mary foss

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Teams Russia and Norway!

Pyo Hojoon foi visto andando pelos corredores da BCU. Algumas pessoas acharam que fosse Im Changkyun (I.M), mas foi só impressão. Pergunte a Bin se é mesmo verdade.”

Pyo “Mark” Seokwoo foi visto andando pelos corredores da BCU. Algumas pessoas acharam que fosse Yoo Kihyun, mas foi só impressão. Pergunte a Maby se é mesmo verdade.”

Nakatsuka Miwa foi vista andando pelos corredores da BCU. Algumas pessoas acharam que fosse Iitoyo Marie, mas foi só impressão. Pergunte a Amy se é mesmo verdade.”

Jang Jimin foi visto andando pelos corredores da BCU. Algumas pessoas acharam que fosse Lee Minhyuk, mas foi só impressão. Pergunte a Soom se é mesmo verdade.”

Hwang Miah foi vista andando pelos corredores da BCU. Algumas pessoas acharam que fosse Jung Jinsoul, mas foi só impressão. Pergunte a Lox se é mesmo verdade.”

Chang Minseok foi visto andando pelos corredores da BCU. Algumas pessoas acharam que fosse Mark Tuan, mas foi só impressão. Pergunte a Mec se é mesmo verdade.”

Não esqueçam de enviar a conta de seus personagens em até 24h. Sejam bem-vindos!

✰ * º ❛ never in your wildest dreams. + with marie and naveen. ❜

Estava lá, na porta de um certo pirata. Ou ex-pirata. Nem um minuto atrasada, nem um minuto adiantada. Sua própria pontualidade a espantava. E o nervosismo também. Marie queria que tudo fosse apagado, queria começar da maneira mais limpa possível. Ambos os encontros que tivera com Naveen haviam sido bons. Gostava dele até, e, precisava admitir, he wasn’t hard to look at. Porém, se nunca ter conhecido Naveen Khalid fosse preciso para ter um começo certo em Hollywood, Marie não hesitaria em passar a “oportunidade” de ficar presa em um elevador com ele.

Tocou a campainha, esperando que ele abrisse logo e que pudessem conversar rapidamente e resolver a situação. Nem ao menos percebera o quanto aquilo era estranho. Ele não havia a ameaçado com sua equipe de pessoas influentes, não havia a subornado ou nada do tipo. Naveen estava, surpreendentemente, considerando a situação, sendo condescendente (na medida do possível) com a situação da Doherty. Arquejou ao escutar a porta se abrir, logo se recuperando do pequeno susto. “Good evening.” Cumprimentou, tendo um estranho déjà vu que a levava diretamente para um certo elevador.

@navkhalid

Capítulo 1 - "Guardando numa caixa."

Gotas de água pingavam da torneira que quebrara há dois meses atrás. No espelho a minha frente, era possível ver a pequena rachadura que havia em uma de suas extremidades, feita por mim no auge de meus sete anos e meio. A brisa que soprava da pequena janela de meu banheiro fazia meus cabelos flutuarem levemente, trazendo pequenos vestígios da sensação de paz que vinha tentando buscar a horas. Pelo menos havia conseguido alguns minutos de estabilidade emocional, o que já era um grande avanço.

Hoje fazia quatro meses. Quatro meses em que minha vida desceu de seu apogeu para as ruínas; da sua melhor fase, para a pior. E tudo por causa de um garoto. Toda aquela tristeza por causa de um simples par de olhos verdes penetrantes e uma boca perfeitamente desenhada. Droga, por que ele tinha de ser tão lindo?

O barulho do metal batendo na bancada da pia ecoava pelo cômodo. Mesmo aquele som sendo extremamente irritante para meus ouvidos, meus dedos batiam insistentemente contra a peça de granizo, provocando um som oco devido ao anel que eu ainda usava.

