me tiram pessoas mas me restam memorias

Podem me furtar os bens, me copiar os planos, roubar minhas ideias. Podem distorcer minhas palavras, me afastar as pessoas, tirar de mim as oportunidades. Podem me puxar o papel e a caneta e o tapete. Podem tentar matar meus sonhos, invadir minha casa, me arrancar os brincos e anéis. Mas não podem me tirar os atos. O amor, a fé, o âmago. Podem me roubar os sorrisos, porém não podem tirá-lo de dentro de mim. Podem me imitar palavras, mas não são capazes de saquear sentimentos. Me tiram os créditos, a voz, os verbos, mas não levam as lágrimas e tremedeiras que ficaram entrelinhas. Podem levar tudo o que tenho, só não podem ter aquilo que sou. Mesmo que me roubem os livros, restará o conhecimento. Ainda que me furtem dinheiro, me sobra esperança. As pessoas, que me deixam memórias. Os sapatos, que me restam as caminhadas. As palavras, mas não a consciência. Fica o que já fiz de bom na vida. Os sorrisos que alarguei, o pouco de felicidade que já plantei em alguém, as palavras de conforto, os gestos, as lembranças. Sobra aquilo que sou. Podem me roubar a vida, no entanto, não o que vivi.
—  Só não podem me tirar as coisas boas que eu já fiz pra quem eu amo. rio-doce