michelleg

A morte de cada dia

É simples como 2 e 2 sempre dão 4: a gente acha que vai morrer e não morre. Ou talvez morra, aquela partezinha que a gente conserva bem, apesar de morta ou doída. Mas antes morte que drama aceso dia e noite. E a gente acha que tudo dá morte. E todo dia morre de saudade, morre de amor, morre de fome, morre de sono, morre de vontade. No final, somos todos preguiçosos e medrosos demais pra morrermos por menos. Ou talvez morramos. Afogados na poesia, nas rimas mal escritas, nas palavras não ditas, na promessa de morrer não cumprida. Mas pra quem ouve Caetano, sabe que tá certo, tudo certo, quando 2 e 2 dão sempre 5.

remanescência

Desculpa por tornar as coisas tão difíceis. Eu não quero que sinta raiva. E só que de repente eu senti uma saudade absurda! Eu não sei mais o que faço com essa coisa. Poxa, você era o melhor amigo que eu tinha e de repente eu fico sem nada e com uma bizarra sensação de que acelerei todo aquele fim que a gente tanto premeditava. Porra, por que tinha que ter me dado todos aquele presentes pra depois me deixar com aquele seu silêncio grotesco? Seu abraço era o último no mundo que eu queria perder . E eu nem podia dizer isso pra você. Não depois de ter decorado toda uma lista dos porquês de não poder ver você. Eu não sei finalizar isso. Nem essa mensagem idiota que só vei piorar tudo. “Ela é só uma menina”, lembra? Não vai adiantar nada, eu já sei.

Mãe, tem um gnomo no meu jardim.

“Na mitologia nórdica, os gnomos confundem-se com a tradição dos anões, pelo que não é invulgar associá-los a seres que habitam as cavernas ou grutas escuras e não suportam a luz do sol. No conceito geral, têm a capacidade de penetrar em todos os poros de terra e até de se introduzirem nas raízes das montanhas, explorando os mais ricos minérios ocultos e trabalhando-os com intenso e delicado labor. Como são difíceis de ver, simbolizam o ser invisível que através do inconsciente ou da imaginação e visão onírica tornam visíveis os objetos e materiais desejados pela cobiça humana. São os guardiões de tesouros íntimos da humanidade. Por vezes um gnomo capturado pode conceder desejos a um humano que o capture, mas a maioria das vezes o desejo realizado pode acabar por se tornar uma maldição. Tal atitude deve-se ao facto que um gnomo castiga com ardis o ser que odeia e, por isso, na imaginação popular da cultura europeia mediterrânea o gnomo é feio, disforme e malicioso.”

Bem me disse o Wikipédia. Então, gnomo, depois que conceder meus desejos, fique à vontade pra ir. Me ajude a não transformá-los em maldição? Talvez, se eu pedir com o coração, pra pelo menos rimar e lembrar uma canção. Seu gnomo, não se esconda não! Um pouco de magia não faz mal. Sonhar um pouco não faz mal. Só esse ar insípido da respiração humana na cidade faz. Faz sufocar. Como tudo aqui dentro faz. Sou insípida também? Seu gnomo, talvez um desejo, um pedido de paz? Se não der certo a gente refaz. Você estava cercado de rosas naquele jardim vizinho, com outros seis gnomos. Deviam querer imitar a Branca de Neve, mas gosto mais do vermelho da Chapéuzinho. Que importam essas histórias? Vi um gnomo da minha janela e agora já não sei se essa visão me é tão bela. Me atormenta a mente a ideia de nos parecermos tanto, depois de ler essa descrição do Wikipedia.

nempense