macroeconomia

Como deve ser a economia de uma sociedade justa?

A economia livre é a resposta mais adequada para essa pergunta. Mas antes é necessário trabalhar a questão da “sociedade justa”. Como a justiça acrescenta estabilidade para a produção de riquezas? É possível que no meio da desigualdade exista justiça? A igualdade é aplicável ou é mera utopia de tendências totalitárias como todo sonho de “um mundo melhor”? São questões importantes para trabalhar o modelo econômico mais adequado ao desenvolvimento de um país.

No seu clássico Tratado da Natureza Humana o filósofo britânico David Hume escreveu sobre a relação entre propriedade privada e justiça. David Hume lembra como a necessidade de sobrevivência e o interesse individual fizeram com que o homem criasse uma sociedade com regras para a sua própria segurança e desenvolvimento:

Quando os homens descobrem pela experiência que o livre exercício de seu egoísmo e de sua generosidade limitada os torna totalmente incapacitados para a sociedade; e, ao mesmo tempo, observam que a sociedade é necessária para a satisfação dessas próprias paixões, são naturalmente levados a se submeter à restrição de regras que possam tornar seu comércio mais seguro e cômodo. (HUME, 2009, p 539.)

A propriedade privada para a economia capitalista soa como injustiça aos diversos postulantes das teorias marxistas que defendem a igualdade como princípio maior de gerência social. Mas Hume lembra que as regras de propriedade permitem a tomada de decisões que criam riqueza. Há “segurança jurídica”, como se diz hoje. Portanto, toda economia desenvolvida começa na observância de contratos, na transparência das leis e na garantia de propriedade. Garantia essa que jamais dará ao Estado o poder sobre a riqueza individual. É na liberdade de escolha que nasce a prosperidade de uma sociedade.

Quem é proprietário se constitui no indivíduo capaz de trabalhar sobre sua posse. Fora isso, há desordem e injustiça pela ausência de validação do direito de cada um. O Estado Democrático de Direito e a observância dos contratos são garantias de bons negócios para um país. O Brasil, por exemplo, se tivesse um Banco Central legalmente independente ajudaria no aumento da confiança sobre a nação; o que consequentemente levaria à queda dos juros que beneficia toda a população.

Portanto, a justiça nasce na legalidade. E na legalidade não há espaço para o chamado “capitalismo de Estado” ou “capitalismo do compadrio”, que privilegia certos grupos empresariais em detrimento de outros. É a usurpação do conceito de propriedade e a destruição do mérito que gera inovação e criatividade. É o benefício de uns pelo Estado patrimonialista que confunde o público com o privado. Nesse espaço há muita corrupção, pouco crescimento e pior: a ausência de concorrência ou concorrência desleal.

A falta de concorrência e os monopólios empresarias que se formam com ajuda do Estado são o “princípio das dores”. No Brasil, por exemplo, a política de subsídios do BNDES que custa 20 bilhões por ano ao Tesouro Nacional, o que mostra essa injustiça com a população que paga imposto para garantir empréstimos aos “campeões nacionais” e empresas amigas do governo.

E a igualdade? Uma sociedade justa não é igualitária? Absolutamente não. Sociedades igualitárias estão sempre casadas com o totalitarismo. Mesmo um filósofo ligado à esquerda francesa, como André Comte-Sponville, reconhece que igualdade econômica é uma utopia ineficaz (pleonasmo) e de tendências ditatoriais:

Do ponto de vista econômico, outro sistema estritamente igualitário, seria melhor? É duvidoso. Se ninguém pode se enriquecer, para que trabalhar mais e melhor que o mínimo obrigatório? Por que querer superar-se, se não se pode superar os outros? Por amor? Por generosidade? Por senso cívico? Vamos parar de sonhar! Uma sociedade igualitária, supondo-se que possa permanecer como tal tem toda chance de se tornar uma sociedade de pobres e, sem dúvida, como Mandeville e Voltaire viram, uma pobre sociedade. (COMTE SPONVILLE, 2005, p. 148)

Mesmo a proclamada “igualdade de oportunidades” desembarca na boçalidade. Como é possível que todos tenham uma educação de Havard ou Yale? Infelizmente tão desejo não é sustentável. As oportunidades do industrial de sapatos são diferentes do empresário do ramo tecnológico. Agora, seriam necessários subsídios pesados do Estado para um produtor de sapato que, pela falta de inovação, perde o mercado importador? Tentar a igualdade nesse caso é apelar para a injustiça.

