lugar dos sonhos

Pedido: Faz um do Louis baseado na cena que vc mais gostar de The originals


S/N P.O.V

- O que está escrevendo? Uma carta de amor para um de seus namoradinhos? - Apenas ri. - Quem é o sortudo? Jason ou Arthur? Não diga que sou eu. Achei que já tivesse me esquecido há séculos. 

- Para quem daremos o prêmio de maior ego? 

- Acho que para mim mesmo. – Rimos.

Dei um leve gemido de dor e ele me encarou.

– Como está nossa garotinha? – Se aproximou.

- Você quer? – Me referi a tocar na barriga e ele fez uma careta, porque sabia que no fundo aquele era o desejo dele. – Vem cá. – Chamei.

Louis se aproximou delicadamente, se sentou no banquinho a minha frente e com toda delicadeza que havia em seu corpo tocou a barriga onde habitava a filha. Em um impulso ele voltou para trás e sorriu.

- Sentiu? – Sorrimos.

- Bom, acho melhor deixar você com a sua carta secreta. – Saiu.

Voltei a apoiar a caneta sobre o papel que estava acima de um livro, perdi parte da minha concentração, mas com certeza voltaria minutos após.

Continuei escrevendo.

“ Chicago. 5.09.2014

Querida Elisa, Helena ou Darcy. Te chamarei de garotinha, por enquanto.

Seu pai acabou de perguntar se isso é uma carta de amor, acho que por um lado é. A situação entre nós não é a melhor, temos grandes problemas, mas isso nunca vai interferir em como te amaremos.

Papai é um grande homem, já passamos por muitas coisas juntos, mas isso nunca fez com que deixássemos de nos amar; e mesmo se estivermos juntos quando você chegar, saiba que incondicionalmente, verdadeiramente e absolutamente nós te amamos, e faremos de tudo para proteger você de todo o mal.

Resolvi te escrever essa carta porque eu nunca conheci a minha mãe, não tenho ideia do que ela sentia enquanto me carregava, então decidi que seria melhor te escrever, para que saiba que eu estou muito feliz em te ter comigo. Não posso te falar grandes coisas de uma vida magnifica, porque isso não nos pertence; mas saiba que seu pai e eu estamos muito ansiosos para te ver e poder ouvir esse teu chorinho que com certeza vai deixa-lo irritado, mas ele vai amar, da mesma maneira.

Agora, vou te fazer uma promessa, coisas que eu nunca tive: Um lar seguro, alguém para dizer que te ama todos os dias e alguém que lute por você, todos os dias. Em melhores palavras, uma família.

Eu te amo querida Helena, quer dizer, garotinha.

Sua mãe”.

[…]

Instalei o cinto de segurança em Helena, observei um papel abaixo de seu ursinho rosa que costumamos chamar de babe.

Peguei o papel de com certa velocidade percebi que é a letra de Louis. Já não nos vemos há um bom tempo.

“London 21.08.2016

Querida Helena,

Eu não sei quando isso vai chegar a você, mas eu espero que logo. Você pode ser uma linda criança cheia de imaginação, uma adolescente cheia de perguntar que não fará a sua mãe, ou uma mulher com o mundo a seus pés.

Estou escrevendo isso porque te amo e para te dizer que esse tem sido o pior momento da nossa família, eu precisei salvar algumas pessoas e acho que eu consegui, ou quase isso. Não tem sido extremamente agradável para todos eles.

Acho que como toda criança você já teve o sonho de morar em uma casa longe da cidade, onde os jardins são imensos e os únicos amigos, são os familiares. Bom, eu moro em uma casa como essa, mas tudo parece incompleto sem você aqui, querida; mas saber que você está bem me mantém vivo e esse lugar dos sonhos parece vazio sem você. Mas em breve, estaremos juntos, eu prometo.

Por favor, não sofram por mim, toda essa dor é em beneficio a quem eu amo, inclusive você minha pequena Helena. Eu só lamento por não estar com vocês; mas isso mantém cada um de vocês salvo.

Helena, seja boa com sua mãe; me conforto em saber que ela vai te proteger e cuidar de você com todo nosso amor, saiba que ela não vai descansar, até nossa família estar junta outra vez, até lá, minha ausência vai te dar a chance de crescer e se tornar a bela filha que eu só imagino.

