medicada

eu tava analisando todos os fatos e nós nunca chegamos ao ápice da felicidade. você tinha seu jeito autoritário e insensível. eu livre e sentimental. porra os opostos não se atraem. a gente fingia ser o que não era só pra agradar o outro. e esse foi o nosso erro. não foi culpa sua, nem somente minha, a gente se pôs nessa situação. vivíamos vidas que não nos alegrava. e um belo dia houve aquela explosão. eu gritei. você gritou. nós dois choramos. tive uma crise asmática, fui medicada no hospital, você se culpou, eu te odeie por um misero instante. e ali, bem ali, naquele minuto, eu soube, não estaríamos mais juntos. 

um dia desses o telefone tocou, era seu numero, eu atendi. e a gente conversou por horas e horas. e em nenhum momento eu te quis de volta. e agora eu entendo, o nosso nós não era para durar. os opostos não se atraem e nem se completam, eles mentem, e eu não quero mais viver uma mentira.

Carta de una mala hija.

Si mamá, gracias a ti soy quien soy.
Si mamá, gracias a ti soy tan fuerte.
Si mamá, gracias a ti no sufro por chicos.
Si mamá, tú me enseñaste a dejar ir las cosas.
Si mamá, tú me enseñaste a salir de mis problemas.
En efecto madre, soy fuerte por ti, porque después de tus insultos no hay ningún otro que pueda llegar a lastimarme. No sufro por chicos, ni por amigos, en realidad, no sufro por nadie, tú me enseñaste a nunca dejar a nadie entrar a nunca apegarme a alguien. Gracias a ti soy quien soy, gracias a ti tengo que estar medicada todo el tiempo, gracias a las veces que me insultaste y golpeaste aprendí a ser fuerte y a callar las voces de mi cabeza. Gracias a ti salgo de mis problemas sola, claro que si, todas las veces que necesitaba a alguien y solo no podía decirte por miedo a que no lo entendíeras tuve que salir yo sola de esos problemas. Gracias a ti dejo ir las cosas ¿Cómo no hacerlo después de esa vez en que con lágrimas en los ojos te conté lo que ese chico que me había hecho, como me había lastimado y utilizado y tú simplemente no me creíste?
Si mamá soy quien soy gracias a ti, para bien y para mal.
Atte.
Tu hija la sociopata suicida.

-Dedtimalis.
Mi miedo


Tengo miedo a morir, tengo miedo de este vacío en mi pecho. Llevo años medicada sin poder ser libre… Me siento tan sola, no tengo con quien compartir mis miedos y por eso te cuento mi historia.
No tuve grandes problemas de niña pero si una hipersensibilidad al mundo, me duele la guerra, me duelen las muertes, me duele el sufrimiento ajeno y me emociona la música clásica, lloro de emoción y de pena, me duele por los que se han ido… Me duele la vida, como un cuchillo que se entierra lentamente en el vacío que llamo corazón; un corazón que ya no aguanta mas sentimientos. Una llama que se quiere apagar…


Gracias por leerme.

#CuentameTusHistorias.

Recado

!!!! Sou amiga da JESS aqui em CAMPINAS onde ela mora, e ainda estou sem entender então me perdoem se eu não souber explicar o que aconteceu, Mais cedo ela se machucou, peço que vocês que gostam do perfil dela aqui compreendam, ela está sem condições pra voltar agora, estou com o celular dela, queria pedir o apoio pra mandarem vibrações boas, sei que ela tem amigos aqui por isso a contrariei e escrevi, ela está bem agora mas tá medicada,  ainda não sabemos quando ela irá receber alta. Vou estar no tumblr dela nesse tempo mas só para responder as mensagens, se quiserem  mandar um recado para eu mostrar a ela enviem  que vou tentar respondê-los e posteriormente ela irá ver. Gente por favor não deixem de pedir pra que ela se recupere logo, Obrigada. !!!! #melhorajess

anonymous asked:

Es acaso que estas en depresión ? D: uff espero que puedas y no sola porque no lo estas y mientras yo pienso que debes recibir memes y abrazos :)

