mas enfim

E se eu morresse agora?

Eu não andaria mais pelas ruas da cidade, não pegaria mais aqueles ônibus e não sorriria para alguns estranhos simpáticos. Eu não atenderia os telefonemas dos meus pais, nem responderia as mensagens de texto dos meus amigos. Eu não iria mais encontrar com as pessoas com quem estudo, não tiraria mais dúvidas com os professores e não sairia para comer na loja de conveniência que fica perto do meu prédio. Ninguém jamais voltaria a ouvir uma só palavra minha, e as músicas que tocarão nas rádios causariam angustia para quem já as ouviu de mim. Ninguém voltaria a presenciar meus ataques de risos espontâneos, e o som da minha gargalhada se calaria para sempre. Nunca mais poderia eu reclamar da vida, do que me falta e do que me faz mal. Alguém de repente passaria a apreciar os meus surtos? Irá alguém dizer que preferiria mil vezes me ouvir reclamar a presenciar o barulho do meu silêncio? Depois de uma semana, quando passarem em frente a minha casa, lembrarão que foi ali que vivi? Lembrarão de mim?

—  Casebre.

Devo já estar te incomodando? Sim, mas to nem aí porque vou ficar aqui até você me expulsar já que não quero ficar em casa sozinha, lá é triste e solitário, eu não nasci pra morar sozinha, eu pelo jeito nasci pra me deixarem sozinha, porque literalmente isso começou quando nasci, obrigada mãe por começar minha vida de abandonos. Mas sério, eu tenho medo de ficar na minha casa, é tão grande só pra mim, eu com certeza vou acabar sendo assassinada lá, independente se for por algo sobrenatural ou não. Foi bom te conhecer, até a próxima vida.

[…] — Ele te deixa desse jeito? — Ele sussurrou com os lábios colados em minha orelha. — Sem fala, sem movimento?

— Para com isso…

— Você fica arrepiada quando ele te toca? — Felipe tornou a falar, roçando delicadamente seu nariz em meu pescoço e fazendo os pelos de minha nuca eriçarem. — Eu já sei exatamente o que fazer pra te deixar assim, sabia?

— Não importa a maneira que meu corpo reage — Resmunguei, tentando obter novamente o controle da situação. Estava em total desvantagem naquele momento. — Você é um idiota, e provavelmente usa esse mesmo discurso com todas. Eu não sinto nada por você!

— Mentirosa. — Ele rebateu, segurando meus braços e me virando abruptamente em sua direção. Seus olhos azuis fitavam-me sem o menor receio, e em questão de segundos meu rosto corou por completo. — Você sabe que sente.

— Não Felipe, mas que droga! — Bradei, desviando meus olhos para o chão e sentindo a vermelhidão em minha face aumentar.

— Então diz isso olhando nos meus olhos.  —  Sua voz assumiu um tom repentinamente sério e calmo.  

Ergui meu olhar, sentindo todo o meu corpo enrijecer. Embora tentasse falar, as palavras pareciam estar presas em minha garganta. Aquilo era tão óbvio. É claro que não conseguiria dizer. Eu sabia disso, e Felipe também.

— Por que você está insistindo nisso? — Murmurei, sentindo toda a minha relutância  simplesmente dissipar. Estava confusa e perdida demais para permanecer com minhas barreiras habituais. — O que quer de mim, afinal?

— Aaah Fernanda… — Ele sorriu. Aquele seu sorriso extremamente malicioso e sacana. — Acredite, eu quero muitas coisas. […]

—  Amor de Livro,Trechinho do capítulo 13.

É claro que a afterparty era a oportunidade perfeita para seu corpo começar a lhe trair. Ela não havia sentido nenhum tipo de enjoo desde que descobrira que estava grávida — aliás, não apresentara sintoma nenhum. Nem saberia do ocorrido caso sua menstruação não atrasasse — até então, é claro. Ela saíra do banheiro sentindo-se zonza, tão zonza que dera de cara com alguém. “Ah, droga. Desculpe.”

