minha parte preferida

speak your language day

Olá pessoas! Hoje é o dia de falar sua língua natal, gosto muito desse dia pois você tem a oportunidade de falar a sua língua raiz para todo mundo! (yeah!) Sou JoJo fan Br hue xD! Amo o Jotaro com todas as minhas forças, minha parte preferida é a Stardust Crusade, falo pouco inglês pois ainda estou cursando e sou natural de Recife-Pernambuco. Vou aproveitar e agradecer a todo mundo que me segue, fico feliz por ter 2 mil JoJo fãs e alguns brasileiros escondidos rsrsrs. Bom, acho que é isso, aproveitei esse dia pra dizer essas coisinhas ^^ e continuem reblogando e dando likes pras coisinhas que posto e desculpem se eu sumi, tenho outro tumblr pra administrar hehehe. Beijos pessoas e amo vocês!

eu vi deus nos teus olhos ontem

quando os raios do sol fizeram uma linha pra encontrar minhas partes preferida do seu rosto 

quando alguém ligou a fonte e você ficou bonito sorrindo pra ela 

quando eu percebi dois prédios assimétricos do outro lado da rua, azul e rosa, e eu senti uma felicidade genuína por eles existirem 

era uma segunda-feira-punk e ninguém é feliz nas segundas 

nós fomos 

no nanosegundo que meus olhos encontraram os seus e não me importei em ser descoberta 

pensei que você veria minha esquizofrenia, minha culpa descompassada, minha existência latejante e botaria sua mochila nas costas pra ir embora 

mas ao invés disso você contou todas as pintas do meu pescoço 

acho que foi o seu jeito de dizer que vamos durar 

Voltando pra casa eu fiz uma lista de coisas que eu nunca te disse. Uma lista de clichês que você nunca ouviu da minha boca, mesmo que precisasse. A primeira delas é que amo seu cabelo bagunçado tanto quanto a ideia de acordar e me deparar com você na frente do espelho, eufórica, tentando dar um jeito nele. Adoro o barulho que você faz quando está entediada e como consegue se divertir com coisas simples. E já que estou sendo sincero, eu nunca entendi essas teorias malucas sobre astrologia que você me explicava, mas fingia adorá-las só porque você é extremamente sexy quando se confunde na própria razão. E faz, automaticamente, com que eu me perca no tempo te ouvindo contar as mesmas velhas histórias de sempre. Amo a sua coleção de botões de bandas e sua mania de esconder os olhos sempre que está envergonhada. Seus olhos, inclusive, continuam sendo minha parte preferida em você, eu poderia morar neles se houvesse espaço, mas agora, não há espaço pra mim nem na sua cama. Eu odeio quando as pessoas passam por mim e não notam a sua ausência. Odeio quando esses sapatos gastos se enterram na neve e me fazem sentir como se o meu coração estivesse ali, enterrado. Odeio essa comida fria que só prova como eu sou um péssimo cozinheiro, mas na maioria das vezes, eu odeio mesmo é essa saudade que eu sinto. Eu passei a minha vida inteira odiando seus romances porque eram cheios de clichês. Odiando aqueles filmes porque eram cheios de clichês. E agora, eu começo a me odiar por não ser um deles. Finais felizes não são chatos, amor. Chato é não ter final com quem se ama.
—  Rafael Amorim

A Dificuldade De Ser Crer No Amor

  “The End” nunca foi a minha parte preferida dos filmes. A não ser quando o filme é ruim.

  Fui criado a filmes da “Disney” e da “Sessão Da Tarde”. Então, pra mim, é super compreensível acreditar no amor e achar que é possível ter um final feliz com alguém. Aliás, de uns tempos pra cá, tenho achado essa frase meio contraditória. Afinal, se é final, não é feliz.

  Como que, algo que é bom, pode acabar? Algo que é (realmente) bom torna-se imortal, intocável e invicto a qualquer tempo, briga e desencontro. Não. Para. Não se iluda novamente. Essas coisas só acontecem nos filmes da “Disney” e da “Sessão Da Tarde”.

  No filme da vida real, você pode chegar aos setenta anos sem conhecer a sua cara metade. Mas não se desespere. Não estou aqui para acabar com os seus sonhos. Aliás, estou aqui para dar base aos seus sonhos.

  Se você acredita (com fé e força) no “final feliz” que fomos adestrados a acreditar desde crianças, não tem problema nenhum. Ao contrário. Eu até lhe parabenizo por isso. Mas, cá entre nós, você precisa concordar comigo que, para se ter um final feliz, você deve fazer algo, né? E não basta só encontrar a pessoa “perfeita” (perfeita entre aspas pois a perfeição é muito relativa e não se deve crer em somente uma via).

