marcaram

O meu ciclo de vida é composto por amores que passaram, amizades que não duraram e momentos que marcaram. A vida é cheia de idas e vindas, paixões que não eram pra ser, amigos que me abandonaram e só lembranças deixaram. As pessoas entram e saem da minha vida sem dar a mínima, e nessas partidas levam parte de mim, espero que algum dia chegue alguém e me complete. Quero alguém para somar e não para diminuir.
—  Meus dilemas. 
E eu fico viajando pelas minhas memórias. Um passado bem distante de como sou agora, mas o que me prende nessas memórias não é como eu era, e sim as pessoas que estão nela. Essas sim marcaram minha vida, minhas experiências com elas, os momentos bons que mesmo rápidos aconteceram que me marcaram, me transformaram. São boas pessoas, que me deram mais do que boas memórias me deram esperança, sonhos, alegria, e me fizeram ser quem eu sou hoje
—  Kaio Rubia
Não cheguei nem aos vinte e tudo que mais quero é que as coisas voltem a ser como eram. É engraçado, por que não tem tanta coisa que tenha acontecido, é só que deixar as coisas… ir embora, é complicado, quem diria que eu sentiria saudade das horas que  passava na escola desejando estar em casa e mesmo assim sendo grata por estar perto de todos meus amigos, colegas, algumas pessoas que me irritavam e eram apenas por si próprias as pessoas que eu mais desprezava, apesar de tudo, elas fazem falta. Talvez eu seja pessoa bem brega, que sente falta de coisas idiotas, as vezes eu entro em momentos nostálgicos e dou risada de coisas que me marcaram, mas que não podem mais acontecer, o fato é, naquela época só me preocupei em passar um dia de cada vez, claro que subestimei algumas pessoas, achei que elas nunca seriam importantes, mas então … também quebrei a cara, aquelas que achei que sempre estariam aqui, se foram … não é uma coisa fácil de dizer, mas eu as entendo, as vezes mantemos ao nosso alcance aquilo que nos é necessário, mas depois não importa, certo?
A coisa toda é, talvez tenha uma idade certa que simplesmente nos sentimos totalmente perdidos ou a hora certa de se encontrar de verdade, no momento eu queria não estar presa no meio desses dois momentos, é difícil não saber em qual deles eu realmente estou, essa é a fronteira mais irritante que existe.
—  Alice.

eu quis colar a boca no seu rosto e recitar alguma prosa de caio, e você ia sorrir e fechar os olhos e sentir o som reverberar na sua pele. falaria aquele da avenca que deveria ser uma samambaia mas cresce sem parar, os dedos cravados no seu braço. tudo seria triste e bonito, ainda que nossa tristeza seja mais alheia do que propriamente nós. aquele momento resultaria num riso que contradiz a taquicardia do peito. porque você riria do meu ato mas teria o corpo aquecido. eu faria meu ar blasé mas aquilo diria mais que um punhado de canções populares. esses dias eu quase te chamei para aprendermos italiano porque vejo nosso amor em florença, embora acredite piamente que ele sobreviveria mesmo no frio do ártico. é bonito dizer isso porque eu sempre fujo do amor, mas dessa vez o sinto talhado na minha carne. e digo pausadamente para você sentir a entonação de cada palavra saindo dos lábios e se propagando na pele. eu sou triste mas você me faz uma tristeza menos só. eu quero partir mas quero ainda mais que você me impeça. você abre a boca mas se cala. vezenquando me sinto uma intrusa da vida. eu não devia estar aqui, eu não devia estar aqui, digo e repito ainda com as mãos apertando seus braços porque minha fala contradiz os desejos.  