Precisava falar o quanto importante você foi pra mim, e na verdade esse foi o único jeito que achei. Nunca imaginei encontrar pessoa tão formosa e simpática que fizesse meu coração saltar a cada palavra dita. Lembro-me bem de cada momento que passamos juntos, das nossas brincadeiras bobas, das nossas divergências de ideias, das viradas de noite, de cada conselho, dos dias de consolação e dos intermináveis micos. E não vou me esquecer da maneira que jogava o cabelo e o ajeitava com pequenas apalpadas, do seu toque ao falar com a pessoa, da fala mansa e do jeito que se importava com todos como se o problema fosse seu. O sorriso e o olhar que fazia quando estava comigo estão muito bem filmados em minha memória. Sua imagem não me desaparece: uma linda menina de cabelos compridos e cacheados, usando seu vestido azul preferido, com o sorriso mais doce e segurando um celular nada moderno, mas que estaria tocando ‘Velha infância’. Nossa você é incrível e foi por isso que nunca tive coragem de me declarar, pensava que não daria olhos pra mim afinal poderia ter alguém melhor, e escondi meu amor por debaixo da armadura de amigo ficando ao seu lado. Contigo tive os melhores dias e o pior também, no inicio não quis acreditar na notícia que chegava aos meus ouvidos, só conseguia pensar ‘ Como algo do tipo podia acontecer com uma menina tão boa?’. Pois é, o inesperado aconteceu bela flor, quando cheguei naquele hospital só queria te ver. E saber que estava me esperando foi a maior alegria pro meu coração, mas que logo acabaria quando eu entrasse no quarto.Como aconteceu isso com você? Porque fizeram isso?Talvez nunca tenha essas respostas, mas naquele momento não importava mais, só importava que era eu e você apenas, seu sorriso apesar de toda dor não saia do rosto e sua mão gelada logo se prendeu a minha . E foi ali que me disse as melhores palavras que poderia ouvir de sua doce boca: ‘eu não sei o que será de mim, mas quero que saiba que te amo’, não podia acreditar que estava escondendo um sentimento que era recíproco, podíamos estar juntos a muito tempo, como eu fui covarde a ponto de deixar tudo passar, porque dessa vez não tive uma daquelas coragens juvenis e segui meus sentimentos,fui atrás do que eu queria? Poderia ter sido diferente. Essas contestações aconteceram na minha cabeça naquele momento e por fora só consegui ficar com cara de bobo, sem reação. E você soltou minha mão, o sorriso foi desaparecendo dando lugar para o rosto pálido e triste, algo que nunca tinha visto em você, e assim foi embora pra longe sem ao menos me escutar, sem que pudéssemos montar nossa história, talvez até tenhamos montado, talvez não era pra ser. Só sei que esse dia foi o melhor, mas também se tornou o pior, foi como experimentar um doce que depois fica amargo ou então estragado. Bem, esse texto todo era apenas pra eu te dizer o que não deu tempo: Eu te amo bela flor do meu coração.
— 

A carta que nunca será lida. Cravada.

[…] — Não entendo porque insiste em continuar sofrendo — Indaguei, embora soubesse o quanto aquelas palavras eram mentirosas. É claro que entendia. Eu também ainda sofria.

— Dentre as opções que tinha, essa me pareceu a melhor. — Ele confessou, fechando momentaneamente suas pálpebras.

— Que opção poderia ser pior que essa?

— Tentar te esquecer. — Murmurou.

— Se me tirasse da sua vida, a dor iria embora. — Minha voz soara tão baixa quanto a sua. Naquele momento, nós sussurrávamos como se estivéssemos compartilhando segredos extremamente íntimos. E talvez aquilo não fosse mentira, de fato.

— E a alegria também. —Lucas deu de ombros. —Entre permanecer com o coração quebrado e te apagar dele, achei que a primeira ideia ao menos ainda traria algum sentido para minha vida.  […]

—  Amor de Livro
quem sabe o príncipe virou um sapo

desculpas, mas eu não consigo mais. eu não posso me permitir a chorar ou pensar e você. não mais. eu não posso viver mercê da esperança de algo sem quaisquer perspectiva de um futuro bom pra nos. eu não posso me fazer infeliz enquanto você vive suas aventuras-românticas infames feito um adolescente que acaba de sair da puberdade e ainda está tentando se encontrar não posso.  

amor, será que não ver que teu lar é em mim e que você é meu lar? tá esperando o que  pra me notar? meu coração mudar de lugar? 

10

“Si no es amor de verdad, como lo voy a llamar? Gracias a ti hoy he vuelto a soñar…” Feliz cumpleaños, Maite Perroni

Uma semana depois...