  Você deve ser a pessoa “perfeita” que você mesmo quer encontrar. Eu, por exemplo, quero encontrar alguém que jogue videogame, que curta motos, que acredite em E.T.s, que queira viajar para o Japão, que deseje ter um casal de filhos, que escute The Smiths, que seja cinéfila, que durma ouvindo Bon Iver e que goste de contos de terror tanto quanto eu…

  Encontre alguém que também queira ser a pessoa que ela mesma quer encontrar. Só assim você encontra, definitivamente, a sua cara metade.

  E não ache que a sua cara metade é a pessoa que gosta de tudo que você gosta. Não! Isso seria chato demais. A sua cara metade é a pessoa que te faz rir de de madrugada num ataque de cócegas espontâneo, que te faz carinho, que te beija mordendo os lábios, que puxa o seu cabelo com uma certa força e leveza, que morde a sua orelha com gosto, que te olha como você fosse feito pelo mais puro ouro, que te abraça como se fosse a última vez no mundo que vocês se veem e que, principalmente, te faz sorrir do nada.

  Meu amigo, quando isso acontecer, pode ter certeza que você encontrou o seu par perfeito. Não necessariamente para “toda a eternidade”, mas sim para “toda a eternidade que tiver que durar”.

  Meu amigo, não deixe de acreditar no amor só por que ele (ainda) não deu certo. Amores não são para dar certo. São para serem amados.

  Essa frase pode ter sido complexa, mas é levemente compreensível. Tente fazer força para entender.

Imagine Harry Styles

  • Olá queridas!! Como estão? Então, esse imagine não é um pedido, mas é a continuação de um pedido. Eu resolvi fazer porque gostei muito e quis inverter os papeis. Então é isso. É uma carta da (S/n) descrevendo seu amor pelo Hazza, assim como a primeira parte a carta é dele.
  • Espero que gostem bastante me me digam o que acharam, ok?
  • Para quem quiser ver a carta dele para ela, clique AQUI.

Boa leitura Xx


For him,

Talvez você não saiba, mas desde o momento em que eu ouvi a sua voz, algo em mim chamuscou. Sempre desdenhei de caras que usavam cantadas baratas para conseguir chamar a atenção de uma garota, mas veja só o que me aconteceu. Você chegou, todo bobo e sem saber o que fazer para falar comigo. Fingiu querer um livro que você não sabia o nome e me pediu ajuda. Como você não percebeu que todos os atendentes estavam de uniforme? Você me ganhou só com o som da sua voz. Juro que revirei os olhos e pensei em te dar um fora bem pensado, mas aí você colocou as mãos nos bolsos e sorriu para mim. Amor, você não pode sorrir assim para as pessoas. Não tem como resistir. Naquele momento,aquele breve momento em que você sorriu, fazendo suas covinhas aparecerem, provocando ruginhas pequenas no canto de seus olhos, meu peito explodiu. Não sei se você percebeu, mas eu fiquei sem ar por meros segundos. Mal sabia eu que já começava a te amar bem naquele instante.

Depois desse dia não paramos mais, não é? Saímos várias vezes, e eu ria com todas as suas idéias mirabolantes para nossos encontros. Eram tão criativos e sempre tão cativantes. E todas as vezes que você me dava um beijo na bochecha… Eu sempre torcia para você errar na conta e encostar nos meus lábios. Acho que eu estava mais ansiosa para te beijar do que para comer. Eu não parava de encarar seus lábios, onde quer que estivéssemos. Eu sempre arranjava um jeito de ficar fitando seus lábios, seja quando você falava, quando fazia careta e até quando fazia bico. Você não sabe o quanto eu sonhei com eles.

Falando assim parece até que é a minha parte preferida do seu corpo, mas depois que comecei a te conhecer mais, fui descobrindo outros lugares, alguns tão imperceptíveis que eu só podia perceber por mero descuido seu. Mas também comecei a conhecer seus muitos lados e me apaixonei por todos eles, cada um com a sua singularidade. Seu lado divertido, como na vez que fomos a praia e você correu comigo nas suas costas até a água cobrir nossos corpos. Seu lado romântico, como na vez em que subornou técnicos da iluminação de um dos maiores prédios do centro da cidade só para colocar minha frase preferida escrita em pequenas luzes por todo o prédio. Ouso dizer que foi o nosso não encontro preferido. Seu lado idiota veio logo depois, quando você me mandou uma mensagem no mesmo dia da frase no prédio, perguntando se eu consegui ver a “pequena” homenagem que fez para mim, e que caso eu não tenha visto, poderia deixar lá a semana inteira e até o mês inteiro, só para eu passar por lá e me lembrar de você.