agora vejo-me amena, como a calmaria antes da tragédia. quis usar esse momento de lucidez para grudar em você, chorar por todas as vezes que me vi fitando esse abismo que reside n’algum canto de mim, porque você não sabe acalentar dores mas é minha calmaria. então eu fecho os olhos e deixo meu nariz frio na sua bochecha até o peito aquietar. te escuto contar as batidas num sussurro, uma, duas, três, quatro, calculando quanto tempo vai levar para a próxima aceleração cardíaca. eu engancho os dedos na sua camisa como quem procura equilíbrio. você desfaz o nó que mora entre a garganta e a boca do estômago. essa tristeza me adoece e tenho medo da piora. senti novamente as dores que te assustaram há dois anos atrás, mal consegui respirar, silenciei. penso em contar sobre a outra música do chico que te vi esses dias, escutei e escutei e senti-me feliz porque gosto da poesia dele tanto quanto gosto de te ver chegar. enxergo seus detalhes nas coisas mais belas que me marcaram e mal noto. quero falar de toda a ternura que sinto, não consigo, você me causa lágrimas nos olhos pelo excesso. não negarei as lágrimas que se esvaem por você, a verdade é que me permito sentir como se voltasse ao tempo em que o afeto era vivido sem temor. tenho medos irrefutáveis e ainda assim te vejo com olhos de quem vê alguém que o faz na mesma proporção. sinto como se fosse feita para amar até te amenizar a exaustão. nosso amor é doído e acalentador como aquela música que você canta ao pé d’ouvido quando estou prestes a adormecer. 

na sua pele aquecida pela minha boca, na sua camisa amassada pelos meus dedos, nos seus olhos cansados como os meus, sussurro sem som que era você, sempre foi você. ainda que meus pés se distanciem dos pelos da sua perna, ainda que suas mãos deixem de aquecer minhas costas, ainda que uma infinidade de orações adversativas levem seus passos para o lado contrário, ainda será você.

G.

O tempo vai passando, nada que lhe fora prometido por Deus acontece. Você então começa a pensar: ah, Deus, está mesmo bem impossível… Não há o menor sinal de que coisas boas irão acontecer. Ou o Senhor se esqueceu de mim, ou aquelas promessas não passaram de imaginação da minha cabeça. Você só se esquece de que foi do nada que, ao chegarem em frente o Mar Vermelho, Deus o abriu e o povo de Israel atravessou. Não, Deus não foi dando sinais prévios pelo caminho de que, chegando ali, faria um dos acontecimentos que mais marcaram na Bíblia. Deus não foi dizendo a Moisés: Vai Moisés, relaxa que eu tô planejando um negócio grande, você vai chegar lá na frente e o mar vai abrir, vai ser doido, Moisés. Não! Ele apenas disse para Moisés seguir e confiar, e assim ele fez. Foi com medo, angustiado, tinha um peso enorme de milhares de pessoas em suas costas, mas ele foi. E é aí que está, mesmo sem saber, sem ver o que iria acontecer, Moisés confiou em Deus, em sua provisão. Se Deus havia prometido tirar o povo do deserto e os levar até a terra prometida, mesmo sem ver um sinal grandioso naquele momento, Ele sabia que Deus, de alguma forma, iria agir. É isso que Ele espera de nós, mesmo sem vermos a provisão precisamos crer que ela virá. Deus não promete nada para deixar pela metade. Se na sua frente só tem um muro, siga mesmo assim, Deus pode destruí-lo, ou pode fazer uma porta aparecer ali, ou então, quem sabe, te fazer atravessar paredes… Só confia, só siga em frente e deixe que Deus faça a parte Dele, a sua é apenas confiar e obedecer, faça isso.
—  Impercebida

Por mais que eu queira, não posso querer por nós dois. Os momentos bons passaram e chegou a vez dos ruins, e é verdade, momentos ruins demoram a passar e de tanto demorar acaba deixando estragos, estragos irreparáveis, estragos que nem mesmo o amor consegue consertar. Amor… Definido como demostração de carinho e afeto, coisas que mesmo depois do estrago eu me esforcei para lhe dar, só que nunca é o suficiente, não é? Não depois dos estragos que já chegaram e ficaram, marcaram e fizeram sangrar. Eu tentei, você tentou, e no final os estragos novamente causou o impacto. Você desistiu e eu como um bobo acreditei que o amor ainda era capaz de consertar o estrago, só que como eu disse: por mais que eu queira, não posso querer por nós dois.

E então por fim, eu te deixo ir.