Oca. Era assim que me sentia naquele momento. Vazia, sem nada para me preencher. Não tinha vontade de chorar ou de me lamentar. Não havia lágrimas e lamentos, como acontecia constantemente a cerca de dois meses atrás. Apenas um simples e angustiante vazio. Talvez eu tivesse me tornado uma pessoa fria, sem dores e emoções. Quem sabe tinha perdido a capacidade de sentir algo, ainda que fosse uma profunda tristeza? De fato, eu poderia ter me tornado um ser sem coração, afinal. Mas será que a situação havia chegado a esse ponto? Uma pessoa não pode simplesmente não sentir nada… Pode?

Bom, talvez fosse melhor daquela forma. Um coração de pedra sofre menos que um partido.

Voltei a inspecionar o pequeno arranhão no espelho, tentando afastar da minha cabeça qualquer pensamento ligado ao que aconteceu quatro meses atrás. Sempre que estava chateada por algum motivo, tentava focar nos mínimos detalhes a minha volta, na tentativa de ocupar minha mente com algo que não trouxesse lembranças ruins. Acho que era uma forma de me desligar do mundo, esquecer-se de tudo mesmo que por apenas alguns segundos. Pena que não surtia tanto efeito quanto o esperado. Eu ainda pensava nele.

O barulho da porta se abrindo me fez desviar a atenção daquele pedaço de vidro rachado e virar minha cabeça, dando de cara com os olhos da minha mãe me observando pela pequena brecha aberta.

- Oi mãe. - Sussurrei, sem muita emoção.

- Oi filha. - Ela abriu um pouco mais a porta, fazendo com que eu pudesse enxergar o pequeno sorriso que carregava em seu rosto.

- Pode entrar se quiser. - Tentei retribuir seu sorriso.

- Não, não tem necessidade. Eu só… - Ela suspirou. - Só queria saber se está tudo bem. Você não tinha descido e imaginei que há essa hora já estaria acordada.

- Bom, já estou acordada faz certo tempo, confesso.

- Mas está tudo bem? - Ela perguntou novamente.

- Só não dormi direito. - Dei de ombros. - Talvez esteja ansiosa para amanhã. - Menti. Não dava a mínima para o que iria acontecer na manhã seguinte. Só queria passar despercebida.

- Entendo… - Ela adentrou o cômodo e pousou uma de suas mãos em meu ombro. - Não é todo dia que entramos para o segundo ano.

- Não é mesmo. - Tentei esboçar um sorriso, mas sem muito sucesso.

- Tem certeza que isso é apenas ansiedade por causa do primeiro dia? - Uma pequena ruga surgiu em sua face assim que ela franziu a testa, visivelmente desconfiada.

- E o que mais seria? - Desviei meus olhos para a janela, sem querer encará-la.

- Não sei exatamente. - Sua voz emitia um leve tom de preocupação. - Mas pelo anel que está usando em seu dedo, posso ter certa ideia. Afinal, nós duas sabemos quem lhe deu ele de presente.

Suspirei, sabendo que cavara minha própria cova naquele momento. Minha mãe nunca deixava passar nada despercebido. Talvez tivesse puxado isso dela.

- Eu… Eu gosto dele. - Dei de ombros, tentando parecer indiferente. - Do anel, quero dizer.

- Duas semanas atrás você dizia que odiava ele, e só não o jogou fora porque não deixei.

- Bom… As pessoas mudam de opinião. - Minha voz não soou tão firme quanto pretendia.

- Então você o perdoou? Lucas? - A pequena ruga voltou a surgir em seu rosto.

- Claro que não. - Falei de modo ríspido. - Eu não… Não o perdoei.

- Então eu realmente não entendo porque está com isso no dedo. - Ela soltou um leve suspiro. - Não é como se lhe fizesse bem. Muito pelo contrário.

- Sei disso. - Abaixei minha cabeça, já não tendo mais desculpas para inventar. - Acho que apenas senti uma breve nostalgia. Uma saudade, de certa forma.

- Saudades dele? - Senti seus olhos pesarem sobre mim, esperando ansiosamente pela resposta.