Ah Harry, eu não queria me apaixonar, não queria me entregar assim tão rápido. Deus sabe o quanto eu pensei em deixar as coisas irem devagar, mas eu não aguentava mais. Eu precisava tanto de você, a cada dia, a cada hora do dia. Queria sempre você comigo, seja pelo telefone ou pessoalmente. Adoro suas palhaçadas e suas frases engraçadas. E amo demais quando me chama para sair com seus amigos. Me sinto tão feliz por saber que faço parte da sua vida, como no dia em que me chamou para conhecer a sua mãe.

Se lembra de como fiquei nervosa? Pirei e fiquei tentando achar uma roupa a semana inteira para a ocasião. Nunca fui de ligar muito para roupas, mas era a única coisa que eu poderia me ocupar para não pensar na hipótese dela não gostar de mim. Mal sabia eu que ela já gostava de mim, só pelo simples fato de fazer o filho dela feliz. Harry, você não sabe o tamanho do sorriso que eu dei quando ela me disse isso. Acho que ela até se assustou com o meu sorriso, mas eu não ligo. Eu estava radiante.

Eu queria ficar aqui, listando todas as coisas que amo em você. Todos os momentos bons e ruins que passamos juntos. Todas as nossas brincadeiras, nossos encontros e nossos momentos de fraqueza. Mas você está dormindo tão lindamente que não consigo me decidir se dou atenção para esta simples carta, ou se fico apenas te observando, respirando calmamente, com os cabelos embolados e jogados no travesseiro, com o peito subindo e descendo. Nós temos isso em comum, gostamos de observar um ao outro dormindo. Não tenho explicação para isso, mas fico feliz sempre que acordo e vejo que você está me observando. Me sinto amada.

Adoro quando envolve a minha cintura e passa o nariz no meu pescoço. Adoro quando vai tirar uma mecha do meu cabelo do rosto e acaba jogando mais outras no meu rosto. Adoro quando sorri para as minhas fotos e adoro ainda mais quando sorri para mim sem tirarmos foto. Adoro quando você reserva um tempo do seu corrido domingo, o dia que você e os garotos jogam futebol,para se dedicar a mim. Adoro quando faz um gol e corre pelo campo, olha para o céu e murmura algo e depois me procura com os olhos e sussurra que foi para mim. Adoro quando estamos numa festa, e mesmo que você esteja do outro lado do salão, sempre arruma uma fresta e sussurra que me ama.

Adoro quando fazemos amor e você diz para mim que nenhuma mulher o faz sentir o que eu faço quando te toco. Adoro quando estamos assistindo filme e você fica tentando incorporar o personagem para chamar a minha atenção. Adoro quando você fica deitado no meu colo, enquanto faço carinho no seu cabelo e te conto sobre um livro que li. Adoro o cheiro do seu cabelo e como você o joga quando está molhado. Adoro vestir suas blusas e adoro principalmente quando você as tira. Adoro quando acordo tarde aos sábados e desço até a cozinha, te encontrando só com uma calça de moletom, tentando fritar ovos e fazer café. Mesmo quando você erra no sal eu elogio, porque eu adoro saber que você se esforçou para fazer um agrado.

Eu queria poder te dar uma estrela. Uma bem brilhante e grande, que pudesse transmitir toda a imensidão do meu amor por você. Mas vejo que nem o nosso vasto sistema solar consegue chegar à metade do sentimento que nutro por você. Também gostaria de escrever poemas e músicas sobre você, mas eu não sou muito boa com rimas. Então fico aqui, apenas te colocando entre um conto e outro. Te rabiscando entre uma fala e outra. Te imaginando em todos os personagens dos livros, apenas esperando o dia em que nossa história será escrita.

Espero que um dia você leia isso e não me ache maluca, nem obsessiva. Aqui não está escrito tudo, mas está uma boa parte. Gostaria que palavras pudessem descrever tudo o que você me faz sentir. Mas não existe, e mesmo que existisse, eu não deixaria um sentimento tão profundo e intenso ser expressado por meras palavras.

Tudo o que quero agora é me deitar ao seu lado, sentir seu braço me envolver e me esquentar, nessa madrugada fria e chuvosa.

