mlari

Existem dias que parecem calos na vida da gente, e então você se sente como se não esperasse mais nada. Isso me irrita profundamente, por que eu fico a espera de mim.  Quero que algo me faça ter coragem de me transformar em qualquer coisa mais simples, quero conseguir ir atrás de todas aquelas promessas bobas que fiz ano retrasado, sinto que fico acumulando muita coisa e deixo de fazer por ficar pensando como seria se eu fizesse. Sinto que preciso me encontrar, porém nem sei por onde me perdi. Sei que preciso começar, mas não sei por onde. Meu começo se camufla no tempo em que me iludo. Como se deixar pra depois fosse mais fácil, eu uso a desculpa de estar me preparando, embora na verdade não estou nem um pouco preocupada. Não estou preparada para uma mudança ainda. Não gosto de mudanças. Vivo minha vida do jeito que está, pois acho que, se mudar piora. Não gosto de fins. Tem muita coisa em minha vida agora e sei que preciso dizer adeus para algo. Eu apenas não consigo. É duro demais aguentar outro adeus para quem já viveu tantos. Deixo acumular muita coisa, muitas dores, muitos sentimentos. Dou liberdade e confiança a quem não deve e me arrependo depois. Tem dias que tudo me irrita e que penso que o mundo virou contra mim.  Tem dias que parece que meu mundo está constantemente nublado. Preciso apenas de um sol que me guie no dia-a-dia e me traga luz. Me ajude nas decisões, sabe? Não você não sabe. Me indigno quando penso que não consigo mais acompanhar a minha vida, por isso acho que sou fraca demais, instável demais, e até um pouco fútil. E talvez seja mesmo, e você também é. Então decido que vou parar de planejar uma corrida atrás do meu próprio rabo, pois me desgasto quando acordo e acho que sou outra pessoa e isso é em vão.  Ando tropeçando nos meus próprios pensamentos, e agora sei que não preciso mais me esperar, muito menos esperar você, tenho que me acompanhar. E você não vai junto, não mais. Refugiadas

Entraram assim de mansinho em mim. Tamparam meus olhos, sufocaram qualquer chance de eu perceber o que me acontecia. Bandidos. Reviraram meu coração, envenenaram-me com suas mentiras, convenceram-me com suas promessas tolas. Não, tola fui eu que acreditei. Deixei que me levassem de mim mesma, me arrastassem pela minha própria vida. Deixei que escolhessem por mim. Obriguei a mim mesma a acreditar quando diziam que estava tudo bem. Mexeram com meu interior, destruíram todos os meus sonhos. Nem eu sei mais se sobrou algo aqui dentro que possa ser aproveitado. Agora só me restaram essas recordações frustradas. Eu, você, nós… Isso nunca existiu. Ladrões de almas chegam e acabam com tudo que tem de importante pra você. Eu fui tão imbecil em acreditar naquelas palavras melosas, naqueles sorrisos que sempre enchiam meus olhos de lagrimas. É, lagrimas que logo mais se transformariam em um tsunami de medos, algo que parecia lavar um pouco a dor que existia dentro de mim.  Deveria prestar atenção do rumo que tudo tomava, mas nada fiz, fui plateia na minha própria vida, enquanto sorriam e davam-me olhares lustrosos encarnados e carregados de mentiras e enganações, mas deixei-me levar pela face embelezada e pelas mentiras ditas ao fundo dos olhos, restaram apenas coisas desnecessárias, ainda respiro. Roubaram-me na cara limpa e alma suja, um furto premeditado, ganhando-me aos poucos, a cada troca de palavras era um furto rápido e generoso que eu nem sequer havia notado. Remendo-me aos pouquinhos, denuncio a crueldade feita por mim mesma. Havia de ser um choque de realidade, uma sacudida forte para acordar, para prestar atenção em quem confio e quem desejo. Sacudiu meu mundo, tomei meu foco. “Há males que vem para o bem.” - Refugiadas and melancolica-mente