5 batidas na porta, respirei fundo ansiando pelo o que realmente aconteceu, a ruvinha do apartamento da frente tinha voltado, e estava mais linda do que a ultima vez em que a vi, com um coque desarrumado, lápis estilo “gatinho” no olho, batom vermelho bordo sobre os lábios fazendo uma combinação perfeita com a cor de seus fios capilares, suas sardinhas adoráveis e um sorriso de matar qualquer um, vestia um vestido estilo anos 50, salto alto, e uma jaqueta de couro sobre os ombros, estava escorada na porta fixando seus olhos nos meus - e ai, ta pronto pro nosso encontro?- nosso encontro? pensei - encontro? acho que na ultima vez que nos vimos eu não tive nem tempo suficiente para te convidar para um encontro- ela riu e enrolou um fio de cabelo solto em seu dedo indicador - pois bem, sou eu que estou te convidando para um, e espero que já esteja pronto pois detesto atrasos, não tenho paciência pra ficar esperando- um sorriso em meu rosto foi inevitável, aquela garotinha linda, meiga, pequenina e de alguma forma… diferente estava me conquistando de jeito - bom, se essa roupa aqui esta boa pra você, estou prontissímo- ela me avaliou da cabeça aos pés deixando escapar um sorriso de canto -você ficaria lindo de qualquer jeito, só coloca um calçado e vamos- saiu caminhando magnificamente pelo corredor e escadaria abaixo, sai correndo pelo apartamento em busca do meu vans, ainda não tinha organizado as coisas direito desde que tinha chegado em Porto Alegre, tranquei a porta e sai correndo atras da ruivinha - e ai garota misteriosa, onde será o nosso encontro?- olhei para ela na espera de uma resposta, ela olhou para as unhas roídas e sorriu- bom, depende do andamento da noite, se você me agradar os lugares para o nosso encontro podem variar…- deixei escapar um sorriso pervertido, confesso- se eu te agradar?- exatamente, mas saiba que é difícil, não costumo gostar de pessoas normais- ela parou na minha frente me fazendo parar e encostou seu indicador em meu peitoral- se eu te achar normalzinho demais, já era playboy, acabou o jogo, game over- fechou os olhos e sorriu convencida, achei aquilo uma graça! a coisa mais fofa desse mundo, minha vontade era de segura-la em meus braços e beija-la, tão forte como se nossas almas pudessem de alguma forma, juntar-se -ah, então quer dizer que isso tudo é um jogo?-, - depende, talvez sim talvez não, mas isso nós vamos saber com o tempo- chegando ao térreo ela cumprimentou nosso porteiro e saiu em direção ao outro lado da rua, paramos em frente a uma lanchonete meio velha e adentramos, os assentos eram de couro e havia um tocador de discos no canto do estabelecimento tocando “Love me do” dos Beatles, essa ruvinha só me surpreendia, sentamos em uma mesa aos fundos perto da cozinha e logo uma atendente veio nos atender- bom, eu gostaria de um x-salada sem hambúrguer, apenas salada e um sundae para a sobremesa, por favor-, - ok, e você moço?-, olhei para o cardápio pensativo - um x-bacon e uma coca cola por favor-, -algo para a sobremesa?-, - ah, um sundae também, por favor- olhei para ela que me olhava curiosa - porque x-salada sem hambúrguer?, x não é nada sem o hambúrguer- ela sorriu e enquanto batia as pontas dos dedos no ritmo da música aos fundos disse - sou vegetariana, um x é tudo sem hambúrguer fique sabendo o senhor-, aah, vegetariana, vou anotar a minha lista de “motivos para se apaixonar pela ruivinha do apartamento da frente” -nossa, me senti um velho agora com esse senhor- ela apenas riu, logo nossos pedidos chegaram e comemos calmamente conversando sobre diversos assuntos, e a cada minuto que passava com ela mais ficava admirado com a sua simplicidade, gostos, delicadeza e beleza, o tempo passou tão rápido na lanchonete que mal reparei, como um típico cavalheiro paguei a conta é claro, e então saímos novamente para a avenida, olhei-a - e agora? game over?- ela riu e me puxou pela mão, caminhando logo a frente- por incrível que pareça, não é game over para você, você se deu muito bem em todas as missões vizinho, e agora vamos alugar um conversível no pico la em cima “apontou com o dedo” onde daqui a 15 minutos um filme aterrorizante sobre lobisomens irá começar, uuuuuh- esse clima de suspense que ela fez quando soltou seu uuh foi demais, eu realmente tava no chão por ela e ela desfilando por cima- pera, cinema de carros ainda existe? em pleno século XXI? estou me sentindo antigo, garota acho que você me abduziu e me levou para o passado, e sabe, to gostando disso- vi um sorriso de canto vindo dela e sorri também, aquela noite estava sendo demais! chegamos ao pico, paguei o aluguel do conversível e depois de muita insistência deixei que ela pagasse as pipocas e chocolates, sentamos nos bancos do carro e assistimos o tal filme aterrorizante, eu mais ri da ruivinha sentindo medo escondendo seu rosto atras dos sacos de pipocas e apertando meu braço do que prestei atenção no filme, quando o filme acabou a movimentação de pessoas indo para a suas casas iniciou-se e a ruivinha apenas virou-se para mim -sabe Trevor, você parece diferente, eu me sinto leve com você, e gosto disso- sorri muito animado, de orelha a orelha, senti meu coração subir a garganta -eu sinto o mesmo ruivinha, acho que temos que repetir isso mais vezes- ela sorriu e vagarosamente aproximou seu rosto do meu, encostou sua testa na minha e fechou seus lindos olhos em tom de esmeralda, e o que eu poderia fazer não é? a chance que eu mais esperava a dias estava agora em minha mão, a segurei em meus braços e a beijei-a sentindo-me mais completo do que nunca. Quem diria, eu estava apaixonado.