Estoy hace tiempo 😂😂 de hecho hasta medicada estoy, tengo mis días buenos y mis días malos pero he encontrado a gente muy buena en estos últimos días c: … Una Ariana especialmente, está haciendo que vea las cosas de una manera muy distinta

Te visualizei arrumando a mala e saindo pela porta nas pontas dos pés, só pra dizer que não causou barulho na minha vida. Você estava partindo e fim. Me queria bem, coberta, devidamente medicada, corada, comendo legumes e praticando exercícios. Só não me queria com você. Assim, simples, como um pequeno inseto que entra e sai pelo vão da porta de casa, você quis sair da minha vida. Acontece que o seu tamanho em mim não permitia. Você trouxe uma avalanche e uma manada de elefantes para dentro da minha sala, quebrou meus copos, dançou no assoalho, tirou meus quadros do lugar e tropeçou nos meus tapetes. Não dava para sair em passos de formiga, como se eu não tivesse visto. Não dava pra fingir que o seu rastro não ficou marcado no meu chão. Ainda existia aquele caderno com a sua letra, aquele vestido que você deu, aquelas fotos na tela do meu computador. Tudo bem, a gente apaga, coloca os ursinhos para a doação, rasga as cartas, esconde tudo debaixo do tapete. Mas como é que eu esqueço o que ficou em mim? Como eu faço para tirar essas cicatrizes, curar essas feridas, juntar meus ossos de novo? Porque ninguém que entra e bagunça a nossa sala sai sem deixar vestígios. Que dirá de quem bagunça a nossa vida. E você não se virou, não perguntou se eu precisava de um curativo. Só pediu desculpas como quem quebra um copo e só lamenta por não poder consertar. E eu quis gritar para você voltar nem que fosse para recolher meus cacos, nem que não pudesse me reconstruir. Eu quis gritar porque nem minha cama você arrumou, nem para esconder o vazio que ficou debaixo do lençol com seu cheiro. Mas eu calei, guardei em mim. Talvez você nunca fique sabendo que o tamanho do meu colchão multiplicou por mil e meu coração diminuiu na mesma proporção. Talvez você nem seja bom de matemática, porque estava na cara que não soube calcular os danos. Deixou silenciosa a casa que por muito tempo foi palco das melhores festas da vizinhança. Largou o meu público em silêncio bem no meio de um refrão. E eu me perguntei se você havia esquecido o resto da letra que a gente compôs ou se simplesmente havia enjoado da nossa canção. Você saiu inteiro, com os pés descalços e sem carregar nada nos ombros. Mas eu sabia que, naquele momento, você levava muito além do que tinha nas mãos. Você levava uma parte de mim embora, como um inseto, que entra na nossa cozinha e leva, sem ninguém se dar conta, um grão de açúcar. Acontece que não se leva metade de alguém sem fazer barulho, sem causar escândalo, sem deixar para trás um buraco maior que qualquer buraquinho de cupim. Eu quis cuidar de você, subir no palco e cantar junto aquilo que podia ser a melodia mais bonita da nossa vida. Mas você virou as costas, assim, como quem entra e logo sai de uma loja. Sem nem me dar a chance de perguntar se podia ajudar. Talvez eu pudesse.
—  rio-doce
Capitulo- 24 –O Arrependimento

