lunard

- Então, seu nome é Lucy?
- É.
- Como aquela música “hey lucy i remember your name…”
- Hm, não, na verdade como “Lucy in the sky with diamonds”.
- Ah, claro. Essa era minha segunda opção.
- Como Beatles pode ser sua segunda opção?
- Sei lá, a primeira música parecia mais adequada.
- Bom, você não vai perguntar a história do meu nome?
- Seus pais estavam usando LSD quando você nasceu?
- Muito engraçadinho. Não. Na verdade, eles estavam cantando musicas antigas dos Beatles quando eu fui… ahn, digamos, feita.
- Quem diria que Beatles poderia ser afrodisiaco.
- Como assim? Qual banda seria afrodisiaca para você então?
Leonard sorriu.
- Está tentando me levar para cama?
- Não…
- Imaginei, para me levar para a cama não precisa nem de música.
- Engraçadinho você. Enfim, qual seu nome?
- Leonard.
- E de que música isso saiu?
- Nenhuma. Provavelmente a música de abertura de The Big Bang Theory.
- Nem existia essa série quando você nasceu, idiota.
- Não corta meu barato. Essa é a única série que tem um personagem com meu nome. A menos que você esteja planejando escrever uma música chamada “leonard”.
- Não seria uma música muito boa.
- Por causa do nome?
- Não, por causa da pessoa inspiradora.
- Na verdade acho que por causa da compositora, hein.
Revirei os olhos.
- Estou morrendo de rir, só que não. (…)
—  Lucy in the sky with Leonard (lucy e leonard)
Você vai falar que é drama, que eu exagero tudo. Eu sei que você vai falar Leonard. Eu te conheço e conheço seus modos rudimentares de me tratar. Não sei se é medo de me perder, mas você tem que parar de me afastar. Sei do seu jeito de empurrar todos a sua volta de modo a testa-los, você faz comigo isso diariamente. Olha, vou parar por um segundo. Não sei se você está me entendendo, Leonard. Acho que minhas palavras assumiram minha dor e ficaram bagunçadas. O negócio é o seguinte: eu te amo. E não planejo ir a lugar algum, mas você continua me testando, me afastando. E quando eu vou falar, você diz que é drama da minha parte. Mas, porra, me explica Leonard, como que pode ser drama da minha parte, como pode ser bobeira, sendo que está me magoando? Eu quero agir normal, como se nada tivesse acontecido, como se suas palavras não tivessem me cortado, literalmente, mas, eu ouço seu tom de voz, e, sinceramente, me dá vontade de chorar. Eu sou tão inferior ao resto das pessoas? É isso? Porque, ficar com você nesse estado, está fazendo eu acreditar nisso, que eu não valho nada. É isso. Acabei com minha auto estima por você. Talvez porque você tenha uma imagem de si mesmo tão baixa, eu acabei me doando, doando tudo que eu sou, doando tudo o que eu acreditava. Como se você fosse um vampiro de merda, desses que tem nesses livros que eu sempre li. E sabe do pior? Não tem nada de romantico nesse vampirismo doentio que você está me causando, a sugar toda minha vontade de viver. A gente virou aquele casal de “Namorados Para Sempre”. Um amor agressivo, intenso e insuportável. É doentio, é como um de seus joguinhos malucos, psicológicos, em que eu sou a única magoada. Isso não é amor, pelo menos não da sua parte. Não posso amar você e eu mesma ao mesmo tempo. Eu me escolho.
—  Como Dean e Cindy, Romeu e Julieta, a gente simplesmente não pode ficar juntos no final (lucy e leonard)
- Imagine Lucy, nós dois, casados, sem filhos, porque eu não quero ter filhos, relembrando de como a gente se conheceu? - Leonard me disse isso com uma espécie de animação em seus olhos, já tão brilhantes.
Revirei os olhos e me fingi de “homem da relação”, como se eu já não tivesse imaginado isso, praticamente todas as noites, antes de dormir.
- Você acha que a gente dura até lá?
