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— Eu tenho… sei lá, medo.
— Medo? Medo de quê?
— De tantas coisas. Medo de quebrar a cara. Medo de não ser boa o suficiente. Medo de me deixar levar. Medo de que acabe. Medo de que comece. Medo de que você me fale todas aquelas coisas bonitas, mas que elas, no final, mostrem-se palavras vazias. Medo de partir aquilo que deu tanto trabalho de reconstruir. Medo, medo, medo — ela suspirou. — E, ainda assim, meu maior medo é o de perder você. Acho que estou, então, num beco sem saída. E que se, por medo, eu te mandar embora, você não vai sair de onde importa mesmo.
— Dos seus pensamentos?
— Do meu coração.
— Então não me manda embora.
— Já disse: tenho medo.
— Mas eu não tenho.
— Então fica.
— Fico.
— Mas fica mesmo, tá?
— Fico.
— Não sai nunca, tá?
— Tá.
— E se você partir meu coração?
— E se você parar de pensar em “e se”?
— Mas, e s…
— Eu te amo.
(silêncio)
— De verdade?
— De verdade.
— Sem medos?
— Sem medos.
— Fica.
— Sempre. (The-Puzzle)

É horrível fracassar quando se trata da pessoa que você ama - mas eu fracassei e você também. Ainda assim, não somos fracassados. Você entende? Não podemos ser fracassados quando tudo que passamos juntos valeu a pena e quando fomos mais felizes que tristes.
—  marktubing
— Quem era ela?
— Ela?
— Ela. A ela que não sou eu e ainda assim é sua. Que ri das suas piadas sem graça e que te dá beijos no pescoço. Que sente ciúmes quando você pára para conversar com estranhas em ruelas escuras. Que você promete que vai encontrar mais tarde. A ela que tem certeza de você. A ela que não sou eu.
— Minha namorada.
Sua namorada?
— Minha namorada.
— Então você a ama?
— Ela é simpática. Gosta de mim.
Alícia riu.
— Por que você não me contou?
— Porque eu não queria superar você. Até hoje.
— E você quer me superar? Superar o que? Superar quem? Não tem nada a superar… Aparentemente não fui nada na sua vida e…
— Você consegue interpretar algo meu sem drama, Alícia? Você foi tudo em minha vida. Mas você não confia em mim. Nunca confiou. Se eu saía na rua com uma amiga, era “quem é aquela com quem você acabou de passar a noite com?”. A gente brigava o tempo todo… O tempo todo. E eu nunca fui bom pra você, Alícia. Nunca deixei de te dar motivos para desconfiar de mim. Sempre o conquistador de garotas. Sempre o animador de festas, sempre o requisitado de todos os lugares. Sempre o quase-pai dos bebês alheios. Sempre grosso, sempre desmerecendo todos os seus esforços para permanecer comigo. Sempre chegando bêbado na sua casa depois das três da manhã pedindo para que você deixasse eu te comer. Sei muito bem que fiz você pensar que eu não lembrava disso, mas essa memória me martirizou muito tempo. Me fez lembrar de todas as vezes que você sorriu pra mim quando eu só te dei motivos para chorar. Me fez lembrar todos os abraços de consolo quando eu fazia alguma merda irreparável. De todas as vezes que eu te trai, e você se preocupou mais com a minha saúde do que com você mesma. Você é boa demais pra eu te amar, Alícia. Por mais cheia de defeitos que você seja… Irritante, teimosa, chata, ciumenta, implicona… Você é boa, eu sou ruim. E hoje eu acordei pensando em te superar por isso. (…) Mas parece que todas as vezes que tento ir para longe, você me traz para perto
—  Meu Amor Ainda Vai Me Engolir, Letícia Sales.
Difícil mesmo é ter que conviver com esse meu conflito interno - a vontade de te ver feliz contra a dor que é saber que já não é mais comigo.
—  Meu Amor Ainda Vai Me Engolir, Letícia Sales
— Que você me ama, eu acredito. Mas você me precisa? Você tem urgência de mim? Do meu riso baixinho no seu ouvido, contando segredos que minhas palavras nunca seriam capaz de contar? Dos meus cabelos desgrenhados jogados na sua cama? Dos meus dentes pequenos, brancos, recém-consertados, muito caros e muito queridos? Da minha cantoria desafinada de manhã cedo? Você tem necessidade desesperada da minha personalidade irritante? Da minha voz de bebê? Do meu jeito infantil, mimado, bobo e idiota? Das minhas lágrimas? Das minhas dores, minhas cicatrizes? Das minhas palavras sempre meigas e queridas? Do meu silêncio não-tão-meigo e não-tão-querido? Da minha solidão que nem acompanhada me abandona? Do meu sorriso para tudo? Dos meus olhos procurando os seus, te fazendo carinho, fazendo entender o tamanho do meu amor por você? Você me quer? Me precisa? É apaixonado por mim? Porque o amor é calmo. O amor é estável. A paixão é desesperada. Acalentadora. Só preciso saber se você só me ama, ou se também é desesperadamente apaixonado por mim. Entende? Porque se você só amar, tudo que eu faço é em vão. Preciso desesperadamente que você seja desesperadamente precisado de mim. Porque amor sem paixão é comodidade. E eu não quero nunca, nunca, nunca, nunquinha, never ser comodidade na sua vida. Quero ser mudança. A revolução. (…) Se for pra ser comodidade, prefiro ser nada. Então só me diga. Por favor: você precisa desesperadamente de mim?
—  Suas Palavras Me Devoraram, Letícia Sales