O escritor sul-africano Anthony Daniels resume bem esse fato em uma análise:

A desigualdade, longe de ser uma anomalia, é uma pré-condição da justiça e do sentido. Isso não quer dizer, claro, que qualquer desigualdade específica possa ser defensável. Quer dizer apenas que a existência da desigualdade enquanto tal não pode por si só ser tomada como símbolo da injustiça. (DANIELS, 2010, p 94)

Soa estranho para quem sempre associou justiça com igualdade, mas o fato é que toda nação desenvolvida é uma nação desigual. Mas o pobre norte-americano é muito diferente de um pobre no interior do Equador. Só em Cuba, Coreia do Norte e outras nações igualitárias que não há um dos seus cidadãos, tirando a elite estatal, entre os mais ricos da revista Forbes. Sem produção todos sofrem com o desemprego e a falta de inovação tecnológica. Por exemplo, são os bilhões da indústria farmacêutica que permitem investimentos para a descoberta de novos remédios daquelas doenças antes incuráveis. O Estado é incapaz de gerir tanto investimento sem corrupção e pesados impostos.

A economia em uma sociedade justa não pode ter medo de produzir riquezas. O Estado tem o seu papel regulador moderado, mas é na iniciativa privada que há capacidade de aumentar a prosperidade por meio da liberdade. A democracia, ou seja, a liberdade política e a liberdade econômica são os dois lados da mesma moeda. Como dizia Ludwing Von Mises: “Quem deseja a paz entre as pessoas deve lutar contra o estatismo”. E Mário Vargas Llosa: “A liberdade é a medida no interior de uma sociedade pela margem de autonomia de que dispõe o cidadão para organizar sua vida e concretizar suas expectativas sem interferências injustas”.

Bibliografia:

COMTE-SPONVILLE, André. O Capitalismo é Moral? 1 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

DANIELS, Anthony. Os dilemas da igualdade. Dicta e Contradicta, São Paulo, n 06, pp 86-96, dez. 2010.

HUME, David. Tratado da Natureza Humana. 2 ed. São Paulo: Editora UNESP, 2009.

Inflação de desculpas

Ótima análise do ex-diretor do BC Alexandre Alexandre Schwartsman  em seu blog 

 http://maovisivel.blogspot.com/

Em 1999 o país adotou, com sucesso, o regime de metas para a inflação. Ao lado das metas fiscais e do câmbio flutuante, o regime é parte crucial do chamado “tripé macroeconômico”, que desempenhou papel central na estabilização da economia, permitindo, entre outras coisas, uma elevação gradual do crescimento sustentável. A taxa de investimento, que há alguns anos oscilava ao redor de 16% do PIB subiu a 18% do PIB em média nos últimos 4 anos, fenômeno que, sozinho, pode ter acelerado o crescimento potencial em até 1% ao ano entre 2003 e 2010.
Não é segredo, contudo, que o tripé macro vem sofrendo um desgaste contínuo ao longo dos últimos anos. O compromisso com a meta fiscal foi sendo abandonado aos poucos, de forma acabrunhada, é bom que se diga, mas não menos real. Já a flutuação livre da moeda vem se tornando uma ficção desde o final de 2010, o que – como tenho argumentado – permitiu que o aumento do preço em dólares das commodities se traduzisse quase que integralmente numa elevação do seus preços em reais, com sérias implicações negativas para a evolução da inflação.
Resta ainda, ao menos do ponto de vista formal, o compromisso com a meta de inflação, objeto de reiteradas juras de fidelidade por parte do governo, da presidente da República ao presidente do Banco Central, passando pelo ministro da Fazenda. Entretanto, se nas juras não falta o ardor retórico que os menos avisados poderiam confundir com sinceridade, na atuação concreta das autoridades – seja pelos seus atos, seja por meio do seu diagnóstico do fenômeno inflacionário – o comprometimento com a meta passa longe.
Em que pese o reconhecimento explícito por parte do BC que o aquecimento excessivo da economia representa parcela importante da aceleração da inflação, em outras áreas ainda se perde tempo à busca de culpados que não a política econômica pelo aumento persistente dos preços.
Era a comida; agora são os combustíveis (mesmo com o preço da gasolina sob controle governamental). Já a aceleração da inflação de serviços seria “estrutural” (palavrinha que geralmente significa “é um problema, mas não faremos nada a respeito”) e de forma alguma associada à falta de mão de obra que tem levado a um aumento consistente dos salários acima do crescimento da produtividade. Agora, além da inflação de preços, temos a inflação de desculpas.
Não bastasse a contabilidade criativa na questão fiscal, emdocumento recente o Ministério da Fazenda inova na forma de medir a inflação, afirmando que “o IPCA acumulado em 12 meses [até março de 2011] estaria em 4,76% sem combustíveis e alimentos”, sugerindo, portanto, que os demais preços da economia estariam crescendo uma velocidade muito inferior à inflação cheia naquele período (6,30%).
A inflação, contudo, é uma média ponderada dos diferentes aumentos de preços. Se a inflação total ficou em 6,30%, a inflação de alimentos (peso aproximado de 15%) alcançou 8,76% e a inflação de combustíveis (peso 4,5%) chegou a 5,42%, então a média dos demais preços deve necessariamente ter aumentado 5,89%, bem mais do que os 4,76% estimados pela Fazenda. Atualizando estes números para abril chegamos à conclusão que o aumento dos preços exceto alimentos e combustíveis atingiu 6,19%, só um pouco inferior aos 6,51% registrados pelo IPCA cheio.
Isto mostra que a inflação não é um problema localizado em poucos produtos, mas bastante difundido pela economia, visão diametralmente oposta à patrocinada pela Fazenda.
Não menos reveladora foi a atitude do ministro, que inovou também no campo das desculpas ao argumentar que o estouro do topo da meta não teria ocorrido porque esta não incluiria o segundo dígito após a vírgula…
Dizia Neném Prancha: “se macumba ganhasse jogo, o Campeonato Baiano terminaria sempre empatado”. Se desculpa baixasse a inflação, teríamos uma solução, não um problema.