- Claro- ele ficou sério de repente- it always gonna be you and me, baby.
- Parafraseando skins é? Muito criativo. Mas você sabe que eu sou team Freddie, e sempre vou ser.
- E eu sou team Leonard e Lucy. Sempre fui, aliás, e sempre vou ser.
—  Team Lucy e Leonard (lucy acharia machismo colocar o nome do cara antes)
Foi necessário uma vez só. Uma vez só que eu ouvi sua voz, uma vez só que eu olhei em seus olhos, uma vez só que eu conversei com ela, uma vez só que eu me apaixonei por ela. Mas foi o suficiente para saber que nunca mais queria ouvir a voz de ninguém, nunca mais queria olhar nos olhos de ninguém, nunca mais iria conversar com ninguém e nunca mais me apaixonaria por ninguém.
—  Leonard sobre Lucy (lucy e leonard)
Lucy era uma aberração no meio das pessoas erradas, fúteis e sem propósito. Lucy era um alívio, no meio daquelas pessoas que sufocavam um aos outros, ela só ficava sentada lendo o mais novo romance policial, junto a sua xicara de chocolate e seu moletom velho. Lucy era Lucy, um milagre, uma exceção. E foi isso que Leonard viu, pela primeira vez, naquela quinta feira chuvosa de meio de abril. Ela estava sentada, com um olho no livro, outro olho admirando a chuva. O tempo estava uma droga para a maioria das garotas daquela escola, normal e patética. Mas para Lucy, para Lucy, tudo estava diferente. Dias ensolarados a cansavam, a deixavam com vontade de morrer. Qual é o romantismo em se ler um livro em pleno sol, no calor absurdo? Leonard percebeu tudo isso. Seus cabelos pretos e lisos estavam macios, também aproveitando cada escasso momento de chuva. Lucy parecia tão distante, nem parecia perceber a inveja generalizada que provocava em cada uma das meninas sentadas em mesas espalhadas a seu lado. O refeitório, normalmente tão iluminado, estava mais escuro hoje, sem o sol intenso para atrapalhar o humor de Lucy. Leonard sentia uma angústia crescente. Aqui estava ele, o cara bonito, bronzeado, inteligente, perfeito, em teoria. Mas que chances tinha, um cara como ele, completamente ordinário, teria com Lucy, a garota de pele clara, cabelos pretos brilhantes e uma mente incrível, com uma personalidade própria que causava inveja?
—  Como Leonard se apaixonou por Lucy, (lucy e leonard)
- Lucy, acho que somos um casal fofo.
- Mas eu não quero ser um casal fofo.
Leonard rebateu a meu comentário com seu silêncio, sempre tão marcante e ruidoso.
- Então o que você quer?
- Quero ser Lucy e Leonard, lunard, quero que seja simplesmente nós dois, juntos, por hoje.
- O que tem de errado em sermos casais modelos?
- Eles são ficticios, Leonard, ficticios. Além do mais, esses dialogos que fazem todo mundo suspirar, são tão bregas. Quer dizer, os que são românticos, porque, na maioria deles, o dialogo termina em “me chupa”. Isso é nojento.
- Não acho que tenha algo de errado em ch…
Eu interrompi Leonard com um tapa em sua perna.
- Ai! Entendi, nada de chupar.
- Para, eu estou rindo, mas é sério, não seja clichê, meu amor.
- Tudo bem. Mas, de verdade, não há nada de errado em ter um relacionamento meigo e lindo.
- Deixa eu te explicar. Antigamente, quando eu gostava de algum garoto, eu sonhava acordada com ele, antes de dormir. Com todos os garotos que gostei na minha vida, foi assim. Menos um: você. Eu queria tanto que a gente namorasse, que formassemos um casal, que eu não conseguia fantasiar sobre isso. Eu queria demais que fosse realidade. E a realidade, meu amor, é bem melhor. Casais de fotos românticas, na verdade, não existem.
- Então, o que existe?
- Eu e você, eu e você.
—  Isso tem cara de para sempre, Lucy e Leonard