Sorrio agora, pois você acabou de abrir os olhos e olhou confuso para o meu lado da cama, que está vazio. Você se virou e me encontrou aqui na cadeira, escrevendo no meu caderno vermelho. Sorriu aliviado e me chamou para o seu lado.

Amor, já falei para não sorrir desse jeito para mim. Não consigo resistir. Espero que entenda esse sorriso bobo e ridículo que estou usando agora. Ele é todo seu. E espero que entenda quando me puxar para o seu peito e sentir meu coração quase sair pela boca. E também quero que entenda meus pêlos arrepiados, quando passar a mão pelos meus braços  porque tudo isso é o efeito que você causa em mim.

Eu te amo xx

/Larry

Capitulo 20 {Tudo ou Nada}

POV VANESSA MESQUITA

Passei o resto da semana sem contato nenhum com Clara. Ela parecia estar mais me ignorando do que qualquer outra coisa, e, eu tinha que admitir que aquilo estava me irritando um pouco. Que tipo de menina me beija e depois foge? Entretanto, aquilo só podia significar que estava se resolvendo e se contentando com Ariane. Não havia outra explicação na minha cabeça, afinal, não teria por que ela me ignorar.

A sexta-feira chegou logo e eu tive que conter a minha vontade de ir falar com Clara para ver como tinha sido a prova. Eu estava aflita por ela mais do que eu já ficara por qualquer outro calouro que ia fazer a prova de Anatomia. Então, fiz Mari descer até o andar de Clara e perguntar para ela se ela tinha ido bem na prova. Depois de algum tempo esperando do lado de fora da minha sala, Mari chegou pelo elevador.

- E aí, como ela foi? – perguntei, chegando perto dela. – Ela foi bem? Ou ela foi mal? Caíram que questões? Aquela questão do esternocleidomastóideo? Eu sabia que devia ter feito ela entender melhor esse nome! – Mari me encarava com a sobrancelha direita levantada. – Mari, por que você não tá falando nada?

- E você lá tá me dando espaço pra falar? – ela indagou – Relaxa, a Clarinha disse que a prova foi ótima.

Suspirei aliviada.

- ótimo – sussurrei.

- Hey, porque esse interesse todo na Clara? – ela perguntou.

- Como assim, Mari? – Bufei, fazendo uma expressão de indignação. Rolei os olhos. – Eu sou a tutora dela, oras! – Bufei de novo, e Mari levantou a mesma sobrancelha que tinha levantado anteriormente. – É cada uma, Mariana! – Que absurdo! – E saí pisando forte para o elevador, deixando Mari com cara de taxo no corredor. Ela nem veio atrás de mim. Devia estar pensando que eu estava enlouquecendo. E eu não a culpava. Eu meio que estava mesmo.

Praticamente corri até o meu dormitório e abri a porta dando de cara com Ângela e duas maquina fotográfica. Assim que ela me viu, focou a lente e tirou uma foto minha. O flash me cegou por alguns segundos e tudo o que eu consegui pensar foi o quanto aquela garota era louca.

- Hey, Van – ela disse sorridente quando abaixou a câmera. – Vai sair hoje?

- Vou, sim – falei. – Hoje tem Bubu, bora?

Ela torceu o nariz.

- Hoje não dá – Ângela disse. – Tenho que ir pra casa, meus pais já estão me esperando lá embaixo. – E então, deu um sorriso chateado. – Fica pra próxima.

E como o mesmo sorriso, saiu do quarto, me deixando para mais um final de semana sozinha. Minha mente viajou para o final de semana que eu havia passado com Clarinha e eu não pude evitar sorrir. Fora tão bom…

Tentei dissipar esses pensamentos e corri para me arrumar. A trupe inteira ia. Eu, Mari, Kadu e, é claro Akemi e Emily. Que praticamente batiam cartão naquela balada.

Arrumei-me rapidamente. Coloquei um vestido vermelho e sapatos de salto alto pretos. Os cabelos, deixei soltos e a maquiagem, fiz carregada de rímel e lápis de olho. Isso sempre realçava os meus olhos, e eu gostava disso, pois era a minha parte preferida do meu corpo.

Desci e já encontrei com Kadu e Mari do lado de fora, me esperando. Pegamos um táxi e fomos conversando até lá. Mari ainda me lançava um olhar desconfiado ora ou outra, mas eu sabia que ela não ia perguntar, e eu agradecia por isso. Não estava afim de um interrogatório quando nem eu mesma sabia o que estava sentindo por aquela menina.

