metodismo

No geral, é quase sempre desanimador me dispor a escrever. Quando o faço, ocorre sempre de forma robotizada. Esse metodismo que imerge de algum lugar e me acompanha em todas às tentativas me incomoda, mas sigo em frente, relutante a qualquer adversidade. Preencho a outra metade do copo de café com um pouco de leite e me acomodo na cadeira que migrei — sem o consentimento da minha mãe, claro — da cozinha para o quarto, já pensando na árdua tarefa que irei tentar realizar a seguir. Abro a janela e me silencio até o som dos carros passando lá fora, dos gritos dos vizinhos mais próximos, da molecadinha que corre na calçada zumbindo loucamente através do vento se embaralhem e virem uma coisa só. Somente assim, depois da confusão dos ruídos, começo a ter alguns insights pseudofilosóficos, mas nada que seja realmente digno de atenção. Entretanto, mesmo que o pessimismo transponha a vontade de dizer algo em linhas, sigo persistente. Agarro o lápis e mergulho na folha em branco com uma insolência desmedida, escrevendo sobre um monte de coisas, completamente tomado por uma sensação de que a escrita está fluindo perfeitamente e que logo logo algo bacana estará pronto para ser lido por alguém que se disponha a lê-lo por inteiro. Tudo parece correr muito bem, até o momento que acabo parando por um momento para dar uma conferida no que já foi escrito e passo a achar tudo muito sem sentido, transformando o aglomerado de palavras em uma grande bola de papel amassada que vai parar sempre no mesmo lugar, juntando-se as outras que percorreram o mesmo caminho.
—  Junior Lima.