—  Kevin Streuper.
Acontece que ninguém nunca está preparado pra perder alguém, não importa quantas pessoas já foram embora da sua vida, quantas só marcaram território e logo em seguida se foi. Ninguém nunca vai saber lidar com a partida, sempre ficará destroços por todos os lados, para que você os limpe e siga sozinho, como fez das outras vezes.
—  Priscila M.
Já faz um tempo

Que eu olho no espelho e não me reconheço mais,

não reconheço mais as minhas cicatrizes

eu não sou mais aquela garotinha de 13 anos com o coração partido e cheias de machucados no braço

hoje eu tenho quase 18 e ando por ai carregando umas cicatrizes de coisas passadas que marcaram a minha pele pra sempre

não sei como me livrar delas, nem sei se eu deveria, afinal eu tenho cada uma delas gravadas em mim, não necessariamente no meu corpo

[mas estão aqui, elas fazem parte de quem eu sou]

Eu também esperei muito da vida. Eu quis muitos amigos. Quis amores correspondidos. Quis voltar no tempo para desfazer umas burradas ou talvez para vivê-las de novo. Também quis chorar vendo um filme triste e já quis não chorar na frente de algumas pessoa, foi em vão. Eu quis ser aquela pessoa que todos tem coisas boas pra falar, não só aquele que apontam na rua e sussurram por aí. Mas eu não tive. Não aconteceu exatamente nada que eu queria. Se tenho dois amigos, é muito. Amores correspondidos? É de comer? Nunca senti isso na minha vida. E tudo que eu fiz, ficou exatamente do jeito que era, apenas com alguns retratos borrados que as memórias marcaram. E eu vou te falar mais, eu não morri por causa disso. Claro, algumas vezes você pensa na vida e chora, mas eu não me deixei levar por isso. Porque foi exatamente esse “não ter” que me faz estar aqui, de novo, tentando. Foi exatamente a vida decidir ser uma filha-da-mãe comigo, que eu não desisto. Não desisto mesmo. Quem disse que naufragar também não pode ser uma bela viagem?
—  A culpa é mesmo das estrelas? 
Eu sei que ás vezes bate uma nostalgia das coisas que marcaram nossa vida de um modo que não da pra se esquecer de um dia para o outro. Lembramos das recordações comuns, de tantas horas vividas com intensidade, dos tempos felizes. E vamos andando, andando e quando nos damos conta, viajamos em vôos cegos, tentando reviver os momentos que achamos que seriam para sempre.
—  Deixa o tempo resolver por nós.

Sabem o que dói em seguir em frente? É que por mais que tente não olhar pra trás.. Em algum momento da sua vida você olha e vê o quanto certas pessoas marcaram a sua vida. O quanto algumas foram boas e te acrescentaram em algo e outras te deixaram feridas que nunca cicatrizaram.. Mas ainda assim te marcaram de alguma forma, seja ela boa ou ruim. Isso tu vai carregar pra sempre. A minha maior dúvida nisso tudo, é se vai realmente valer a pena sentir essas dores todas as vezes que nos decepcionamos com quem amamos, todas às vezes que somos deixados para trás, que somos substituídos.. E se não tiver um final feliz? E se não existir realmente aquela pessoa que vai nos transbordar e nos amar? Aquela pessoa que vai querer estar ao meu lado até estar velhinha usando dentadura, de cabelinhos branco? Na boa, eu muitas vezes imaginei aquela coisa de estar numa varanda, sentada numa cadeira com o meu “amor” ao lado, olhando o por do sol e rindo desses momentos que vivemos anos atrás.. Idiotice imaginar algo assim? É talvez, mas é pedir demais no meio de tantos problemas nessa coisa de ser “adulto” e de ter tantas responsabilidades aparecer alguém que nos dê a mão e nos ajude a seguir até esse por do sol?

Eu me sinto mal por ter deixado meu passado virar passado. Se eu pudesse, traria de volta mil e uma coisas que hoje não fazem mais parte da minha vida. Não foi minha intenção deixar de ouvir minhas músicas favoritas, aquelas que me marcaram de verdade, as pessoas que me fizeram bem e sumiram sem motivos ou ao menos sem se despedir. É difícil você se encontrar sozinho, desejando ter tudo que te fez bem de volta. Eu estou perdido, tive sorte de ter encontrado algumas pessoas mas conforme o tempo passa, a saudade de tudo só vai aumentando. Não olho pra frente ou procuro um futuro por medo, mas por amar demais o meu passado.
—  Diego Castro.

A parábola de Jesus Cristo sobre o senhor e a grande ceia, ganhou uma atenção mais especial por esses dias em minha meditação sobre o amor de Deus.

