mas quem ler

Às vezes esbarramos em algumas pessoas e logo elas decidem ficar por um tempo indeterminado, um tempo que ninguém sabe quando pode acabar. É como se todos os ponteiros do relógio parassem e significassem “vamos, está na hora de ir embora, nem um minuto a mais e nem um minuto a menos.” Eu não consigo dizer adeus para algumas pessoas, para algumas coisas, alguns momentos e alguns sentimentos. O problema é esse. Existem pessoas que entraram sem bater na porta e bagunçaram tudo sem pedir permissão. Existem outras que, com receio de estar incomodando, foram entrando na minha vida aos poucos e ainda sim, conseguiram fazer com que eu sentisse coisas que jamais pensei sentir de novo. Às vezes o meu “adeus” é só um “até logo”, porque eu imagino, de vez em quando, como seria continuar sem algumas dessas pessoas e, cá entre nós, não é nada fácil de lidar. Conviver sem ao menos tocar uma palavra sequer, sem as brincadeiras diárias, sem o conforto que vem logo em seguida do carinho e sem a presença de alguns, é como virar a sua vida de cabeça para baixo e querer que ela funcione bem desse jeito. Algumas decidem ir com ou sem motivos, e se tem motivos, na maioria das vezes eu nem sei quais são. E você tem que viver como se nada tivesse acontecido, como se os momentos não tivessem existido, porque você também tem que deixar de lado todo o sentimento que passou a existir depois de ter conhecido essas pessoas. Hoje tem apenas um pequeno espaço para que só alguns possam entrar na minha vida e espero, absurdamente, que estes fiquem por mais tempo do que eu possa imaginar. Muitos seguem com aquela frase deplorável na cabeça para que, pelo menos, haja um pequeno sentimento de conforto sequer que as façam continuar até que o tempo resolva curar: “Deixa ir. Quem tem que ficar, fica.”
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Todo “adeus” não doeria tanto se significasse um “até logo”. - Talita Melo - (TM)

Todos nós somos música, uma música que quando toca vem junto com um sorriso bobo, uma lembrança boa, um sentimento de paz. Algumas vezes uma música triste que acompanha algumas lágrimas, soluços, caos. Todos nós temos cores, cores vivas, cores quentes, cores neutras, cores apagadas, cores claras, cores escuras mas algumas pessoas conseguem ver apenas em preto e branco. Todos nós temos sabor e somente quem tem o paladar sensível consegue desfrutar nosso doce. Todos nós somos paisagem, mas só se deslumbra com a vista quem consegue olhar além do horizonte. Todos nós somos flores, alguns desbrocham mais rápido, outros mais devagar, alguns tem os espinhos á mostra, outros escondem, alguns sobrevivem ao inverno, outros deixam suas pétalas cairem. Todos nós somos um texto, com nossas virgulas, parágrafos e ponto final. Todos nós somos poesia, mas só entende quem consegue ler.
—  Caotizante

Mãe,

Isso é repleto de eu e você, além das palavras, os gestos. Além de qualquer explicação, detalhes e entrelinhas. As palavras não me cabem há um par de semanas, mas há quem mereça ler diariamente milhares de palavras belas, ainda que sem tradução. Me transporto para um mundo à parte, em que ouço seus pés de salto alto, andando de um lado para o outro antes das oito da matina, o bater de portas e a familiaridade de sons que me levam de volta à infância. Sinto falta de encontrar seus detalhes pela casa, a toalha ainda molhada no banheiro, as roupas que pensou em vestir e desistiu, a cama arrumada que nunca rejeitou minha preguiça. Eu entendo sua bagunça, mãe, assim como você compreende todas as palavras que nunca digo. 

Todos os meus dias são seus. E todos os meus sonhos, anseios, medos e ímpetos de fugir para longe. Sou parte sua, e você é meu pedaço mais bonito. Eu sei que você chora de saudade das distâncias que a vida impõe, e eu choro de alívio por saber que você, aonde quer que esteja, é amada além da estrada que separa os Estados. É impossível saber das incontáveis vezes que você chorou medos frívolos, mas sabes muito bem que às vezes acordo sem saber o que fazer da vida. Você me conhece sem ouvir sequer uma palavra.

Mãe, choro quase todos os dias, mas juro não me importar se as lágrimas forem por saudade de você. Choro porque o amor transborda sem rumo e nossos olhos são cachoeiras.É você quem merece todo o amor que houver nessa vida, não por ser minha, mas por ser. Eu, que sempre disse que o mais importante é ser, aprendi com seus passos que ser vai muito além de se autointitular, e eu sei que quem lhe ensinou foi minha segunda mãe e sua primeira, que hoje também nos faz chorar de saudade porque a vida é feita de partidas e a dela foi a que mais doeu. Mas somos, mãe. Apenas e convictamente, somos. O mundo é feio, as pessoas são cruéis, mas me foi ensinado que existe sim beleza no caos, os sorrisos que damos para destruir barreiras. As coisas belas se escondem num gesto de carinho, e você me deu todos eles. Mãe, você não é perfeita, mas a perfeição lhe cabe como uma roupa que se molda além dos defeitos. Não existem distâncias, mas passagens, e as minhas preferidas sempre serão aquelas em que você está no destino final.

A vida é uma eterna música. É uma honra dividir os passos de dança com teus pés.

