universo vai apagar as coisas que eu fiz, mas eu não quero que isso atrapalhe meu furturo ao seu lado, eu sei que errei feio, muito aliás, mas estou disposto a fazer o que for necessário para te ter de volta. - Os olhos verdes me encaravam de uma forma tão intensa que eu poderia dizer que ele estava vendo dentro de mim.

Eu o amava tanto, mas ainda estava machucada com tudo.

- Você não precisa voltar para casa, nós podemos recomeçar com calma eu prometo que não irei lhe pressionar e vou fazer o possível para fazer você a mulher mais feliz novamente. - Eu queria tanto acreditar em suas palavras mas estava com tanto medo. - Eu juro para você que vou dar o meu melhor porque eu vi o quão ruim é ficar sem você!

Meus lábios foram mordidos por meus próprios dentes. Eu o amava tanto, tanto, e se aquilo tudo na verdade foi só uma aprendizagem para nós? Para amadurecermos mais como casal?

Eu realmente não sei, mas sinto tanto sua falta. E…

- Nós podemos adotar uma criança? -Perguntei baixo vendo ele ficar surpreso.

Nós queremos recomeçar devagar, mas eu ainda quero ter uma família ao seu lado.

- Uma criança? - Perguntou ainda chocado.

Ok, talvez fosse muita coisa de uma vez só, a pouco tempo eu estava o odiando e agora já queria adotar um filho com ele.

- É só uma ideia. - Falei revirando os olhos.

Ele me encarou por um tempo e logo sorriu.

- Eu adoraria ter uma família ao seu lado S/n. - Sorri com sua resposta. - E então, vamos tentar um recomeço? - Questionou com expectativa.

- Sim, vamos tentar um recomeço. - Respondi sorrindo assim como ele.

Seu olhar desceu para minha boca e ele sorriu de forma singela.

- Eu posso te beijar? - Perguntou baixinho me fazendo rir.

Acenei com a cabeça dando permissão para que seus lábios se encotrassem com os meus e um beijo repleto de saudades. Fazia tanto tempo que eu não o beijava que parecia que era a primeira vez.

- Por Deus, eu estava com tanta saudade de você! - Sussurrou entrecortando o beijo.

- E eu de vocês juntos. - A voz mais que conhecida falou nos fazendo sorrir.

A saudade bate e as lembranças vem á tona. Das conversas e brincadeiras, brigas por conta do ciúmes, do seu jeito carinhoso e da sua voz, do seu abraço e do seu beijo. Tive todos os motivos para te odiar e ir embora, mas olhe onde estou agora? Tô aqui ainda! Sou fraca por isso, me considero boba. Por quê esse amor tem que ser tão forte? Mais forte que eu? Tem algo em você que me encanta, me atraí. Deveria estar morrendo de raiva agora, o que você fez acabou comigo, mas essa raiva durou só alguns minutos. Algo foi mais forte, mas mesmo com todo esse meu amor, é difícil confiar em você de novo. Você não me deu valor, ou pelo menos, mostrou isso. Posso estar aqui, posso te amar, só que perdi as esperanças, e deixei de criar expectativas sobre você ou um “nós”.
—  Ilusões de Esther.

Estava morrendo de raiva sim. Já era a terceira vez na semana que havia levado um puxão de orelha de um dos alfas, e tinha certeza de que era perseguição. Ela tinha feito coisa errada? Tinha, mas em sua cabeça não tinha nada haver com aquilo. Com medo daquele alfa lhe bater novamente, correu para o meio da mata, e como se considerava azarada, acabou por tropeçar em galhos secos, indo parar diretamente no chão. 

Agora estava enfurecida, tudo isso por conta daquele alfa idiota. Os olhos amarelhos denunciavam toda a agitação interior. Se fosse forte o suficiente para acabar com aquele híbrido imenso… Sentia-se tão injustiçada, odiava ser uma ômega, tão pequenininha e inútil. Sentou- se no chão mesmo, em meio a toda aquela grama verdinha, sua pele ardia pelo tombo, os dois joelhos e as palmas das mãos sangravam, a fazendo ficar ainda mais brava, a ponto de querer chorar que nem uma garotinha, coisa que era, mas negava até a morte. Demorou a perceber que não estava sozinha, estava muito focada em amaldiçoar o alfa enjoado, mas quando se deparou com aquela figura perto de sí, esbravejou.

– O que foi? Perdeu algo aqui?

Ei garota, cuida bem dele tá ? Ele é todo bobo, adora zoar mas em certos momentos ele vai ser bem sério com você, não se preocupe, é o jeito dele. Não coloque apelidos nele ok ? Ele ODEIA apelidos, um dia ele vai te contar o porque. Ele vai falar de outras garotas pra você, vai dizer que fulana disse que ta apaixonada por ele. Sabe porque ele faz isso ? Porque ele vai adorar te ver com ciumes e quando perceber que realmente esta brava ele vai dizer que estava brincando. Quando vocês forem assistir filme, jamais escolha um filme de terror, ele tem muito medo. Ele não demonstra ciumes tá? Você pode falar de qualquer um, ele vai agir naturalmente apesar de estar morrendo de raiva por dentro. Se você for do tipo orgulhosa, não se preocupe, quando vocês brigarem minutos depois ele vai atrás de você. Não fique muito tempo sem responder ele. Ele pode demorar um pouco, mas se você fizer isso ele fica mandando mensagens pra chamar sua atenção. Ele não demonstra, mas as vezes ele se sente sozinho e carente, de um abraço bem forte nele e diga que vai proteger ele de tudo. Uma filha chamada Ana Julia, esse é um dos sonhos dele, o nome não é lá um dos melhores , eu sei, mas faz esse esforcinho por ele. As vezes ele vai te chamar, só pra olhar nos teus olhos e sorrir e que sorriso. Ele vai dizer que te ama trocentas vezes no dia, então se acostume. Ele também é BEM meloso, vai fazer textos se declarando pra você, ainda mais quando você estiver brava com ele e lamento te informar mas você não vai conseguir resistir. NUNCA converse com ele sobre bebidas alcoólicas, ele ODEIA, prefere ficar apenas no refrigerante, melhor dizendo na coca-cola, falando nisso pelo amor de Deus, tenta tirar esse mal costume dele de não beber água, só beber refrigerante, isso não faz bem. Olha, ele tem um tempo pra ele certo? Ele vai te deixar umas horinhas de lado pra jogar um pouco, ele é viciado então nem adianta ficar brava. Quando você estiver com ele e acompanhada de mais alguns amigos, não deixe de dar atenção pra ele em nenhum momento, ele fica muito chateado. Ele vai implicar com você, vai te chamar de chata e logo depois de gostosa e linda. Ah, uma dica, não deixe ele ficar conversando com uma tal de Juliana não viu ? Ela da em cima dele na maior cara de pau. Ah, ja ia me esquecendo , se você é do tipo dorminhoca igual a mim, ele vai de acordar de madrugada, só pra dizer que esta sentindo sua falta e de manhã em pleno o final de semana também, vai dizer que você é a namorada dele e tem obrigação de acordar pra conversar com ele e acredite, por mais que você não goste de ser acordada, não tem como ficar brava com ele. De vez em quando prefira ficar em casa com ele assistindo filme e comendo pizza do que sair pra alguma festa, ele não curte muito festa. Na semana de prova ele não vai ter muito tempo pra você, então calma, na semana seguinte ele vai recompensar a falta de atenção. Ele não canta muito mal, mas quando ele cantar diz pra ele parar porque tá horrível, assim ele vai querer te provocar e continuar cantando, você vai poder ouvir os “ruídos” dele por mais tempo. Eu espero que você cuide muito bem dele, de todo o amor e carinho possível. Ele te escolheu garota, foi você a que ganhou na loteria , então faz o favor de não perder esse bilhete premiado.
—  Cuida dele, por favor.

tava muito brava esses dias pq meus vizinhos tavam ouvindo musica alta as 3 da manha. ai levantei da cama e falei pra minha mae que eu ia fazer um barraco e fui la na laje morrendo de raiva, cheguei la, me distrai com o cheiro do churrasco e voltei pra dentro de casa