E, ouvindo isto, um dos que estavam com ele à mesa, disse-lhe: Bem-aventurado o que comer pão no reino de Deus.
Porém, ele lhe disse: Um certo homem fez uma grande ceia, e convidou a muitos.
E à hora da ceia mandou o seu servo dizer aos convidados: Vinde, que já tudo está preparado.
E todos à uma começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei um campo, e importa ir vê-lo; rogo-te que me hajas por escusado.
E outro disse: Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-los; rogo-te que me hajas por escusado.
E outro disse: Casei, e portanto não posso ir.
E, voltando aquele servo, anunciou estas coisas ao seu senhor. Então o pai de família, indignado, disse ao seu servo: Sai depressa pelas ruas e bairros da cidade, e traze aqui os pobres, e aleijados, e mancos e cegos.
E disse o servo: Senhor, feito está como mandaste; e ainda há lugar.
E disse o senhor ao servo: Sai pelos caminhos e valados, e força-os a entrar, para que a minha casa se encha.
Porque eu vos digo que nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia.
Lucas 14:15-24

O costume era que o anfitrião fizesse o convite por antecedência e depois, enviaria o aviso que a refeição estava pronta. Jesus vai falar do seu próprio povo que estava recebendo o aviso que a refeição tava pronta, ou melhor, o Reino de Deus chegado para eles. Este povo que já tinha aceitado o convite para seguir a Deus, desde os tempos do recebimento da lei, da visitação pelos profetas. O povo estava habituado a ter seu momento de entrega para Deus, e também depois, seu grande esfriamento para com Seu Senhor. De qualquer forma, eles foram convidados a buscarem a Deus, obterem por meio da fé um relacionamento com Seu Criador e Libertador.

No entanto, Cristo nos permite entende a realidade dos seus convidados; ocupados demais para se aproximarem da mesa do Reino do Senhor. E um dos exemplos que mais me levam a refletir se eu mesmo não estou ocupado demais para Ele, é quando se menciona sobre um homem que acabou de casar e pede que o dê como desculpado. Ou seja, casou, e voltou atrás da sua palavra dada ao anfitrião. O Senhor usou uma dádiva que muitos de nós admiramos e até devemos zelar com muito fervor: a família, o matrimônio mais especificamente. Para nos fazer perceber o quanto o seu convite é nobre e digno de toda aceitação.

Nada tem mais valor do que aceitar ir a Ceia do Senhor. E eu gosto de refletir nesta ceia da parábola, assimilando com a Santa Ceia em si, quando Jesus nos diz para comermos o pão e bebermos o vinho em memória Dele, como o seu corpo que foi partido por nós, e o seu sangue que foi derramado por nós, fornecendo gratuitamente uma nova aliança para com Deus. E Jesus faz questão de deixar registrado em sua palavra, o corpo partido, a aliança no sangue derramado, e me faz entender algo que está ligado diretamente e intimamente a confissão e profissão de fé em Cristo; a quebra de uma falsa visão de que aqui na terra não podemos passar aflições, se estivermos em Deus, se o corpo de Cristo foi partido, o que poderemos esperar do nosso? E a aliança nos sangue me dá uma chacoalhada na alma, pois, e se Ele derramou a própria vida por mim, por quê eu viverei poupando a minha para não viver obediência integral a Palavra Dele?

E voltando para a Parábola da Grande Ceia, como anteriormente dito, os que foram convidados antecipadamente arranjaram desculpas, então o servo do senhor sai pelas ruas e becos da cidade para trazer os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos. E acredite eles aceitam o convite. Pessoas marcadas, algumas marcadas desde seu nascimento, outras não, mas em algum momento, independente de quando, a verdade é; elas tinham uma marca que as impossibilitavam de viver incluídos na sociedade. Jesus chama os marcados pela exclusão nos padrões terrenos e os aceita e os aperfeiçoa em padrões celestiais. E mesmo com as pessoas marcadas vindo, não eram o suficiente para encher a casa, seu servo vai pelos caminhos e valados e encontra mais, a casa é cheia!