Chegamos na balada e Kadu já me puxou para a pista eletrônica, dizendo que nem queria passar pela área de musica ao vivo, já que Ana Paula estava lá aquela noite. Concordei com ele e fui mas não consegui ficar mais que trinta minutos ali e a musica alta já estava ameaçando furar meus tímpanos e destroçar a minha paciência. Disse à ele que iria na área de musica ao vivo e ele me lançou um olhar decepcionado, mas concordou.

Saí praticamente correndo dali e fui para a área que eu mais gostava. Ana Paula estava com um shorts de cintura alta, uma camiseta branca e bota nos pés. A marca registrada das pintas de leopardo estavam ali em seu rosto, como sempre, e sua maquiagem parecia impecável.

Gostosa como sempre.

Ela começou a tocar uma musica qualquer.

- E aí, delicia! – ouvi uma voz familiar falar atrás de mim, e logo depois, senti minha bunda se apaertada.

- Akemi! – praticamente gritei quando a vi e pulei em seus braços.

- Que tá fazendo aqui sozinha? – ela perguntou, enquanto balançava em sua mão uma caipirinha. – Ah, não! Já sei. Aquele viadinho tá na pista eletrônica e você veio pra cá sozinha certo?

Apenas concordei. Quando foi que o meu relacionamento com Kadu ficou tão previsível?

- Acertou. Mas me diga, o que você esta fazendo sozinha? Cadê a Emily?

- A Emily não veio – ela disse, apertando o copo nas mãos e abaixando a cabeça. – Ela ta meio brava comigo. – Quando levantou a cabeça, deu um sorriso triste e eu vi que seus olhos estavam meio marejados.

- Por quê? – perguntei.

- Ah, ela ta querendo namoro, Van! Eu não quero namorar.

- Não quer namorar a Emily ou não quer namorar uma garota?

- Qual a diferença? – ela perguntou, comprimindo os olhos. – É a Emily é uma garota.

- Tem muita diferença, Akemi.

AnaP. Continuava tocando, mas eu estava dispersa demais para que eu conseguisse ouvir qualquer coisa que saísse da boca dela, já que assim que olhei para quem estava na “plateia” vi que, há poucos metros de mim, Clara estava em pé, observando AnaP. Com admiração. Tive de admitir que aquilo me deu uma pontinha de raiva, o que eu estranhei, é claro, afinal, eu não nutria sentimentos por AnaP. Há muito tempo.. Olhei para ela enquanto ela terminava de cantar, tentando procurar em seu rosto a resposta para os meus problemas, mas tudo o que veio foi um sorriso (lindo, diga-se de passagem), e, pasmem, não era na minha direção. Quando segui o olhar que ela estava dando, pude observar que era na direção de Clara. Ela pareceu envergonhada, e eu, obviamente tinha que segui-la.

- Já venho – disse à Akemi. – Vou ao banheiro.

E então, fui atrás de Clara. Chegando lá, vi que ela estava molhando o rosto com a água da pia, e aquela cena me deu mais raiva ainda. Ela já tava com fogo pra cima da Ana P.? Puta que pariu, essa menina não perde tempo mesmo.

Coloquei minhas duas mãos na cintura e esperei que ela me encarasse, e assim que ela fez, quase tropeçou no próprio pé de tão surpresa que ficou.

- Você não tem nada melhor pra fazer além de ficar me encarando no banheiro de uma boate? – ela perguntou, sarcástica, ainda me olhando através do espelho.

Que garota metida!

- E você não tem nada melhor pra fazer além de ficar secando a vocalista da banda? – perguntei no mesmo tom. Ou pelo menos eu achava que era o mesmo tom.

Clara sorriu, e se virou para mim.

- você não tem direito nenhum de ter ciúmes de mim, Vanessa.

Bufei com a falsa indignação.

Ciúmes? Eu? Dela? Faça-me o favor.

- Eu não estou com ciúmes!

Clarinha levantou a sobrancelha direita e se apoiou na pia com as duas mãos.

- E tá aqui no meio do banheiro fazendo essa ceninha por que mesmo?

Procurei por uma resposta na minha cabeça, mas não encontrei nenhuma. Na verdade, eu encontrei algumas sim, mas nenhuma das quais eu iria admitir em voz alta. Clara bufou da minha falta de reação, e voltou ao espelho, ajeitando a sua maquiagem. Sorriu para o espelho e se virou para mim.

- Seu namoradinho deve estar te esperando lá fora – ela disse. – Vai lá e se joga nos braços dele. É isso o que você faz de melhor mesmo.