Ela começou a se aproximar do dormitório. Mas Van não adentrou no lugar, ela começou a ir até o vestiário, onde estava tudo apagado e não tinha ninguém. Ela adentrou no lugar e acendeu uma única luz. Van caminhou até a pia do banheiro, vendo-se no grande espelho, revelando seu rosto manchado por sangue, cheio de hematomas. 
Van retirou sua camiseta e olhou para seu tronco que estava arranhado por ter sido esfregado na pedra. Ela começou a retirar toda sua roupa e foi até o chuveiro, começando a se lavar com uma água morna, sentindo seus cortes arderem. Ela abraçou seu próprio corpo e começou a chorar em silêncio, sozinha naquele vestiário.
O tempo passou e Van continuava no vestiário. Ela havia apagado a luz do lugar para que ninguém viesse incomodá-la. Ela queria ficar embaixo daquela água morna para sempre. Ela sentou-se no piso frio do lugar e ficou olhando para o nada, perdida nos seus pensamentos. Quando seu corpo começou a ficar todo enrugado Van levantou-se e fechou a água indo até suas roupas. Ela tirou o excesso da água com suas mãos e começou a se vestir, suas roupas grudaram na sua pele molhada. Ela calçou seu chinelo e sentou-se no banco de madeira que ficava entre os armários.
- “Eu não quero voltar…” – pensou – “eu quero fugir daqui… não quero mais ficar nesse colégio. Daqui um mês eu vou fazer dezoito anos. Eu vou pegar minha herança e sumir”.
O corpo de Vanessa caiu no banco de madeira, ela começou a fechar os olhos e dormiu naquele lugar. 
O tempo foi passando e o dia substituiu a noite. Os raios solares adentraram pelo vestiário, acordando Van que se sentou no banco de madeira, sentindo cada pedacinho do seu corpo gritar de dor. Ela tocou no seu abdômen que doía mais que qualquer outra parte. Ela respirou fundo sentindo uma pontada na região.
- “Talvez eu devesse ir ao hospital” – pensou, olhando para seu abdômen que estava roxo.

Ela caminhou até a pia, lavando seu rosto e olhando-se no espelho. A franja de Van cobria a parte que havia arranhado na testa, seu lábio estava inchado e vermelho, mas não era nada muito chamativo. O pior mesmo era o seu corpo que felizmente tinha as roupas para cobri-la.
Van saiu do vestiário indo diretamente para a enfermaria que ficava num pequeno prédio de tijolos ao lado da escola. Ela adentrou no lugar, encontrando uma enfermeira que cochilava em cima da mesa.
- Oi! – Van a cutucou.
- Ah! Ah.. oi! Desculpe-me – pediu, erguendo-se.
- Eu briguei ontem… eu não estou me sentindo bem – disse.
Van sentou-se numa cama de lençóis incrivelmente brancos e retirou sua camiseta e sua calça, ficando apenas de calcinha para a enfermeira que começou a examiná-la com atenção.
- Nossa… que briga feia, hein! – a enfermeira comentou – vamos enfaixar seu pulso que abriu, e suas costelas estão bem aparentemente, mas vamos passar uma faixa pela região.
O antebraço direto de Vanessa foi enfaixado, seu abdômen também. Sua testa estava com um curativo como em outras partes de seu corpo. No seu ombro havia uma mordida que também foi medicada pela atenciosa enfermeira que estava acostumada com aquele tipo de ferimentos nas garotas daquele colégio.

- Tome esse remédio. É para dor muscular – disse.
Van pegou as duas pílulas vermelhas e as engoliu com um pouco de água. Ela voltou a se deitar na cama, não querendo mais sair dali.
De repente, para a surpresa de Van, a porta da enfermaria se abriu, revelando uma mulher assustada. Era Pepa que adentrou no lugar, caminhando até a cama de Van.
- O que houve com você? – indagou.
- Nada – disse.
- Como assim, nada? Quem fez isso? – Pepa indagou.
- Ninguém – tornou a responder.
- Se me disser quem foi eu irei castigá-la severamente.
- Não foi ninguém, eu me machuquei sozinha – disse.
- Quem foi enfermeira? – Pepa indagou, olhando para a enfermeira que ficou amuada num canto.
- Eu… não sei. Ela não disse – falou.
- Eu já suspeito que tenha sido Clara. Eu irei falar com a direção – disse.
- Faça como quiser – disse, fechando os olhos – “O que eu menos quero agora… é falar com alguém. Eu quero ficar aqui… até fazer dezoito anos. Ai, se eu pudesse!”.
Fernanda saiu da sala ao ver que Van não respondia mais suas perguntas, ela sentiu vontade de tocar e beijar sua querida aluna, mas não podia fazer isso na frente da enfermeira. A professora de química saiu da enfermaria rapidamente ao ver que estava se fazendo de idiota ali, sendo observada pela enfermeira que estava amuada com sua presença também.
Uma hora passou e Van acabou caindo no sono por causa da medicação. Quando ela acordou, encontrou-se sozinha naquela sala. Ela sentou-se lentamente e olhou ao redor.
- “Acho que não dá mais para fugir” – pensou.
Van caminhou para fora da enfermaria, indo até o dormitório, não encontrando muitas pessoas. Era a hora do café da manhã e todos estavam no refeitório. Any foi até seu quarto, encontrando Luiza sentada à mesa, lendo o jornal.
- Van! – Luiza exclamou, caminhando até ela, vendo o estado de sua amiga – você sumiu ontem! O que aconteceu com você?