Custei certo tempo para adquirir voz suficiente para respondê-la. - Saudades do tempo que passamos juntos. - Disse por fim.

- Você gostava mesmo daquele garoto, não gostava?

- Você não imagina o quanto. - Olhei para ela, que me encarava com um pequeno sorriso solidário na face.

- Vem aqui, vem. - Ela estendeu os braços, me apertando forte em um abraço. Deixei-me relaxar com suas mãos alisando levemente meus cabelos, apenas sentindo o cheiro do seu perfume doce rotineiro. Lembro que quando menor, adorava aquele aroma adocicado. Ele me transmitia uma sensação de paz e tranquilidade, o que era algo que estava buscando desesperadamente naquele momento.

- Devíamos guardar esse anel. - Minha mãe sussurrou ainda abraçada a mim.

- Numa caixa?

- Numa caixa. - Ela consentiu, se afastando apenas para olhar em meu rosto. - Assim você não precisará vê-lo, mas sempre o terá guardado consigo, caso precise.

- Queria poder fazer o mesmo com minhas lembranças. Guardá-las numa caixa e só utilizá-las quando necessário.

- Nosso coração não é como um cofre. - Suas mãos envolveram levemente meu rosto. - Não escolhemos o que vamos sentir, que lembranças vão invadir nossa mente… Não mandamos nele. - Ela deu de ombros. - Mas podemos ensiná-lo a superar e esquecer essas dores do passado.

- Então acho que meu coração ainda não aprendeu a fazer isso. - Suspirei, sentindo seus braços me envolverem novamente e vestígios de lágrimas começarem a marejar meus olhos. É, eu não tinha me tornado uma pessoa sem sentimentos… Só não sabia se isso era bom ou ruim.

Inspirei fundo, sabendo que estava enganando a mim mesma. Não estava usando aquele anel apenas por saudades dos momentos que passamos juntos. Era muito mais que isso. Eu sentia falta dele. Do seu toque, da sua voz, de estar ao seu lado… E de certa forma, aquele anel era a única conexão que me restava, a única coisa que ainda nos ligava. Porque eu, mesmo negando, ainda sentia uma imensa falta de Lucas.

O barulho na mesa era quase ensurdecedor. As pessoas a nossa volta lançavam olhares de repreensão, incomodadas com toda aquela agitação que vinha da área em que estávamos. Mas o que elas queriam? Quase quinze meninas reunidas e espremidas em volta de um pequeno pedaço de madeira, falando ao mesmo tempo em meio a conversas paralelas. Sim, era impossível não se fazer barulho.

Não que toda aquela barulheira também não me incomodasse. Sempre gostei do silêncio, de uma conversa tranquila e sem muitas gritarias. Acho que era uma pessoa passiva, calma… Gostava da tranquilidade. Mas era divertido estar no meio de tantas garotas falando ao mesmo tempo. Conseguia ver minhas amigas conversando em meio as outras do grupo, engatadas em diálogos totalmente desconexos das outras presentes. Enquanto Mari conversava com duas meninas sobre amanhã e sobre como estava ansiosa para a volta as aulas, Camila debatia com outras três sobre a importância de se criar um abrigo para cães abandonados em nossa cidade. Era engraçado tudo aquilo. Talvez tivesse valido a pena sair de casa mesmo depois de uma crise de choro no colo da minha mãe. Como ela mesma disse, eu estava precisando me distrair.

- Pensando na vida? - Duda, que estava sentada ao meu lado e até então em silêncio, perguntou.

- Só estou achando divertido. - Dei de ombros. - Sabe, tanta gente reunida assim.

- Não é muito comum, não é mesmo? - Neguei. - Geralmente somos só nós quatro…

- Sim, é diferente do que estamos habituadas. - Dei uma pequena risada. - Mas era de se esperar que Mari fosse convidar outras pessoas para sua “despedida das férias”.

