moradora

Olho para o meu reflexo e não me reconheço mais naquela figura reflectida no espelho. Acho que o tempo afinal não cura nada, além de amenizar. E, eu continuo a ser uma estranha para mim própria, onde a dor é a principal moradora.
O fundo do poço já não está tão longe assim como há uns meses atrás. Está cada vez mais perto, e eu não vejo saída. Só enxergo escuridão, a doce e acolhedora escuridão. Diga-me, o que eu faço quando a única coisa que eu quero é desaparecer desse mundo? O que eu faço quando tudo à minha volta está a desmoronar, e eu não consigo evitar ir junto? O que eu posso fazer para sair deste abismo que me come mais a cada dia que passa? Diga-me, porque eu já não sei mais o que fazer.
—  Redbird.

Sim, isso é uma barraca do beijo, você não está sonhando. Acontece que minha parte no aluguel está um pouquinho atrasada e eu preciso conseguir esse dinheiro, li na internet que uma barraca do beijo atrairia as pessoas, ou uma barraca de limonada, mas eu não tinha dinheiro pra comprar os limões. E então, o que vai ser? Vai fazer uma moradora feliz pagando cinco euros por um beijo?

anonymous asked:

Liv tenho perguntas pra você. Primeira: Quem é ou quem são seus melhores amigos? E segunda: Sua mãe era moradora da Terra do Nunca??? Tipo uma fada, sereia... E por ultimo, Liv você tem vontade de voltar pra Terra do Nunca??? Sente falta de lá??

Olivia: Meu melhor amigo era meu irmão. Não tenho um melhor amigo ou mesmo um amigo aqui em Auradon, pois a maioria das pessoas só se aproximavam de mim por conta do Norwood.

Olivia: Sim minha mãe era moradora da Terra do Nunca. Ela era uma sereia, a mais bela de todas, em minha opinião. Gostaria muito de poder apresentá-la a vocês…

Olivia: Sem dúvidas sinto falta de lá e de todos meus amigos, Peter, Sininho, os meninos perdidos… Sempre que posso converso com eles e planejo quando terminar a escola, me mudar para a Terra do Nunca novamente e quem sabe um dia viver lá com meu pai sem que ele tente matar meus amigos.

Tóxica

Continuo muito pensativa. Triste, me sentindo lixo. Quase um risco biológico. Não tenho muito o que dizer.

Ando pensando em como eu seria sem alguém para me ajudar. Não tenho nada que seja meu, a não ser o meu nome. E o meu caráter.

Me sinto uma moradora de rua dentro de uma casa e com minha família. Suja, com roupas velhas, sozinha - mesmo tendo minha família comigo - desanimada, mal cuidada, feia, vendo o mundo passar enquanto eu morro aos poucos. O sol nasce e estou debaixo das cobertas; ele se põe e eu continuo debaixo delas.
Moradores de rua são guerreiros e suportam humilhações incomparáveis. Dessa forma desconheço meus limites.

Se eu fosse uma semente e me jogassem na terra, nem sei se brotaria. Talvez apodrecesse antes de florescer. Se crescesse, nem imagino o tipo de fruto que daria. Veneno é a maior probabilidade.

- APSF.

[Uma casa sem quintal não sabe o que é poesia]

Um quintal, aos olhos do dicionário, pode ser um pequeno terreno com horta, um jardim ou um pátio acoplado a uma moradia. Um quintal, aos meus olhos, é onde a casa faz poesia. Quando todos os habitantes se recolhem para sonhar, ela desperta para sentir, escrever, falar. As paredes não têm só ouvidos: elas têm alma, e boca, e mãos. E dessa alma nascem todas as palavras que precisam ser ditas; e dessa boca ecoam todas as vozes dos nossos silêncios; e dessas mãos surgem os versos mais bonitos e necessários para redesenhar nossas lembranças.