Que nojo Luan!
  • Voce e Luan sao casados a alguns meses. Voces estavam num churrasco quando um ex seu chega e puxa assunto com voce, sem malicia. Luan louco da vida armou um barraco e ainda bateu nele. No caminho pra casa voce comeca.
  • Voce: Luan voce é um idiota!
  • Luan: Sou memo! Devia ter batido mais naquele malacabado.~bufa~.
  • Voce: Luan estavamos conversando ok? Como amigos!
  • Luan: Ex nao é amigo (Seunome)!
  • Voce: Vou te dar uma chance, hoje mesmo voce vai ligar pra ele e pedir desculpas!
  • Luan: Mai nem morto! Ele da em cima da minha muié e eu que tenho que pedir desculpa? E ota oce tem o numero dele?~morrendo de raiva~.
  • Voce: Ele nao deu em cima de mim! Tenho.
  • Luan abre a janela pega seu celular no painel e joga pra fora.
  • Voce: LUAN!
  • Luan: EU NAO QUERO NEM UMA SOMBRINHA DESSE BABACA PERTO DOCÊ ENTENDEU BEM?
  • Voce: ENTENDE VOCE EU NAO SOU SUA PROPRIEDADE LUAN E ELE É MEU A-MI-GO ASSIM COMO VOCE QUE CONTINUA AMIGO DESSA PIRANHA DA CACAU OK?
  • Luan: É DIFERENTE!~para o carro na garagem e voces entram em casa~.
  • Voce: QUER UMA COISA DIFERENTE? OK LUAN! ESQUECA SEXO POR 1 MES!
  • Luan: QUE? UM BABACA DA EM CIMA DE VOCE E EU QUE PERCO?
  • Voce: 2 meses!
  • Luan: Mai que...~voce interrompe~.
  • Voce: Quer aumentar pra tres?
  • Luan: Me dexa muie nao to bom!~sobe revoltado~.
  • Assim se passou 2 semanas, voces voltaram a se falar e Luan sempre tentava fazer sexo mas voce seguia firme na greve.
  • Ate que voce vai fazer compras com a Bruna e passa a tarde fora, quando volta poe as sacolas no sofa.
  • Voce: Amor?~silencio~Gatinho?~silencio~Ué onde ele se meteu?
  • Voce vai em direcao ao quarto sobe as escadas e quando chega mais perto escuta uns gemidos de mulher e suspiros de Luan. Seus olhos se enxem de lagrimas.
  • Voce: Eu nao acredito!~escorre lagrimas~Esse vagabundo vai ver!
  • Voce se aproxima e quando abre a porta leva um susto.
  • Luan estava se masturbando vendo um video porno.
  • Voce: Que nojo Luan!
  • Luan da um pulo.
  • Luan: MUIÉ?~os olhos arregalados~Mai que oce ta fazendo aqui?~diz desligando a TV e caminhando ate voce~.
  • Voce: Aqui e minha casa né?~ri~Luan, voce tava batendo punheta?~ri mais ainda~.
  • Luan: Poxa amor ri nao! Faz mai de 2 semanas que voce nao me da denguinho, to carente!~ele comeca a acariciar o LuanJR de novo~Vem fazer oque só voce sabe vem!~se aproxima mas voce se afasta~.
  • Voce: Nao mesmo, falta 1semana e 1 mes ainda!
  • Luan: De jeito nenhum!~ele se aproxima e voce tenta fogir mas ele cola seus corpos, voce de costas com o LuanJR rocando em voce, mesmo assim tenta se soltar mais nao consegue~Por favor amor!
  • Voce: Nao Luan!
  • Luan caminha com voce ate a mesinha pega o controle e liga a tv. O filme porno estava no seu 'auge'.
  • Luan: Olha amor como ela grita~voce tenta nao ver mas Luan segura seu rosto na direcao da TV~Ela ta amando!
  • Voce: Eca.
  • Luan: Eu sei que voce ama!~pega sua mao e poe no LuanJR~Deixa eu te fazer gritar deixa como ela! Olha o fogo nos olhos dela, ela ta pronta pra explodir de tesao!
  • Voce: Na..ann~sente a mao dele entrar por baixo de sua saia ate sua intimidade~.
  • Luan: Molhadinha pro seu neguinho é?~beija seu pescoco e da chupoes~Jura que nao quer?
  • Voce: Nao devia!~comeca a movimentar a mao no LuanJR~Mas quem disse que resisto a voce?
  • Se vira e o beija. E assim voces tem 'aquela' noite pra recompensar os dias da greve!
  • FIM.
Fico com tanta vergonha da minha raiva que vou me esconder em um banheiro (mais um!) para chorar, e em seguida fico morrendo de raiva de mim mesma por ter chorado, porque me lembro do conselho da minha Guru para não desmoronar o tempo todo ou então isso se torna um hábito…
—  Elizabeth Gilbert, no livro “Comer, rezar, amar”. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009
Cap 62

POV Vanessa

Acordei com um gosto amargo na boca, acho que era o reflexo da minha vida, domingo pela manha, me sentindo mais sozinha do que de costume… achando que hoje serias um dia no mínimo mais tranqüilo, minha campainha tocou, eu no meu delírio achei que pudesse ser a Clara, quando olho é a outra vadia, o que ela queria na minha porta?

Vanessa – o que você quer?
Claudia – nossa…. que recepção…tudo bem?
Vanessa – quer que eu te receba como?
Claudia – porque ta me tratando assim? (ela entrou)
Vanessa – assim que eu trato mulher piranha.
Claudia – (incrédula) o que?
Vanessa – mulher vadia…piranha…cachorra, quer que eu ache mais adjetivos?
Claudia – Vanessa! O que é isso?
Vanessa – eu já sei que você foi pra cama com a Clara, portanto sem ser cínica, não to afim disso hoje.
Claudia – ela te contou?
Vanessa – não, foi minha vó. Ela me contou sim, entao por favor Claudia, retire-se.
Claudia – vamos conversar Vanessa… eu posso te explicar!
Vanessa – explicar o que? Eu não tenho que te ouvir, eu não quero te ouvir, você não é nada minha, transa com quem quiser.
Claudia – ela deu em cima de mim…eu não queria que fosse assim…. Vanessa, você sabe o que eu sinto por você…
Vanessa – deixa de ser puta, eu não caio nessa…
Claudia – ela não presta Vanessa, você sabe disso, ela me usou… usou você, ela faz isso!
Vanessa – sai daqui!
Claudia – Por favor Vanessa…
Vanessa – por favor, saia… eu não quero que a gente termine da forma que eu terminei com ela, saia daqui com o mínimo de dignidade pelo menos, apenas saia, não me diga mais nada.
Claudia – eu vou sair, mas eu volto quando você estiver mais calma!
Vanessa – não volte, eu te peço.

Ela se foi, mais uma pra acabar com meu dia, preparei uma gororoba pro almoço, comi sem nenhuma vontade, dormi metade do dia, na outra coloquei umas coisas do trabalho em dia e depois voltei a dormir.

Na segunda fui trabalhar como se tivesse carregando um peso nas costas, meu chefe me esperava na sala dele, achei que fosse ganhar um esporro por algum coisa, mas ganhei a melhor coisa da minha vida, ele me fez uma proposta pra representar a empresa em NY, eu nem fiz pergunta nenhuma, aceitei na hora. Ele não me disse quanto tempo eu ia ficar, mas que ia ter que morar por lá por uns tempos, era tudo que eu mais queria…. ele me deu uma semana pra colocar minha vida em ordem e na sexta eu embarcava, tratei de tudo, a empresa arrumou um apart hotel, eu so precisava levar meu trabalho, força de vontade e mais um pouco de trabalho.

Organizei tudo, falei com minha mãe, entreguei o apartamento pra ela manter ele limpo e organizado, falei com alguns amigos, avisei há alguns deles que não queria em hipótese alguma que Clara soubesse eu ia embora, ela ia achar que era por causa dela, era, mas eu estava indo a trabalho. Na sexta minha mãe, Junior, Thata e Edu me levaram no aeroporto de noite, me despedi de todos, com o coração na mão, alias eu nem mesmo sabia se ainda tinha um, estava em pedaços há uma semana, embarquei a procura de uma vida nova.

POV Clara

Eu so acordei na segunda, o remédio era forte, passei a semana me ocupando de todas as formas possíveis, pensei tanto que comecei a achar que na verdade eu não tinha participado de uma vingança, Claudia me usou pra fazer isso pra separar eu e Vanessa de uma vez, eu tinha uma forte impressão de que eu tinha a idiota da historia, Vanessa não era santa, mas eu sabia do seu amor por mim, fui uma tola, mas isso era tudo minha imaginação, eu nunca saberia, eu e Claudia apenas transamos, eu nem falava com ela, não tinha nem o que falar e ela jamais me confirmaria isso, passei a semana inteira com a mão coçando pra ligar pra Vanessa, mas ela não me atenderia mesmo. Queria vê-la de longe, so pra saber como estava a carinha da ruiva mais linda que eu já vi na minha vida, na sexta eu fui pra porta do apartamento de Vanessa esperar ela chegar do trabalho, so pra vê-la, mas ela não chegou, não saiu, não entendi muito bem, fiquei horas ali no portão e nada.