- Você sabe como ela é. - Duda pendeu a cabeça para o lado, analisando as outras garotas a nossa frente. - Gosta de pessoas ao seu redor. Acho que no fundo, ela gosta de ter atenção.

- Confesso que não consigo ser assim. Fazer amigos com toda essa facilidade… - Escorei minha cabeça no encosto da cadeira, olhando mais diretamente para Duda.

- Não entendo esse seu receio de fazer amizades. Achava que já tinha superado isso desde…

- Desde a sexta série? - Ela assentiu. - Sim, eu também. Acho que retrocedi um pouco depois do que aconteceu… Não sei mais em quem posso confiar.

- Bom, você pode confiar em mim, sabe disso. - Um pequeno sorriso amigável surgiu em seu rosto.

- Com você é diferente. Somos melhores amigas desde a quinta série… Sei que posso confiar.

- Mas no começo você não sabia disso, sabia? - Ela arqueou as sobrancelhas. - Mas mesmo assim arriscou. E olha só? Eu estou aqui até hoje. Na verdade, não só eu. Mariana e Camila também estão.

- Sei disso. - Minha voz soou quase como um sussurro. - Eu só… Não sei.

- Sabe, temos que aprender a arriscar na vida. - Ela apertou de leve meu nariz. - Tudo bem, ás vezes quebramos a cara… Mas como vamos saber se vai valer a pena se não tentarmos?

- Bom, não vamos saber. - Tentei soar indiferente, mas sabia que ela estava totalmente certa.

- E você gostaria de viver assim? - Ela franziu a testa, desconfiada. - Sem fazer novos amigos, sem ter novas experiências… Sem crescer na vida, só por medo de arriscar?

Dei um pequeno sorriso, sabendo que já não tinha mais argumentos. - Tudo bem, você tem razão. Não vou voltar anos atrás, quando era uma garotinha que não conseguia conversar com as pessoas. Demorei muito tempo para aprender a me tornar sociável e a confiar nos outros… Não vou estragar tudo por causa de um garoto.

- Um garoto que visivelmente não te merece. - Ela completou. - Você vai encontrar coisa melhor, tenho certeza.

- E você? Também merece um garoto bom. - Protestei.

- Eu sei disso… - Ela mordeu o lábio para conter um sorriso. - Digamos que, talvez eu tenha encontrado um.

- Como assim? - Arregalei os olhos, surpresa com sua afirmação. - Que história é essa?

- Lembra-se do garoto de Belo Horizonte? - Assenti, recordando do que ela contará a algumas semanas atrás. Duda havia viajado com seus pais para Belo Horizonte naquelas férias. Passou uma semana lá, e quando voltou, tinha mais duas malas novas, um par de óculos caríssimos na cabeça e um novo número anotado no celular.

- Mateus é um doce, Nanda. - Sorri, recordando do nome dele no momento em que ela falou. - Tudo bem, só estamos nos falando por mensagens e telefonemas, mas acho que ele está realmente gostando de mim.

Entortei um pouco a boca, não gostando muito daquela situação. Não que desejasse que Duda fosse infeliz. Muito pelo contrário. Sempre torci para que ela arrumasse um namorado que realmente lhe desse valor, ao contrário dos cafajestes que sempre surgiam em sua vida. Mas sabia que relacionamentos à distância eram bastante complicados e não tinha certeza se ela aguentaria aquilo…

- Nanda? Você me ouviu? - Duda me encarava com os olhos arregalados, esperando a resposta de algo que ela havia dito, mas que eu - como sempre - Não havia escutado.

- D-desculpa. - Semicerrei os olhos, voltando a realidade. - Eu não te escutei, pode repetir?

- Novidade. - Ela revirou os olhos. - Perguntei se acha que vale a pena tentar se aproximar dele. Quero dizer, investir nele.