Mas a mais poderosa lição para a minha alma é: algumas marcas nos levam até Cristo. Portanto, eu aprendi a amar as marcas que recebo seja pela vida, seja pelo evangelho, seja por qualquer coisa, todas as minhas marcas me expressam pluralidade de propósitos a serem decifrados ao decorrer da caminhada com Jesus. Os pregos que marcaram o Nosso Senhor fixado no madeiro, marcaram também a fé de Tomé.

Esteja contente em ser chamado para ceiar no Reino de Deus, estar no corpo de Cristo. E as marcas? Bem, todo mundo tem uma ou inúmeras, quando for necessário medite nelas. Elas te colocaram no lugar certo: em lugar de humilhação aos pés de Jesus. E este é o melhor lugar do mundo, não pela promessa de exaltação ao seu tempo, mas pelo privilégio que é Dele se aproximar: favor imerecido!

Marca emocional? Ezequiel teve, sua esposa, delícia dos seus olhos, foi tomada dele, com um golpe só, e adivinha quem a feriu? Deus. E ele se tornou um sinal para o povo.
Marca Psicológica? Pedro teve, chorou amargamente ao negar Jesus a terceira vez e ouviu o galo cantar e ecoar na sua mente. Ele foi escolhido para apascentar as ovelhas do Senhor.
Marca no matrimônio? José teve, Maria concebeu um filho gerado pelo Espírito Santo, aos olhos dos outros, casará este com uma adultera, mas dentro da alma dele, ele poderia ter o infinito gozo de ver Deus menino, e melhor que isso, poder dizer: sou teu pai. Pai de Jesus Cristo. Uma marca que permitiu a ele, criar o Filho do Altíssimo.
Marca de um Relacionamento doloroso e aparentemente escolheu a pessoa errada? Oséias tomou para si uma prostituta, e como essa mulher trouxe angústia! Mas foi a ordem de Deus para demonstrar o quanto Deus ama o Seu povo e sofre angústias pelos seus desvios de obediência.

Independente de nossas marcas, quando estamos em Cristo Jesus, em todas elas nós já somos mais do que vencedores.

Tua marca lhe trará vida!

—  Livro: FAMINTOS! Mas não de pão. AUTOR: JHONATAN STUARTT.
O dia que eu fiquei sem internet

Onde eu moro constantemente – pelo menos uma vez por mês – acontece algum roubo dos cabos de telefone por conta do revestimento de cobre que eles possuem, e que se transformam em dinheiro na mão de alguém. Na minha família aguardamos “ansiosos” pelo dia em que ficaremos sem internet e telefone, pois sempre surge algum imprevisto ou história engraçada.

Acumulamos ao longo desse tempo algumas perdas de convite de casamento ou churrasco na laje, abertura de vaga, entrevista de emprego, lançamento de notas – até porque hoje em dia a lan house está em extinção, eu juro! Já passamos uma tarde inteira procurando uma disponível -, enfim, além de histórias envolvendo sofrimento e dor, também deixamos para fazer tudo àquilo que não fazemos quando estamos conectados: conversamos. Mentira. Nós fazemos faxina atrás dos móveis, ressuscitamos um velho álbum de fotografia, ligamos o rádio, escrevemos em caderninhos. E as horas não passam. Deus. A internet parece um portal maligno cuja função é sugar nossas horas.

Em um desses dias sem internet minha mãe resolveu abrir a varanda de casa – outra coisa que esquecemos que temos por conta da, você sabe -, e saiu aos gritos pelos quartos porque junto com essa descoberta ela também teve a adorável surpresa de que as pombas tinham dominado a área. Desculpe o palavrão, mas estava tudo “cagado”, era assim que ela reclamava enquanto lavava o pé.

Depois de realizarmos aquela limpeza desinfetante – desculpa pombas, mas vocês não são os seres mais limpinhos do universo -, resolvemos nos debruçar na varanda e notamos que outros três vizinhos faziam o mesmo, ei que surge o diálogo:

Vizinho 1: - Vocês também estão sem internet?

Vizinho 2: - Estou, mulher! Todo mês é essa palhaçada! E a minha conta continua alta que é uma beleza.

Vizinho 3: - Isso é culpa do – partido que você sabe qual -.

Vizinho 1: - Eu já não sei mais o que fazer, já usei o meu 4G todo e eu nem tinha terminado de ver o vídeo com os pandas.