E então, se virou para a porta e fez menção de sair, mas eu a puxei pelo braço, fazendo com que ela voltasse e chocasse seu corpo contra o meu. Algumas vozes surgiram do lado de fora do banheiro e a minha única reação foi puxá-la para dentro de uma das cabines. Encostei Clara na parede de uma delas, segurando-a pela cintura. Ela não recusou o meu toque e não resistiu um segundo sequer.

- Eu vou te mostrar o que eu faço de melhor – sussurrei próxima ao seu ouvido e senti seu corpo estremecendo de encontro ao meu. Passei meus lábios pela extensão de seu rosto e desci até o seu pescoço, acariciando-o com a ponta do meu nariz, e sentindo os pelos dali se arrepiarem. Eu adorava as reações que o corpo de Clara dava ao mais simples toque que eu fazia. Beijei seu pescoço com delicadeza. Os braços de Clara estavam ao lado de seu corpo, como se isso fosse protesto o suficiente para que eu parasse. Mas eu sabia que ela estava cedendo. Ela sequer me empurrou; ela sequer tentou de desvencilhar do meu corpo; ela sequer disse para que eu parasse. Ela queria tanto quanto eu.

Subi meu rosto até o seu e a encarei nos olhos. Aqueles mel que invadiram os meus sonhos durante aqueles meses. Encarei seus lábios, rosados, perfeitos. Sua respiração estava ofegante, e eu podia apostar que a minha também estava, mas eu não estava dando muita atenção para mim mesma. Tudo o que importava era Clara. Seus olhos estavam presos em meus lábios, e em um movimento ela mordeu o lábio inferior, e foi aí que eu não resisti. Apertei seus lábios contra os meus e já fui pedindo passagem com a minha língua. Ela cedeu com facilidade e iniciamos um beijo lento que logo foi se tornando rápido. As mãos dela saíram da defensiva e vieram de encontro ao meu cabelo. Clara enroscou seus dedos neles e me puxou para mais perto, como se isso fosse possível. O beijo daquela garota era o mais incrível que eu já havia provado e eu não queria parar tão cedo. Eu não queria ir rápido, não queria mesmo. Quer dizer, eu queria sim. Queria muito, mas eu não iria rápido, pois não sabia absolutamente nada da opinião de Clara sobre aquilo. Entretanto, estar naquela cabine, com o corpo dela pressionando ao meu, com a minha coxa entre as suas pernas e suas mãos enroscadas nos meus cabelos, estava fazendo com que eu perdesse todo e qualquer autocontrole que me restava. Clara desceu a mão até a minha coxa e ali, a acariciou. Meu vestido não era tão comprido, então ela logo chegou na minha pele. Encostou na minha coxa e subiu um pouco a mão, para debaixo do meu vestido. Logo que escorregou a mão para trás e encontrou a minha bunda, ela parou. Olhei para ela e notei seu rosto corando furiosamente.

- Desculpe – ela disse, sem graça. Eu sorri.

- Clarinha – eu disse. – Desencosta da parede.

Assim que ela o fez, levei minha mão até a sua bunda. Eu queria encorajá-la a fazer o que ela quisesse fazer. E aquilo só me excitava cada vez mais. Passei minhas mãos até abaixo de sua bunda, peganda-a pelas suas coxas e ela precisou colocar a mão na boca para não gritar em surpresa. Mas mesmo com a surpresa, ela envolveu minha cintura com as pernas dela. Trouxe suas mãos até o meu rosto e desceu o  seu para me dar um beijo, bem mais quente dessa vez. O toque dos lábios dela me fez estremecer todinha por dentro, e apenas com aquele contato, eu já sentia minha intimidade completamente molhada. Céus, como eu a queria. Quando a língua dela entrou em contato com a minha, eu quase bambeei as pernas, e isso resultou em ter que segurá-la com mais força. Com esse movimento, Clara tentou se arrumar no meu colo e deu uma rebolada involuntária. Eu apertei sua bunda com mais força, desci minha cabeça até o seu pescoço novamente, e ela deixou escapar um gemido quase inaudível próximo ao meu ouvido.

Voltei a beijá-la, meu desejo explodindo dentro de mim. Eu estava com tanta vontade de ter aquele corpo de Clara que chega soia. Tirei minhas mãos de suas coxas e ela se apoiou no chão. Então, a imprensei na parede novamente e minhas mãos já buscavam por seu vestido. Subi um pouco a barra dele, deixando a mostra parte de suas coxas deliciosas… digo, bem torneadas. Passei a mão por ali e fui subindo até chegar na sua calcinha. Coloquei a mão por cima dela e para a minha surpresa, Clara estava tão molhada quanto eu. Entretanto, antes que eu pudesse fazer qualquer movimento, uma voz do lado de fora do banheiro nos tirou do nosso mundinho.

