lutavam

No meio de toda aquela incerteza nadando no medo, havia uma verdade incontestável, ela o amava a sua maneira. Daquele jeito sem jeito que só ela tinha, um dom de não saber fazer as coisas darem certo, sabia bagunçar o que os outros lutavam pra arrumar, apenas queria mostrar suas duvidas com facilidade, precisava de ajuda, tinha que ter alguém que dissesse se devia continuar andando na contra mão, não sabia se estava caminhando rumo a um abismo, mas mesmo assim caminhava, pois já sentia o calor daquele abraço, poderia ouvir a risada adocicada, se continuasse o beijo seria demorado, ele não iria soltar mais de sua mão, como não tinha nenhuma pessoa de confiança para segredar seus sentimentos, pois infelizmente quando olhou ao redor não havia ninguém capaz de lhe presentear alguns bons conselhos a respeito de sua atrapalhava vida amorosa, acreditou em si mesma e foi.
—  Ela já foi verão
Todos tinham seus propósitos, todos queriam chegar ao ápice de suas vidas, algo pelo qual lutavam, todos tinham suas razões para continuar, eu só tinha preguiça.
—  Pê.
Cansei dessas pessoas vazias, o que houve com o mundo? Cade os artistas que andavam por ai? Cade as pessoas que lutavam pelos seus ideais? Hoje em dia se alguém se destaca demais é oprimido, ou só quer aparecer. Pessoas trancadas em seus quartos com medo de sair e virarem motivo de chacota. Quanto mais tempo passa é como se estivéssemos regredindo. Cade o botão reset do mundo?
—  Yara Goulart
Capitulo 83

Com a respiração acelerada, Clara caminhou para o interior da republica, procurando as melhores palavras para continuar aquele telefonema:


– Está ocupada agora?


– Não. Já cumpri minha tarefa de boa moça hoje, socorrendo uma caipira ferida.


– Importa-se em dar meia volta e me ajudar a achar meu quarto …Ainda me sinto tonta.


Vanessa não pensou duas vezes. Estacionou o carro e correu em direção à república, encontrando Clara à porta. Os olhares expressaram tudo. O brilho deles denunciava o que ambas lutavam para controlar. Mas tal luta foi vencida pelo desejo, pela paixão e pelo amor que rompeu qualquer fosso que o tempo e a distância pudesse alargar e Vanessa avançou em direção a Clara jogando por terra o mínimo vestígio de dúvida sobre a intensidade do sentimento que as unia com um beijo apaixonado, completo, visceral.

A fusão das bocas, a exploração das línguas parecia coadjuvante diante da emoção experimentada pelas almas embebidas na intemperante ânsia de se entregarem uma a outra como se jogadas a seu carma, ou simplesmente pela necessidade de cumprir seu intento, abraçar seu destino em estarem unidas.

Tanto para falar, mas tão pouca disposição para interromper a linguagem transcendental dos sentidos. A saudade tonante conduziu o casal até o quarto de Clara, que livre de pudores empurrou Vanessa para sua cama e em seguida sentou-se sobre os quadris da outra com suas pernas encaixadas ali, se desfez da sua camiseta e jogou seu tronco contra o de Vanessa, com uma volúpia que inflamou a níveis incontroláveis o corpo da fotógrafa.

Amor e paixão, corpo e alma, razão e vontade estavam prontos, fundidos naquele harmonioso movimento de mãos, bocas, seios, quadris. Desnudas, transformaram aquela reconciliação em uma excitante coreografia. Vanessa se derramou no roçar dos sexos, Clara se deixou inundar no veemente prazer molhado entre suas pernas. As peles quentes, os gemidos roucos e as declarações de amor entrecortadas por gritos de prazer culminaram com o ápice em comum, manifestado pelos músculos trêmulos, os espasmos intermitentes e sorrisos absolutamente libertos.

O silêncio falou muito naquela cama. Vanessa e Clara abraçadas trocaram carícias delicadas na face e colo enquanto mergulham no olhar uma da outra. Olhares honestos, puros que sorriam a sensação plena de felicidade.


– Eu senti tanto sua falta Van… Meu peito parecia sufocar, roubar minha respiração…


– E quanto a mim, desejava roubar você dos meus próprios sonhos, te arrancar das minhas lembranças e te abraçar e nunca mais deixar você se afastar.


Vanessa abraçou Clara com a força que descrevera e cochichou com a voz embargada:


– Não vou deixar você se afastar de mim nunca mais… Eu te amo.


Comovida Clara sorriu, segurou o rosto de Vanessa e disse:


– Não vou me afastar de você meu amor, quero estar com você assim todo tempo, grudadinha no seu corpo.


Clara beijou Vanessa com ternura, transmitindo a mais absoluta segurança daquelas palavras. Nesse instante a porta se abriu, e Mayra foi entrando dizendo:


– Não é possível que você ainda esteja dormindo Clara… AI MEU DEUS!


Mayra tomou um susto e tapou os olhos com as mãos ao ver as amigas nuas na cama. Enquanto Clara e Vanessa puxavam os lençóis a fim de se cobrirem.