Você me assusta.
— Assusto?
— Assusta.
— E por que isso agora? Tão de repente, tão do nada? 
— Porque eu não tenho medo. 
— E isso é assustador?
— É. Eu normalmente sou muito cheia dos meus medos bobos. 
— E isso é ruim?
— Isso me assusta.
Você se sentir segura comigo te assusta?
— Claro que sim! Quer dizer que eu me entreguei demais à você. Que eu vejo em você aquela perfeição inexistente, aquela pessoa que nunca vai tornar meus medos realidades, aquela pessoa em que eu confiaria minha vida uma, duas, trezentas, oitocentas, milhões de vezes! Não entende? Eu me apaixonei por você, e isso não estava no script….

Pode até parecer clichê, mas eu te odeio. Odeio o quanto te preciso, odeio o quanto estou entregue a você e odeio o modo como não importa o mal que tu tenhas me feito, eu sempre volto pros teus braços ao primeiro sinal. Odeio o fato de que não consigo te esquecer, e o modo como ninguém me faz sentir nem mesmo metade, nem mesmo um terço, do que você faz. Odeio o modo como você faz besteira e depois vem com esse teu sorriso lindo, esse teu cabelo lindo, esse teu jeito lindo, me abraçar e falar que sente muito. Sente muito: mas sente o que? Odeio o modo como eu sempre, sempre, sempre vou ser idiota e te perdoar, por mais que tudo me diga que eu não devia. Por mais que todos digam que tu não me mereces mais, por mais que todos digam que eu já deveria ter me perdido de você há muito tempo. E eu me perdi de você… Foi você que não se perdeu de mim, compreende? Tu estás preso aqui dentro, pra sempre, quase que eternamente… Quase como se eu tivesse te trancado e jogado a chave fora. Eu te imploro para ir embora, mas tu nunca vai realmente. E eu odeio isso, também. Odeio o modo como sou tua, estupidamente tua, idiotamente tua, inegavelmente tua; só tua… Odeio o modo como isso já não muda mais nada. Odeio o modo como tenho que seguir minha vida sem você, porque tu já não precisas mais de mim. Odeio o modo como não posso mais amar você; logo isso, que sempre foi a minha atividade favorita nos dias… Odeio o quanto não consigo odiar nada seu o suficiente. Odeio não te odiar. Odeio não sentir nem mesmo raiva. Odeio não conseguir te esquecer. Odeio você. (The-Puzzle)

E se você é (per)feito pra mim, e eu sou (per)feita para você, por que não estamos juntos? Tudo é tão complicado quando trata-se de nós dois. Medos, inseguranças, conclusões precipitadas… Por que nós não conseguimos só nos deixarmos levar? Será que você não percebe que se é para querer alguém… eu quero você? Eu passei meses chorando, sofrendo, com o peito doendo, sem que nada ou ninguém conseguisse realmente sarar minha ferida.
Mas, agora, eu vejo cada um dos meus antigos pensamentos tristes substituídos por novos pensamentos, cada um mais cheio de esperança que o outro. Será que você não vê que a gente tem futuro? Será que você não vê que deveríamos arriscar? Porque, de alguma maneira estranhamente não-estranha, eu amo quem eu sou quando estou perto de você. Eu amo como você me faz sorrir, e eu amo como você melhora meu humor, e eu amo como você já conhece minhas entrelinhas. E eu também conheço as suas, anjo. Todo mundo sempre viu que você pertence comigo e eu pertenço com você. Todo mundo, menos eu e você. E agora que eu vejo, anjo…
Por que nós não damos uma chance, só mais uma vez? Eu prometo que não vou te machucar… Eu prometo que não vou corresponder às tuas conclusões equivocadas sobre a minha pessoa, eu prometo como não vou escolher outra pessoa no seu lugar, eu prometo como vou me esforçar (com cada fibrinha do meu ser) para te fazer feliz. 
E você, anjo, é a pessoa em quem eu penso quando me falam de “paixão”. É em você que eu penso quando vejo todos aqueles casais felizes nas ruas, de mãos dadas, mordendo e beijando uns aos outros. É em você que eu penso quando eu me imagino feliz, de qualquer maneira. 
E se é para sermos felizes, por que não juntos?