- Vanessa! –reconheci Akemi gritando do lado de fora.

Maldita, Akemi! Maldita! Maldita!Maldita!

- Quem é? – perguntou Clara, ainda ofegante.

- É uma amiga – respondi sussurrando.

- Vanessa? – Akemi perguntou de novo. – Vem, delicia! Não quero terminar noite sozinha hoje!

Eu sabia que Akemi estava brincando. Ela estava completamente chapada e nem tinha noção do que dizia, além do quê, nos chamávamos de “delicia” e de “gostosa” o tempo inteiro. Pra mim era norma. Para Clara não.

Ela me olhou com um olhar magoado que logo foi transformado em raiva. Puxou as minhas mãos e retirou do contato com o seu corpo. E, antes que eu pudesse falar ou fazer qualquer coisa, abriu a porta da cabine e saiu pisando forte. Eu estava atônita demais até para me mexer. Puta que o pariu, Akemi!

Sai da cabine e procurei por Akemi.

-  Akemi! – gritei, girando os calcanhares e procurando por ela no banheiro. – Onde diabos você está?

- Van – ouvi a voz rouca de Akemi. Procurei-a e a encontrei sentada no chão do banheiro com a cabeça inclinada na direção de um dos vasos sanitários. Ela tinha acabado de vomitar.

- Akemi! – gritei. – Puta que o pariu, garota! Você vai pra casa agora! Vou te levar.

- Mas Van.. – ela disse. – A Emily nem apareceu ainda.

- A Emily não vai vir, Akemi. Você trate de se recompor antes de querer qualquer coisa dela.

Ok, eu estava sendo pouco má com a minha melhor amiga, mas eu estava chateada também. Ela parou o possível melhor sexo que eu teria na minha vida. Ela me interrompeu com Clara e ainda a fez sair brava comigo dali. Sempre tinha alguém pra me interromper com ela, e isso já estava me estressando.

- Você acha que ela não me quer? – Akemi perguntou depois de alguns segundos, quando envolvi sua braço nos meus ombros. Ela estava cabisbaixa, parecia realmente chateada. Uma pontinha de culpa me invadiu.

- O que você ta dizendo não faz sentindo, Akemi – eu disse, tentando ser mais dócil dessa vez. – A Emily te ama. Ela te pediu em namoro! Você que tem medo do que sente.

Saí da Bubu com Akemi ainda escorada a mim e chamei um táxi.  A minha noite tinha sido um misto de “ótima” com “trágica”. Assim que deixei Akemi em casa, mandei uma mensagem de texto para Kadu, dizendo que tive que ir embora. Eu sabia que ela ia ficar puto da vida, mas eu não podia fazer nada.

Cheguei no meu dormitório e me joguei na cama, com meu celular em mãos. Ele vibrou. Imaginei ser Kadu, ou até mesmo Clara com uma mensagem de ódio. Mas quando olhei o visor, me surpreendi com um nome que há tempos não via.

lovespizza: Parece que você é a única que consegue me entender, por isso, sinto tanto a sua falta. Podíamos parar com essa bobagem de deixar em segredo quem somos não acha? Que tal nos encontramos? Quero tanto ver seu rosto..

Meu coração disparou no mesmo instante. Eu não sabia como diabos eu conseguia ter emoções similares com pessoas diferentes ao mesmo tempo, e isso me irritava profundamente. Eu estava tendo sentimentos por outras pessoas quando na verdade já namorava. Isso era ridículo.

Respirei fundo antes de responder. A mensagem fora digitada devagar, como se eu tivesse vontade de prolongar o momento, para que mais para frente eu pudesse me lembrar de cada detalhe. Mas, assim que enviei, tive certeza de que era o que eu realmente queria. Já estava na hora.

blackeyes: à qualquer hora, em qualquer lugar.