– Eu e essa minha mania de entrar sem bater… – Mayra pensava alto completamente constrangida.


– May nós estamos cobertas pode tirar a mão dos olhos. – Clara disse enquanto se vestia por baixo dos lençóis.


– Eu… Eu vou deixar vocês à vontade…


Vanessa foi a primeira a levantar, vestindo apenas a camisa e a calcinha acudiu a colega aturdida pela situação. Trancou a porta e se aproximou de Mayra dizendo:


– Você nos encontrou completamente à vontade, esse não é o problema. – Vanessa brincou.


– Ok tem algo errado aqui. Muito errado. Parece que entrei numa cena do jogo dos sete erros, e já achei o que não faz parte dessa cena: você Vanessa! Como assim?


Mayra brincou ainda incrédula com o que via. Clara se levantou, envolveu seus braços no pescoço de Vanessa e disse:


– Não tem nada errado May. Agora está tudo mais do que certo.


Beijou Vanessa depois de encará-la apaixonadamente.


– Eu sabia! Quer dizer… Eu suspeitei. Ai merda! Esse meu gaydar ainda vai comprometer minha heterossexualidade!


– Como assim você suspeitava?


– Eu achei que era coisa da minha cabeça, o desconforto entre vocês quando estavam no mesmo ambiente, os olhares, quando vi a Vanessa fotografando você em um dos nossos treinos eu tive certeza, mas achei loucura por que você estava sempre comigo, quando se encontrava com ela?


– Como assim me fotografando no treino?


Clara perguntou sorrindo para Vanessa que fazia careta como quem fora pega em flagrante.


– Meu amor, você fez isso? – Clara insistiu.


– Unrrum. – Vanessa respondeu tímida.


As duas se encararam de novo e aproximaram os rostos para mais um beijo quando Mayra as interrompeu:


– Alouuu, estou aqui ainda! Dá pra parar de se pegarem na minha frente?


– Por que May? Ciúme ou inveja? – Vanessa brincou.


– Nenhuma coisa, nem outra! Vanessa!


Mayra estapeou o braço de Vanessa
.

– Como foi isso? Vanessa você roubou a namorada do seu amigo? Mas… Então foi por isso que a amizade entre vocês acabou não é?


– Se alguém roubou a namorada de alguém, foi exatamente o contrário, mas, é uma longa história, a Clarinha te conta depois com calma. Linda, preciso ir, passo a noite para sairmos, tudo bem?


– Claro meu amor.

As férias escolares começaram sem o menor impacto para Schuyler. Não ter aulas não valia muito quando ele não poderia ficar na sua ou na rua. Seus pais lutavam contra o tempo para terminarem a mudança e precisavam do filho para ajudá-los com essa tarefa ingrata. Ao menos não tinham muito o que levar da casa alugada; os móveis não eram deles, os eletrodomésticos também não, fato que era amenizado a todo momento por sua mãe relembrando-os de que teriam tudo novamente quando chegassem à casa da senhora Mulligan. Era assim que todos se referiam à matriarca irlandesa, inclusive seu próprio filho, o pai de Schuyler. Não eram a mais unida ou calorosa das famílias mas ao menos sabiam que poderiam contar com a boa vontade dos parentes naquele momento difícil de transição. Mas esses assuntos densos de adultos não afetavam Schuyler. Seu momento difícil de transição não incluía a preocupação sobre onde ou com quem iria morar, se teria ou não uma geladeira novamente. Sua cabeça estava ocupada demais pensando com o que deixaria para trás.


Seu dedo enrolava um fio solto do velho suéter cinza que vestia enquanto Mack falava ao seu lado. Desciam a rua juntos em direção ao ponto de ônibus depois do almoço na casa de Mack, uma pausa naqueles dias monótonos trancado em casa. Era meio incômodo estar em contato com Mack quase diariamente e não ouvir nenhum pio sobre sua ida iminente. O rapaz era o único que sabia o que estava acontecendo com Schuyler mas depois daquela briga longínqua no bar punk sobre o assunto nunca mais o mencionaram. Mack deveria achar que ignorar o fato o faria desaparecer e Schuyler… bem, ele não seria o primeiro a lembrá-lo de que a hora estava chegando e ele era o único que iria desaparecer ali.

— É uma merda, Brett está com a língua perdida na boca daquela ruiva e Peter está de castigo. — Mack reclamou em tom monótono. Ao mesmo tempo que falava com Schuyler checava a sacola de papel cheia de fitas cassete que ganhou do amigo. Eram na maioria fitas que o próprio Sky gravou, rabiscadas com seus garranchos informando o nome das bandas e nomes de música. Havia uma ou outra fita original de bandas pouco conhecidas, essas que o Sky gostava de conhecer antes de todo mundo. Um presente generoso.

— Daqui a pouco ela dá um pé na bunda dele. — Schuyler comentou com falsa apatia para que a menção ao nome de Peter não o sobressaltasse. Fumava um cigarro roubado da carteira do pai de Mack antes do almoço e carregava debaixo do braço a Nº1 daquela semana. A revista pelo menos ele não roubou mas comprou na banca de jornal no caminho. — Peter não consegue fugir?