- Bom… - Mordi o lábio, sem saber o que dizer. Não concordava com aquilo. Definitivamente daria errado. Mas talvez eu só pensasse dessa maneira por ter acabado de sofrer uma desilusão amorosa. Talvez não conseguisse mais enxergar um final feliz em um relacionamento.

- Eu acho que você tem que seguir seus próprios conselhos. - Ela me lançou um olhar confuso. - Não foi você mesma que disse que não podemos saber sem arriscar? - Um pequeno sorriso surgiu em seu rosto. - Pois bem… Arrisque.

- Obrigada Nandinha. - Um gritinho de felicidade escapou por sua boca e seus braços envolveram meus ombros, me apertando em um abraço.

- Melhores amigas servem para isso, não é mesmo? - Pude ouvi-la dar uma pequena risada.

- Sim, servem. - Ela me soltou. - E é por isso que eu te amo.

- Sei disso. - Soltei um suspiro teatral, recebendo um leve empurrão no braço em seguida.

- Besta. - Ela me deu língua. - Só vou te perdoar porque você vai agora mesmo ao caixa comprar um refrigerante comigo.

- Tudo bem, eu vou. Mas só porque sou uma ótima amiga. - Ela revirou os olhos e se levantou. Acompanhei-a logo em seguida, tendo certa dificuldade para sair da mesa devido ao aglomerado de cadeiras em volta.

Fomos em direção ao caixa, que ficava no andar de baixo da lanchonete. O lugar estava cheio naquela tarde. Famílias reunidas nas mesas; as crianças brincando com os pequenos brindes que vinham com o lanche enquanto os pais eram obrigados a se alimentar daquela comida que tanto odiavam. Parecia que eu estava me vendo há anos atrás, indo a um lugar como aquele com meus pais. É claro que eu ainda ia para ambientes daquele tipo. Mas apenas por causa da minha irmã, que com seus sete anos de idade ainda amava aqueles brinquedos.

Descemos a escada um pouco devagar, tomando cuidado para não bater em dois meninos que corriam e brincavam em meio aos degraus. O engraçado era que mesmo aquele sendo um local para crianças, muitos adolescentes frequentavam o estabelecimento. Logo que chegamos no andar de baixo, avistamos a enorme fila que dava para o caixa. Levaríamos meia hora para sair dali.

- Duda… – Franzi a testa. – Tem certeza que quer esse refrigerante?

- Absoluta. – Ela assentiu com um sorriso determinado no rosto. – E você vai comigo!

- Mas a fila está imensa… – Resmunguei, cruzando meus braços num sinal de que não pretendia sair dali.

- E o que importa? Não é como se você estivesse fazendo algo lá em cima. – Duda deu de ombros.

- É claro que eu estava. – Protestei.

- Pois bem, o que você estava fazendo então? – Revirei os olhos, sabendo que não tinha desculpas para inventar. Eu realmente não estava fazendo nada. Pelo menos, nada interessante.

-Você quer mesmo esse refrigerante? – Ela deu um pequeno sorriso, sabendo que eu iria ceder.

- Quero. Muito. – Duda me lançou um olhar pidão. - Por favor, vamos.

- Eu sou um anjo sabia? – Comecei a resmungar. – Você deveria agradecer a Deus a amiga que tem.

- Tá, tá… – Ela puxou meu braço sem a menor cerimônia, me levando em direção à fila. – Depois eu agradeço ok?! Agora vamos comprar isso logo, que eu estou com sede.

Deviam ter cerca de quinze pessoas a nossa frente. Não que eu me importasse de esperar, afinal, como Duda falou, não estava fazendo nada de interessante na mesa. Mas era terrivelmente entediante ter de ficar em pé, andando apenas quando alguém desocupava a fila. Duda ainda tentava puxar assunto sobre algo, mas a conversa logo morria e retornávamos a um silêncio tedioso. Resolvi prestar atenção na porta do restaurante, apenas para observar as pessoas que entravam e saiam. Acho que eu gostava disso… Olhar. Era um passatempo divertido para mim.