Van deitou-se na sua cama e começou a contar o que aconteceu para Luiza, desde o dia que começou a namorar Clara. A loirinha ouviu tudo com atenção, ficando assustada com a atitude de Clara e impressionada com a atitude de Mayra.
- Eu não acredito! Que canalha, ela não pode gostar de você – Luiza disse.
- Eu também acho – concordou.
- Você deve se afastar dela – Luiza disse.
- Eu vou me afastar. Mas agora eu vou ter um grande problema com as outras alunas – murmurou. 
A porta do quarto abriu-se de repente, Luiza e Van olharam para a mulher que adentrou no quarto. Luiza tremeu e se afastou de Van, sentando-se na sua cama.
- Van, eu soube o que aconteceu. Eu estou surpresa e queria saber, como você está? – Juliana indagou.
- Eu estou ótima, não está vendo? – disse com irritação.
- Ainda tem humor. Isso é bom – disse, sentando-se na beirada da cama de Van – eu queria falar com você a sós – disse, olhando para Luiza.
A loirinha olhou para Van e depois saiu correndo do quarto, fechando a porta. Fabricia passou sua mão pelos cabelos loiros de Van e ficou olhando para seu rosto machucado.
- Eu te dou proteção. Fique comigo – disse.
- Eu aceito – respondeu rapidamente.
- Hum, eu fico feliz por isso. Clara não vai perturbá-la mais.
- Eu duvido – disse.
- Ah, sim. Ela vai querer te bater novamente… mas ela estará quebrando uma regra interna. Ela não vai fazer nada contra você. Apenas não fique sozinha com ela.
- E qual será nosso acordo? – indagou, sem muita emoção. Ela estava acabada, mas não queria ser usada por várias garotas do quarto e até mesmo do terceiro ano. Ficar com Fabricia seria a melhor alternativa.

- Você fica somente comigo e obedece as minhas ordens. Simples – disse.
Van fechou os olhos e balançou sua cabeça positivamente. A morena inclinou-se e beijou os lábios de Vanessa, ouvindo a menor gemer baixinho, pois sua boca estava cortada.
- Eu não vou te tomar nessa semana por causa de seu estado – disse – eu vou deixar você descansar. Você fez bem em ir à enfermaria. Durma um pouco, mais tarde eu passo aqui.
- Obrigada – agradeceu.
A morena sorriu vitoriosa, ela finalmente havia conseguido o que tanto queria. Ela sempre ficou mordida de inveja da relação que Clara tinha com a novata, sempre desejando Van para ela. E agora que a loira havia pisado na bola, ela tinha a oportunidade de agir. A noite estava chegando, Van saiu de seu quarto para jantar. Ela estava faminta e era acompanhada por Luiza. Quando chegou ao refeitório, serviu-se e sentou-se na mesa de seu grupo. Obviamente que todas lhe enchiam de perguntas, que acabou respondendo, tirando a parte que Pepa havia lhe chamado até sua sala.
E novamente ninguém do grupo ia tirar uma casquinha de Van pelo fato de ela ter a proteção de Fabricia. Pelo jeito teriam que esperar até a outra desistir de Van também. 
Quando terminaram de jantar, elas saíram do refeitório. Van se separou do grupo e ficou com Luiza. Elas sentaram-se no gramado, observando o céu estrelado, enquanto conversavam.
- Oh, não. Olha quem vem aí – Luiza disse, olhando para sua esquerda.
Era Clara que se aproximava lentamente das duas. Luiza olhou para Clara com desespero, porém Van não estava com medo. O que mais Clara poderia lhe fazer? Bater de novo?
Quando Clara se aproximou, ela olhou para Luiza que se levantou e saiu de fininho sentindo pena que Van. Quando a loira se afastou, Clarra voltou sua atenção para Vanessa, que o olhava sem nenhuma emoção no olhar. As duas ficaram em silêncio, Vanessa não queria ouvir a voz de Clara. Porém, a mais velha começou a falar pausadamente.