— Tá louco? Ele ficou de castigo porque fugiu para a boate naquela noite. — Ele aceitou o cigarro que Sky ofereceu. — A família dele é meio esquisita. Gente exagerada.

— Eles estão acostumados a ter um filho decente, diferente dos seus pais. — Schuyler ganhou um soco no braço e acabou sorrindo por um instante. — Devem estar surtando vendo o filho perfeito deles fazendo essas merdas.

— Sei lá mas a irmã dele é gostosa. — A elegância de garoto culto que Mack destilou naquele dia na casa de Peter não resistia e nem existia quando estava com Schuyler podendo falar exatamente as sujeiras que passavam por sua cabeça. — Ela gostou de mim.

— Claro que gostou. — Schuyler voltou a fumar e seu sorriso desdenhoso era notável por trás do cigarro. — Ouvi dizer que ela quer abrir uma creche.

— Vai se foder! — Mack retrucou entre risos e empurrou Schuyler. Mais alguns passos e já estavam no ponto de ônibus.


Schuyler desceu algumas paradas antes para apreciar seus últimos momentos de liberdade caminhando. Ele andava sem pressa pelo caminho mais longo até sua casa, aquele que o faria passar bem em frente a casa de Peter. E como era estranho ver aquela casa à luz do dia. Agora que sabia como ela era por dentro, que sabia sobre o senhor Holgersen e o temperamento das mulheres que Peter tinha que obedecer, a construção bonita passava a ter ares de assombrada. Pensar em Peter preso ali dentro era desconfortável, por falta de adjetivo melhor. Schuyler simplesmente não sabia que o desconforto passava por sentimentos mais profundos como preocupação, culpa e saudade. Ela acabava se concentrando em pensamentos menores como se sentir exposto, como se seus pensamentos sobre o que queria fazer com Peter pudessem ser lidos por qualquer um que passava pela rua naquele instante. Sem a escuridão da noite suas vontades e sentimentos envolvendo Peter tornavam-se mais reais. Mais fáceis de serem descobertos. Talvez por isso, para ser teimoso consigo mesmo e provar que conseguia aguentar o medo, ele atravessou a rua e parou bem a frente da casa. A olhou de cima a baixo, a encarou como se tentasse provar a ela quem estava no controle ali.

A revista que comprou já tinha sido lida e relida na viagem de ônibus e agora estava amassada entre seus dedos inquietos. Schuyler a folheou até encontrar a sessão de letras de música que naquela semana era dedicada ao primeiro lançamento do Smiths. Schuyler arrancou a página que trazia a letra de What Difference Does It Make? A folha ficou corroída nos cantos, meio rasgada até, mas ele a dobrou e colocou na caixa de correio dos Holgersen.

Não era bom com palavras como o garoto preso naquela casa e por mais que ferisse seu orgulho do fã de Echo pedir ajuda para o poeta da classe média dos Smiths, era usando as palavras de Morrissey que ele deixava seu bilhete codificado para Peter.

Learning How To Miss You * Simon&Ally #1

@princessxfengland

Ingredientes. OK. Mesa arrumada muito mais impecável do que ele conseguiria sozinho. OK. Recado para a princesa escrito por uma das ajudantes de cozinha. OK. A caligrafia dele nunca foi muito boa. O mordomo que cuidava de ajuda-lo se encarregou de entregar nas próprias mãos de Aly.

Seus pensamentos ao ver tantos ingredientes diferentes, sempre corriam para sua bem feitora e em como eles lutavam para conseguir comida. Ainda assim, quando Simon se sentou naquela cadeira a espera de Alyssia, os problemas de sua casta eram os ultimos em sua mente.

Havia Alyssia, é claro. Tão clara como nunca. Parecia que Simon nunca, nunca iria se equiparar a ela. Não que fosse impossível mais eles vinham de mundos opostos e ela não era a melhor pessoa do mundo.Havia outra menina da casta oito também. Simon não podia deixar de se sentir culpado por estar no palácio se fartando enquanto outros passavam fome. Claro, ele não tinha culpa disso… Mas ele ainda sentia egoísta. E ele odiava esse sentimento. E então lá estava ela. Junto com o resto dos pensamentos que pareciam estar mantendo-o acordado recentemente. Cabelo negros. Olhos grandes. Sorriso contagiante.

Simon colocou o avental em cima da roupa estava cheirosa a camisa cor de sangue que lhe deram, ele fez o nó com delicadeza, desfez os botões do punho elevando a blusa ate aos cotovelos. Havia pedido para Ally por uma roupa simples no bilhete e que ela devia se dirigir as cozinhas do castelo. O rosto dela falando com ele era como uma tatuagem. Permanente em sua mente. Se estivesse em casa perguntaria a sua benfeitora como se deve lidar com isso. O que ele deveria fazer para agrada-la como proceder com uma garota … Mas ele estava sozinho.

Ele foi tirado de seus pensamentos por um som e só então percebeu que ele não estava mais sozinho na cozinha, havia alguém se aproximando e só poderia ser dela.