Um casal com dois filhos foram os primeiros a sair do estabelecimento. Seguidos deles, duas garotas também atravessaram a porta. Cerca de dois minutos depois, uma moca com três crianças entrou no restaurante, dando passagem para um casal de idosos que vinha logo atrás dela. Ainda estava voltada para os dois idosos, curiosa com o fato de eles estarem num estabelecimentos onde só se viam jovens, quando os vi entrando. Um nervosismo me consumiu por inteira, e me repreendi mentalmente por ter aceitado sair com as meninas. Por que justo naquele dia?

A principio só vi alguns deles. Um garoto de cabelos loiros segurando o braço de uma ruiva, que eu reconheci quase que imediatamente. Era difícil não reconhecê-los, na verdade. Toda escola os conhecia. Todos sabiam seus nomes. Talvez nascer em uma família de berço trouxesse certas vantagens na vida escolar. Assim que os dois se dirigiram para o fim da fila, eu consegui ver o restante do grupo. Os cabelos espetados de Vitor eram vistos mesmo a distância, e era quase impossível não notar sua presença. Um arrepio percorreu minha espinha quando o avistei. Eu tinha pavor daquele garoto. Para minha sorte – ou azar - Já havia uma quantidade suficiente de pessoas que nos mantinha afastados. Eles não notariam minha presença sem certo esforço.

Meu coração pulou quando me dei conta de quem possivelmente também estaria ali, junto com eles. É claro que ele estaria. E não demorou muito para que eu pudesse confirmar minhas suspeitas, pois apenas alguns segundos depois meus olhos se arrastaram novamente para a porta, a tempo de ver três garotos entrando no local.

Mas apenas o do meio me chamou atenção.

Seus cabelos castanhos escuros estavam mais curtos do que a última vez que o vira, mas ainda assim sua franja insistia em cair sobre seus olhos. Um pequeno sorriso pairava em seu rosto, mas pelo modo que o conhecia, sabia que aquilo era fingimento e que algo estava errado.

Seus olhos verdes percorriam o local, como se procurasse desesperadamente por algo – ou por alguém. Uma garota nova, talvez? Senti uma dor em meu peito só de pensar naquela possibilidade. A sua pele – tão branca quanto a minha - parecia estar ainda mais pálida do que o habitual. Lucas também aparentava estar mais magro… Quase que abatido, doente. Mas eu também deveria estar assim, não? A diferença era que eu tinha motivos para isso, já ele não.

O pior era que mesmo com a pequena dor que sentia, com toda a tristeza que me consumia por estar revendo-o, eu não conseguia deixar de pensar no quanto ele estava lindo – mais magro, doente ou abatido, mas ainda assim, lindo.

Fui tirada de meus pensamentos quando senti um par de olhos me observando. Meu coração quase parou ao constatar que era o mesmo par de olhos que eu observara há instantes atrás. Ele carregava uma expressão de surpresa, com os olhos arregalados e a boca ligeiramente aberta. Um pequeno sorriso surgiu em seu rosto, mas que logo sumiu quando ele notou que não retribuiria.

Seus olhos me percorriam de cima a baixo, como se tentasse fixar em sua mente a minha imagem que não via há quase três meses. Não consegui deixar de me perguntar se estava muito diferente. Será que ele gostara do que vira? A nova Fernanda sem coração? Ou pelo menos, a nova Fernanda que fingia não ter coração. Pois uma pessoa sem sentimentos não estaria sentindo o que passava em minha cabeça naquele momento.

Ficamos certo tempo apenas nos encarando, sem dar a mínima para as pessoas a nossa volta. Eu não conseguia desviar o olhar daquele verde claro penetrante que tanto amava. Ele me hipnotizava de uma maneira absurda. E eu continuei assim, encarando Lucas sem o menor receio, até ele desviar o olhar para um par de braços que envolveram seu pescoço. Era uma garota.