Liguei pro Edu….

Clara – ta aonde?
Edu – indo pra casa.
Clara – sabe da Vanessa?
Edu - ………….. sei.
Clara – ela ta bem?
Edu – ta sim.
Clara – eu sei que você deve ta morrendo de raiva de mim, ela é sua amiga…
Edu – eu não me meto nisso Clara, vocês não são mais crianças… sabem o que é melhor pra si.
Clara – aonde ela ta?
Edu – eu não deveria te dizer, mas como não tem mais jeito mesmo…
Clara – o que houve? Aonde ela ta?
Edu – essa hora ta num avião indo pra NY
Clara – o que? Como assim? O que ela foi fazer lá? Quando ela volta?
Edu – ela não volta, ela foi morar lá!
Clara – o que?
Edu – foi a trabalho, mas foi pra ficar!
Clara – ela não pode ter feito isso… meu deus…


Eu so sentia dor, muita dor, a perdi. Ela me deixou, eu so pensava nisso, pensei também em pegar um avião e ir pra NY atrás dela, mas seria perca de tempo, ela so ia me desprezar. Desliguei o telefone e chorei mais uma vez, resolvi ir ate o apartamento, fui tentar com o porteiro vê se ela tinha a chave reserva, ele disse que sua mãe estava lá, que eu podia subir…bati a porta e uma senhora muito simpática veio me atender…ela logo me disse que Vanessa não estava….

Clara – eu sei… só vim, sei lá….
Dona Solange – você é a Clara?
Clara – sou… porque?
D. solange – pelos olhos azuis eu imaginei que fosse você, Vanessa sempre me falava dos seus olhos!
Clara - ….. ela não volta mais?
D. Solange – ela tem motivos pra voltar?
Clara – acho que não…a senhora não é poderia ser um motivo?
D. Solange – Vanessa esta crescidinha, ela so teria um motivo pra voltar, mas acho que vocês complicaram um pouco as coisas….
Clara - ……… é, sempre complicamos!
D. Solange – você a ama?
Clara – amo.
D. Solange – luta por ela…eu nunca vi aquela sombra nos olhos da minha filha, faça aqueles olhos voltarem a brilhar!
Clara – os olhos dela não vão mais brilhar por mim.
D. Solange – desistiu dela?
Clara – ela desistiu de mim!
D. Solange – vocês duas desistiram…
Clara – eu não sei o que fazer.
D. Solange – minha linda, eu conheço minha filhota como ninguém nesse mundo, ela ama você por algum motivo, vocês tem que superar os problemas com o amor que sentem uma pela outra…. faça a voltar!
Clara – eu sou a única pessoa que ela com certeza não quer ver mais na vida dela.
D. Solange – ou entao seja a única que ela quer ver.

Eu e minha ex sogra ficamos bastante tempo conversando, chorei e fui consolada pela mãe da mulher que eu amo, disse a ela que ia ver o que era melhor pra se fazer, trocamos telefone, eu disse que a visitaria… fui pra casa me lamentar um pouco mais, pensei em tudo que tinha acontecido nesses meses, já nos conhecíamos há quase dois anos e nunca ficamos bem realmente, o Maximo foram 2 meses de muito amor e no final levei um par de chifres, coisa que já superei.

O tempo foi passando e eu voltei a minha vida, decidi não procura-la, tenho certeza de que ela não queria me ver, sempre que podia eu ligava pra sua mãe, mas não falávamos de Vanessa, ela estava sendo uma boa amiga pra mim, já que minha mãe não queria nem me olhar neh? meu pai que estava indo com mais freqüência em minha casa, eu ficava bem feliz por isso, eu tive que contratar outra pessoa pra auxiliar Junior na empresa, mas não tirei ele do seu cargo, já que Vanessa não ia voltar queria manter alguém de confiança ali, ele muito esforçado conseguiu dar conta, minha assessora me irritou e eu mandei ela ir embora, resolvi não ter mais um, o trabalho todo voltou pra Thaís, essa historia de ser assessorada pessoalmente não eu certo desde o inicio, foi assim que aquela mulher entrou na minha vida.

Dois meses depois que Vanessa foi embora, minha vida seguia muito bem, eu estava sozinha desde entao, tentei sair com algumas mulheres, mas digo que não durava mais que um jantar, todas me irritavam, acho que eu buscava alguém parecida com Vanessa, como era impossível, chutava todas. Eu saia mais com Fabian e Edu do que qualquer outra coisa, quando eles resolviam fazer programas a dois, eu ficava sozinha, até Mayra eu evitava, esse negocio de manter amizade com ex não da certo, entao eu me preveni e cortei relações com Mayra, tadinha, ela me procurava pra conversar e eu fugia dela.

Detalhe muito grande, um dia desses dei de cara com Claudia, a piranha veio cheio de sorrisos dizendo que eu tinha perdido Vanessa pra sempre, eu tratei de colocar ela no seu devido lugar, ela também tinha perdido, vadia de quinta, ainda jogou na minha cara que eu nunca mudaria, mesmo amando Vanessa como eu amava tinha sido capaz de ir pra cama com ela, tinha razão, mas eu dei um tapa no meio da cara daquela piranha, coloquei ela pra fora do hotel, sim, o encontro foi no mesmo hotel do crime, eu não sei o que tanto ela ia fazer lá, na verdade descobri uma semana depois, ela tava trepando com uma gerente do hotel, o caso já tinha um tempo, ela não era tao santa quanto todo mundo imaginava, a vadiazinha já tava naquele esquema uns 4 meses, ou seja, na época que ela foi pra cama com a Vanessa e eu fui corna, ela já tava com a mulher, nossa, me sentindo a mais fofoqueira, o Edu me ajudou a descobrir tudo, safada.

CAPITULO 32 ( ERAMOS MAIS QUE SÓ NOS DOIS )

– E- Eu acho que… – Vanessa ainda teve a pretensão de tentar se explicar.

– Você não acha nada! – Eu rebati quase virada em um santo. Carolina me encarou com aquele sorrisinho infeliz que ela sempre trazia. – Você não mudou nada, Carol Com licença…

– Clara!

– Eu fiz alguma coisa? – Cinicamente ouvi Carol perguntando a Vanessa. A essa altura eu já tinha dado uns quatro passos. – Vanzinha?

Na moral, já não bastasse os biscates atuais tipo Marisa, Pepa e o um milhão de internas vaquinhas que ficavam dando mole a Vanessa? Deus ainda tinha que desenterrar aquela vaca do passado? Justo a chata da Carol Bittecourt? Se ainda fosse a Roberta Mattos que também era da minha sala e era mais gente boa comigo, mas Carol? Eu sei, sou uma infatilóide, mas que não é agradável saber que a mulher que você esta afim já saio com sua inimiga, não é! Qualquer lugar que a gente saia vai ter uma dessas jogando o “passado glorioso” de Vanessa na minha cara?

Minha cabeça fervilhava com milhões de perguntas como aquela. A bronca não era apenas por ser a Carol Bittecourt, mas porque aquela era a realidade de Vanessa. Pelo que eu começava a perceber, estava saindo com um “patrimônio historio lésbico” e não conseguia lidar nada bem com esse fato. Eu sou a rainha da insegurança, aquilo nunca daria certo. Passei 26 anos da minha vida ignorando que tinha um coração, meu lance era sexo e cabeça, mas também quando lembrei que tinha um, parecia que faziam questão de apertá-lo todos os dias.

 Antes de eu conseguir chegar ao salão, uma mão decidida me puxou para um canto. Educadamente empurrei acreditando que era uma estranha tentando investir em mim, ela me segurou com mais força até que conseguir ver seu rosto.

– Calma, Clara! AIIIIII. Por que você me bateu? –Vanessa perguntou massageando o ombro dolorido por conta do tapão que levou. – Não esta vendo que sou eu?

– Bati por isso mesmo! Eu quero ficar sozinha!

– A gente precisa conversar.

– Quem? Eu você e a lagartona? – Questionei. - Por que você não vai com ela para o banheiro relembrar os velhos tempos?