Vizinho 2: - Mulher, aqui em casa eles deram para conversar, você acha? Nem sabia mais como fazia isso – aos risos.

Vizinho 3: - Isso é culpa da – você sabe quem -.

O diálogo se estendeu até tarde. Eram três pessoas escoradas em suas varandas – uma metáfora pobre sobre a grande bolha individual que vivemos – discutindo sobre aquilo que as deixam cada vez mais ausentes. Descobriram gostos em comum – e desgostos também (vulgo vizinho 3). Se apelidaram de nomes engraçados, prometeram dividir os utensílios domésticos, marcaram encontro. Mas nada disso aconteceu porque você sabe, o wifi voltou!

O meu pai sempre foi um grande admirador de instrumentos musicais. Lembro de vê-lo tocar piano todas as manhãs de domingo, ele chegava a flutuar, passava horas tocando e se expressando sobre o piano, algumas vezes o via aos prantos, outras o via sorrir feito uma criança. Quando completei dez anos, ele me levou á um concerto de música em Amsterdã, eu tão pequena e sem entender quase nada sobre música, fiquei apaixonada e me lembro de cada detalhe daquela noite. Nós chegamos ao concerto às oito horas, meu pai estava nervoso, olhava pra cada canto do lugar, segurou minha mão e começou a me contar as histórias daquele lugar, as pessoas que já passaram por lá e os amores que marcaram aquelas paredes, ele sorria e chorava de alegria a cada passo que dávamos. Ele me ensinou todos os instrumentos que pôde. Me lembro de querer sair pra me divertir e quando via a expressão no rosto dele de tristeza porque queria me ensinar algo novo, voltava para o quarto e me trocava depressa. Ele me ensinou sobre os romances, me ensinou que não poderia me mostrar como lidar em certas situações da vida, isso eu aprenderia por minha conta, mas me deu conselhos que levarei sempre comigo. Eu me tornei escritora, ainda toco piano e penso nele todos os dias, lembro dele falar que “Não importa quantos dias passem, sempre irá doer”, ele tinha toda razão. Hoje faz dez anos que meu velho se foi, ele ficou muito doente e acabou nos deixando, teve chance de fazer tudo que queria, e sempre brilhava os olhos quando falava de mim, dizia que achava que a música sempre seria tudo, até me pegar nos braços. Eu sempre levarei as histórias que meu pai me contou, ser educada e amada por ele foi a melhor coisa que alguém poderia ter.
—  Naiara Régis.

Bangtan React: O pedido de namoro de cada um.

Desculpem pelos erros, e pela demora também. Boa leitura. :)


♦Kim SeokJin♦

A amizade de vocês estava em um ótimo avanço, e por mais que Jin tentasse ser discreto em relação ao que sentia por você, nem sempre conseguia esconder que já não te via apenas como uma grande amiga. Ele queria mais, e você estava ciente disso. O pedido de namoro do mais velho seria algo simples, mas seria romântico o suficiente para aquecer seu coração em uma forma que deixava bem claro a igualdade dos seus sentimentos ao dele.


Sendo assim, ele optou por algo clássico. Um jantar romântico. Usou a chave reserva da sua casa, e preparou tudo enquanto você ainda estava no trabalho. Fez a comida preferida de vocês dois, e enfeitou a casa com flores e velas aromatizantes. Assim que abre a porta, se depara com Jin sentado em um dos lugares da pequena mesa para duas pessoas, a sua espera para iniciar o jantar e lhe fazer o pedido.


“S/N, acho que já não é uma surpresa tão grande para você, saber que eu não te vejo mais só como uma amiga, mas eu realmente sinto que já quebramos a barreira da amizade. Entendo se achar que estou antecipando as coisas, mas eu preciso de uma resposta… Você aceita namorar comigo?”



♦Min YoonGi♦

Ao contrário de Jin, Yoongi queria mesmo era oficializar e divulgar pro mundo inteiro o quanto estava apaixonado por você, mas ele sabia que isso não era a melhor coisa a se fazer. E por isso não a fez.


Por mais que tenha esse estilo meio “swag” como ele mesmo diz ter, Yoongi sabe ser romântico, e ele usaria e desfrutaria muito bem desse conhecimento. O único problema seria a timidez que ele teria em te dizer que está apaixonado por você. Yoongi, o maior swagger que você respeita, tímido? Sim. Na verdade, seria mais insegurança do quê timidez. E a melhor forma que ele havia encontrado em te dizer isso seria através da música.