Meu estômago embrulhou e uma dor horrível invadiu meu peito. Eu já sabia que ele estava saindo com outras… As pessoas sempre me contavam isso. Mas aquela era a primeira vez que via pessoalmente. E pensar que por um momento cogitei a possibilidade dele sentir minha falta…

A garota sussurrou algo em seu ouvido, fazendo Lucas dar uma pequena risada. Mas ele não olhava para ela. Seus olhos mantinham-se fixos em mim, e em apenas alguns segundos o sorriso se apagou de seu rosto, dando lugar a uma expressão estranhamente triste. Mas que diabos se passavam na cabeça daquele garoto? Ele chegava a realmente parecer estar arrependido.

Mas é claro que ele não estava.

A loira que envolvia seu pescoço voltou a sussurrar com o lábio colado em sua orelha, mas dessa vez ele não se deu ao trabalho de sorrir. Ela virou o rosto para trás, me fitando por apenas alguns segundos. Tempo suficiente para notar que era para mim que ele tanto olhava.

A garota puxou seu rosto de maneira quase agressiva, forçando-o a parar de me encarar. Enquanto isso, eu apenas assistia aquela cena sem esboçar nenhuma reação. Estava completamente congelada. Uma das mãos dela envolveu o rosto de Lucas, puxando-o sem a menor cerimônia e o beijando ferozmente. Ele pareceu surpreso por um momento e chegou até a se afastar, mas ela não deixou, selando seus lábios novamente. É claro que não demorou muito para que ele acabasse cedendo e os dois começassem a realizar uma cena extremamente incomoda para os outros presentes. Mas infelizmente, eu não me sentia como as outras pessoas que testemunhavam aquilo. Para mim era pior. Muito pior.

- Ah meu Deus… Nanda… - Duda olhava na mesma direção que eu, com os olhos arregalados de surpresa. Não me dei ao trabalho de perguntar a quanto tempo ela assistia a tudo. - Eu… Eu nem sei o que dizer.

Desviei meus olhos deles, não querendo mais ter que testemunhar o que acontecia a minha frente. Aquilo doía. Doía de uma maneira absurdamente forte. E o que mais me causava mal estar era saber que enquanto eu chorava por Lucas, ele estava em diferentes lugares como aquele, se agarrando com diferentes meninas como aquela. Eu era uma idiota que estava sofrendo mais uma vez por causa do ex.

- Duda… - Minha voz custou a sair. - Eu… Eu preciso ir embora.

- Você tem certeza? - Ela parecia relutante. - Quer que eu vá com você?

- Não. - Neguei, tentando esboçar um pequeno sorriso. - Você fica e avisa para as meninas que fui embora, diz que não estava me sentindo muito bem, pode ser?

- Ham… Tudo bem. - Ela contraiu os lábios, visivelmente preocupada. - Você vai ficar bem?

- Vou. - Assenti, mesmo sabendo que estava mentindo descaradamente. - Só não quero ficar aqui. Não com eles. - Dei um longo suspiro. - Não com ele. - Lancei um pequeno olhar na direção de Lucas, que entrava na fila com a garota abraçada em sua cintura.

- Sinto muito. - Duda segurou minha mão. - Sei que dói, mas vai passar.

- Sei que vai. - Voltei meus olhos para o chão. - Mas ainda assim dói.

Soltei sua mão e lhe dei um abraço um pouco apertado. Sua mão afagou meus cabelos por alguns instantes antes que eu finalmente a soltasse e me encaminhasse para a saída, reunindo toda a coragem que me restava.

Pude senti-los me observar um por um, mas fingi não dar à mínima. Eu não iria pagar de idiota de novo. Pelo menos, não na frente deles. Quando cheguei perto de Lucas, não consegui me conter e lhe encarei novamente, sendo retribuída por seu olhar no mesmo instante. Aqueles olhos verdes podiam ser lindos e hipnotizantes, mas eu não me deixaria enganar por eles novamente. Nunca mais.
A partir daquele momento, eu iria fazer com os sentimentos que sentia por Lucas o mesmo que faria com o anel. Trancaria-os dentro de uma caixa.