– Será que você não ouviu que isso aconteceu antes do carnaval? Antes de eu te conhecer? Clara, isso não teve importância nenhuma para mim… – Como ela impedia minha passagem com o corpo, eu era obrigada a ouvir o que Vanessa tinha a me dizer. Vanessa tentou me fazer um carinho, tentando me beijar. Em resposta cruzei meus braços. – Faz isso não, vem cá amor…

– Sai! – Eu queria mesmo ficar um tempo, pelo menos um pouquinho afastada para pensar melhor. Bateu ciúme mesmo. Eu queria entender afinal de contas o que estava acontecendo comigo.  – Volta lá pra sua amiguinha…

– Eu mal conheço aquela mulher…

– E tem diferença? Você cisca mesmo em qualquer terreiro!

Mal conclui minha ultima frase e ela já tinha uma resposta a para me dar. Sem desviar os olhos dos meus, Vanessa me puxou pela cintura e juntou a mim de uma maneira que me assustou. Lembrei de uma vez, quando eu ainda era criança e sem querer levei um choque que me deu um tranco pelo corpo inteiro. Como se eu pudesse me desfazer a qualquer momento, minhas pernas bambearam e me dependurei em seu ombro.

– Qualquer terreiro não! Eu sou seletiva… – Sem nem piscar completou. – Eu gosto de mulher gostosa! E peguei a mais gostosa de todas para mim… – Envolveu uma de suas mãos no meu rosto de um jeito firme, me obrigando a encará-la. - Você, Clara!

E sua boca me puxou para um beijo que não tive forças para interromper. Aquela boca gostosa, docinha, meio gelada, por conta da caipirinha, deliciosa. Atitude sempre me deixou caidinha e Vanessa tinha de sobra. Ela era doce, mas sabia ser impor, fazia uma carinha de invocada, apertava os olhos, um tesão que só vendo.

– Ui, gamei com essa! – Uma garota que estava próxima comentou brincando com a amiga. – Uma morena assim falando isso no meu ouvido. Nem sei como a loirinha ainda ta de pé depois dessa… Me dá uma água.

Nem eu entendi como ainda consegui ficar de pé. Na verdade só lembrei que tinha perna quando senti minha coxa sendo fisgada pela sua mão. Apesar do vento de ar condicionado estar bem na minha direção, nossos corpos estavam quentes. Como um garçom por nós, puxei Vanessa ainda mais para dar passagem a ele e ela acabou me encostando na parede. Depois de mais uns dois minutos se pegando, com beijos no pescoço, no meu rosto, ela falando umas besteirinhas no meu ouvido que meu juízo veio à tona e me separei dela.

– Volta aqui Clara, está tão gostoso… – Virei ás costas e voltei a caminhar apertando o passo. – Clara?

– Eu vou voltar para mesa. E quero ficar sozinha.

Não deu tempo de iniciar uma discussão porque nesse momento Gabriel passava com minhas duas amigas em direção a pista de dança. A banda começou a tocar Garota Nacional do Skank e uma boa parte da galera se animou. Polly puxou Vanessa pela mão.

– Vocês não vão vir com a gente?

A última coisa que eu queria era dançar. Vanessa me encarou a procura de uma resposta e dei os ombros. Mais uma vez ela me olhou como se não acreditasse no meu descaso.

– Vai você, Vanessa! Eu fico na mesa!

Eu apenas disso isso, mas na verdade queria dizer mais ou menos assim.

– Fique a um quilometro de mim até eu esquecer que aquela vaca pretérita encostou em você!

Entendeu o que eu quis dizer nas entrelinhas, Vanessa concordou. Pegou um copo com bebida da mão de Gabriel e virou fazendo uma careta.

– Vamos para pista!

É lógico que na hora eu me arrependi do que fiz. Só me faltava ela ir literalmente para pista e ficar com outra na minha frente. Deus do céu, e se ela ficasse com a vaca pretérita? Não tive coragem de ir atrás deles, mas morri de inveja ao ver Vanessa e Gabriel se divertindo, ele dançando todo com aqueles passos de tiozão propositalmente e as três se matando de rir. Eu morria de vergonha daquele papelão tosco que eu tinha acabado de fazer, mas também estava com raiva. Resultado, cheguei na mesa emburrada. Muito mais comigo do que com Vanessa.

– Que cara de bunda é essa? – Edu veio me encher o saco. Jonas estava de canto, mais esquecido do que fruta de fim de feira. – Cadê a tua morena?

– Esta sendo morena dos outros lá na pista! 

Demos uma breve olhada e Vanessa dançava com os outros três.

–O que aconteceu?

– O que aconteceu é que parece com estou saindo com um banheiro público! Fora que eu sou uma babaca!

– Que foi, catou ela com outra?

– Não!

– O que foi então, Zé?! Virei minha cara ao ver Marcela dançando com Vanessa enquanto Polly preferia Gabriel. Edu me deu um beslicão no meu braço. – AIII… Isso dói!

– Desembucha então!

Depois daquela chuva de delicadezas tive que contar o que aconteceu. Enquanto eu falava, Edu me encarava de um jeito misterioso. Por fim disse.

– Você é ridícula, velho!

Adoro quando as pessoas me botam para cima.

– É sério Clarinha, vocês são legais juntas, nem devia perder seu tempo pensando nisso.

Sorri satisfeita com o que tinha ouvido.

– Acha mesmo a gente legal?

– Com certeza… Aquele beijo que ela te pressionou na parede então… Se não fosse tão seu amigo eu poderia ter ficado excitado. – Minha pele ficou da cor de um tomate maduro. Esse beijo que Edu comentava foi bem na hora que o garçom passou e nos retiramos do caminho. Só de lembrar senti um formigamento no canto dos lábios e meu batimento mais acelerado que o de costume. Aquelas mãos me pegando e puxando minha cintura com firmeza…  – Que é isso? Editando os melhores momentos com a morenona? – Edu deu uma gargalhada. – Gostou mesmo da coisa!

Que é isso, minha mente também virou pública agora?

– Pense em ficar excitado que eu passo um bisturi nessa mixaria sem dó! – Tentei disfarçar. – E respeito que o nome dela é Vanessa.

– Levanta logo dessa cadeira e vai dar um beijo na boca daquela mulher!

Na pista, Vanessa continuava dançando com Gabriel e as meninas.

– Vai você! Ela esta bem sem mim!

Edu fez um gesto negativo.

– Agora você vai ter motivo para sentir ciúme, Zé Ruela!

Eu até já sabia que Edu ia aprontar. Quando ele levantava e me deixava falando sozinha com aquela cara de “meninão peralta” é porque estava querendo atazanar alguém. E como tudo acontece com Clara, lógico que a vítima fui eu. Edu se aproximou dos quatro. Garota Nacional já estava no finalzinho e a banda emenda com outra música que levantou de vez o público.

 Nas primeiras batidas de Satisfaction, Edu deu um jeito de puxar Vanessa e não demorou para que começassem a dançar juntos. Puta que o pariu, e que dança! Edu, cara de pau, flertava sem disfarçar. Para me atingir em cheio e jogar na minha cara: toma otária, olha o que esta perdendo. Vanessa nem levava em consideração a cara deslavada do meu amigo, mas se divertia ao seu lado. Requebrando, acompanhando o na coreografia, demarcando passo, sendo sua ideal parceira. Uma parceira que eu nunca seria já que era péssima dançando. Em um minuto eram o casal mais animado da pista. Pudera, Rolling Stones, paixão dos dois. Até direito a plateia tiveram. Peguei metade de um copo de qualquer coisa que estava sobre a mesa e mandei para dentro. Sorte que era ice.

– Vou tomar um ar, Jonas…

– Posso ir com você?

Fiz um gesto afirmativo. Não queria conversar com ninguém, mas também não podia descontar minha raiva no coitado do Jonas. Raiva de mim mesmo. Por ser tão desajeitada com Vanessa, por estar morrendo de raiva sabendo que aquela vaca pretérita da Carol veio só para atazanar minha vida, raiva por não saber dançar tão bem feito o Edu. Em pouco tempo caminhando chegamos na varanda que Vanessa e eu trocamos beijos.

– Aqui da pra ver todo o bairro.

– Verdade… – Comentei pensativa, ainda de olho no pessoal da pista de dança. – Todo o bairro.

– Vocês brigaram? Ela fez alguma coisa para você.

Fiz um gesto negativo.

– Não esquenta… Nada grave.

Quando terminei a frase senti dois olhos pesando sobre os meus. Pela primeira vez percebi que tinha alguma coisa de diferente com o Jonas. Sua voz estava meio molenga também.

– Você andou bebendo?