 

Ícaro e Kaiane estão deitados em uma cama de casal. Os travesseiros amontoados sobre a cama parecem torná-la ainda mais confortável, o cobertor sossegado em cima de seus corpos parece aquecê-los, e o colchão a qual estão deitados em cima parece tão macio que é como se estivessem dormindo em uma nuvem. Talvez fosse a presença dele que tornava esta pequena cama tão aconchegante toda sexta à noite, a aquela garota de cabelos cor de mel e os olhos verdes, ou fosse próprio da cama realmente. A questão é que, pra ela, ele estar aqui torna tudo tão agradável e cômodo.

Kaiane olha para a mão de Ícaro deitada no colchão, e apoia a sua mão em cima da dele. Ela vira o seu rosto para encará-lo, olhando profundamente nos olhos de seu amado, e sorri para ele. O brilho em seus olhos é tão nítido, como se o amor tomasse conta desse momento, como se nesse momento seus corações falassem mais alto do que qualquer outra coisa no mundo.

Ícaro abre os dedos de sua mão, e entrelaça-os sob os dedos de sua namorada, apertando-os fortemente.  

- Só quero que se sinta segura comigo.

- Eu nunca me senti tão segura com alguém, do jeito que eu me sinto quando estou com você. - Disse Kaiane, apertando mais fortemente agora a mão de Ícaro. 

O vento, lá fora, bate levemente na janela. Kaiane vira seu rosto para encará-la por um segundo, e perde-se em pensamentos. Do seu lado havia um criado-mudo aonde um relógio bate os ponteiros a cada instante demonstrando as horas, e uma foto sua e de Ícaro comemorando o dia dos namorados. Kaiane, na foto, segurava um boque de flores vermelhas, enquanto Ícaro atrás dela colocava seus braços em volta do corpo de sua amada, abraçando-a, os lábios dele colados na bochecha dela com um sorriso simpático, sorriso este que vinha do rosto de ambos. Ela sorri ao lembrar-se daquele dia, como se estivesse vivenciando-o rapidamente em sua mente agora. 

Kaiane e Ícaro se conheceram a um ano e cinco meses atrás, e nunca tiveram uma briga sequer. Ela ainda lembra-se da primeira vez que o viu em seu skate desfilando pelas ruas de sua cidade, com sua toca na cabeça, calças largas e uma camiseta do Guns N'Roses, ele era exibido naquela época, e ela agradece até hoje por ele ter sido assim, principalmente naquele dia. Enquanto Kaiane vinha cheia de livros na mão que acabara de comprar na livraria, Ícaro não tão longe dali desfilava pela rua movimentada e subia algumas vezes as pressas nos corrimões das escadas, descendo com seu skate, e rindo com os amigos. Kaiane carregava seus livros em seu colo, como se estivesse levando uma criança em seus braços, com todo cuidado e carinho. Ela havia visto uns skatistas desfilando logo a frente, e sem olhar direito, mas crente de que havia ido pro lado certo e desviado de quem quer que estivesse prestes a acertá-la, segue ainda com seus livros tapando seu rosto. Eis que é rapidamente surpreendida por Ícaro, este em seu skate, que a derruba no chão junto com seus livros.

- Você está bem?

Kaiane ainda deitada no chão coloca a mão em sua testa e a desliza até a sua cabeça, fecha os olhos ainda com uma de suas mãos apoiada na cabeça, e faz careta demonstrando a dor que estava sentindo no momento. As pessoas ao redor pareciam estar tão ocupadas que nem pareceram ligar para o que acontecera, e seguiam sem olhar pra trás.