O cheiro dos livros me transmitia uma sensação boa, uma certa leveza… Aquela era um ótima maneira de escapar da realidade.

Não sabia ao certo o motivo de ter ido numa livraria. Talvez fosse porque aquele ambiente me acalmava de certa forma. Estar em meio aos livros me deixava mais relaxada, me fazia esquecer um pouco das tristezas. E de fato, estava realmente funcionando. Depois de uma meia hora folheando inúmeros livros, as dores em meu peito cessaram, deixando apenas uma pequena mágoa que eu sabia que não se curaria tão facilmente.

Estava caminhando em meio à sessão juvenil. Gostava de muitos livros que havia lá. Infelizmente algumas estantes eram muitas altas, e graças a minha estatura, não conseguia alcança-las. Tive que me contentar apenas com as fileiras de baixo, mesmo sabendo que os melhores livros se localizavam lá em cima. Pude notar que havia uma pequena brecha que separava uma fileira da outra, fazendo com que pudéssemos ver o corredor do outro lado e apenas partes das pessoas que passavam por ele.

Puxei um dos livros da estante para ler sua sinopse, quando notei um par de olhos azuis me observando do outro corredor. Assim que lhe encarei de volta, ele desviou os olhos, fingindo estar apenas folheando um livro.

Bom, talvez ele estivesse apenas folheando um livro. Talvez eu estivesse enlouquecendo.

Tentei ignora-lo e voltar minha atenção novamente para os livros, mas eu simplesmente não conseguia. A cada vez que olhava para a estante, seus olhos estavam praticamente na minha frente. Eu sentia-o me observando, mas sempre que tentava confirmar minhas suspeitas, ele desviava o olhar, me deixando completamente confusa. Afinal, aquele garoto estava realmente me observando, ou era apenas imaginação minha?

Só então parei para pensar que poderia não ser um garoto. Eu só via seus olhos e não podia definir sua idade através deles. Ele poderia ser um velho, um homem de quarenta anos… Ou poderia nem ser do sexo masculino. Será que era uma mulher? Não, não era… Não com aquelas sobrancelhas loiras tão grossas.

Continuei fingindo prestar atenção nos livros, pois naquele ponto da situação, não conseguia parar de olhar para aquele azul tão perfeito. Levantei meus olhos para encará-lo, quando vi que o mesmo já fazia isso. Dessa vez ele não desviou o olhar, me fitando sem o menor receio. Senti meu rosto ruborizar e me afastei da estante abruptamente. Não tinha o costume de encarar estranhos no meio de uma livraria. Peguei rapidamente dois livros que havia gostado e mesmo sem ter a intenção, acabei olhando novamente para a estante, notando que o garoto havia sumido. Me senti aliviada. Provavelmente ele tinha ficado com vergonha, assim como eu, e resolveu escapar.

Mais tranquila, segui em direção ao caixa na intenção de pagar pelo que tinha pego e ir embora, mas não consegui concluir o trajeto, pois quando estava no fim do corredor trombei com algo que fez todos os meus livros caírem no chão.
Abaixei-me para pegá-los quando duas mãos vieram em minha ajuda, segurando-os no mesmo momento que eu.

- Obriga… – Tentei agradecer, mas parei de falar no momento em que levantei minha cabeça. Um garoto de cabelos loiros e de pele levemente bronzeada me encarava de maneira confusa. Fiquei um tempo paralisada, apenas encarando-o. Eu parecia ter perdido totalmente a capacidade de falar. É claro que, aquilo não tinha nada a ver com o fato de ele ser um dos garotos mais bonitos que já vira em minha vida, ou porque sua mão ainda pousava sobre a minha, transmitindo um leve formigamento em minha pele. O que realmente chamou minha atenção foram seus olhos incrivelmente azuis. Olhos que eu já conhecia de instantes atrás.

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