– Só uísque pra aguentar você e sua namoradinha a noite toda. – Jonas disse sem cerimônias. – Sério, o que você viu nela? Vocês não tem nada ver…

Dei um meio sorriso.

– Quando você não tive com sei lá quantos copos de uísque dentro do seu corpo discutimos, tudo bem Jonas?

– Eu não estou bêbado! – Ele me garantiu visivelmente fora de seu estado normal. – Eu sei muito bem o que estou falando! E ela também não gosta de mim…

– Quem sabe pelo fato de você ter sido e estar sendo um tremendo chato á noite toda? – Devolvi irritada.  – Não abriu nenhum sorriso, não brincou com ninguém, não… Não quero discutir Jonas!    

Eu sou uma tonta mesmo nem lembrava como aquele bate boca tinha começado.

– – Clara, esse é o seu problema. - Jonas bêbado praticamente cuspia as palavras em cima de mim. - Você gosta de quem te faz de trouxa. Dando trela pra essa ai… Clara, eu sou o cara ideal para você.

 

– Jonas, você é um ótimo amigo, um fofo, mas…

Antes de eu conseguir terminar Jonas me agarrou e quase me engoliu com um beijo. Eu tentei me separar, mas ele era mais forte. Quando finalmente consegui empurrar o Jonas para longe, encontrei com quatro pares de olhos conhecidos. Vanessa e Gabriel.  Droga! Por que tudo precisava parar na privada quando minha vida estava começando a tomar um rumo. Antes que eu pudesse esboçar alguma reação senti alguém puxando meu braço com a delicadeza de um quarto zagueiro. Jonas era o pior tipo de bêbado: o chato! O grude que ficava colado. Apertou meu braço com mais força.

– Vai falar o que pra tua namoradinha?

Tirei forças de não sei de onde e o empurrei. Eu estava com nojo dele. Cheirando a uísque, sendo ignorante, me tratando mal. Justo o Jonas tão fofo, tão meu amigo. Eu sentia falta daquele cara doce que morria de medo de uma sala de cirurgia nos primeiros dias de interno como eu?

 Pela primeira vez então conseguia ver Jonas, um grosso, machista e covarde. Sim covarde. Tudo foi muito rápido. Depois de ter levado o empurrão, me devolveu com muito mais força e cai sentada sobre o sofá.  Senti a mão dele vindo de direção do meu rosto, fechei os olhos esperando a dor, mas não fui atingida. Enquanto Gabriel o imobilizava, fui puxada por Vanessa e ela me protegia com os braços.

– TEU FILHO PRECISA DE UM PAI E VOCÊ DE UM HOMEM DE VERDADE, CLARA! – Olhou para Vanessa. – Essa mulher macho não serve pra você.

Antes que Vanessa perdesse a cabeça e acertasse a cara de Jonas, me agarrei ainda mais em seu corpo escondendo meu rosto em seu ombro. Vanessa entendeu o recado e ficou ali comigo.  Atraídos pela gritaria dos dois homens os seguranças vieram saber o que estava acontecendo. De primeira iam levar Gabriel, mas ele apresentou o distintivo e explicou do que se tratava. Após esclarecimentos, Jonas foi levado embora por um dos seguranças por uma portinha lateral.

– Ele te machucou? – Gabriel perguntou a Vanessa que acabou levando o tapa no meu lugar.

– Não, foi nada…

Preocupada com ela tentei examinar seu rosto.

– Não foi nada Clara, você quer uma água? Quer sair? - Fiz um gesto afirmativo. – Eu vou com você…

– Eu também já estou indo, só vou…

– Não, fica, por favor… – Pedi a Gabriel. – A Mar, o Edu e a Polly ainda não sabem o que aconteceu. Eles gostaram tanto de você… É aniversário dela. Não deixa estragar por isso. Ela vai morrer de tristeza.

Gabriel encarou nós duas.

– Vocês tem certeza que estão bem?

Como se tivéssemos combinado fizemos um gesto afirmativo. Por fim Gabriel concordou. Rapidamente conseguimos atravessar o salão e Gabriel acertou a comanda de nós duas.

– Eu te pago no hotel…

– Relaxa com isso. – Deu um beijo no rosto de Vanessa. Quando foi me beijar sussurrou no meu ouvido. – Se você quiser registrar queixa faço questão de prender aquele imbecil. Eu tenho uns amigos…

– Não. – Decidi. – Quer dizer talvez amanhã eu pense melhor, mas agora quero ir pra casa…

Assim que ficamos a sós, me abracei mais a Vanessa. Aquele tamanhão todo dela me protegia. O cheirinho de mata me tranquilizava.

– Você estava certa. – Eu murmurei baixinho. – Era um encontro. – Nunca tinha me sentido ao envergonhada na minha vida por estar dando trabalho a ela. – E eu boba achando que era ciúme…

Vanessa jogou um sorriso triste para o chão.

– Era um encontro… – Envergonhada, baixei meus olhos. Vanessa tocou meus dedos fazendo um carinho. – E eu estava com ciúme de você.

Ela me olhou de um jeito que eu adorei. Dei um gole na água.

– Vanessa,eu…  Eu sei que você viu o Jonas me beijando, mas eu juro que…

Ela me deu um novo sorriso. Aproximou seu rosto do eu e me calou com um beijo doce e delicado, sem aprofundar muito. A ponta de sua língua pincelava os meus lábios e eu tentava dar pequenas mordidinhas naquela boca entreaberta para mim. Nos separamos com pequenos selinhos.

– Você acredita em mim?

Vanessa fez um gesto afirmativo.

– Eu vi tudo. – Fez um carinho no meu rosto, aproximou seus olhos dos meus sorrindo. – E se você me trocasse por aquele mauricinho juro que me jogaria embaixo de um ônibus agora.

– Convencida! – Enroscando meus braços em seu pescoço, roubei um beijo rápido. – Te adoro!

– Agora conta uma novidade… Todo mundo me adora. Até eu me adoro! – Era muito metida mesmo. Fez um carinho no meu rosto. – Deixa eu cuidar de você hoje?

Querem saber? Adoro com todas as letras. Provando a verdade das minhas palavras lhe dei mais um beijo. Calmo, leve, doce. Curtia sua boa sobre a minha, mordia bem gostosinho. Minhas mãos desceram por suas costas. Ela não fez menção alguma de que quisesse separar de mim. Desci com os lábios por seu pescoço. A abracei ainda mais.

– Eu não penso em nada melhor para essa noite do que estar nas suas mãos.

E encostei minha boca na dela mais uma vez. Aquele beijo era algo viciante.

 Fomos interrompidas por pigarros de um homem. Gabriel.

– Detesto interromper e acreditem é sincero… – Vanessa começou a rir. Eu vermelha de vergonha. Ele falava sério, como se quisesse dizer que era bom ficar espionando a gente dando malho. Gabriel era muito besta. – Mas vim trazer isso aqui pra vocês. – Entregou dois capacetes e a chaves da moto dele para Vanessa. – Eu vou dormir na casa da sua amiga, ela vai me dar carona, pode levar a moto.

– Qual amiga?

– Então, ainda não decidi. – Passei mal de rir com a impagável cara da Vanessa para cima dele e ele, cara de pau, respondendo a ela. – As duas opções são excelentes, você há de concordar eu preciso de uma segunda opinião. E Então Clara?

– Sem maldade? Vai na Polly. A Marcela bebeu e ainda é afim do Edu. – O que mais dava vontade de rir é que Gabriel era sério a todo instante. Me encarava de um jeito atencioso. – Altas chances de no meio do sexo ela começar a chorar em cima de você.

Ganhei um beijo estalado no rosto.

– Vem cá, você está se protegendo? – Vanessa questionou.

Gabriel retirou o revolver que sempre carregava consigo.

– Que é isso? – Perguntei assustada. – Protegido no sentido de ter uma camisinha.

– Você perguntou no sentido de ter uma camisinha? Ninguém me explica nada direito…

Sério, as caras de espanto de Vanessa com as loucuras do Gabriel eram as melhores. Me davam dor de barriga de tanto rir. Depois de nos despedirmos e Gabriel voltar para a boate, Vanessa retirou o próprio casaco e me entregou. Estava frio mesmo. Ela colocou o jaquetão de Gabriel.  Lembrou até o dia que nos conhecemos, como a beleza dela havia me impressionado.

– Que foi?

– Você esta linda!

Vanessa sorriu meio sem graça, me roubou um beijinho gostoso.

– Vamos?

– Vamos!

Como prometido não questionei. Aquele noite meu destino ficou em suas mãos.