Watch on apostilas-blog.tumblr.com

Microeconomia e Macroeconomia

Microeconomia e Macroeconomia

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Não importa a cultura: O país gasta mais do que tem. Todos pensam que estão no paraíso. Todos falam maravilhas do estado de bem-estar. Logo nasce uma crise fiscal. Falta dinheiro para tanta conta. A dívida precisa ser paga, pois a conta sempre chega. Não existe almoço grátis, baby! Então, o governo reza a oração da austeridade. Todos os movimentos sociais e estudantes protestam contra o massacre do desemprego e do corte de benefícios. A pobreza vem após a falsa riqueza. Ou seja, sempre é a mesma história!

Não seria bom que os estudantes protestassem também quanto tudo parece bom e o governo gasta como um louco? Não é hora dos estudantes protestarem contra o “consumismo do Estado”? Hoje o Brasil parece bem, mas o tamanho do Estado não cede nenhum minuto. Sim, o Brasil pode ser uma nova Espanha, Grécia ou Portugal logo amanhã! (foto: AFP, Pedro Armestre)

Crisis en EEUU? What Crisis ?

Crisis en EEUU? What Crisis ?

Mirad este gráfico

External image

¿Cómo puede la economía de Estados Unidos crear 257.000 puestos de trabajo cuando el dólar es fuerte y los precios del petróleo son bajos  y los bonos HY sobre  energía están aumentando? respeusta debido al sector servicios,, que se beneficia de los precios del petróleo. En pocas palabras: No interprete las tasas a 10 años en los EE.UU. en el 2,2%, como una señal de que la…

View On WordPress

Lecciones de economía: Proceso de creación de dinero bancario

Supongamos que un individuo deposita 100 euros en el banco, y que el coeficiente de reservas es del 20%. El banco contaría por tanto con 80 euros disponibles para prestar. Si el receptor de esos 80 euros los gasta, quien los cobre los depositará de nuevo en el banco, quien podrá prestar el 80%, es decir, 64, dejando en forma de reservas 16 euros. De esos 64 euros, en el proceso siguiente, se podrían prestar 51’2, quedando como reservas 12’8 euros.

El factor clave reside en que quien depositó los 100 euros posee 100 euros, pues así lo atestigua el apunte bancario correspondiente; quien depositó 80 euros también cuenta con sus 80, el tercero con 64, el cuarto con 51’2 y así sucesivamente. Si los sumamos, el dinero con el que cuentan todos ellos será: 100 + 80 + 64 + 51’2 + … = 500.

Los bancos, de esta manera, no crean billetes ni monedas, pero crean dinero. Físicamente sólo existen los 100 euros iniciales, pero hay 500 euros en total. Por eso, como expusimos anteriormente, si todo el mundo quisiéramos ir a retirar nuestros fondos del banco a la vez sería imposible que nos lo dieran: ese dinero físicamente no existe.

Juan Carlos Aguado, profesor de la Universidad Juan Carlos, en un curso de Macroeconemía en MiriadaX.

Asi estará también España en el futuro

Fijaos en este mapa de paro de los EEUU para nosotros desde luego ciencia ficción, desde luego allí a las vista de estas tasas de desempleo lo primero que se me viene a la cabeza es que están en una bonanza histórica y  que no trabaja quien no quiere, pero luego se mira con lupa tales datos que implican literalmente una economía en pleno empleo y resulta que la precariedad está a la orden de día, que la bajada de poder adquisitivo de los trabajadores es alarmante, que cada vez dedican más dinero a lo básico, el empleo a tiempo parcial esta más de moda que en España, que el sistema retributivo es testicular, vamos l que el empresario/a paga el suelo que le sale de sus partes y si no lo quieres  que pase el siguiente,  que la seguridad del empleo no es baja, no, es cero, en fin que no es oro todo lo que reluce.