Por favor, lembre-se que você é o legado que essa família sempre desejou, a promessa que lutamos para proteger. Você é, e sempre vai ser, a esperança dessa família. Então, não deixem que te machuquem e saiba que você é forte sempre amaremos cada cantinho da tua alma, que eu tenho absoluta certeza que é maravilhosa.

Lembre a sua mãe todas as manhãs que eu a amo também.

Com amor, papai”.

- Mamãe. – Me chamou. – Por que está chorando? – Helena me olhou.

- Não filha, está tudo sobre controle.

- Eu te amo.

- Eu te amo e o papai também.

- Quando ele vai voltar, mamãe?

- Em breve, ele voltará em breve. – Voltei meu olhar a estrada.

B.,

Tenho sentido vontade de deitar a cabeça nas suas pernas finas e discorrer sobre as coisas que rodeiam. A rotina desatina todos nós. Vezenquando me sinto em maré alta, logo eu, que sempre temi o mar. Dia desses lembrei daquele roteiro que mais ninguém tomou nota, momentos nossos que já não falamos mais, recordo seus trejeitos com afetuosa gratidão. Eu te conto da vida para validá-la, é necessário te contar cada nó que se fez no meu peito e todos os móveis que mudei de lugar. Coloquei o filtro dos sonhos que me deu na janela para chamar a brisa leve como seus pés quando caminham pela casa.

Ainda vejo riscos vermelhos no céu como lembrete teu. As pessoas sempre passeiam por nós, B. é certo que algumas irão adentrar nossos portões como quem marcou uma visita na hora do chá - nós sempre falamos sobre isso de deixar alguém entrar depois de tudo, fico feliz por te ver conseguir. Tirei o dia para reviver memórias e me vi cada vez mais sã. Gosto de falar em estabilidade porque só você sabe todas as marcas que me fazem e todos os sonhos que se escondem nos confins do peito. Você viu cada cena dos meus anos como num rolo de filme, B. Como quem vivenciou tudo no próprio peito, como quem seguiu o caminho ao lado dos meus pés. Ainda que tortuoso, é bonito dizer que te vi ao lado, as mãos serenas, os olhos lúcidos. Teu nome me é maré mansa porque não há sequer uma gota de tristeza do meu peito na ponta dos seus dedos. 

O calendário anda apertado, as horas têm corrido como quem foge a cada anoitecer. Ainda guardo aquela pena verde que te comprei na feira de rua, espero que não esqueça minhas cartas. Proust ainda me lembra suas citações com ar blasé e continuamos a compartilhar a indignação com Freud. Dia desses encontrei Fred Astaire entre meus filmes, como sempre me veio seu nome em automático. Nossas recordações são bonitas como aquela canção que vivo a dizer que é sua.

Essa carta não tem intenção de nada além de dizer que vezenquando a gente olha para trás e vê desvios e arranhões, mas encontramos um punhado de vida. Então há você para tornar a estrada bonita, então dá saudade e vontade de contar sobre os pássaros da janela, o pranto e o céu - mantenho meu apreço por ele, como bem sabe. 

Quero que saiba que é bonito ver seus braços apoiados na cerca como quem parou para uma visita e gosta de conversar debaixo das nuvens. Aguardo suas cheganças mesmo sem saber, então você vem e recordo que todos os dias senti saudade de toda prosa desde os tempos da insônia desassossegada. B., o portão sempre estará aberto para você.

G.