Ícaro oferece a sua mão a Kaiane, para que esta se apoiasse nele pra levantar-se. Ele toca a mão dela e a pressiona em sua roupa, para que ela segure-se bem nele enquanto ele juntava os livros do chão.

- Vou leva-la até o hospital agora. Segura-se em mim, e não solte.

Kaiane apenas balança a cabeça afirmando que fará o que Ícaro dissera a ela. 

Após caminharem um pouco, eles entram a um hospital. Ícaro era quem falava, e parecia estressado demais para que a atendesse o quanto antes. Após a enfermeira dizer a ele pela quinta vez para que aguardasse, ele senta-se ao lado de Kaiane, e coloca sua mão suavemente na cintura dela. Ela apoia a sua cabeça no ombro dele. Ele coloca sua mão agora mais próximo do corpo dela, e a abraça, dando um beijo na testa.

- Tudo ficará bem. Eu estou aqui com você. 

Após uns minutos, ela é examinada e medicada. E Ícaro a vê novamente, agora ela também o vê da mesma maneira que ele. Ela agradece-o com um abraço pela preocupação, e insinuasse para pegar os seus livros. Ele nega, e insinua que irá levá-la para casa, só assim sentirá que ela estará totalmente segura. Ela concorda. E depois de meia hora de caminhada, ela despede-se dele no portão e pega os livros de volta.

- Em que está pensando?

Ícaro balança a mão de sua namorada, esta que ainda estava em cima da sua. 

- Na primeira vez que nos conhecemos.

Ele solta uma risada, como se achasse graça do incidente. Mas Kaiane já o conhece o bastante para saber que ele só estava rindo por lembrar-se da sorte que teve aquele dia, o dia que ela entrou pra valer em sua vida, e o marcou tão rapidamente.

- Em que parte especificamente? - Ele vira a cabeça ao olhar para ela.

- Na do hospital. Nas palavras que você me disse. – Ela olhava para o teto, tentando lembrar-se das palavras.

- Só espero que eu tenha dito algo bacana a você. Eu não era muito gentil naquela época.

Ele sorri e olha para ela fixamente. Kaiane olha para ele, e ri.

- Para ser sincera, você era um exibido.

- Exibido? Tá, eu mereço isso. Mas deixei todo esse meu lado para cuidar de você aquele dia.

Ela sorri agora para ele, feliz por ele ainda lembrar. E aperta fortemente a mão dele.

Ícaro solta a mão dela e estende seus braços até a cabeça dela, que estava apoiada no travesseiro, e insinua para que ela deite em seu ombro e adormeça. Kaiane aproxima-se de lado, coloca sua cabeça apoiada no peito de seu amado, e coloca seu braço apoiado na barriga dele. Ícaro mexe nos cabelos de Kaiane, enquanto a vê fechando os olhos lentamente. E sussurra para ela, as cinco palavras que mais a dão segurança – Eu estou aqui com você. E move a sua cabeça, dando um beijo na testa dela.

Daiane Ribeiro (Sonhos Desperdiçados)

Capitulo 5 - Medo de amar é...


Acordei com o despertador tocando.
5:00 da manhã.

Fiquei até quase 3:00 da manhã ajudando minha mãe com os salgadinhos. Apesar de ter dormido muito pouco, eu precisava levantar e começar a estudar. Tinha bolsa de estudos em uma das melhore escolas de São Paulo, e o tempo de estudo que tinha era limitado. Então aproveitava os finais de semana e durante algumas folgas entre um filme e outro no cinema para colocar a matéria em dia.

Levantei e logo fui ao banheiro tomar um banho para despertar. Durante o banho lembrei da loirinha do cinema, Clara. Sorri lembrando da gentileza que ela fez, e sorri mais largo ainda quando lembrei da transparência de sua blusa. Meu Deus, se eu pudesse tocar aquela pele branquinha.

– Vanessa! - escutei batidas na porta. – Vai ficar aí pra sempre minha filha? A água tá cara. - escutei minha mãe esbravejar

– Tô saindo mãe. - desliguei o chuveiro e me enxuguei.