 

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Em Silvéster as coisas não estavam tão frias como em São Paulo. Pelo menos na cama de Junior e Angela não. Os dois também parecia querer recuperar os quase dois meses perdidos em uma noite. As costas de Junior pareciam ter parecido por um ralador de tanto que foram arranhadas Por Angela. Minha amiga também levaria algumas lembranças da noite. Tinha marcas vermelhas feitas pela barba de Junior pelo corpo inteiro. Ainda ofegantes trocaram um beijo e Angela se aconchegou no peito do ex-futuro-peguete-namorado.

– O que deu em você? – Ela conseguiu perguntar ainda sem fôlego. Sua mão se apoiava no ombro do namorado. – Qual é neguinho? Você inscreveu a gente numa maratona sexual e não me contou nada?

Junior deu um sorriso.

– Todo esse tempo separado… É saudade do teu corpo no meu. – Angela ergueu os olhos, uma de suas mãos envolvia o rosto do namorado. – Branquela, o que tu fez comigo? Dois meses sem… Nenhuma mulher deitou nessa cama comigo depois que a gente terminou Angel… Olhava pra cara de todo mundo e só via teu rosto. Não conseguia parar de pensar em você…

Minha amiga como toda mulher besta e apaixonada se derreteu. A resposta foi a mais óbvia do mundo um novo beijo recomeçando tudo.


No hospital, Thata não compartilhava da mesma sorte do irmão. O boicote do Lesbworld era levado tão a sério quando esses protocolos feitos pela ONU. Ela saiu de uma cirurgia de emergência, terminava de se trocar no vestiário. Quando estava terminando de tirar a blusa, trombou sem querer e uma das internas.

– Ér, desculpe eu…

– Cachorra! Por que não tenta a psicóloga peituda? – Um ponto de interrogação se fez na cara de Thata. – E ainda teve coragem de pedir para Clara tirar o neném…

– Ãh?

– Dissimulada!

E saiu sem dar maiores explicações. Thata já estava desconfiada que algo estava acontecendo. Na cirurgia as enfermeiras não trocaram nenhuma palavra com ela. Na recepção duas pacientes lhe viraram a cara e fora que alguém colocou tachinhas em sua cadeira no meio de uma reunião com os conselheiros do hospital. Duarte entrou no vestiário e cruzou com a interna que tinha virado a cara para a chefe. Aproveitando que estavam a sós, finalmente Thata podia desabafar toda sua agonia.

– Duarte, olha para mim. – Duarte um tanto desconfiada obedeceu. – Tem alguma coisa de errada comigo?

– Thais, pelo amor de Deus, achei que o seu complexo de ter quadril largo tinha passado aos dezessete anos… Eu tenho o que fazer.

– Não! Não é disso que eu estou falando! Duarte, elas não me suportam…

– Você é a chefe delas, esta sendo paga para ser insuportável.

Duarte saiu. É talvez fosse apenas coincidências. Duarte estava certa. Amanhã riria de suas desconfianças sem noção com apetite. Talvez precisasse de umas férias para tirar aquelas ideias loucas da cabeça. Sim, só podia ser coisas de sua cabeça. Sim só podia ser isso. Já mais aliviada abriu o armário para pegar sua blusa e um bicho de pelúcia caiu de seu armário. Agachou-se para pegar. Se tratava de um sapinho de pelúcia. Ou uma sapa já que estava de lacinho. Não era dela. Coisa mais fofa, alguém tinha lhe deixado de presente?

– Que bonitinha. – Só quando analisou melhor o presente que notou um pequeno papelzinho preso em sua língua vermelhona de fora. Seria um bilhete do remetente? Aproximou mais os olhos e leu em voz alta. – Thais! Ué, mas quem amarraria meu nome na boca de um…

Só ai que Thais percebeu o teor do presente. Alguém literalmente costurou sua boca no nome de um sapo. Assustada jogou o bicho maldito longe. Ela tinha razão. Alguma coisa de errado estava acontecendo com seu nome!

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Nunca pensei que cruzar as ruas de São Paulo de madrugada de moto fosse tão legal. Vanessa com aquela jaqueta de couro conduzia a moto na velocidade máxima permitida. Seus cabelos escapavam do capacete e vinham bater no meu rosto, a cada freada nossos troncos se aconchegavam de maneira gostosa, uma delícia. Eu já estava bem mais animada, e com a adrenalina alta por não saber para onde estávamos indo. Dois caras de carro passaram por nós duas. No sinal vermelho gritaram para Vanessa.

– GOSTOSA!

Não aguentei, levantei a viseira do meu capacete e complementei.

– DEMAIS! – Disse dando a entender que já tinha provado e muito. – NÃO TEM NOÇÃO DE QUANTO!

Vanessa deu uma gargalhada da cara de merda dos dois e partimos com a moto. Em quinze minutos chegamos no Flat que ela e Gabriel estavam dividindo, um prédio enorme e lindo na Barra Funda. Só isso que me lembro. Subimos para o 20° andar de elevador, mas a parte interessante ficou por conta de quando entramos no apartamento.

– Gostou? – Vanessa questionou.

Não consegui responder e a beijei. Ela podia me levar para um barraco na Vila Brasilândia que eu ia gostar do mesmo jeito. Casa era tudo igual mesmo. E eu nem tinha conseguido tirar os olhos dela. Vanessa me correspondeu de forma impetuosa. Aquela língua quente e doce invadiu a minha boca. Eu joguei a jaqueta que usava para o lado e voltei a beija-la. Com uma das mãos na cintura ela me beijou e me pegou para mais perto de seu corpo. Acabei deixando escapar baixinho, no pé de seu ouvido.

– Aiii que pegada mais gostosa…  

Minha voz estava embargada. Eu estava era praticamente bêbada de tesão por aquela mulher. Lembrei até de uma música da Ana Carolina: De quatro, lado, frente, verso, embaixo em pé. Isso e o que mais minha cabecinha torta inventasse. A única certeza que eu tinha era que eu queria Vanessa. Puxei com força seu colarinho. Quando suas mãos entraram por debaixo da minha blusa e encostaram na minha pele de leve, minha espinha se arrepiou toda. A mão dela estava meio molhada por conta do sereno da noite de São Paulo dando um efeito delicioso de quente e frio nas minhas costas.

– Aaai Vanessa, eu quero você… –Beijei levemente seus lábios e Joguei sua jaqueta longe. Mordi de leve dos seus ombros enquanto ela levantava minha blusa e arrancava gemidos meus passando a mão aberta pela minha barriga. Ela desacelerou nosso beijo. – Volta aqui amor, eu quero você, me beija…

– Gostosa… – Ela sussurrou no meu ouvido enquanto arrancava a própria blusa. – Eu sou toda sua…

Contraditoriamente, Vanessa se separou de mim e pude então analisa-la. Puta que o pariu. Congelei quando vi aquela lingerie vinho. Como se fosse possível a deixou ainda mais gostosa. Senti minha calcinha se encharcar, literalmente babava de tesão. A interrompi quando ela começou a tirar o cinto e tomei essa atividade para mim. Quando aquela calça caiu e encarei a calcinha da mesma cor, de renda, com as laterais meio larguinhas, enlouqueci. Ou melhor, enlouquecemos. Fui despida pressionada contra parede. Ela desceu coma boca, começou a passar os lábios no pé da minha espinha dorsal e subiu com a língua retirando a minha camisa e se livrando do meu sutiã. Na hora de tirar minha calça, ela preferiu me deitar na cama. Com a barriga para cima. Massageou um dos meus pés com as mãos, beijou, massageou mais um pouco.

– Ai, gostoso…

– Pézinho tão pequenininho, tão bonitinho…  Ela comentou.

Eu fechei os olhos e senti minha calça sendo puxada e jogada em um canto ignorado. Ela veio e beijou os meus pés até a minha barriga lentamente. De maneira proposital pulou a virilha e sua boca tomou um dos meus seios. Senti a mão de Vanessa apertando a minha bunda com força. Eu não aguentei mais. Queria ela molhada para mim. Mordi sua orelha de leve e meus dedos invadiram sua calcinha. 

– AAAAAII… Não para Clara! AAAAI Não Para!

Com ela gemendo gostoso daquele jeito é que eu não ia para mesmo. Ela estava era um mar de gozo. Quente, molhada, deliciosa. Vanessa se livrou do próprio sutiã e minha boca trabalhou em seus seios. Eu chupava, lambia sugava e embaixo meus dedos sentiam todo aquele efeito se desfazendo entre as pernas de Vanessa. Adorei tê-la mais passivamente naquele momento. Eu dona da situação deixei minha boca beijar toda aquela barriguinha enquanto Vanessa bagunçava meus cabelos, pedindo por mais. Lentamente percorri minha boca até alcançar sua calcinha. Fiquei admirando ainda por alguns instantes.