Ele compôs a música que dizia tudo que sentia em relação a você, que seria exclusivamente deticada a você, e ele não a divulgaria por enquanto.


Ele te convidou para ver mais um dos ensaios dos meninos, e depois de muito trabalho para te convencer a ir, você aceitou e foi. O “ensaio” seria vocal, não iriam dançar hoje. Assim que você entra na sala, a batida começa e seguido dela vem a voz melodica com as lindas e até poéticas letras que Yoongi lhe escreveu, dizendo tudo oque ele sentia, sem esconder absolutamente nada. E assim que a letra acaba, ele lhe faz o pedido:


“Desculpa não ter coragem o suficiente para te dizer isso de uma forma mais natural… Mas pelo menos rendeu uma ótima música, estou certo? Em fim S/N, eu quero saber se você está disposta a me aguentar como namorado, topa?”




♦Jung HoSeok♦

O pequeno raio de sol da manhã não faria nada mais, nada menos, que te chamar para sair, clássico também. Entre um dos intervalos dos ensaios, Hobi te leva para um parque de diversões, passariam a tarde toda lá, se divertindo e fazendo as coisas que mais gostavam juntos. Tudo perfeito como nos planos de Hoseok.


E nos últimos minutos do intervalo, ele lhe levaria para a roda gigante. Quando estivessem lá no topo, apreciando a linda vista que a altura os proporcionava, ele lhe faria o pedido.


“S/N, falando sério agora, eu acho que acabei gostando demais de você, sabe? Não sei se sente o mesmo por mim, mas preciso saber se você aceita ou não me deixar ser seu namorado. E aí? Posso ser sua esperança?”





♦Kim NamJoon♦

Medo, insegurança, vergonha, receio. Todas esses sentimentos misturados faziam o coração de Nam pulsar com rapidez e força. Vocês marcaram de se encontrar no dormitório de Namjoon, a justificativa dessa vista de última hora foi o “preciso falar com você” que Namjoon te enviara nas mensagens.


Assim que Namjoon atendeu a porta e lhe deu espaço para que pudesse entrar, seu questionamento preencheu o silêncio do local, perguntando oque ele queria falar com você.


“Eu me sinto mal por não estar seguro o bastante para te dizer isso olhando em seus olhos, mas eu realmente não consigo agora… S/N, eu já não consigo mais me sentir independente, eu me sinto totalmente dependente de você, não consigo mais me imaginar longe de você. Cada vez em que estamos próximos, meu coração acelera em uma velocidade que ensiste em comprovar que eu já não sei mais te ver como a amiga que me ajuda nas composições, como amiga que me entende e me ouve com toda disposição do mundo. Você é especial demais pra mim, e sinto como se fosse um dever meu deixar claro oque sinto. Eu te amo, mas não é um amor como esses que qualquer um diz ter, é um amor forte, forte o bastante para me dar a coragem de te fazer a seguinte pergunta: Namora comigo?”


Originally posted by trash-for-bangtan




♦Park JiMin♦

Jimin estava em turnê, mas isso não o impediria de te falar tudo oque se passava nos sentimentos do menino, e foi uma conversa bastante extensa com os meninos que o fez chegar a conclusão de te dizer logo isso.


Vocês faziam face call todos os dias, e nesse dia não foi diferente, vocês conversaram por o mesmo periodo de horas de sempre, tudo normal. Mas, durante a conversa, você notou a diferença no comportamento do garoto, percebeu que ele parecia aflito, gaguejava em algumas palavras, e isso nunca acontecia. Então você resolveu perguntar oque havia acontecido. E ele respondeu.


“Devo ser direto, você gosta de pessoas diretas. Você apareceu na minha vida e deixou ela mais facil de compreender, deixou ela ainda melhor do quê já era, e eu só tenho a te agradescer por isso. Agora, vem a parte um tanto complicada da história, eu tentei esconder, mas até os hyungs já notaram que eu não suporto mais te ver tão próxima e não te ter… S/N, eu te amo! E eu quero chegar aí na Coreia sabendo que vou te ter para mim, poder sentir mais que seus abraços… Me responde: você quer namorar comigo?”