Fui até o meu quarto e coloquei uma roupa confortável. Fui até a cozinha e vi minha mãe de pé ainda de pijamas.

– Bom dia mãe - a abracei por trás e senti seu corpo quente – Mãe, está tudo bem com a senhora?!

Ela virou e eu vi seu rosto pálido. Me apavorei.

– Mãe! Senta aqui - disse de pressa e puxando a cadeira – o que a senhora está sentindo?!

– Calma filha… Deve ser só um mal estar… Talvez minha pressão tenha caído. – ela disse com uma certa dificuldade

– Não mãe! Não fico calma! Você está pálida e… - coloquei a mão em sua testa – …com febre

– Deve ser um resfriado então… E a palidez deve ser fome! Ontem eu apenas almocei….

– Mãe! A senhora não pode fazer esse tipo de coisa! - esbravejei

– Eu sei minha filha.. Vamos tomar café que logo melhora! - ela disse e eu levantei

Coloquei o que faltava na mesa, o pão que ela mesma havia feito, manteiga, leite, coei o café. Esse era o nosso café da manhã. Não tínhamos muito mas minha mãe sempre inventava algo com sobras das coisas, assim tínhamos mais o que comer e de improviso no quintal dos fundos uma horta com algumas verduras e legumes.

Tomamos café em silêncio. Algumas vezes eu olhava pra minha mãe e tentava saber o que ela estava sentindo, se o que ela tinha era mesmo alguma gripe.

Me levantei da mesa e fui tirando as coisas enquanto minha mãe continuava sentada.

– Vanessa - olhei pra minha mãe – será que aquele amigo seu do trabalho não pode te ajudar a levar esses salgadinhos no buffet pra mim? - ela disse com a voz baixa – Eu queria descansar um pouco antes de poder ir para lá.

– Claro mãe… Vou ver com ele. - terminei de lavar as coisas e vi minha mãe deitada no sofá, cochilando.

Peguei o telefone e liguei para o Junior.

– Hum. - ele fez no telefone – Alô! - a voz dele saiu rouca e com um tom de irritação.

– Jú… É a Van, tudo bem? Desculpa ligar essa hora…- disse um pouco sem graça depois de perceber que ainda não passava de 6 hrs da manhã – É que eu tô precisando de um favor…

– Hum - ele fez como se tivesse ouvindo – fala… - ele tentou falar mais calmo

– Então, é que minha mãe não está se sentindo muito bem… E ela me pediu para levar os salgadinhos do buffet lá… E como eu não dirigo… - disse com mais cautela - Será que você pode me levar até lá? - mordi os lábios esperando uma resposta

– Hummmm - ele provavelmente estava espreguiçando – Claro pequena, claro que sim!

– Legal! - sorri – Você pode passar aqui umas 8:00? - perguntei e ele afirmou.

Desliguei o telefone e aproveitei o pouco tempo que tinha até umas 7:30 para estudar.

Peguei alguns livros e fui até a sala, iria estudar na mesinha de centro pra poder ficar perto da minha mãe. O tempo passou rápido e logo meu despertador começou a vibrar avisando que logo o Junior estaria em casa. Corri até o meu quarto e me troquei. Fui até a sala e minha mãe continuava dormindo, e aquilo era uma coisa que eu nunca tinha visto. Ela devia estar super cansada e eu senti um peso enorme sobre mim.

Fui até a cozinha e peguei os salgadinhos e logo escutei a buzina de Junior.

– Oi - disse colocando as coisas sobre o banco – Obrigada Jú, você está quebrando um mega galho.

– Depois eu me acerto com a Dona Sol - ele disse abrindo um sorriso e passando a mão na barriga – Nada que uns sonhos ou um almoço bem feito não paguei - ele começou a rir e eu acompanhei.

– Seu gordo - retruquei em resposta – Sua recompensa é comida? - continuei gargalhando

Ele levantou a camisa e mostrou o abdômen bem definido, e eu parei de gargalhar ficando sem graça.

– Sério que você acha que eu estou gordo? - dava para ver o quanto ele devia malhar para manter o corpo.