– Gostou? – Ela perguntou mordendo os próprios lábios, com uma carinha mais de safada que o comum.

– Linda. – Dei um beijinho passando minha língua por cima. – Mas eu vou tirar ela…

Vanessa abriu uma risadinha sacana. Passei minha mão por seu sexo ainda em cima da calcinha a fazendo pulsar e então me livrei daquele pedaço de pano vinho. Ter aquela mulher para mim foi coisa de outro mundo. Senti-la gemendo enquanto eu encostava minha boca em seu sexo era demais para minha sanidade literalmente saborosa. Pulsava com gula pedindo por mais boca e dedos, aquele era o melhor gosto do mundo. E aquele gemido anunciando o gozo para mim e para o restante da vizinhança? Sem palavras. Quer dizer, apenas três palavras AH, VANESSA, GOSTOSA!

O melhor é que aquilo só tinha sido o começo. Eu gozei sem ninguém encostar a mão no meu sexo. Eu mal tinha tomado ar e senti aquelas mãos grandes me pegando, viajando sobre meu corpo. Ela tombou em cima de mim de tal forma que a boca já tinha encontrado a minha e compartilhávamos o seu gosto. Quando senti ela toda molhada raspado seu sexo com o meu enlouqueci. Pedi que ela me fodesse com força. Não acreditava naquela mulher rebolando em cima de mim, tesão puro. Enquanto me pegava com mãos e pernas, pressionava seu sexo contra o meu ainda vinha falar safadeza no meu ouvido, mordendo minha orelha, chupando meu pescoço e me dando aqueles beijos na boca que me tiravam de órbita. O melhor foi gozar e sentir a boca dela sobre a minha e saber que eu não queria mais ninguém no lugar dela.

Acabou que nem dormimos. O dia amanheceu com nós duas na cama fazendo carinho uma na outra. Ela toda amorosa comigo, beijava minhas costas, meus ombros. Eu dei um cheiro no seu pescoço.

– Sabia que eu amo o seu perfume? Qual é?

– Não gosto muito de perfume, só passo desodorante. Isso é cheiro sei lá, de floresta… – Ela comentou de um jeito engraçado. – De bicho do mato.

Sorri.

– Então eu amo cheirinho de bicho do mato. – Fiz um carinho em seu rosto. Subi em cima de Vanessa  sentindo minhas pernas entre as suas. – Me aperta, me morde e diz que não é sonho?

Vanessa obedeceu deu um apertão na minha bunda, mordeu meu ombro.

– Viu, amor?– Começou a beijar minha boca. – É verdade… – E me deu outro beijo.

– Mulher, você não se cansa não… – Brinquei quando vi que ela já estava era querendo recomeçar tudo de novo.  – Culpa da primeira, ela deve ter feito tão bem feito que você se viciou. - Vanessa deu uma risada, me encarou e fez uma careta curiosa. – O que foi?

 – Sabia que você lembra um pouquinho ela?

– Ela quem?

– A menina que foi minha primeira vez. – Vanessa me confessou. – Ela era loirinha dos olhos Claros.

– Você tinha quantos anos?

– Quinze para dezesseis…

– Precoce, hein?! E ela? Era a da sua idade?

Vanessa sorriu e fez um gesto negativo.

– Mais velha. Tinha 23. Médica lá do hospital, interna, depois ela foi embora de lá…

– Foi bom?

– Foi aquela sensação né? Nossa, aconteceu…

Eu ri. Sabia bem o que era isso. Minha primeira vez eu tinha dezoito e foi com um namoradinho, aquela coisa de todo mundo ter feito e você não, quando eu fiz praticamente colei uma placa na janela da minha casa “virgem nunca mais.”

– E a sua, foi boa?

– Foi com um namoradinho…

– E?

– Senti estranha, diferente. Quando eu vi que o negócio… Voltou ao normal, achei que tinha ficado um pedaço em mim. – Vanessa deu uma gargalhada. – Não ri! Fiquei louca na época! E a tua interna, foi bom?

Vanessa deu um meio sorriso.

– Quer saber como ela fez? – Vanessa puxou minha boca para junto da dela. Passou sua língua pelos meus lábios me provocando um arrepio gostoso. – Ela começou passando a língua assim em mim…

Eu dei uma risadinha.

– Ah é? E o que mais ela fez…

– Fez isso aqui…

Vanessa desceu com a boca pelo meu pescoço alcançando meu colo.

– Quer saber mais?

– Ô mulher que nasceu com fogo viu! – Eu disse já não aguentando e a puxando de volta para mim. – O que mais?

PS: Quero dedicar esse capítulo a menina Thatiele sei que ela não vai ler hoje devido está numa mesa de cirúrgica, mas quando ela voltar estará aqui dedicado a ela. peço a vocês que me lê que ore por ela, ela precisa muito; Volta logo Thaty. e as minhas leitoras peço desculpa  por qualquer erros aqui cometidos muitas das vezes eu tô bêbada de sono e cansaço e fico vesga nas letras. e a moça da critica construtiva obrigada prestarei mais atenção. tenham uma boa noite meus amores :)

Cap 12 (Sentimento Irresistível)

Clara foi a primeira a descer para tomar café, se arrumou rápido deixando o banheiro livre para Vanessa. Ainda estava muito constrangida, porque a cena do carro, apesar de quase terem feito sexo, foi num momento de fúria, de nervosismo… Mas acena do quarto, apesar de não ter chegado nem perto do sexo, foi diferente… bem diferente… foi romantica.

Vanessa, no quarto, andava de um lado para o outro, pensando que precisavam conversar, a situação estava insustentável. Quando não estavam brigando, estavam se agarrando, por várias vezes quase fizeram sexo. Tinha que pensar no seu irmão, não podia continuar desse jeito. Precisavam falar do passado para encerrá-lo e enterrá-lo. Precisava, finalmente, esquecer aquela mulher que a enfeitiçou e seguir em frente. E essa conversa teria que ser agora, enquanto estavam sozinhas!

_ O Alexandre ligou, disse que as estradas já estão liberadas e ele está nos esperando - disse Clara se aproximando da mesa onde Vanessa tomava café da manhã.

_Tá, vou acabar de tomar café para a gente pegar a estrada. E você não vai comer nada? - perguntou Vanessa

_Não, estou sem fome, só vou beber um yogurt. Bom, vou aproveitar para fechar a nossa conta - disse Clara se afastando. Vanessa terminava de tomar o café quando uma hóspede veio ao seu encontro. À princípio, não a reconheceu, mas logo quando ela começou a falar percebeu de quem se tratava, tinham sido muito amigas na época do colégio.

_Desculpa, Lari mas é porque você está muito diferente da época do colegio, por isso não reconheci!

_Eu sei, mas você, van, em compensação continua linda… - disse a abraçando.

Vanessa ficou sem graça com a situação, a verdade é que Larissa, no colégio, a ficava perseguindo todo tempo, mas Vanessa nunca sentiu nada por ela, apenas amizade. E apesar de ela ter ficado muito bonita, continuava sem sentir nada.

Quando Clara estava retornando ao restaurante da pousada, percebeu uma moça conversando com a Van muito próxima a ela, elas pareciam mais que amigas. Clara, que assistia a cena um pouco de longe, não pôde deixar de se sentir triste, amava demais aquela mulher.

Todo o sentimento trancafiado a sete chaves voltava para atormentá-la. Nunca sentiu ciúme de ninguém, só de Vanessa e era quase doentio, não conseguia lidar com isso. Podia ser homem ou mulher, bastava se aproximava dela, para Clara querer morrer, era insuportável a dor. E a todo momento, vinha na sua cabeça a imagem da traição, de Marina nos braços da mulher que lhe pertencia, como um filme, era como se tivessem esfaqueando seu coração.

Senti-se perdida, frágil, mas sabia que chegava o momento da conversa, não dava mais para adiar, para fugir. Teria que enfrentar esse assunto até para poder seguir com sua vida. Na noite anterior, pensou muito em terminar com Alexandre e se afastar da familia toda.

E Apesar de doer muito, a hora chegava: precisavam enfrentar o passado de uma vez por todas!Após terminar o café, Vanessa se aproximou de Clara que estava sentada frente ao lago no jardim que havia na pousada.

- Já podemos ir embora - disse ao se aproximar de Clara.