Hoje eu conheci um homem gente finíssima, amigo do meu irmão. Estávamos nós três e meu pai na sala conversando. Não lembro o que fez homem chegar no assunto casamento e coisas do gênero, mas compartilhou conosco o seu histórico amoroso. Era o seguinte: Há mais de vinte anos atrás, se apaixonou perdidamente por uma mulher. Eles começaram a namorar e, em seguida, noivaram. (Apesar de não ter entrado em detalhes sobre os sacrifícios que cometeu por ela, percebia-se o peso das lembranças no tom da sua voz.) Quinze dias antes do casamento, ela disse a ele havia pensado bem e que era melhor que não se casassem, pois ainda era apaixonada pelo ex e não poderia casar-se pensando em outro. Então eles romperam e nunca mais se contataram. Ele disse que aquilo foi como um tiro na cabeça, que sofreu inenarravelmente pela mulher, de bar em bar, com raiva de Deus, da vida. Mas um tempo depois, aquele inferno passou. Então conheceu sua ex mulher - que na época tinha dezesseis. Ficou nem um ano com a menina e a engravidou. Três anos depois, estava tudo bem entre eles, até que, no mesmo dia (veja bem) em que pretendia pedí-la em casamento (“seria cômico, se não fosse trágico”), descobriu que estava sendo traído. Então terminaram e cada qual seguiu seu rumo. Alguns anos de solidão, para compensar as desilusões e, finalmente, há quatro anos atrás, conheceu sua atual esposa (minha parte preferida da história, apesar de eu não saber como aconteceu). Então ele pediu perdão a Deus por ter duvidado de suas ações, e agradece até hoje por ter encontrado a sua companheira. Disse-nos que gosta muito, muito dela (enquanto dizia, olhava para a sua gorda aliança dourada e deslizava o dedo sobre ela, como uma espécie de carinho). Contou que recentemente viajou para o Rio de Janeiro, onde passou uma semana, e que sentiu-se deslocado sem a sua mulher. Contou-nos que é um romântico assumido; do tipo que não dispensa gentilezas, que abre a porta do carro para a esposa, que deixa bilhetes carinhosos em cima da mesa, que não necessita de data comemorativa para chegar em casa e cortejá-la com um buquê de flores. Tudo porque sabe que ela gosta e se sente amada assim. Disse-nos que pretende passar o resto da vida ao lado dela. Um peixe, quando tirado do aquário e jogado no chão, se debate até morrer. E foi esse o exemplo que usou para contar o que vai acontecer com ele, caso sua mulher morra antes, porque ela é como se fosse o seu oxigênio. Depois disso, alguém fez um comentário aleatório, que fez com que o assunto mudasse. Não lembro quem o fez, porque não prestei atenção em uma só palavra. Fiquei pensando em tudo que acabara de ouvir, impressionada, admirada, e tudo o que se fica depois de ouvir uma boa história. Não é sempre que se ouve uma boa história. Me sinto impotente por não conseguir descrever a carga de sentimento nas palavras daquele homem, a verdade em seu olhar. Ele falava com a alma… e é por isso que tocou a minha. Coração bonito, o dele.

 Paula R.

Ele: Posso te contar uma história ?
Ela: Claro !
Ele: Então ta… Era uma vez, você e eu.
Ela: Só isso ?
Ele: Sim !
Ela: E não tem fim ?
Ele: É, essa é minha parte preferida.
—  Diálogos

Já vivi dias tão horríveis que senti vontade de pedir a Alice as maravilhas de seu mundo, pois não via nenhuma no meu. Já senti dores tão profundas, que senti a necessidade de pedir o peito de meus amigos emprestado, porque ela não cabia só em mim. Já chorei tanto, que a única maneira de acabar com aquilo era dormindo. Já olhei para cima e perguntei “Até quando isso vai durar?”. Já senti tantas saudades a ponto de sentir meu coração se comprimir dentro de mim, pedindo para que o tempo voltasse. “Mas ele não volta”, suplicava. Já abracei pessoas de uma maneira tão forte, que era como se dissesse, sem dizer “Me ajuda, eu não aguento mais”. Já vi o fim do mundo tantas vezes… mas, no dia seguinte, tava tudo bem. Já vi coisas tão perfeitas que me senti no país das maravilhas. Já me senti tão bem, que cheguei a esquecer a existência de qualquer dor. Já sorri tanto a ponto de nem conseguir fechar os meus olhos. Já conheci pessoas tão maravilhosas que me fizeram agradecer pelo tempo ter passado, e por ele não voltar mais. E eu acho que é disso que a vida é feita : de momentos. Não somos, sempre estamos. Efêmeros. Livres como pássaros ao sobrevoar o imenso céu azul. Temos a liberdade de mudar, de sorrir e chorar ao mesmo tempo. E é essa a minha parte preferida. Como reconhecer os momentos felizes sem passar pelos tristes ?

— Gabriela Porto, metamorfoses ambulantes