Eu nunca tinha reparado no corpo do Junior, apesar de achar ele um cara bonito, já tinha visto que o negócio dele era conquista. Então nunca tinha  prestado atenção para não cair na lábia dele.

Ele abaixou a camisa e mudamos de assunto. Fomos o caminho conversando e cantando algumas musicas até a entrada do buffet.

Apesar de ser um sábado, minha casa era um tanto longe de onde se encontrava o buffet e a chuva que ainda não havia parado, o trânsito que se formava era atípico mas sabíamos que era pelas condições do tempo. Demoramos 2 horas no trânsito.

Chegamos lá e tudo já estava mais ou menos ajeitado. Era um buffet infantil pra quem tinha dinheiro. Com direito a vários brinquedos que a gente costumava ver em shoppings.
Passei pelos brinquedos e antes de entrar na cozinha eu vi as meninas do buffet terminando de montar a mesa do bolo. Com o tema do Homem Aranha, via-se um letreiro piscando entre mini prédios de isopor: Max

Entrei na cozinha junto com Junior, que como uma cavalheiro nunca visto nele, me ajudou a carregar as coisas.

– Coloca ali os salgados Jú - indiquei enquanto andava até outra porta depois da cozinha – Só vou falar com a dona do Buffet e já venho.

Ele concordou com a cabeça e eu fui até o escritório da proprietária. Cheguei lá e expliquei todo o ocorrido, ela se preocupou e pediu para dar notícias o mais breve possível e que minha mãe não deveria se preocupar pois ela colocaria uma das meninas na função dela, ela precisava repousar.

Concordei com ela e peguei o celular.

– Mãe? - falei ao escutar a respiração no telefone – Mãe?! - tentei novamente.

– Vanessa? - uma voz que não era da minha mãe me fez congelar no lugar – Aqui é a Odete, sua vizinha… Eu já ia te ligar.

Meu coração acelerava de uma maneira que nunca tinha sentido. Junior me olhava apreensivo de onde estava, um tanto longe para me dar privacidade na ligação. As lágrimas vieram forte ao saber que minha vizinha estava no Pronto Socorro com minha mãe. Minhas pernas ficaram bambas e a única coisa que eu senti foi um impacto macio de alguém me segurando enquanto minhas vistas perdiam a visão.

——————————-

– Ela está acordando - escutei alguém falar

Esfreguei os olhos antes de abrir e senti um perfume doce. Por incrível que pareça, eu tinha guardado o cheiro daquele perfume na memória. Só podia ser dela. Com certo desconforto comecei a abrir os olhos devagar e lá estava o que eu queria ver. Ela estava linda com os cabelos caindo no rosto e um sorriso de canto os lábios. Melhor ficou quando ela abriu a boca e eu senti seu hálito doce. Aquilo só podia ser um sonho.

Eu morri?

– Van? - senti Junior me tirar dos braços dela de me abraçar. – Guria, você quase me mata do coração!! Se não fosse essa dona te segurar você teria batido forte com a cabeça.

Sorri sem graça. Mas logo lembrei o motivo do meu desmaio. Tentei levantar mas Junior me segurou.

– Calma Van… Já falei com a Dona Odete e segundo ela sua mãe está bem! Achei até que havia acontecido o pior - ele disse batendo na madeira – Mas ela está bem e medicada… Você precisa ir até lá pois o médico só fala com a família.

– Ok, vamos! - disse me levantando e vendo Clara se levantar também – Clara, parece que só nos trombamos em situações atípicas… E por acaso você já salvou minha vida duas vezes - disse sorrindo

– Magina Vanessa - ela disse – Precisando estamos aí - deu uma piscadinha e saiu.

Acompanhei a saída dela até a mesa do bolo assim como Junior também acompanhou, mas logo se tocou.

– Santa mãe de Deus - ele exclamou – eu já ouvi falar de suas quedinhas por meninas… Mas agora eu tenho certeza - ele disse arregalando os olhos.

– Cala a boca Junior - disse tentando disfarçar - Vamos?

– Vamos minha machinha - disse rindo.

Então partimos até aonde minha mãe estava.