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Sou essa catástrofe que você está tentando compreender. Sou só isso. Na verdade, sou tudo isso. É complicado entender alguém que se embaraça até com as palavras. Desastre deveria ser meu sobrenome. Sou essa bagunça e chega a ser cômico. Um dia espero encontrar alguém que não tente apenas me organizar, mas que se bagunce comigo também.
—  Lucas Guerrero.
Ela é o caos, cara. Eu gosto é disso, desse perigo. Ela tem um sorriso que deixa qualquer um com o queixo no chão. Mas tem o cérebro afiado pra fazer qualquer marmanjo chorar de saudade. Amar aquela garota é pedir pra morrer, morrer de tanto amor. Sem querer ser babaca, mas ela é quase perfeita. Tem seus defeitos também, igual a todo ser humano. Chega a parar o trânsito de qualquer cidade com aquele corpão. Ela tem uma bunda maravilhosa, redondinha, que dá vontade de morder. Se você cair na dela, é difícil pra sair, vai por mim. Mas ela ainda tem medo de dormir sozinha no escuro e vai te implorar por um cafuné. Ela é toda marrenta, mas não resiste a um elogio de manhãzinha. Cara, cuida bem dela. Ela é difícil, mas se derrete toda quando recebe um beijo na testa como sinal de segurança. Vai por mim, agarra essa oportunidade, não deixa essa garota escapar, não. Nunca!
—  Lucas Guerrero.
Dos meus piores erros, você foi o melhor deles. Eu nunca gostei de errar nem mesmo um cálculo matemático ou uma vírgula, mas eu gostava de você. Não sei o que tem nesse seu sorriso, mas seja lá o que for, me faz querer errar, errar e errar sem parar. De todas as minhas bagunças, você foi a mais organizada.
—  Lucas Guerrero.
Whisky nunca foi a minha bebida predileta. Matemática nunca foi a minha melhor área. Amar nunca foi fácil demais. Mas, já você, sempre foi a minha paz.
—  Lucas Guerrero.
Tenho medo de que você encontre uma bagunça mais organizada que a minha, um beijo melhor que o meu, um abraço mais confortável e seguro. Tenho medo de que me esqueça aqui sozinho e empoeirado no canto do quarto. Eu me pergunto todos os dias quais foram os motivos que te tiraram de mim, sendo que tínhamos planos ilimitados e promessas para cumprir. Tínhamos tudo e agora não temos mais nada. Mas eu não vou te superar. Eu não quero.
—  Lucas Guerrero.
Eu queria que você tivesse escolhido ficar ao meu lado, mesmo com tantos motivos para ir embora. Eu quis segurar a sua mão e nunca mais soltar. Eu quis gritar seu nome quando acordei de madrugada, estendi o braço e não senti o seu rosto do outro lado da cama. Eu queria voltar no tempo para arrumar toda a bagunça que destruiu um pedaço do nosso amor. Eu tentei te impedir, mas não tive mais lágrimas para derramar. Eu quis implorar, mas minha voz estava sumindo aos poucos, de tanto tentar. Eu queria que você tivesse escolhido não parar de remar o nosso barco, mesmo ele estando furado. E sem você eu fui perdendo minhas forças e afundei em um oceano de saudade.
Precisava te falar que eu mudei.