Coração partido dói. E você chora ininterruptamente por trinta e quatro minutos, trancada no banheiro e abraçada com aquele bichinho de pelúcia da sua idade que foi presente do seu pai, esperando que a dor passe, ou ao menos que a intensidade dela diminua. Ah, piada! Dor de coração partido não diminui não, menina. Só aumenta. E se entranha no peito. E se multiplica. E machuca. E desatina. E mata. Não importa se você chore trinta e quatro ou sessenta e dois minutos; dor de coração partido só passa quando se conserta. E quando você quebra algo, pode-se até consertar, mas as marcas ficarão para sempre visíveis. Dor de coração partido dói pra sempre.
—  Suas Palavras Me Devoraram, Letícia Sales.

Você pode ser bem idiota, às vezes. Monossilábico, dramático, infantil, nojento, ciumento, brigão, grosso; você simplesmente adora se fazer de vítima, é totalmente irritante, vive me dando nos nervos e rir da minha cara se tornou seu hobby favorito. Você é orgulhoso pra caralho, fala palavrão pra caralho e me dá susto pra caralho. Você tem a triste mania de sempre se achar certo; teimoso. De vez em quando você me magoa sem nem saber, e de vez em quando você me faz corar de vergonha. Com de vez em quando, quero dizer sempre, claro. Mas, mesmo assim… Eu te amo muito. Te amo com e por todos os teus defeitos - os que eu já conheço e os que eu nem imagino. Não mudaria nada em você, só talvez a tua memória… Para que assim você esquecesse dos meus muitos apelidos ridículos, da quantidade de vezes que eu já te dei motivos para rir de mim e principalmente de cada uma das coisas que te machucam; de você, quero só os sorrisos. (Ursinha para Ursinho)

Eu: Doutor, eu ando sentindo uma dor muito forte no peito… Dói, aperta, incomoda… Às vezes parece um cutucão, de vez em quando lembra um corte latejando, e nos dias pares eu te juro como ele não me deixa nem dormir! Não sei mais o que fazer para parar essa dor… Não adianta nada. Coloco gelo, tomo banho, até analgésico já inventei de tomar. Quando eu bebo, melhora um pouco. Doutor, que dor mais maluca é essa que vem e passa, vem e passa, vem e passa… Mas que sempre volta? Que dor é essa?

Doutor: (sorri, olhando para a assistente) Acho que temos aqui mais um caso da síndrome do Coração Partido. 

Ela sempre foi chorona. Chorava pelos finais melosos de novela, pelos estômagos com fome no mundo, pelo cachorro que queria dormir no quarto. Chorava em despedidas e chorava em reencontros, chorava por amigos perdidos e por amigos ganhados. Chorava quando ganhava presentes e chorava quando brigava com alguém. Chorava pelo que era problema dele e pelo que não era - mas chorava, e era feliz por isso. Ela chorava, expulsava tudo aquilo de dentro dela, e era feliz. Até suas lágrimas de tristeza eram felizes.
Triste mesmo foi quando conseguiram parti-la de tal maneira que ela parou de sentir tanto. Novelas acabavam, crianças passavam fome em países distantes, o cachorro arranhava a porta todinha, as pessoas iam, as pessoas voltavam, os amigos iam e os amigos chegavam, os presentes eram recebidos, as brigas aconteciam e ela já não chorava mais. Era muito triste ver alguém que antes explodia de sentimentos virar algo tão vazio, tão morno. Era triste ter vontade de sacudi-la, implorá-la para voltar a chorar, buscar algum vestígio da menina chorona que ela já havia sido dos olhos vazios.
Triste era ter que ouvir “Não choro mais porque já chorei muito”. Triste é ver quanta destruição alguém pode causar sem nem perceber.

E se eu te falar que toda essa força e marra é só uma máscara para esconder o medo que eu tenho de quebrar a cara mais uma vez? Você acreditaria?

E eu acho que cansei de sempre ter tudo pela metade. Amor pela metade, felicidade pela metade, amizades pela metade, e até mesmo pessoas pela metade (afinal de que adianta o corpo, se o coração não está lá?). Cansei de ser sempre a segunda opção, de correr atrás de quem nunca sentiria minha falta, de me importar mais com os outros do que comigo mesma. Cansei de ser a garota boa; aquela que sempre vai aceitar tudo, escutar tudo, estar lá para tudo, e que sempre, sempre, sempre, está bem. Cansei de não querer magoar as pessoas quando todo mundo me magoa, cansei de sentir medo e não falar. Cansei de ser boba, cansei de abaixar a cabeça e, principalmente, cansei de aguentar tudo calada. Cansei de nunca cansar. Cansei de falar “não se preocupe, eu vou ficar bem”. Cansei de mentiras, cansei de mágoas, cansei da minha vida.