A casa é a primeira moradora de qualquer casa. Ela conhece como ninguém a vida de cada inquilino que passou por ela. Alguns ficaram para sempre. Outros, apenas por uma noite — ou menos. Por ser concreta demais, não consegue expressar seus sentimentos mais profundos. Acusada de ser fria e vazia, transferiu toda a sua delicadeza para os fundos. Para se proteger, ela escondeu toda a sua poesia no quintal. Desde aquele dia, ele se apossou de sua ternura e passou a ser o responsável por compor o que ela sente. Ele sabe quando ela tem vontade de chorar. Ele sabe quando ela sente desejo por sorrir. A sensibilidade de uma casa depende do seu quintal.

Quando as pessoas perguntam quantas casas existem na minha rua, no fundo, querem saber quantos quintais existem ali. No fundo, querem descobrir quantos poemas existem ali. Uma rua com mais de trinta casas, por exemplo, é uma coletânea de poesia. Uma casa isolada é um poema triste. Uma casa sem quintal tem a métrica de uma casa — logicamente —, mas é uma casa que não teve a chance de ser poesia. Já um apartamento é uma casa que se mudou, que cresceu para cima e nunca mais pôs seus pés de cimento na infância. Um apartamento é um verso que vive de saudade. Eles tentam nos enganar e nos fazem até acreditar que o play é uma espécie quintal moderno, como se ali pudéssemos encontrar um vestígio de delicadeza, um pedacinho de candura, um restinho do que fomos quando éramos poesia. Bobagem. Play é autoajuda, é alegria que se esquece rápido.

Tenho certeza de que Manoel de Barros fazia poesia no quintal. Sorte a dele de ter apenas o Pantanal inteiro como jardim. Dizem que foi o Pantanal que escolheu nascer em volta do Manoel, não o contrário. As plantas mais raras começaram a brotar das sementes da sua solidão. Suas mãos, então, pintaram as primeiras manchas das onças. Seus pés ensinaram os jacarés a nadar. Suas asas criaram raízes no chão de nuvem. Ele voa com os versos, pousa num rochedo, descansa ao lado de um pequeno tamanduá. Só ele sabe que lágrima de crocodilo é sincera. Cada página da poesia do Manoel é uma folha que se despede do nosso quintal. Que tal a gente procurar de novo aquele nosso quintal interior?

Volto para meu quintal. Meu vulto agora é de menino. A roupa molhada ainda espera o vento no varal. A bermuda parece balançar com perninhas invisíveis. A camisa escura — que claramente já não me veste mais — parece querer me abraçar e dizer: “Ei, menino, vamos correr? Vamos brincar novamente de ser infância?” Se eu tivesse um lenço, choraria. Choro. A família não para de crescer. Aos domingos não cabemos mais na cozinha, por isso põe-se a mesa no quintal. As meninas pulam amarelinha. Os rapazes rodam pião. Os passarinhos fazem a festa quando cai uma migalha de pão. O chão reflete o galho da árvore maior. É a mão do poeta alimentando a liberdade. Sou livre?

Toda criança quando cresce deveria virar quintal.

[Texto e fotografia: Pedro Gabriel]

O que acontece, Joaquim?

Não vejo mais o sorriso que antes cativara toda e qualquer moradora desta cidade de fim de mundo. É por causa dela, Joaquim? Ah, o primeiro amor a gente nunca esquece, mas a gente supera, a gente tem que superar. Mas guarde ela no peito, com carinho, com respeito, porque fora ela quem destrancou teu coração. Outras moças hão de vir, da cidade vizinha ou do outro lado do mundo, tente não lembrar dela quando isso acontecer, porque senão, rapaz, é encrenca na certa. Tu vai a loucura, vai chorar todo Domingo depois da missa, só porque ela lhe jurou sua mão em casamento. Tu é moço jovem, tem muito o que viver, tem muito o que amar e muito o que sofrer. É que nessa idade tudo é grandioso, tudo é intenso. Quando tu olhar para trás vai ver que o que você chamava de coração partido, era só uma arranhão ardido. Coloca esse sorriso no rosto, menino, que moça nenhuma vai te querer murcho desse jeito! 

Gabriela Giacomini.