Não sou mais aquele velho otário que fazia tudo por impulso, sem pensar duas vezes. Não sou mais aquele que, um dia, traiu sua confiança. Eu mudei muito desde a última vez que conversamos. Eu sei que seria difícil conseguir o seu perdão e reconquistar seu coração, mas eu só tenho a ganhar, porque eu já te perdi há muito tempo. Perdi várias noites de sono pensando na dor que eu te causei pelos meus erros banais e infantis. Eu sei como é complicado, mas eu precisava te falar que eu mudei por você. E por mim também. Vejo fotos suas e imagino fotos nossas que estão rasgadas. Eu sempre quis ter você só pra mim. Vivia te mandando cartas e flores arrancadas da praça. Fazia de tudo pra ver seu sorriso, pra te ver feliz. Mas eu tenho uma mania de decepcionar as pessoas e acabei decepcionando você. Juro, eu penso nisso todos os dias. Poderia ser eu o motivo do seu sorriso e não outro cara. A sua bagunça preferida deveria ser a minha, se eu não tivesse errado com você tantas vezes. E olhando pra você, eu ainda enxergo um poço vazio de esperanças, que poderá ser reconquistado. Quem sabe, um dia, ele se encha e transborde. Eu precisava te falar que eu mudei muito dessa vez, mas você nunca me notou. Tive que me esbarrar no seu ombro pra você perceber que eu ainda existia. Como se você tivesse jogado tudo o que fomos pelo ralo do seu chuveiro e esquecido. Eu ainda me lembro dos seus beijos que tinham gosto de morango, do seu sorriso tão branco quanto a neve que me vidrava cada dia mais. Eu não esqueci nada, nem mesmo os meus erros que te fizeram partir. Eu também percebi que você mudou bastante de lá pra cá. Arrumou novas amizades, novos perfumes e um novo amor, começou a frequentar outro bar, porque o seu antigo não te trouxe boas lembranças. Eu sou o caos e fui o erro de tudo isso. Não consigo me perdoar por ter te causado tanta dor em tão pouco tempo. Eu chorei suas lágrimas e gritei todo o seu silêncio. Ainda bem que você se superou e foi superando nosso amor aos poucos, aos trancos e barrancos. Seus olhos sempre serão os meus favoritos, mesmo que eles estejam olhando para outros olhos que não são os meus. E você sempre será a minha garota. Eu precisava te falar que eu mudei, mas você não atende o celular e não está em casa. Talvez você também resolveu se mudar. Pela primeira vez não sei onde te encontrar. Até no barzinho onde costumávamos beber você não está.
Amar é complicado, ainda mais quando um dos dois está machucado.
—  Eu mudei, Lucas Guerrero.
Hoje eu senti aquela saudade que tanto se fala por aí — que vem rasgando a garganta e chega matando todas as borboletas que estão no seu estômago. Eu senti aquela velha e temida saudade que se lê pelos jornais da cidade. Aquela saudade que é capaz de matar um indivíduo por dentro, mesmo ele se mostrando forte e saudável por fora. Saudade que corrói e que machuca, mas ensina. E que dói tão quanto um soco no nariz ou um tapa na cara. Saudade que sangra, que derruba qualquer armadura, mas que se esconde atrás de um sorriso. Hoje eu senti saudade, da verdadeira — a original, aquela que arde a alma semelhante a um copo de uísque, calamidade. Mas eu estava ali, como se nada estivesse acontecendo.
—  Lucas Guerrero.
Eu deveria ter segurado sua mão bem forte pra não ter deixado você escapar de mim. Mas você ligou para o táxi e quis partir. Mal soube que também partiu meu coração em milhares de pedaços. Depois disso, eu nunca mais fui o mesmo.
—  Lucas Guerrero.
Ingênua, chora tão cedo por amor. Mal sabe que no final não terá mais lágrimas pra derramar. Isso é um pecado, digo, sofrer tão cedo por decepções amorosas. Como se seu travesseiro fosse o culpado de alguma coisa para abafar seus gritos, seu choro e secar seu rosto. O amor te prepara agora, mexe em todo o seu psicológico, pra que depois — em um futuro incerto de mágoas e sorrisos — você não se lamente. Você sentirá vontade de ser criança, de amar como uma criança. Amar sua boneca, sua maquiagem, seu brinquedo, seus desenhos animados. Lembranças. Seus amores serão completamente diferentes depois dessa preparação. Amará o sorriso dele, o jeito em que ele arruma o cabelo, o perfume, os olhos. Amará incondicionalmente e, se tudo der errado, você voltará a chorar em um travesseiro velho, conselheiro e que sempre esteve ao seu lado. Sentirá uma saudade enorme que rasgará o seu peito, causando uma dor enorme que apenas quem passou sabe descrever. Isso é o amor — ou a pior parte dele.