Eu ligo a TV e só vejo tragédia. Pessoas morrendo por bala perdida, na fila do SUS, uma cidade sendo devastada, animais sendo maltratados, fome, abandono, políticos corruptos… Até quando? Será que o mundo ainda tem salvação? Vejo poucos se esforçando, fazendo algo para mudar o Planeta e contribuir para o bem estar de todos.
Eu sei que não faço muito, é pouco, mas pelo menos eu contribuo com alguma coisa. Não jogando lixo na rua, ajudando um animal de abandonado, dando o meu lugar no ônibus para um idoso, sendo simpática com todos, mesmo não estando em um dia bom, entre outras pequenas coisas. Mas se eu pudesse eu faria muito mais. Me parte o coração em não poder ajudar mais, me sinto de mãos atadas, perante a tantas coisas ruins. O mundo definitivamente está um caos. ou será que as pessoas estão um caos? São tantos problemas esperando uma solução, tantas vidas trancadas nas mãos do governo corrupto, tanto egoísmo com o próximo. Talvez num futuro, distante ou não, as pessoas aprendam o valor de uma mão, de uma ajuda, de um sorriso ao invés de uma cara fechada em meio a poluição das cidades grandes. Quando cada um fizer a sua parte e cuidar do mundo, ele passará a ser o lugar dos sonhos. Um lugar melhor para se viver. Não se baseie pelos outros, que jogam lixo no chão e pensam: “Se o outro não faz, porque eu tenho que fazer também!”. Faça por você e por um mundo melhor. Sempre. Pense nisso.
—  passaro-selvagem deu as mãos à bluesias.
Era pra ter sido um dia normal, com a minha tentativa de deixar de amar ele, mas não foi. Levei um golpe muito forte diário, levei um golpe da realidade, não que eu já não soubesse que não ficaríamos juntos, mas agora tinha um motivo verídico pra isso. Eu vi o motivo, eu li, estava na minha frente e só agora eu percebi. Ele gosta de outro, por isso nunca poderia ficar comigo. Ao mesmo tempo que dizia que me amava, seu coração pertencia a outro, ao mesmo tempo que eu me iludia, ele estava sendo iludido por outra pessoa. Nem dois segundo depois de perceber eu já estava aos prantos, as lágrimas desciam como cachoeira, eu não queria acreditar naquilo, não podia ser. Mesmo eu querendo me desfazer ainda tinha aquela esperança que teima em continuar, meus sonhos ainda resistiam, e agora foi tudo transformado em pó.Eu queria morrer, por um instante estava agradecendo por morar em um local de risco e estava rezando pra que começasse um tiroteio e que uma bala perdida atravessasse a janela do meu quarto e fosse de encontro com o coração, para assim aquietar a dor que se alojou.Mas nem nisso eu tenho sorte, acho que pedi socorro a todos e no fim fiquei sozinha, com meus próprios pensamentos e com novos pesadelos que se instalaram no lugar dos sonhos. Não me sinto mais, parece que estou distante, não consigo sorrir e nem demonstrar carinho. Acho que finalmente cheguei ao estágio de coração de pedra, sempre ouvi falar, mas nunca tinha vivenciado e agora sou uma portadora.
—  The diary of a heartless.
E foi ali na quadra do nosso colégio que cruzamos o primeiro olhar, foi ali sentados cada um de um lado da arquibancada que o meu sorriso se deu conta do encaixe perfeito que o seu tinha, e foi ali que todas as vezes eu me abrigava para sumir do mundo, todas as vezes que por descuido você me magoou, era ali que eu chorava, mas que sempre nós nos abraçávamos e dizíamos que ficaria tudo bem. Era lá que o nosso canto, nosso canto de paz, nosso canto de cumplicidade, de afeto, de carinho, era ali que trocávamos as mais lindas palavras de amor, as juras e promessas, os planos eram construídos, tudo ali. Tudo. E nesse tudo, eu também digo o fim. O nosso fim foi um daqueles tipos tão clichês, tão frio, tão eu não te amo mais, não teve briga, discussão, eu queria gritar, dizer o quanto te amava e te pedir para ficar, mas o teu silêncio, as suas palavras tão simples, não me permitiu. Como todos os outros casais que colocam um ponto definitivo em suas relações, o nosso seguiu o roteiro, e depois do enorme caos que esse ponto causou a mim, eu não deveria estar escrevendo para ti, muito menos lembrando do nosso curto para sempre, era essa minha ideia, até hoje de tarde, até o meu olhar se cruzar novamente com o seu, até aquela lágrima que eu tanto prendia escorrer no meu rosto, até ver você ali, bem ali na nossa quadra, no nosso canto, no lugar dos nossos segredos e sonhos. Você estava ali, mas não comigo, estava ali encaixando o seu sorriso com outro.
—  Recordações das Estrelas. Rayssa Vasconcelos.