♦Kim TaeHyung♦

Tae havia armado mais uma de suas brincadeirinhas para você. Vocês haviam marcado de jogar no dormitório do mesmo, e você foi cumprir com o combinado. Assim que chega, se depara com o local totalmente vazio, não havia ninguém lá. Apenas um bilhetinho acima da cama, onde dizia que você teria de procura-lo e que havia mais pristas como essa para facilitar a sua missão.


Sua caçada não foi tão dificil graças as ajudas dos bilhetinhos que ele deixava em algum canto. Assim que o encontrou, estranhou o motivo do menino estar com flores nas mãos, mas não deu tempo de você perguntar nada até Tae começar sua declaração.


“Devo começar te elogiando pela incrivel capacidade de me aguentar quase todo dia e não surtar, acredite, são poucos com esse dom. Agora, obrigado pelo simples fato de ter arranjado um lugarzinho na sua vida para mim, eu me sinto muito feliz com a sua companhia, todos os momentos ao teu lado são especiais e únicos pra mim. Me sinto extremamente feliz em poder te apresentar como minha melhor amiga. Mas, eu me sentiria ainda mais feliz em te apresentar como minha namorada. Você aceita, S/N?”





♦Jeon JungKook♦

Ele aproveitaria das suas abilidades em editar vídeos e faria um bem especial com fotos e vídeos curtos de momentos juntos e frases bonitas, frases que expressavam tudo oque ele sentia de uma forma bem clara e romântica. E quando você foi dar uma última checada na sua caixa de email’s antes de sair com Kookie, o vídeo estaria alí, esperando para que você o visse.


Assim que terminou de olhar o vídeo de Jungkook e de secar as lágrimas que caiam sobre seu rosto, percebe a presença de Jungkook atrás de você, assistindo a sua reação a respeito das palavras do mesmo.


“Era para você ter visto depois que chegássemos do restaurante, mas tudo bem, foi até melhor você ter visto agora, só assim posso fazer logo isso… S/N, aprendi muito com você, me sinto confortável com você, e já passou do momento de te falar o quanto me faz bem te ter por perto. Eu te amo muito, e quero poder te ter muito além de uma amiga e essa foi a melhor forma que encontrei de te dizer isso. Você quer ser minha namorada?”





~Luvy

Deu nos jornais: um asteroide atinge a terra amanhã. Há controversas – assim como explicações matemáticas e cientificas de que nenhum abalo ocorrerá. Mas deu nos jornais. E nos canais de notícias. A minha vizinha até gritou para o marido: “Não era amanhã que a conta vencia?” e ele respondeu do outro lado: “Vixe!”. Na igreja que a minha mãe frequenta começaram as orações, mas foi preciso chegar cedo porque em poucos minutos já havia lotação. No último domingo meus avós me repreenderam pela ausência: pior que a divida na terra é a divida no céu. Fui embora em silêncio. Na faculdade alguns amigos fizeram piada com a novidade, e os professores não marcaram nada em seguida, enquanto outros se preocupavam com a formação que não ocorreria: oh asteroidezinho desgraçado. Minha tia resolveu ir ao médico hoje – uma notícia grave doerá menos no último dia. Disse que no ônibus algumas pessoas riam: “é o fim do mundo todo dia da semana” alguém grita. Cada um escolhe de que jeito irá passar pela grande dor: o durante a colisão ou o que fica depois. Nas revistas aproveitaram o ensejo para ditar moda, “vejam os looks para deslumbrar no último dia do ano”, enquanto uma mulher corria para o fim do livro: melhor descobrir o que acontece logo. Vai que. Algumas pessoas aproveitaram o último momento para fazer revelações. Alguns namoros começaram e outros se diluíram. As fotos da festinha ficaram ótimas, mas olha quem está ali te traindo. Resolveram pedir perdão. O ser humano pode ser incrível quando nunca mais. E daqui desse lado eu acompanho todos os fluxos enquanto imagino se você com o seu ceticismo inconsolável pensou em algum momento ligar para mim. Só para dizer que não acredita em nada disso, mas que vai ficar tudo bem. Só para dizer que está tudo bem. Só para dizer tchau, foi bom te conhecer.