—  Lucas Guerrero.
Você não sabe como é torturante ficar o tempo todo com o celular na mão esperando por uma ligação sua, uma mensagem de texto ou qualquer misero vestígio de que você está bem. Não aprendi qual botão apertar pra parar de sentir, pra parar de me importar. Eu ainda me preocupo com você, porque eu sei que você tem medo de trovões e que é preciso te abraçar e cantar pro seu medo ir embora. Eu sei que você sente muito frio e por isso eu sempre tive que ir dormir primeiro só pra esquentar o seu lado da cama. Eu me preocupo com você, porque eu já não sei mais ser sozinho e, se você não voltar, eu vou ficar perdido. Era você quem me encontrava, quem me mostrava o caminho e quem segurava na minha mão pra eu não perder o equilíbrio. A gente se completa, será que você não vê?
Estranho seria se eu ficasse horas tentando explicar o que sinto e o que penso. Na verdade, seria uma coisa inútil. Eu poderia escrever, publicar um livro ou palestrar para milhões de pessoas sobre meus sentimentos, sobre minha confusão e mesmo assim seria bobagem. Eu sou esse baú lotado de velharias empoeiras, com manchas de saudade e com um cheiro bom de café da tarde. Estranho seria se alguém me entendesse, mas já que não me entendem, não acho ruim. Sei o quanto é difícil resolver uma equação matemática. Poucos são os loucos.
—  Lucas Guerrero, Catástrofe. 
Eu me amarrava nela, cara. E era só nela, sacou? Nenhuma outra mina gostosa ou bem arrumadinha da faculdade me pirava tão quanto ela. Nenhuma outra vai me deixar malucão só por desviar um olhar. Eu me amarrava em cada detalhe daquele sorriso tímido, daquelas pernas perfeitas, do bumbum redondinho, cara. Eu me arrependo pra caralho por ter deixado ela ir embora, porque eu só fui perceber depois que tudo iria perder o sentido. Nossa música sempre toca na porra do rádio e agora essa merda não faz mais sentido algum pra mim, como se fosse uma música qualquer ou aquelas bem otárias mesmo. Eu me amarrava nela e me prendi naquelas bochechas rosadas. Cadê ela, mano?
—  Lucas Guerrero.
Você, menina, ainda consegue me tirar o sono. Por isso sempre foi tão superior até mesmo em silêncio. As outras me levaram pra cama, mas você sempre me levou pra loucura, pra saudade. Eu não sei ser o seu herói, porque você ainda não teve tempo suficiente pra me ensinar a voar nos seus braços ocupados em outras bagunças por aí. Você, menina, me tira da realidade e me leva pra calamidade.
—  Lucas Guerrero, Você.
Você precisa entender que o nosso amor é mais do que eu posso suportar. É mais dor do que prazer, mais lágrimas do que sorrisos. Eu simplesmente não entendo. A minha salvação é você assim como minha perdição. Inúmeras vezes me pergunto o que me prende a você. Em que momento criamos esse nó que não se desfaz. Dia desses ouvi dizer que existem muitas formas de se amar. Qual é a nossa? Nós não nos encaixamos em nenhuma dessas formas, não conseguimos, mesmo tendo várias chances. Eu coloquei minha mão no fogo por você, apostei todas as minhas fichas nesse desfecho, mas você insistiu em ser essa incógnita. Eu sabia desde o início que acabaria assim, você aí e eu aqui, mas deveria ser diferente. Nós somos o problema, mas também somos solução. Somos como água e fogo. Eu tentei, eu passei dos meus próprios limites, superei tudo por você, mas, e aí? Qual é a do nosso amor? Eu perderia todas as horas do mundo pra te ver sorrindo, mas você não fez questão de sorrir pra mim. Eu não consigo suportar. Eu não consigo amar sozinho.