Silêncio.

- Você está me ouvindo? - perguntou para Clara que ainda estava de costas.

Silêncio.

- Sabe o que é pior? - disse Clara com os olhos cheios de água virando-se para Vanessa. - Apesar de tudo, eu não consigo te odiar.

- Ih! Já vi que vamos chegar só de noite em Itaipava! Se eu soubesse que a doutora queria discutir relação agora… - disse Van num tom de brincadeira ao ver Clara séria.

- Pra mim já chega!- gritou Clara. - Eu não aguento mais!!! Vou falar tudo que está engasgado na minha garganta e você, Vanessa Mesquita, vai me escutar sem deboches, ironias e brincadeiras estúpidas. Só Deus sabe o quanto eu tento, o quanto eu preciso te odiar por tudo que você me fez, por que você me faz…

- Olha, eu não estou entendo aonde você quer chegar, mas confesso que to curiosa para saber o que eu fiz pra merecer tanto ódio!

- Me diz como você consegue ser tão fingida? Você tá entendendo muito bem. Mas me diz, por quê? Eu pensei que a gente era feliz, que você me amava, o que faltou? O que eu não te dei? O que eu não fiz? Por que você me enganou desse jeito? - disse Clara se segurando para não chorar novamente.

- Eu te enganei?? Já que você quer desenterrar o passado assim seja, já está mesmo na hora de termos essa conversa e eu também preciso de respostas. Só não seja falsa e hipócrita, porque a única que enganou alguém aqui foi você. E não sei sinceramente o que você ganha se fazendo de vítima. Quem deveria te odiar sou eu, por você ter sido fraca e agido como agiu.

- Eu fui fraca sim!! Mas fui fraca por confiar em você: uma mulher desleal, infiel, que me traiu na primeira oportunidade. Eu fui uma idiota ao pensar que você me amava e que está feliz ao meu lado!

- O que você quer dizer com ter “te traído”?? Você tá maluca?? Quem não estava feliz era você e assim que apareceu a primeira oportunidade fugiu e deixou aquele bilhete cruel. Afinal, foi tudo uma simples curiosidade, né? Foi você que nunca me amou e, se algum dia me amou, teve medo de enfrentar a situação e preferiu fugir, sem ao menos ter a decência de me avisar que estava me abandonando! E agora me acusa de te traído!!

- Ah ta, agora você vai se fazer de sonsa… Olha não adianta!! Foi você que me abandonou primeiro ao dormir com a Marina! Eu vi você duas dormindo juntas!! Ninguém me contou!!

- Como assim? Do que você está falando? Eu não dormi mais com a Marina depois que ficamos juntas!!

- Sabe o que eu senti ao vê-las abraçadas e nuas??? Eu desejei morrer quando vi que você a abraçava com tanto carinho!

- Ah, agora eu entendo tudo!! Você supostamente me viu dormindo com a Marina e por isso foi embora daquele jeito deixando aquele bilhete cruel…

- Supostamente, não!!! Eu te vi dormindo com ela!! Não negue!!!

- Mas eu não dormi com ela!!- gritou Vanessa. - Assim que eu terminei de arrumar a festa eu fui pra sua casa! E não entendi nada quando acordei SOZINHA na minha cama. Achei até que tivéssemos resolvido dormir lá, aí quando levantei pra te chamar vi aquele bilhete cruel em que você falava que eu fui só uma curiosidade. Por que você não confessa que realmente eu não passei de uma curiosidade como você escreveu no bilhete???

- Bravo, bravo, bravo… Me diz uma coisa, por que você não fez teatro?? - disse Clara irônica batendo palmas. - Nossa televisão está perdendo uma excelente atriz!! A única mentirosa aqui é você!! Eu vi vocês juntas, você não foi para minha casa depois da festa então eu fui procurá-la e a vi com ela. Eu não tenho razões pra mentir, você sim!! Eu escrevi aquele bilhete por despeito, porque eu estava com muito raiva, você não foi uma curiosidade. Diferente de você, eu te amava!! Mas como você queria que eu agisse?? Fingisse que não tinha te visto com ela!!

- Clara, eu não te traí, acredita em mim!! Eu te juro, eu realmente não to entendendo porque eu não cheguei no seu hotel, nem dormi na sua cama com você. Eu não sei porq ue eu amanheci na minha cama, mas eu sei, eu sinto que eu não te traí, isso que você viu não pode ser, eu não me lembro de nada! Mas, olha, a gente pode descobrir o que aconteceu, deve ter sido tudo um engano, um mal entendido!! Se você me amava como você diz, me dá uma chance para te provar que foi tudo um engano!! A gente descobre isso e resolve a situação, deve haver uma explicação. Por favor!! - suplicou Vanessa quase chorando.

- Não adianta. Guarde suas mentiras pra você, porque eu nao acredito em nada que me diz. Você não passa de uma mentirosa, Vanessa Mesquita!!

- Clara, eu…

- Chega! Eu não quero ouvir mais suas mentiras!! Não quero ouvir sua voz, quero esquecer que você existe!! - gritou Clara.

- Se você pensa assim e não acredita em mim, realmente não há nada mais que conversar, qualquer esclarecimento é desnecessário e já não importa mais! - disse Vanessa triste.

- Eu acredito no que eu vi e agora acho que já podemos, definitivamente, enterrar o passado. Já falei o que eu queria, já percebi que realmente foi a melhor coisa eu ter deixado aquele bilhete e agora eu posso ser feliz, finalmente- disse Clara fingindo-se animada.

Van, diante tudo que foi dito, estava com um olhar triste voltado para o lago e ao ver que Vanessa estava em silêncio e para ferí-la como se sentia ferida, Clara continuou:


- Sabe, hoje quando eu te vi com a moça no café, pude perceber que não importa quanto tempo passar, dez, vinte ou cem anos, você continua sendo a mesma vadia que abre as pernas para qualquer uma!! A melhor coisa que eu fiz foi ter ido embora!!- disse Clara com despeito

- Já chega, você é uma fraca, Clara! Uma mulher que não merece ser amada e eu realmente me arrependo de não ter dormido com a Marina. Você não vale o chão que a Marina pisa, e quer saber? Não sei o que aconteceu naquela noite, mas foi a melhor coisa você ter saído da minha vida. E eu vou te dar só um aviso, eu nem preciso falar para o meu irmão que você não vale nada, mais cedo que você espera sua máscara vai cair e quando meu irmão perceber a mulher fria, calculista e fraca que você é, vai te abandonar e te trocar por outra. E esse dia eu vou estar ao lado dele, muito feliz por ver você fora de nossas vidas! Você me dá pena!

- Bom, pense o que você quiser, diferente de você, seu irmão me ama e nunca vai me trair

Antes que Vanessa respondesse, Lari se aproximou olhando diretamente para Vanessa e ignorando Clara.

- van, achei que você já tinha embora!

- Pois é, já estamos indo sim - respondeu Vanessa.

- Ah que pena, queria tanto que você ficasse mais um pouquinho - falou Lari.
- Olha, vai ter uma festinha na minha casa em Itaipava… Porque você não aparece? - disse Vanessa com o antigo sorriso cafajeste nos lábios.

- Festinha? Não precisa me convidar duas vezes!! E eu adoro dar presente e pode deixar que o seu eu vou te dar pessoalmente - disse sugestivamente falando bem baixinho e comendo Vanessa com os olhos.

- Te espero no carro - disse Clara enfurecida, morrendo de ciúme e raiva ao ver aquela mulher se jogar nos braços de Vanessa.

- A Lari não queria que eu viesse embora, mas disse que vai na festa com certeza! - disse num tom provocativo.

Silêncio.

- Sabe, apesar de tudo, de o nosso caso ter durado tão pouco, tenho que confessar que você me deu prazer - disse Vanessa num tom amargurado ao ver que Clara permanecia calada.

Ao ver que a loira continuava calada, acendeu um cigarro e continuou:

- Não sei o que vai acontecer daqui pra frente. Se você vai embora, se vai casar com meu irmão, mas, independente, vou me afastar de você, afinal, não faz sentindo eu conviver com uma pessoa que sequer acredita em mim - disse Vanessa ressentida ao vê-la calada.

Clara em nenhum momento respondeu as diversas provocações de Vannessa e, por mais que todos aqueles comentários tivessem ferindo-a por dentro, continuava olhando a paisagem e ignorando os comentários cruéis que saiam da boca daquela única que amou e nunca deixou de amar.


Não ia mais chorar por ela e ia esquecê-la, Clara prometeu- se mais uma vez