G.

Não era amor.
Admito, você tinha razão. Lembra-se dos meus ciúmes exagerados? Era medo de que você algum dia pudesse encontrar uma pessoa melhor. Lembra-se das minhas justificativas? Era medo que tu não conseguisses entender o motivo pelo qual eu fiz o que fiz, sendo que eu pensava sempre no melhor pra gente. Você lembra também das vezes que eu te mandei ir embora? A maioria delas era pra ver se você ficava, e você sempre ia sem perguntar nada porque parecia que deixar o teu orgulho de lado era mais difícil do que me deixar. Lembra-se de quando eu queria ter você sempre por perto na maior parte do dia? Era porque eu achava uma vida inteira muito pouca pra nós dois. E dos meus “tudo bem” quando tentava dar uma desculpa esfarrapada e nunca queria admitir? E nas vezes que tu erravas parecia que o erro era sempre meu e eu tinha que ir atrás, não era assim? Dessas partes você lembra, eu sei que lembra. Mas também era só medo da gente se afastar tanto, mas tanto, que não pudéssemos nos encontrar depois quando quiséssemos ou pelo menos quando precisássemos. Você tinha razão quando disse que tudo era exagero da minha parte, que tudo era meio possessivo e doentio. Mas quando se ama é assim mesmo, é paranoico, parece que vai nos enlouquecendo e nos consumindo aos poucos. A pessoa aceita até ficar sufocado com todos esses exageros porque nunca quer sentir a distância, um espaço ou outra coisa no meio atrapalhando. Mas tem gente que não é capaz de enxergar nem perto quanto mais de longe, e foi o teu caso. Porque quando a pessoa quer, não há absolutamente nada que o impeça de chegar ao seu objetivo. Tu sabes, mais do que ninguém, que eu fiz de tudo pra dar certo mesmo sendo um erro se tratando da gente. Sabes que eu fiz de tudo por você. Fiz o que eu pude, o que eu não pude, o que eu aguentava e até o que eu não aguentava só pra te ter por perto. Mas pra quê? Querer uma coisa sozinha quando se precisa de dois, não serve. Tu continuas aí e eu continuo aqui, e esse fato também não me serve para nada. Eu me lembro até das nossas conversas onde você me falava que amava e cuidava do teu jeito, mas eu demorei demais pra acreditar justamente no contrário. Demorei demais porque no fundo, eu queria mesmo era acreditar em você, acreditar que isso fosse verdade, mas não era. A verdade partia de mim quando cada pedacinho meu queria te ter aqui perto e nunca longe, mesmo com nossos erros, medos, problemas, ciúmes, mesmo com nossas briguinhas, nossas paranoias e nossas birras. Eu te queria por perto porque eu te amava. Ah, Como eu te amava! E amor, meu amor, não acaba. Mas acredito que ele possa mudar de forma, porque foi o que aconteceu com o meu por você enquanto o teu por mim talvez nem tenha chegado a existir. Mas eu lamento. Lamento mesmo por ver que você não conseguiu aguentar nem a metade, da metade do que eu aguentei por nós dois.
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Não era amor, não da tua parte. - Talita Melo - (TM)

Oi, não estou muito convencida de estar fazendo isso de maneira certa, digo, o texto. Não sei se estou começando de maneira atrativa ou apenas ridícula. Creio que esse texto não fará o menor sentido para qualquer mente sã, mas tudo bem, você não precisará dela. Que tal lê-lo com o seu coração? Bom, desabafos são sempre confusos, certo? Esse texto então não será a tão esperada exceção. Muito enrolo para escrever, muito enrolada sou na vida. Sou um fiasco na introdução, outra bagunça no começo e uma tragédia na conclusão, não quero que acabe. Tem textos que você lê e não espera que ele acabe, tem outros que o fim é o mais esperado, mas você continua o lendo não é mesmo? Mesmo que não o ache bom, você lerá ele do começo ao fim, afinal, você é exatamente aquele texto, o ruim dentre de uma infinidade de outros tão bons. Sei que estou fazendo uma confusão de metáforas, mas gosto de instigar o leitor em se identificar com algum dos meus objetos em questão, com algum objeto perdido e atordoado em procura do seu eu. Se você se identificou com o texto ruim entre muitos bons que lemos por aí, está perto de ser o objeto mais inseguro do pedaço. Não vou julgar ninguém até porque eu mesma sou esse texto deixado de lado, sou um livro que você começa a lê e cansa no meio da história por ser tão complexa em suas palavras e atitudes. Sou propensa ao erro e você também meu querido objeto. Talvez esse seja um dos motivos que a sua introdução bateu com a minha e assim desenvolvemos esse texto que confunde não só a minha mente, mas muito mais o meu coração. Pois foi esse órgão que pulsa dentro de mim que viu em você o poder que amor trouxe para o desenvolvimento dessa história. E foi o poder desse amor que me trouxe de novo a vida, e que me fez escrever. Talvez você se identifique no meio das minhas confusões, talvez não… mas quem sabe se você ler com carinho, se ler com jeitinho, talvez não se encaixe? Você é a peça que mais se encaixa no quebra cabeça da minha vida, então por favor só lhe peço uma coisa: não deixe de estar nela.
—  Escrito por Beatriz Ramos, Marcela, Jasmyne em Julieta-s.